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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 296
06 de Janeiro de 2007
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VEM AÍ O COMETA C/2006 P1 (McNAUGHT)


Trajectória aparente do Cometa McNaught após o por do Sol durante os próximos dias.
Crédito: SPACE.com usando Starrynight

Um cometa recentemente descoberto está a acabar de dar a volta por trás do Sol e poderá tornar-se em breve uma visão fantástica e rara. No entanto, é preciso ter claro que os cometas são objectos imprevisíveis e que poderá vir a ser uma decepção.

Descoberto pelo astrónomo australiano Robert McNaught a 7 de Agosto de 2006, foi catalogado como C/2006 P1, e rapidamente se tornou claro que poderia vir a tornar-se um dos grandes cometas dos tempos mais recentes.

A órbita do cometa McNaught indica que passará a apenas 25,4 milhões de quilómetros do Sol a 12 de Janeiro. Esta aproximação invulgarmente próxima (menos de metade da distância da órbita de Mercúrio) sugere que o cometa tem o potencial para se tornar muito brilhante nos próximos dias.

As estimativas mais recentes indicam que atingirá uma magnitude integrada entre 2,1 (aproximadamente o mesmo que Polaris, a Estrela Polar) e -8.8 (uma magnitude espantosa que significa que será 40 vezes mais brilhante que Vénus)!  

Quanto mais baixo o valor da magnitude mais brilhante será o objecto. As estrelas mais brilhantes de céu nocturno são normalmente catalogadas como tendo magnitudes zero ou um. Magnitudes negativas estão reservadas para objectos muito brilhantes como a estrela Sirius (-1.4), que é a estrela mais brilhante a seguir ao Sol; a Lua Cheia tem magnitude -12.7 e o Sol -26.7. As estrelas mais fracas que conseguimos ver à vista desarmada com um céu muito escuro têm magnitude à volta de +6.

A previsão da magnitude de um cometa tem-se revelado particularmente difícil, sobretudo próximo do periélio.


O cometa C/2006 P1 (McNaught) vista na Austria na noite de 3 de Janeiro de 2007.
Crédito: Michael Jager e Gerald Rhemann

(Clique na imagem para ver maior)

Este é o 31º cometa a usar o nome de McNaught e à altura da descoberta tinha magnitude 17, sendo impossível de detectar à vista desarmada ou até mesmo com a maioria dos pequenos telescópios amadores. Não é por isso de estranhar que apenas tenha sido identificável numa fotografia tirada no Siding Spring Observatory na Nova Gales do Sul.

Os observadores seguiram este objecto à medida que a distância ao Sol diminuía. Neste momento é observável imediatamente antes no nascer do Sol e imediatamente após o por do Sol.

Durante os próximos dias espera-se que o seu brilho aumente de modo a ser observável à vista desarmada até dentro das cidades. Para fazer a observação de cometas recomenda-se o uso de binóculos.

Vários observadores têm referido a observação do cometa em ambientes de grande poluição luminosa. Por exemplo, David Moore relatou a observação do cometa na noite de Ano Novo em Dublin, na Irlanda. Escreveu que: "Após procurá-lo durante cerca de meia hora pude vê-lo perfeitamente com uns binóculos 20x80."

John Bortle de Stormville, Nova Iorque observou o cometa imediatamente antes do nascer do Sol com uns binóculos 15 x 80 a 2 de Janeiro.

Aguardemos ansiosamente o que nos dará o cometa nos próximos dias.

Links:
SPACE.com (Fonte)

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
 

Foto

 
Orionte em profundidade - Crédito: Robert Gendler
Recentemente apresentámos uma imagem em que Alnitak, Alnilam, e Mintaka eram apresentadas em todo o seu esplendor. Nesta imagem vê-se toda a região abaixo do cinturão de Orionte definido por estas três estrelas e que surgem alinhadas no lado esquerdo da imagem. A 1.500 anos-luz, a Nebulosa de Orionte (à direita em cima) é uma das maiores regiões de formação estelar conhecidas. A imagem revela ainda o grande complexo de nuvens moleculares da constelação, bem como a Nebulosa Cabeça de Cavalo e a Nebulosa da Chama próximo de Alnitak.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 06/01: 6º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Esta noite Saturno passa próximo da Lua, tal como Régulo. A latitudes elevadas (acima dos 70ºN )será mesmo possível ver uma ocultação do planeta.

Dia 07/01: 7º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, Galileu Galilei observava pela primeira vez as quatro grandes luas de Júpiter.
Observações: A estrela Algol tem um dos seus abaixamentos periódicos de intensidade durante esta madrugada.

Dia 08/01: 8º dia do  calendário gregoriano.
História:  Em 1977 era lançada a missão espacial soviética Luna 21.
Em 1994, o cosmonaut russo Valeri Polyakov na Soyuz TM-18 parte para a Mir. Permanecerá na estação espacial até 22 de Março de 1995, completando um recorde de 437 dias no espaço.
Observações: Observe Saturno e sua lua Titã.

Dia 09/01: 9º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Comece a tentar tirar fotografias ao cometa C/2006 P1 (McNaught)

 
 
  CURIOSIDADES:  
 

O Sistema Solar extende-se muito para além de Plutão. Considera-se que o limite do Sistema Solar será um conjunto de gases e poeiras, na sua maior parte sob a forma de cometas, que recebe o nome de nuvem de Oort, situada a cerca de 50.000 unidades astronómicas da Terra. Pensa-se que as nuvens de Oort são proveniência dos cometas de período longo e que a massa cometária destas nuvens será superior a 40 massas terrestres.

 
 
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