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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 318
18 de Abril de 2007
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PRIMEIRO SINAL DE ÁGUA DETECTADO NUM PLANETA EXTRASOLAR

De acordo com uma análise de dados recolhidos pelo Hubble, foi pela primeira vez detectada água na atmosfera de um mundo extrasolar. Alguns cientistas aplaudem o resultado - que já tinha sido teoricamente previsto mas não observado em estudos prévios, enquanto outros dizem que o aparente sinal de água pode simplesmente ser ruído instrumental.

O planeta, chamado HD 209458b, tem mais ou menos 70% da massa da Júpiter e é queimado pelo calor da sua estrela-mãe, pois orbita 9 vezes mais próximo que Mercúrio do Sol.

Devido a ser apenas um do pequeno número de planetas extrasolares observados directamente em frente ou por trás da sua estrela, a partir da Terra, os astrónomos foram capazes de recolher muita informação - como o seu tamanho e massa - acerca deste distante mundo.

Em Fevereiro, cientistas usando um telescópio sensível ao infravermelho, o Telescópio Espacial Spitzer, anunciaram que não havia sinais de vapor de água na sua atmosfera. Dado que se espera que esta molécula seja abundante nas atmosferas dos planetas extrasolares, alguns especularam que o sinal de água foi obscurecido por uma neblina de poeira.


Impressão de artista do gigante planeta gasoso orbitando a estrela tipo-Sol HD 209458, a 150 anos-luz da Terra. Os astrónomos usaram o Telescópio Hubble para observar este mundo e fazer a primeira detecção de uma atmosfera em torno do uma planeta extrasolar.
Crédito: NASA/G. Bacon

Agora, observações do Hubble revelaram a água que faltava. Travis Barman do Observatório Lowell em Flagstaff, Arizona, EUA, analisou informaticamente os dados previamente obtidos pelo Hubble quando o planeta eclipsava parcialmente a sua estrela-mãe.

A quantidade de luz bloqueada durante estes eclipses foi previamente usada para determinar com precisão o raio do planeta, que é cerca de 30% maior que o de Júpiter.

O Hubble observou a luz da estrela que tinha sido filtrada pelo limites exteriores da atmosfera do planeta. Devido à sua composição química específica, a atmosfera é mais transparente em certos comprimentos de onda que noutros.

Barman descobriu pistas para esta composição ao fazer diferentes modelos da atmosfera, cada com uma composição química diferente, e ao observar qual destes coincidia melhor com as observações. Ele diz que a relativamente pequena quantidade de luz filtrada a mais ou menos 0.9 microns sugere a presença de água, que absorve luz neste comprimento de onda. "Para mim, é uma clara indicação que água aí existe," disse Barman. "Penso que esta é a primeira vez que temos fortes evidências da presença de água em pelo menos um planeta extrasolar."

Mesmo com a presença de água, ele aponta que as altas temperaturas do planeta (média de 1000º Celsius) não são favoráveis à vida. "Não é um lugar que eu ou qualquer outra pessoa queira visitar," acrescenta.


O trânsito de HD 209548b.

Mark Swain, membro de uma das duas equipas do Spitzer que não encontraram quaisquer sinais de água e cientista no JPL da NASA, diz que o novo resultado poderá proporcionar mais informações acerca da atmosfera do planeta.

Para o Spitzer directamente detectar moléculas de água através do modo como absorvem luz, o interior do planeta tem que ser mais quente que a sua atmosfera superior. Se o planeta tiver uma temperatura relativamente uniforme, no entanto, isso - e não a obscuração por nuvens de poeira - poderá explicar a falta de água na detecção do Spitzer.

"É certamente um resultado interessante," disse. "Estes planetas têm sempre alguma coisa com que nos surpreender."

Drake Deming do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, membro da outra equipa do Spitzer, está também impressionado com os resultados. "Ele certamente mostrou que encaixa melhor com a absorção de água do que sem," afirma. "Penso que até o indivíduo mais céptico o diria."

Mas David Charbonneau da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, EUA, membro da equipa que originalmente obteve os dados do Hubble usados por Barman, diz que o efeito é pequeno o suficiente e que simplesmente poderá ser o resultado de ruído nos instrumentos do Hubble.

"Dado que não podemos excluir uma origem instrumental para estas variações, pode ser prematuro interpretá-las com uma origem molecular na atmosfera planetária," acrescenta.

Links:

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Observatório Lowell (comunicado de imprensa)
Reuters
Yahoo! News

HD 209458b:
Wikipedia
Extrasolar Planets Encyclopaedia
Artigo submetido por T. Barman (formato PDF)

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
STScI
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
MWC 922: Nebulosa do Quadrado Vermelho - Crédito: Peter Tuthill (Sydney U.) and James Lloyd (Cornell)
O que pode causar uma nebulosa parecer quadrada? Ninguém sabe. O quente sistema estelar, conhecido como MWC 922, no entanto, parece estar embebido numa nebulosa com tal forma. A imagem do lado combina exposições no infravermelho a partir do Telescópio Hale no Monte Palomar, Califórnia, com as do Telescópio Keck-2 no Mauna Kea, Hawaii. Uma hipótese para a nebulosa quadrada diz que a estrela ou estrelas centrais de alguma maneira expeliram cones de gás durante uma fase avançada do seu desenvolvimento. Para MWC 922, estes cones parecem incorporar ângulos quase direitos e são visíveis dos lados. Evidências para esta teoria includem raios na imagem que podem correr ao longo das paredes dos cones. Os cientistas especulam que os cones vistos de outro ângulo pareceriam semelhantes aos anéis da supernova 1987A, possivelmente indicando que uma estrela em MWC 922 poderia um dia explodir e formar uma supernova do género.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
  ESPAÇO ABERTO 2007:  
 
Observação astronómica, dia 19 de Maio de 2007, na açoteia do CCVAlg, entre as 21:30 e as 23:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 18/04: 108º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Aproveite a noite para uma ida ao cinema. "Sunshine - Missão Solar" é um filme de ficção científica com deslumbrantes efeitos especiais solares.

Dia 19/04: 109º dia do calendário gregoriano.
Observações: A Lua Crescente brilha entre Vénus e as Plêiades esta noite.

Dia 20/04: 110º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1972, a Apollo 16 aterra na Lua, uma das seis missões tripuladas à Lua com sucesso. John W. Young e Thomas K. Mattingly III aterraram numa área de nome Descartes. Este foi o primeiro estudo das terras-altas, feito com várias câmaras e experiências. O "rover" lunar foi usado pela segunda vez. Os astronautas permaneceram 71 horas na superfície. Recolheram 95.8 kg de rochas lunares.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
A cerca de 150 milhões de quilómetros, a luz do Sol demora aproximadamente 8 minutos a chegar à Terra.
 
 
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