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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 316
4 de Abril de 2007
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SISTEMAS BINÁRIOS PODEM SER RICOS EM PLANETAS

O duplo pôr-do-Sol que Luke Skywalker observou na saga "Guerra das Estrelas" pode não ser uma fantasia.

Astrónomos, usando o Telescópio Espacial Spitzer, observaram que sistemas planetários - discos poeirentos de asteróides, cometas e possivelmente planetas - são pelo menos tão abundantes em sistemas duplos como são naqueles com apenas uma estrela, tal como o nosso. Dado que mais de metade de todas as estrelas são gémeas, ou binários, este achado sugere que o Universo está recheado com planetas que têm dois sóis. Os "pôr-dos-sóis" em alguns desses mundos seriam muito parecidos aos observados no planeta de Luke Skywalker, Tatooine, onde duas bolas de fogo desceriam para trás do horizonte, uma a uma.


O Spitzer descobriu provas que os duplos pôr-do-Sol como o visto na "Guerra das Estrelas" são bem comuns no Universo.
Crédito: Guerra das Estrelas: Episódio IV, 1977 e 1997, Lucasfilm Ltd. & TM.

(clique na imagem para ver versão maior)

"Parece não haver nada contra a formação de sistemas planetários em sistemas binários," disse David Trilling da Universidade do Arizona, Tucson, autor principal de um artigo acerca da pesquisa, presente na edição de 1 de Abril do Astrophysical Journal. "Podem existir incontáveis planetas por aí com dois ou mais sóis."

Anteriormente, os astrónomos sabiam que os planetas se podiam formar em sistemas binários excepcionalmente largos, nos quais as estrelas estão 1000 vezes mais longe que a distância entre a Terra e o Sol, ou cerca de 1000 unidades astronómicas. Dos aproximadamente 200 planetas extra-solares descobertos até agora, cerca de 50 orbitam um membro de um largo duo estelar.

O novo estudo do Spitzer foca sistemas binários que são um pouco mais acolhedores, com distâncias de separação entre zero e 500 unidades astronómicas. Até agora, não se sabia se a curta proximidade de estrelas como estas poderiam afectar o crescimento dos planetas. As técnicas de caça planetária geralmente não funcionam bem com estas estrelas, mas em 2005, um astrónomo patrocinado pela NASA descobriu provas de um planeta candidato num destes sistemas múltiplos.

Trilling e seus colegas usaram os olhos infravermelhos do Spitzer para pesquisar, não planetas, mas discos de poeira em sistemas binários. Estes chamados discos de detritos são constituídos por bocados de rocha com o tamanho de asteróides, que nunca chegaram a constituir planetas rochosos. A sua presença indica que o processo de formação planetária ocorreu em torno de uma estrela, ou estrelas, possivelmente resultando em planetas intactos e maduros.


Luke Skywalker observou um pôr-do-Sol duplo na "Guerra das Estrelas". Os cientistas da NASA agora acreditam que o Universo pode estar cheio de planetas com "pôr-dos-sóis" como este.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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(clique aqui para ver uma animação em formato Quicktime)

No estudo mais compreensivo do seu género, a equipa procurou discos em 69 sistemas binários entre 50 e 200 anos-luz de distância da Terra. Todas as estrelas são um pouco mais jovens e mais massivas que o nosso Sol de meia-idade. Os dados mostram que cerca de 40% dos sistemas têm discos, valor um pouco mais alto que a frequência para uma amostra comparável de estrelas sozinhas. Isto significa que os sistemas planetários são pelo menos tão comuns em torno de sistemas binários do que são em sistemas mono-estelares.

Em adição, os astrónomos ficaram surpresos por encontrar que os discos eram ainda mais frequentes (cerca de 60%) em torno dos binários mais próximos no estudo. Estes íntimos companheiros estelares situam-se entre zero e três unidades astronómicas. O Spitzer detectou discos orbitando ambos os membros dos pares estelares, em vez de apenas um. Sistemas estelares como estes é onde planetas, se estiverem presentes, disfrutariam de pôr-dos-sóis como os de Tatooine.

