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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 352
26 de Setembro de 2007
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CALOTE POLAR SUL DE MARTE É NA MAIORIA ÁGUA GELADA

Uma equipa de cientistas planetários liderada pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) descobriu que o pólo Sul de Marte contém o maior depósito de água gelada no Sistema Solar interior, para além da Terra. De acordo com Maria Zuber, professora de Geofísica do MIT, os novos resultados mostram que a água (não o dióxido de carbono) é o líquido congelado predominante da região polar sul de Marte.

Zuber disse que os cientistas já suspeitavam que a calote polar Sul de Marte era compreendida por uma fina porção de dióxido de carbono situado por cima de uma camada de poeira e gelo. No entanto, os cientistas também observaram uma área em redor muito maior que a calote polar, que é escura e lisa, e era incerto se essa reigão eram também composta por poeira ou gelo -- ou ambos.

"O que descobrimos é que a água gelada é o constituinte dominante por baixo de uma camada superficial de poeira," disse Zuber, autora principal de um artigo que aparece na edição de 21 de Setembro da revista Science.


Esta imagem da região polar Sul de Marte mostra a calote de gelo (em branco) dentro de depósitos lisos e sedimentares que cobrem as terras altas e crateradas da região.
Crédito: NASA/MOLA Science Team

Desde que canais escavados foram pela primeira vez observados na superfície de Marte, que os cientistas suspeitavam que a água já fluiu pela sua superfície.

Os cientistas também se questionavam sobre se os pólos marcianos conteriam grandes reservas de água. No entanto, porque a atmosfera de Marte é 95% de CO2 com apenas muito poucos traços de água, alguns cientistas teorizavam que as calotes polares teriam dióxido de carbono gelado, ou "gelo seco".

A equipa de Zuber identificou a composição da calote polar sul através do cálculo da sua densidade. Os seus resultados motram que a densidade da calote polar, bem como a da região em volta, contendo o liso depósito sedimentado, é de cerca de 1200 quilogramas por metro cúbico, o que indica que é constituido maioritariamente por água, com uns 15% de poeiras de silicatos aí misturadas (a densidade da água gelada é de cerca de 1000 kg/m^3, e a densidade do gelo seco é de 1600 kg/m^3).

Zuber e seus colegas usaram dados topográficos e gravitacionais recolhidos por três sondas marcianas de modo a descobrir o volume e massa da calote polar, permitindo o cálculo da sua densidade. "É na realidade um experiência simples mas onde as coisas têm que ser medidas com muita precisão," disse Zuber, líder do Departamento Terrestre, Atmosférico e de Ciências Planetárias do MIT. A experiência revelou que a região polar sul de Marte é o maior corpo de água gelada do planeta e o maior, para além da Terra, no Sistema Solar interior, que inclui Marte, a Terra, Vénus e Mercúrio.

Até agora, os cientistas intrigavam-se sobre as observações que mostravam que uma grande percentagem da superfície da região polar sul não reflectia muita luz, como seria de esperar se houvesse gelo à superfície. Este estudo mostra que muito desse gelo está coberto por uma camada de poeira, mas permanece ainda desconhecido o porquê do gelo apenas cobrir certas áreas, disse Zuber.

Ela planeia conduzir um estudo semelhante da densidade da calote polar norte, que parece não ter uma cobertura de poeira, mas que está contígua a um aparentemente grande campo de dunas que se pensa não conter muito gelo.

Zuber é também a principal investigadora para a gravidade na sonda Mars Reconnaissance Orbiter, e investigadora da experiência do altímetro a bordo da Mars Global Surveyor. A equipa também usou dados da Mars Odyssey. Tais colaborações entre equipas "realmente aumentam o valor do que uma única experiência pode mostrar por si só," disse Zuber.

A pesquisa foi apoiada pelo Programa Marte da NASA.

Links:

Notícias relacionadas:
MIT (comunicado de imprensa)

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars
Vídeo sobre a presença de água em Marte (formato Quicktime)
As descobertas em Marte

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
A Luz Zodiacal e o amanhecer falso - Crédito: Yuri Beletsky (ESO)
Um brilhante e invulgar triângulo de luz será particularmente brilhante perto do horizonte a Este antes do nascer-do-Sol e durante os próximos dois meses, para observadores no Hemisfério Norte da Terra. Uma vez considerado como um amanhecer falso, este triângulo de luz é na realidade a Luz Zodiacal, luz reflectida de partículas de poeira interplanetária. O triângulo é claramente visível à esquerda na imagem, registada a partir do Observatório de Paranal no Chile, no mês de Julho. A poeira zodiacal orbita o Sol predominantemente no mesmo plano que os planetas: a eclíptica. A Luz Zodiacal é tão brilhante durante esta altura do ano porque a banda de poeira está orientada quase na vertical ao nascer-do-Sol, e por isso o espesso ar perto do horizonte não bloqueia completamente a poeira altamente reflectiva. A Luz Zodiacal é também brilhante para os observadores do Hemisfério Norte durante Março e Abril mesmo depois do pôr-do-Sol.
Ver imagem em alta-resolução
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 26/09: 269º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Lua Cheia por volta das 19:45

Dia 27/09: 270º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 era lançada a sonda da ESA, Smart-1, a primeira tentativa de lançar naves espaciais de baixo custo.
Observações: Aproveite a noite para tentar observar a Nebulosa da Hélice em Aquário.

Dia 28/09: 271º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1999, o Observatório de Raios-X Chandra da NASA anuncia uma espectacular imagem da Nebulosa do Caranguejo, os espectaculares restos de uma explosão estelar, revelando algo ainda nunca visto. O brilhante anel à volta do coração da nebulosa são ondas de partículas altamente energéticas que parecem ter sido expulsas a uma distância de 1 ano-luz da estrela central, e os jactos de partículas afastam-se da estrela de neutrões numa direcção perpendicular à espiral.
Observações: Deneb substituiu Vega como a estrela mais brilhante perto do zénite (para observadores a médias latitudes Norte).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Vénus é o planeta do sistema solar com o dia mais longo (247 dias). De facto, o dia venusiano dura mais que o seu ano, que dura 224,7 dias.
 
 
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