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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 361
De 31/10 a 02/11/2007
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  OBSERVE UM COMETA - SEM NECESSITAR DE TELESCÓPIO
   

Normalmente os cometas são um desafio: pequenas bolas enevoadas muito ténues. Observar um requer um céu escuro, um bom mapa celeste ou um telescópio que aponta para o objecto automaticamente. Esta semana existe um cometa novo e bem visível no céu, e pode ser visto à vista desarmada! A semana passada, o periódico cometa Holmes (17P/Holmes), um cometa muito ténue e longe do Sol, atravessou um súbito aumento de actividade e aumentou de brilho um milhão de vezes em apenas umas horas. Cresceu de tamanho (ainda se está expandindo), mudou de cor e tem deslumbrado os observadores por esse mundo fora.

A foto do álbum na parte inferior desta newsletter mostra o tamanho aparente do cometa no céu - comparado com Júpiter, que também pode ver a Oeste depois do pôr-do-Sol.

Para ver o cometa, tudo o que precisa é saír à rua e olhar para Nordeste. Deverá conseguir discernir a forma de "W" da constelação de Cassiopeia - mantenha a sua visão na parte de baixo de Cassiopeia. A um "punho" e meio para a direita e para baixo está uma brilhante estrela da constelação de Perseu. Provavelmente não conseguirá observar todas as estrelas desta constelação, mas a brilhante - Mirfak - deverá ser visível. Esta marca o topo de um triângulo, que tem mais ou menos o tamanho do seu polegar quando tem o seu braço esticado. O canto inferior esquerdo do triângulo é o cometa! Use o mapa seguinte para o ajudar a encontrá-lo.

Mapa estelar que mostra a localização do cometa Holmes no final de Outubro.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)

Se possuir uns binóculos (os mais comuns são suficientes) então poderá disfrutar de uma ainda melhor visão deste cometa. O cometa Holmes ficará connosco mais algum tempo, por isso se o tempo permitir, conseguirá obserá-lo esta semana ou na próxima.

Links:

Cometa Holmes:
Wikipedia
Sky & Telescope

 
  QUEBRADO NOVAMENTE RECORDE DE BURACO NEGRO
   

Em eventos atléticos, como na natação ou na maratona, um recorde mundial regularmente leva vários anos a ser quebrado. O mesmo normalmente também acontece para os recordes astronómicos.

Nesta impressão de artista do sistema IC 10 X-1, o buraco negro situa-se no canto superior esquerdo e a sua estrela companheira à direita. Os dois objectos orbitam o centro de gravidade a cada 34.4 horas. A companheira estelar é de um tipo conhecido como Wolf-Rayet. Tais estrelas são altamente evoluídas e têm o destino de explodirem em supernovas. O buraco negro do sistema está a despedaçar as camadas exteriores da estrela, sendo algum deste gás capturado pela poderosa gravidade do buraco negro.
Crédito: Aurore Simonnet / Universidade Estatal de Sonoma / NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

Mas no caso de buracos negros que se formam quando a sua estrela-mãe explode numa supernova, um recorde estabelecido há menos de duas semanas parece já ter sido quebrado. Os buracos negros são objectos com uma força gravitacional tão forte que nada, nem mesmo a luz, pode escapar das suas «garras».

No dia 17 de Outubro, astrónomos usando o Observatório de raios-X da NASA, Chandra, anunciaram que um buraco negro na galáxia M33 continha 16 vezes a massa do nosso Sol. Durante duas semanas foi o mais pesado buraco negro conhecido do seu tipo. Tais buracos negros são conhecidos como buracos negros de "massa estelar", porque têm massas parecidas às das estrelas.

Mas num trabalho a ser publicado amanhã (1 de Novembro), outra equipa anuncia que um buraco negro de massa estelar tem pelo menos 24 vezes a massa do Sol, talvez até 33 massas solares. A equipa, liderada por Andrea Prestwich do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, Massachusetts, EUA, usou o Chandra e o satélite Swift para fazer a sua descoberta.

A galáxia IC 10 é uma galáxia anã irregular a cerca de 1,8 milhões de anos-luz da Terra.
Crédito: Adam Block / NOAO / AURA / NSF
(clique na imagem para ver versão maior)

Prestwich é o primeiro a apontar que o quebrar deste recorde não é nada importante para os cientistas quando comparado com o aprender algo novo sobre a formação destes monstros do céu. "Sabemos agora que os buracos negros que se formam da morte de estrelas podem ser muito maiores do que pensávamos," disse. O buraco negro reside numa pequena galáxia irregular conhecida como IC 10, uma galáxia relativamente perto a 1,8 milhões de anos-luz da Terra. O buraco negro está acompanhado por uma outra estrela na sua viagem pelo espaço. Os dois objectos orbitam-se um ao outro. A estrela companheira está a expelir grandes quantidades de gás numa espécie de "rajada de vento", e algum deste gás é capturado pela poderosa gravidade do buraco negro. O destino deste material é caír para o buraco negro e desaparecer do Universo, mas à medida que espirala para o buraco negro, aquece e irradia raios-X.

Usando o Chandra, Preswich e seus colegas notaram que o sistema normalmente emite grandes quantidades de raios-X, mas que de vez em quando, estes desaparecem. Para descobrir o que aí se passava, apontou o Swift para este sistema e observou-o ao longo de 10 dias durante o fim de Novembro de 2006. A equipa descobriu que os raios-X são "cortados" periodicamente. À medida que os dois objectos se orbitam, a estrela companheira periodicamente passa em frente do buraco negro, da perspectiva da Terra, e bloqueia os raios-X. É como quando a Lua passa em frente do Sol e bloqueia a sua luz, um evento a que se dá o nome de eclipse.

