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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 338
1 de Agosto de 2007
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DESCOBERTO NOVO TIPO DE GALÁXIA ACTIVA

Uma equipa internacional de astrónomos, usando o satélite Swift da NASA e o observatório de raios-X Japonês/Americano Suzaku, descobriu uma nova classe de núcleo galáctico activo (NGA).

Seria de imaginar que por esta altura os astrónomos já tivessem descoberto todas as diferentes classes de NGAs - núcleos galácticos extraordinariamente energéticos alimentados por buracos negros supermassivos de acreção. Estes, tal como os quasares, blazares e as galáxias de Seyfert, estão entre os objectos mais luminosos do nosso Universo, muitas vezes "despejando" a energia de milhares de milhões de estrelas de uma região não maior que o nosso Sistema Solar.


No recém-descoberto tipo de NGA, o disco e o anel em torno do buraco negro estão tão obscurecidos pelo gás e poeira que nenhuma luz visível escapa, tornando-se muito difíceis de detectar. A ilustração mostra uma cena de uma perspectiva mais distante do objecto.
Crédito: Aurore Simonnet, Universidade Estatal de Sonoma
(clique na imagem para ver versão maior)

Mas ao usar o Swift e o Suzaku, a equipa descobriu que uma classe relativamente comum de NGA tinha escapado à detecção - até agora. Estes objectos estão envoltos em quantidades tão grandes de gás e poeira que virtualmente nenhuma luz por aí atravessa.

"Esta é uma descoberta importante porque nos ajudará a melhor compreender o porquê de alguns buracos negros supermassivos brilharem e outros não," diz o astrónomo e membro da equipa, Jack Tueller, do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland.

Evidências deste novo tipo de NGA começaram a surgir nos últimos dois anos. Usando o instrumento BAT (Burst Alert Telescope) do Swift, uma equipa liderada por Tueller descobriu algumas centenas de relativamente próximos NGAs, previamente não observados porque a sua radiação visível e ultravioleta estavam bloqueadas por gás e poeira. O BAT foi capaz de detectar raios-X altamente energéticos oriundos destes NGAs escondidos porque, ao contrário da luz visível, os raios-X altamente energéticos podem atravessar o espesso gás e poeira.


A ilustração mostra as diferentes estruturas de um núcleo de uma galáxia activa (NGA), e como o nosso ângulo de visão determina qual tipo estamos a observar. A luminosidade extrema de um NGA é alimentada por um buraco negro supermassivo no centro. Alguns NGA têm jatos, enquantos outros não.
Crédito: Aurore Simonnet, Universidade Estatal de Sonoma
(clique na imagem para ver versão maior, sem legenda)

Seguidamente, Yoshihiro Ueda da Universidade de Kyoto, Japão, Tueller, e uma equipa de astrónomos americanos e japoneses observaram dois destes NGAs com o Suzaku. Esperavam determinar se os obscurecidos NGAs são basicamente o mesmo tipo de objectos que outros NGAs, ou se são fundamentalmente diferentes. Os NGAs residem nas galáxias ESO 005-G004 e ESO 297-G018, que se situam a cerca de 80 milhões e 350 milhões de anos-luz da Terra, respectivamente.

O Suzaku cobre uma maior amplitude de raios-X que o BAT, por isso os astrónomos esperavam que o Suzaku observasse raios-X ao longo de uma grande área do espectro de raios-X. Mas embora o Suzaku tenha uma grande sensibilidade, detectou muito poucos raios-X de baixa ou média energia destes dois NGA, que explica o porquê de estudos anteriores em raios-X não os terem descoberto.

De acordo com os modelos populares, os núcleos galácticos activos são rodeados por um anel de material em forma de donut, que obscurece parcialmente a nossa visão do buraco negro. O nosso ângulo de visão com respeito ao donut determina o tipo de objecto que estamos observando. Mas o membro da equipa, Richard Mushotzky, também de Goddard da NASA, pensa que estes recém-descobertos NGAs estão completamente rodeados por uma concha de material. "Podemos observar luz visível a partir de outros tipos de NGA por existir luz espalhada," diz Mushotzky. "Mas nestas duas galáxias, toda a luz originária do núcleo está totalmente bloqueada."