"Ficámos bastante surpreendidos em descobrir que os grupos mais compactos tinham mais discos," disse Trilling. "Isto poderá significar que a formação planetária será mais provável em próximos binários do que em estrelas individuais, mas também poderá implicar que estes mesmos binários são apenas mais poeirentos. Observações futuras poderão providenciar uma melhor resposta."

Os dados do Spitzer também revelam que nem todos os sistemas binários são lugares propícios à formação de planetas. O telescópio detectou bem menos discos em sistemas binários com distâncias intermédias de separação, entre três e 50 unidades astronómicas. Isto implica que as estrelas ou têm que estar muito próximas, ou então razoavelmente longe, para os planetas se formarem.


Diagrama que ilustra que os sistemas planetários podem ser mais comuns em torno de sistemas binários, estrelas que ou estão muito próximas, ou muito distantes.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Univ. do Arizona
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"Para um planeta num sistema binário, o local é tudo," disse o co-autor Karl Stapelfeldt do JPL da NASA.

"Os sistemas binários já foram bem ignorados," acrescentou Trilling. "São mais difíceis de estudar, mas podem ser os locais mais comuns para a formação de planetas na nossa Galáxia."

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (NASA)
SPACE.com
USA Today
FOXNews.com
Sun-Sentinel
Astrobiology Magazine
The Register
Slashdot

Sistemas binários:
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Mancha solar vista de lado - Crédito: Hinode, JAXA, NASA
Porque é que existem manchas escuras no Sol? Embora já se saiba da sua existência há milhares de anos, há apenas décadas que se sabe que as manchas solares são regiões do Sol ligeiramente mais frias (daí aparecerem mais escuras que a área à volta) devido ao complexo e dinâmico campo magnético solar. Imagens de alta resolução como esta do lado, tiradas pelo novo observatório solar, o satélite japonês Hinode, no entanto, estão a ajudar a melhor compreender estas características. No centro da imagem encontra-se uma mancha solar, mas vista numa outra direcção que a usual - esta é vista de lado. De particular interesse é o gás brilhante em erupção que mostra que o campo magnético do Sol vem directamente do centro da mancha mas curva afincadamente perto dos seus limites. Uma maior compreensão de como o Sol ejecta as partículas para o espaço pode resultar em previsões mais precisas de como as tempestades solares afectam os satélites, os astronautas, e até centrais eléctricas na Terra.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
  ESPAÇO ABERTO 2007:  
 
Observação astronómica, dia 14 de Abril de 2007, na açoteia do CCVAlg, entre as 21:30 e as 23:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 04/04: 94º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1968, era lançada a Apollo 6.
Em 1983, o Space Shuttle Challenger fazia o seu voo inaugural no espaço.
Observações: Aproveite a noite para observar ao pôr-do-Sol a "estrela da tarde", o planeta Vénus.

Dia 05/04: 95º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 a sonda Pioneer 11 faz as primeiras observações directas de Saturno (1979) e estuda as partículas energéticas da helioesfera exterior. A missão Pioneer 11 termina a 30 de Setembro de 1995, quando a última transmissão da sonda foi recebida. Com a sua fonte de energia exausta, não pode operar mais nenhum dos seus instrumentos científicos, nem apontar a sua antena para a Terra. A Pioneer está viajando na direcção da constelação de Águia. Poderá passar perto de uma das estrelas da constelação daqui a mais ou menos 4 milhões de anos.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton. O objectivo desta missão era obter medições de raios-gama de toda a esfera celeste, com uma resolução angular bem melhor e com um aumento de sensibilidade em relação às anteriores missões espaciais de raios-gama. O Compton foi retirado de órbita e re-entrou na atmosfera da Terra no dia 4 de Junho do ano 2000.

Dia 06/04: 96º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1993, cientistas da NASA, usando o Explorador Ultravioleta Internacional (IUE), descobrem provas directas de que as estrelas supergigantes vermelhas terminam a sua existência em explosões massivas conhecidas como supernovas. A 12 milhões de anos-luz de distância, na galáxia conhecida como M81, o Tipo II de supernova foi designado SN 1993J, a décima supernova do ano.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
O Sol tem uma temperatura média à superfície de cerca de 6000 K, não sendo por isso uma estrela nem muito quente, nem muito fria.
 
 
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