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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 321
9 de Maio de 2007
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CHANDRA OBSERVA A MAIS BRILHANTE SUPERNOVA

A mais brilhante explosão estelar alguma vez registada poderá ser um novo tipo de supernova há muito tempo teorizado, de acordo com observações pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA e por telescópios ópticos terrestres. Esta descoberta indica que as violentas explosões de estrelas extremamente massivas eram relativamente comuns no começo do Universo, e que uma explosão similar pode estar prestes a ocorrer na nossa Galáxia.

"Esta foi uma explosão verdadeiramente monstruosa, cem vezes mais energética que uma típica supernova," disse Nathan Smith da Universidade da Califórnia em Berkeley. "Isto significa que a estrela que explodiu podia ter sido tão massiva quanto uma estrela pode ser, cerca de 150 vezes o nosso Sol. Nunca tínhamos observado nada deste género."


Ilustração de SN 2006gy, com dados do Observatório Lick e Chandra.
Crédito: NASA/CXC/M.Weiss; raios-X: NASA/CXC/UC Berkeley/N.Smith et al.; IR: Lick/UC Berkeley/J.Bloom & C.Hansen
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Os astrónomos pensam que muitas das estrelas de primeira geração eram tão massivas, e esta nova supernova pode por isso providenciar um raro olhar de como morreram as primeiras estrelas. No entanto, a descoberta de tal estrela e sua consequente morte não tem precedentes. A descoberta da supernova, conhecida como SN 2006gy, fornece provas que a morte de estrelas tão massivas é fundamentalmente diferente das previsões teóricas.


Imagens em raios-X de SN 2006gy. O glóbulo à esquerda é o núcleo galáctico de NGC 1260, e o à direita é o da supernova.
Crédito: NASA/CXC/UC Berkeley/N.Smith et al.
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"De todas as supernovas já observadas, esta foi a maior," disse Alex Filipenko, líder das observações terrestres no Observatório Lick no Mt. Hamilton, Califórnia, e no Observatório Keck em Mauna Kea, Hawaii. "Ficámos estupefactos ao ver quão brilhante era, e quanto tempo durou."

A observação pelo Chandra permitiu à equipa excluir a explicação alternativa mais provável para a supernova: que uma anã branca com uma massa ligeiramente superior à do Sol explodiu num ambiente denso e rico em hidrogénio. Nesse evento, SN 2006gy deveria ter sido 1000 vezes mais brilhante em raios-X que a detecção obtida pelo Chandra.

"Isto é uma grande prova que SN 2006gy foi, de facto, a morte de uma estrela extremamente massiva," disse Dave Pooley da Universidade da Califórnia em Berkeley, que liderou as observações do Chandra.

A estrela que produziu SN 2006gy aparentemente expeliu uma grande quantidade de massa antes de explodir. Esta grande perda de massa é similar àquela observada em Eta Carinae, uma estrela massiva na nossa própria Galáxia, o que levanta suspeitas que Eta Carinae pode estar prestes a explodir numa supernova. Embora SN 2006gy seja intrinsecamente a supernova mais brilhante alguma vez registada, situa-se na galáxia NGC 1260, a uns 240 milhões de anos-luz de distância. No entanto, Eta Carinae está apenas a 7500 anos-luz, na nossa Via Láctea.

"Não sabemos com exactidão se Eta Carinae explodirá em breve, mas é melhor estarmos atentos," disse Mario Livio do STSS em Baltimore, que não esteve envolvido na pesquisa. "A explosão de Eta Carinae poderá ser o maior espectáculo estelar na história da civilização moderna."


Sumário do nosso melhor conhecimento da evolução das estrelas.
Crédito: NASA/CXC/M.Weiss
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As supernovas geralmente ocorrem quando estrelas massivas gastam o seu combustível e colapsam sobre a sua própria gravidade. No caso de SN 2006gy, os astrónomos pensam que um efeito muito diferente poderá ter despoletado a explosão. Sob algumas condições, o núcleo da estrela massiva produz tanta radiação de raios-gama que alguma da sua energia é convertida em pares de partículas e anti-partículas. A descida do nível energético daí resultante faz com que a estrela colapse sob a sua própria enorme gravidade.

Depois deste violento colapso, as reacções termonucleares atingem um pico e a estrela explode, expelindo os seus restos para o espaço. Os dados de SN 2006gy sugerem que as supernovas das estrelas de primeira geração - em vez de colapsarem num buraco negro como teorizado - podem ser mais comuns do que se pensava.

"Em termos do efeito no jovem Universo, existe uma grande diferença entre estas duas possibilidades," disse Smith. "Uma polui a galáxia com grandes quantidades de novos elementos e a outra prende-os para sempre num buraco negro."

Os resultados de Smith e seus colegas poderão ser consultados no Astrophysical Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório Chandra (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
New Scientist
FOXNews.com
TIME
CNN.com
ScienceDaily
Discovery Channel
PHYSORG.com

Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Observatório Lick:
Página oficial
Wikipedia

Observatório Keck:
Página oficial
Wikipedia

Eta Carinae:
Wikipedia
SolStation.com
SPACE.com

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Céu escuro no Vale da Morte - Crédito: Dan Duriscoe, U.S. National Park Service
Este fantasmagórico brilho sobre o Vale da Morte, está em perigo. A imagem mostra uma visão especatcular de um dos lugares mais escuros que restam no continente americano: o Vale da Morte, na Califórnia, EUA. O panorama de 360 graus é um compósito de 30 imagens tiradas há dois anos. A imagem foi digitalmente processada e está esticada a grandes altitudes para a fazer rectangular. No pano da frente à direita está uma rocha particularmente bem colocada que deve ter sido empurrada pelos ventos até à planície. No pano de fundo está o majestoso céu nocturno, com milhares de estrelas e muitas constelações. O arco pelo meio é a banda central da nossa Via Láctea. A poluição luminosa ameaça os céus como este, e por isso há que arranjar métodos para os proteger.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  ESPAÇO ABERTO 2007:  
 
Observação astronómica, dia 19 de Maio de 2007, na açoteia do CCVAlg, entre as 21:30 e as 23:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 09/05: 129º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Observações: Vénus passa a pouco mais de um grau do enxame aberto M35, em Gémeos. Experimente observá-los com uns binóculos ou um pequeno telescópio.

Dia 10/05: 130º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971 era lançada a Kosmos 419 (USSR). Não conseguiu atingir a órbita da Terra.
Observações: Lua em Quarto Crescente, por volta das 17:27.

Dia 11/05: 131º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1918 nascia Richard Feyman, que em conjunto com Julian Schwinger e Sin-Itiro Tomonaga, ganhou o prémio Nobel da Física pelo seu trabalho sobre electrodinâmica quântica. Também trabalhou na investigação do acidente do vaivém Challenger.
Em 1916 nascia Karl Schwarzschild, que usando a teoria da gravitação de Einstein que descreve a forma como o espaço-tempo é curvado pela matéria, explica que quando uma estrela se contrai, existe um ponto em que a sua gravidade é tão forte que nem a luz pode escapar, o agora famoso buraco negro. Este ponto é conhecido como o raio de Schwarzchild e é igual à massa do objecto multiplicada pelo dobro da constante da gravidade e dividida pela velocidade da luz ao quadrado.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Alguns dos mais poderosos terramotos que "abalaram" a Terra foram situados perto de Memphis, EUA, entre 1811 e 1812. Um deles foi tão violento que fez com que o rio Mississipi (alegadamente) corresse em sentido contrário durante alguns minutos.
 
 
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