As imagens do DSS (Digitized Sky Survey) mostram as duas galáxias observadas pelo Suzaku que têm um núcleo activo escondido: ESO 005-G004 (esquerda) e ESO 297-G018 (direita). Ambas as galáxias têm uma estrutura espiral.
Crédito: DSS/Telescópio Schmidt do RU/AAT Board

Outra possibilidade é que estes NGAs têm pouco gás na sua vizinhança. Noutros, o gás espalha a luz em múltiplos comprimentos de onda, o que torna os visíveis mesmo que estejam envoltos em material.

"Os nossos resultados sugerem que deve existir um grande número de NGAs obscurecidos ainda não reconhecidos no Universo local," diz Ueda.

De facto, estes objectos podem compreender cerca de 20% das fontes pontuais dos raios-X de fundo, um brilho da radiação de raios-X que penetra o nosso Universo. O Observatório de raios-X Chandra da NASA descobriu que esta radiação é na realidade produzida por grandes números de núcleos galácticos activos, mas o Chandra não foi capaz de identificar a natureza de todas as fontes.

Ao não descobrir esta nova classe, os anteriores estudos de NGAs ficam altamente desequilibrados, e por isso providenciam uma imagem incompleta de como os buracos negros supermassivos e suas galáxias-mãe evoluíram ao longo da História Cósmica. "Pensamos que estes buracos negros desempenharam um papel crucial no controlo e formação das galáxias, e controlam o fluxo de matéria nos enxames," diz Tueller. "Não podemos compreender o Universo sem compreender os buracos negros supermassivos e o que estão fazendo. Para complementar a nossa compreensão temos que ter uma amostra imparcial."

O artigo da descoberta está publicado na edição de hoje (1 de Agosto) do Astrophysical Journal Letters.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
MSNBC
USA Today
Science Daily

Núcleos galácticos activos (NGAs):
Wikipedia
Astronomia em raios-X (Cambridge)

Satélite Swift:
NASA
Wikipedia

Suzaku:
NASA
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Ataque laser ao Centro Galáctico - Crédito: Yuri Beletsky (ESO)
Porque estão disparando um poderoso laser para o centro da nossa Galáxia? Felizmente, isto não é o primeiro passo numa guerra Galáctica. Ao invés, os astrónomos do VLT (Very Large Telescope) no Chile estão a tentar medir as distorções na sempre em mudança atmosfera da Terra. O estudo constante dos átomos a alta-altitude excitados pelo laser -- que aparecem como uma estrela artificial -- permitem aos astrónomos medir instantaneamente a distorção atmosférica. Esta informação é fornecida ao espelho do telescópio do VLT que é depois ligeiramente deformado para minimizar esta distorção. Neste caso, um dos telescópios do VLT estava observando o centro da Via Láctea, e por isso foi necessária a obtenção dos dados nessa direcção. No que respeita a uma guerra inter-galáctica, quando visto do centro da nossa Galáxia, nenhumas baixas seriam de esperar. De facto, a luz deste poderoso laser combinar-se-ia com luz do nosso Sol e pareceria apenas tão brilhante como uma ténue e distante estrela.
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Até 15 de Setembro, todos os dias excepto às segundas-feiras, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
Observações dependentes das condições atmosféricas.
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 01/08: 213º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1818 nascia Maria Mitchell, a primeira mulher eleita como astrónoma pela Academia Americana de Artes e Ciências. Ganhou notoriedade mundial pela descoberta de um cometa brilhante em 1847.

Dia 02/08: 214º dia do calendário gregoriano.
Observações: A constelação do Ofiúco é algo misteriosa: esta é a 13.ª constelação do Zodíaco, situada entre Escorpião e Sagitário. Este ano o planeta Júpiter está a seus pés.

Dia 03/08: 215º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1999, o asteróide 1566 Icarus passava à distância mínima da Terra de 0.651 UA.
Observações: Se gosta de se deitar tarde nestas quentes noites de Verão, pode observar Marte a partir da 01:30, para a direita das Plêiades.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
O peso de um corpo na Lua é um sexto do seu peso na Terra.
 
 
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