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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 301
3 de Fevereiro de 2007
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ENORME NUVEM DESCOBERTA NO POLO DE TITÃ


A enorme nuvem vista no infravermelho pela sonda Cassini
Crédito: Cassini/ESA

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Uma nuvem gigante do tamanho dos Estados Unidos da América foi fotografada pela sonda Cassini sobre a lua de Saturno Titã. A nuvem pode ser responsável pelo material que enche os lagos de Titã e que foi descoberto no final do ano passado pelo radar da Cassini.
 
Camuflada pela sombra do Inverno, esta nuvem começou agora a ser observada à medida que o Inverno vai dando lugar à Primavera. A nuvem extende-se até à latitude de 60º N, tem cerca de 2400 km de diâmetro e cobre todo o pólo Norte de Titã.

A nova imagem foi obtida a 29 de Dezembro de 2006 pelo espectrómetro de mapeamento visível e infravermelho (VIMS). Os modelos científicos previam este sistema de nuvens, mas nunca haviam sido imaginados tantos detalhes anteriormente.

"Sabíamos que esta nuvem tinha que estar lá, mas ficámos espantados com o seu tamanho e estrutura," disse o Dr. Christophe Sotin da Universidade de Nantes, França, um membro da equipa de mapeamento visível e infravermelho e cientista visitante no Jet Propulsion Laboratory da NASA, em Pasadena, na Califórnia. "Este sistema de nuvens pode ser um elemento chave na formação de compostos orgânicos e na sua interacção com a superfície."

O mesmo sistema de nuvens foi observado a 29 de Dezembro de 2006 e novamente a 13 de Janeiro de 2007, embora as condições de observação tenham sido piores que as de Dezembro.

A equipa de radar da Cassini relatou no ano passado que os lagos do pólo Norte de Titã estão parcialmente cheios e que alguns parecem ter evaporado, o que provavelmente contribuiu para a formação do sistema de nuvens, que são constituídas por metano, etano e outros compostos orgânicos.


Lagos líquidos em Titã
Crédito: Cassini/ESA

(Clique na imagem para ver maior)

Estas descobertas reforçam a ideia de que as chuvas de metano são o que enche os lagos e que estes depois evaporam para formar as nuvens. Os cientistas comparam este ciclo ao ciclo hidrológico da Terra chamando-lhe o "ciclo metanológico".

Observações feitas a partir de telescópio na Terra mostram que o sistema de nuvens de Titã vai e vem com as estações. Uma estação de Titã dura cerca de 7 anos terrestres. Com base nos modelos de circulação global, parece que este sistema de nuvens poderá manter-se durante cerca de 25 anos, depois desaparecer durante 4 a 5 anos e depois voltar a reaparecer durante mais cerca de 25 anos.

Os cientistas esperam que esta nuvem se mantenha ainda durante vários anos, o que permitirá conhecer melhor a sua dinâmica.

"Com mais 16 vôos rasantes que se esperam para este ano, teremos a oportunidade de ir vendo a evolução deste sistema ao longo do tempo", disse o Dr. Stephane Le Mouelic, que trabalha na equipa de mapeamento visível e infravermelho da Cassini e também na Universidade de Nantes.

Links:
ESA (notícia original)

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
 

Foto

 
Galáxia do Sombrero em infravermelho - Crédito: R. Kennicutt (Steward Obs.) et al. , SSC , JPL , Caltech , NASA
Este anel flutuante é do tamanho de uma galáxia. De facto, faz parte da fotogénica Galáxia do Sombrero, uma das maiores galáxias no vizinho Enxame Galáctico de Virgem. A banda escura de poeira que obscurece a secção do meio de M104 no visível na realidade brilha com bastante intensidade no infravermelho. A imagem do lado mostra, no infravermelho, M104 vista pelo Telescópio Espacial Spitzer, sobreposta com cores falsas numa imagem existente tirada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA no visível. A Galáxia do Sombrero mede cerca de 50,000 anos-luz em diâmetro e situa-se a 28 milhões de anos-luz de distância. M104 pode ser observada com um pequeno telescópio na direcção da constelação de Virgem.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 03/02: 34º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1966, primeira suave aterragem na Lua, pela sonda soviética Luna 9.
Em 1984, lançamento da missão STS-41B (vaivém Challenger), primeiro passeio espacial sem ligação à nave.
Em 1994, voo inaugural do veículo de lançamento NASDA H-2 (Japão). No mesmo dia, lançamento da missão STS-60 (Discovery), primeiro cosmonauta russo a bordo do vaivém espacial.
Observações: Régulo a 1,1º S da Lua às 14h (hora local).

Dia 04/02: 35º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1932 era descoberto o asteróide 1239 Queteleta por Eugène Joseph Delporte.
Em 1934 era descoberto o asteróide 2824 Francke por Karl Wilhelm Reinmuth.
Observações: As próximas duas semanas serão uma boa altura para tentar ver a luz zodiacal olhando para oeste logo após o pôr-do-sol.

Dia 05/02: 36º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, a Apollo 14 alunava.
Observações: Aproveite para observar a Grande Nebulosa de Orionte (M42).

Dia 06/02: 37º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1959, era lançado com sucesso de Cabo Canaveral o primeiro míssil balístico Titan.
Observações: Aproveite a noite para observar Saturno.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 

O termo "planeta" em grego significa "errante" e é uma reminiscência da antiguidade em que se pensava que a natureza dos corpos celestes era igual, mas em que havia sete corpos que pareciam mover-se relativamente aos outros corpos que eram fixos (as estrelas). Os errantes eram sete, a saber: o Sol (que não é um planeta), a Lua, Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno.

 
 
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