NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 33
15 de Junho de 2004
CASSINI VISITA LUA DE SATURNO FEBE

 


Imagens de Febe que mostram detalhes sem precendentes da Lua de Saturno.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
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A sonda Cassini completou com sucesso o seu primeiro voo rasante de uma lua de Saturno esta Sexta-feira passada. As imagens detalhadas revelam uma superfície bastante craterada que pôs os astrónomos a debater as origens do pequeno satélite.

As imagens com mais detalhe até agora mostram um pequeno mundo cheio de crateras, mas com grandes variações no brilho da superfície. Febe é no geral muito escuro, mas inspecções mais pormenorizadas revelam áreas tão brilhantes que se tornam sobrexpostas na foto.

Febe tem cerca de 220 km de diâmetro, ou aproximadamente 1/15 do diâmetro da Lua. Orbita Saturno retrogradamente em comparação à rotação do planeta. A sua superfície escura há muito tempo que pôs os cientistas a especular se foi um objecto capturado da Cintura de Kuiper, uma região de corpos gelados para lá de Neptuno.

Embora seja muito cedo para dizer, os cientistas acreditam que um estudo aprofundado das imagens de Febe poderão revelar a autenticidade do facto anterior, e poderão também acrescentar algo mais acerca da formação do sistema solar, há 4.5 mil milhões de anos atrás.

A imagem com maior resolução até agora mostra uma cratera com brilhantes raios que se extendem do seu centro. Isto sugere que material escuro cobre o exterior do que pode ser um corpo predominantemente gelado, dizem os cientistas. Os objectos da Cintura de Kuiper, mais do que asteróides, pensa-se que sejam constituídos maioritariamente de gelo. As grandes crateras também levam à especulação que Febe, a maior das luas exteriores de Saturno, possa ser a mãe de outras luas exteriores muito mais pequenas que orbitam retrogradamente Saturno.


A superfície de Febe contém brilhantes crateras (em cima, ao centro).
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
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As crateras em Febe (algumas com 50 quilómetros) podem ser o resultado de colisões com objectos mais pequenos, alguns até com 100 metros de diâmetro.

Durante a missão de quatro anos da Cassini, a sonda irá orbitar Saturno 76 vezes e executar 52 encontros com sete das 31 luas conhecidas de Saturno. Poderá descobrir mais luas ainda não avistadas dentro do sistema de anéis. Esta foi a última espreitadela detalhada a Febe durante a missão.

Cassini esteve a 2,068 quilómetros da lua escura. A sonda tirou fotos de Febe, registou dados de radar e fez outras leituras. Algumas horas depois apontou a sua antena para a Terra e enviou as imagens e dados. Passou pela lua a uma velocidade de aproximadamente 20,900 km/h relativamente a Saturno.

A última visita a Febe foi da Voyager 2 em 1981. Esta aproximação foi, no entanto, 1,000 vezes mais distante.

Links:

Sonda Cassini:
http://saturn.jpl.nasa.gov
http://ciclops.lpl.arizona.edu
http://www.esa.int/SPECIALS/Cassini-Huygens
http://www.asi.it

Saturno:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/saturno.htm

Febe:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/febe.htm

Mais notícias relacionadas:
http://www.newscientist.com/news/news.jsp?id=ns99995106
http://www.smh.com.au/articles/2004/06/14/1087065082899.html?oneclick=true
http://www.cnn.com/2004/TECH/space/06/12/saturn.moon.ap/index.html
http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/3798485.stm

 
ROVERS MARCIANOS CHEGAM AOS SEUS TÃO ESPERADOS DESTINOS

Os rovers marcianos da NASA completaram o seu longo percurso e estão agora em locais completamente diferentes que os cientistas esperavam ansiosamente alcançar.

A sonda Opportunity encontra-se dentro da cratera Endurance. Começou a descer na Sexta-feira passada, no que pode ser uma viagem sem retorno. Dúzias de novas imagens foram já enviadas, mostrando a vertente rochosa que desceu.

A equipa da NASA decidiu na semana passada que para este "assalto" inicial à arena, a Opportunity desceria apenas 7 metros, mantendo as suas rodas o mais possível em rocha e não em solo arenoso que poderia não proporcionar tracção suficiente.