As observações do Swift, bem como observações feitas pelo Telescópio Gemini no Hawaii, disseram a Prestwich e ao seu grupo quão rapidamente os dois objectos completam uma volta em torno um do outro. Esta informação permitiu à equipa medir a massa do buraco negro. Entrando em conta várias incertezas, determinaram que o buraco negro teria de ter pelo menos 24 massas solares, e talvez até um máximo de 33. Mesmo no espectro inferior deste intervalo, 24 massas solares, o buraco negro em IC 10 é consideravelmente mais pesado que o buraco negro em M33 com 16 vezes a massa do Sol.

A descoberta levanta a questão óbvia de como é que este buraco negro se tornou tão grande. Os cálculos feitos em computador sugerem que mesmo até as mais massivas estrelas da Via Láctea deixam para trás buracos negros com não mais que 15 ou 20 massas solares. Mesmo que estas estrelas comecem as suas vidas com 100 massas solares, libertam quase a totalidade da sua massa em ventos e nas explosões de supernova com que terminam as suas vidas.

Mas o buraco negro em IC 10 foi provavelmente formado a partir de uma estrela com uma composição química diferente que a das estrelas que actualmente residem na nossa Galáxia. Especificamente, a estrela-mãe tinha provavelmente uma fracção muito baixa de elementos mais pesados que o hidrogénio e hélio, os dois elementos mais leves da Tabela Periódica. Cálculos computacionais mostram que tais estrelas libertam menos gás nos ventos antes de explodirem, por isso podem deixar para trás buracos negros maiores.

O colega de Prestwich, Roy Kilgard da Universidade Wesleyan em Middletown, Connecticut, EUA, realça que as estrelas massivas na nossa Galáxia de hoje em dia não estão provavelmente produzindo buracos negros de grande massa estelar. Mas, acrescenta, "Podem existir por aí milhões de buracos negros de grande massa estelar, que foram produzidos no início da história da Via Láctea, antes de ter tido a hipótese de construir elementos mais pesados."

Mesmo que o buraco negro em IC 10 quebre o recorde de maior buraco negro de massa estelar, não se compara nada com os buracos negros existentes no centro das grandes galáxias. Estes gigantescos colossos da Natureza formaram-se cedo na história do Universo através de um mecanismo que ainda permanece desconhecido. Contêm milhões ou até mesmo milhares de milhões de vezes a massa do nosso Sol, e são por isso conhecidos como buracos negros "supermassivos."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Centro para Astrofísica do Harvard-Smithosnian (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
Space Daily
MSNBC
Physorg.com

Buracos negros:
Wikipedia
O puxo dos buracos negros - Hubblesite
Tudo sobre buracos negros - SPACE.com

IC 10:
Wikipedia
SEDS.org

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Cabeleira do Cometa Holmes expande-se - Crédito: Eric Allen Observatoire du Cégep de Trois-Rivières
Vá para a rua esta noite e observe o Cometa Holmes. Não são necessários binóculos ou telescópios -- apenas curiosidade e um mapa do céu. A semana passada, o Cometa 17P/Holmes atravessou um aumento irregular que inesperadamente o trouxe da escuridão até se tornar um dos mais brilhantes cometas dos últimos anos. Os entusiastas do céu no Hemisfério Norte têm acompanhado de perto o progresso do cometa. A imagem, tirada por cima do Quebec, Canadá, mostra a cabeleira do Cometa Holmes, que tem aumentado de tamanho ao longo dos últimos dias. No lado, uma imagem de Júpiter foi colocada artificalmente perto do Cometa para permitir uma comparação dos seus tamanhos angulares. Não se sabe como irá evoluir o Cometa Holmes, uma possibilidade sendo que a nuvem de gás em expansão da sua libertação recente irá lentamente se dispersar e diminuir de brilho.
Ver imagem em alta-resolução
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 31/10: 304.º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1998 era lançada a sonda Deep Space 1 na sua missão de estudo de asteróides/cometas.
Observações: Com a ajuda de um mapa celeste, deverá reconhecer a constelação de Cassiopeia facilmente. Mas será que é capaz de encontrar o enxame NGC 7789 que se encontra no lado Oeste da constelação?

Dia 01/11: 305.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, as comunicações com a sonda soviética Mars 1 falham.
Em 1977, Charles Kowal descobre Chiron, o primeiro de uma população de pequenos objectos gelados, conhecida como a Nuvem de Oort e a Cintura de Kuiper, que reside no Sistema Solar exterior.
Observações: Aproveite a noite para observar com binóculos o Cometa Holmes, na constelação de Perseu.
Lua em Quarto Minguante

Dia 02/11: 306.º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1885, nascimento de Harlow Shapley, pioneiro americano na determinação da distância das estrelas, enxames e do centro da Via Láctea. Corajosamente e correctamente afirmava que os enxames globulares se encontravam à volta da Galáxia, e que esta era muito maior do que inicialmente se pensava, centrada a milhares de anos-luz na direcção de Sagitário. Foi director do Observatório de Harvard durante muitos anos.
Em 1917, inauguração do telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson.
Observações: Ao início da noite, olhe bem para cima , perto do zénite, e observe o Grande Quadrado de Pégaso. Para a sua esquerda, encontra-se a constelação de Andrómeda. Aí, está situada a melhor galáxia visível do Hemisfério Norte: a famosa Galáxia de Andrómeda, ou M31. Utilize uns binóculos e com a ajuda de um mapa estelar, tente observá-la.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
No século XIX acreditava-se que as nuvens moleculares escuras eram buracos no céu.
 
 
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