As imagens enviadas até agora mostram que está a atravessar o que pode ser a área mais densa e polvilhada de rochas que os rovers já viram em Marte.


Esta foto mostra o rover Opportunity a descer a cratera Endurance. Tirada a 9 de Junho.
Crédito: NASA/JPL
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Depois de estudar alguns leitos de rocha na cratera com os seus instrumentos, a Opportunity irá tentar retraçar o seu percurso e daí sair. Se isto resultar - e a equipa acredita que sim - poderão ganhar confiança e tentar uma 2ª viagem, desta vez mais a maior profundidade.

Entretanto, no outro lado do Planeta Vermelho, o rover Spirit completou oficialmente um caminho de mais de três quilómetros por entre terreno rochoso que se pensa ser um antigo lago. Esta viagem está tão para lá do tempo de vida esperado do veículo que a equipa pensou no início que seria impossível de atingir.

A Spirit encontra-se actualmente na base dos montes Columbia, e está prestes a andar um pouco para cima numa missão de reconhecimento, procurando vistas mais amplas e alvos interessantes para os seus intrumentos.


Foto tirada há uma semana. Ao fundo temos os Montes Columbia.
Crédito: NASA/JPL
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O rover espera-se que passe algum tempo a estudar a base dos montes, providenciando informação que pode ajudar a equipa a decidir se tenta uma subida substancial em busca de leitos de rocha sedimentares. Irá também capturar vistas extensas do terreno circundante dentro da cratera Gusev.

Durante a sua longa viagem até aos montes, a Spirit fez mais estudos acerca da presença passada de água em Marte.

Elementos detectados numa vala que a Spirit cavou no solo mostram concentrações de magnésio e enxofre que dão uma prova directa da presença passada de água nesse local, embora muito menos do que foi detectado pela Opportunity em Meridiani Planum.

"Não precisamos de um lago para fazer isto", disse o cientista Steve Squyres, líder da missão. "A explicação mais lógica é que água infiltrou-se pela subsuperfície e dissolveu minerais."

Links:

Spirit e Opportunity:
http://marsrovers.jpl.nasa.gov/home

Mais notícias relacionadas:
http://www.space.com/missionlaunches/rovers_update_040613.html
http://www.nasa.gov/vision/universe/solarsystem/release-060408.html

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     
 
A onda perfeita - Crédito: Joli
Esta imagem espectacular de uma onda gigantesca foi tirada no Tahiti. De nome Teahupoo, quando este fenómeno ocorre a onda quebra meio metro abaixo da linha de água. Esta é tão poderosa que quando atravessa a barreira de coral, faz com que a água da base seja sugada com uma violência tal, levando à formação de uma parede e provocando este fantástico desnível.
Ver imagem em alta-resolução
     
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 15/06: 167º dia do  calendário gregoriano.
Em 763 a.C. os assírios assinalam um eclipse solar.
Às 22h28min48s poderá observar um flare de irídio na direcção ENE (azimute 67º) a uma altura de 45º acima do nível do horizonte. O flare do satélite Iridium 63 atingirá a magnitude aparente de -8.

Dia 16/06: 168º dia do calendário gregoriano.
Em 1963, Valentina Tereshkova torna-se na primeira mulher a ir ao espaço, a bordo da nave soviética Vostok 6. O seu voo solitário é ainda único. Vinte anos mais tarde, no dia 18, Sally Ride torna-se na primeira americana em órbita, a bordo do Space Shuttle.

Dia 17/06: 169º dia do  calendário gregoriano.
Mercúrio encontra-se no periélio (0.3075 UA do Sol).
Marte (longitude eclíptica 133.7º) e Neptuno (313.7º) estão em oposição heliocêntrica.

Dia 18/06: 170º dia do calendário gregoriano.
Mercúrio encontra-se em conjunção superior com o Sol.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Júpiter é quase tão grande em diâmetro como um planeta gasoso pode ser. Se adicionássemos mais material, seria tão comprimido pela sua gravidade que o raio total apenas aumentaria um pouco. Uma estrela pode ser maior por causa da sua fonte de aquecimento (nuclear) interno (mas Júpiter teria de ser pelo menos 100 vezes mais massivo para se tornar numa estrela).
 
 
 
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