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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 366
De 21/11 a 23/11/2007
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  SOL PODE SER MAIS PEQUENO DO QUE SE PENSA
   

De acordo com um novo estudo, o Sol pode ser mais pequeno do que se pensa.

A ser correcto, então outras propriedades do Sol, tal como a sua temperatura interna e densidade, poderão ser ligeiramente diferentes do que a calculadas previamente. Compreender o interior do Sol é importante pois pode ajudar os cientistas a fazer previsões sobre o tempo espacial e a responder questões sobre o Sistema Solar.

O Sol não tem uma superfície sólida. A sua atmosfera meramente torna-se mais fina e transparente quanto mais longe do centro estiver.

Assim, a "superfície" do Sol é definida como a profundidade na atmosfera do Sol onde se torna opaca à luz. Os cientistas medem-na ao observar o Sol com telescópios e ao medir a distância entre o centro do disco solar e o seu "limite" - o local onde o seu brilho desce subitamente. Isto dá um raio de 695.990 quilómetros, ou cerca de 109 vezes o raio da Terra.

Uma segunda, completamente diferente maneira de medir o tamanho do Sol é usando ondas gravíticas, chamadas "modos-f", que ondulam à superfície do Sol, tal como ondas de água num oceano. A teoria diz que estas ondas devem aparecer apenas na superfície opaca do Sol, e a sua observação pode ser usada para determinar o raio do Sol, dado que o seu comprimento de onda está ligado com a sua distância ao centro do Sol de um modo previsível.


O Sol, visto pelos olhos da SOHO.
Crédito: SOHO-EIT

Os cientistas há muito que estão um pouco confusos porque ambos os métodos dão duas respostas diferentes. O método ondulatório proporciona um raio de aproximadamente 695.700 quilómetros, cerca de 300 km menos que o resultado da medição da quebra de luz.

Embora a diferença corresponda apenas a 0,04%, é grande o suficiente para importar quando os cientistas tentam saber mais sobre o interior do Sol, interpretando observações de ondas sonoras - que ondulam pela superfície do Sol em adição ao modos-f - usando uma técnica chamada heliosismologia. Compreender o Sol através da heliosismologia é importante pois pode ajudar os cientistas a aprender mais sobre as origens dos campos magnéticos que produzem as manchas solares, que por seu lado podem ajudar a prever o tempo espacial.

A heliosismologia tem também ajudado os cientistas a compreender alguns dos mistérios do Sistema Solar - por exemplo, a técnica foi usada para resolver parte do problema do neutrino solar. A técnica pôs de parte mudanças no interior do Sol como causa deste desaparecimento misterioso dos neutrinos que viajam do Sol até à Terra.

Agora, novos cálculos de como a luz se propaga na atmosfera do Sol podem ter resolvido a discrepância no raio do Sol, a favor da medição mais pequena. Os novos cálculos foram feitos por uma equipa liderada por Margit Haberreiter do Centro de Radiação Mundial (CRM) em Davos, Suíça.

A equipa recalculou o ponto preciso onde o corte de luz deve ocorrer, usando software que simula a propagação da luz pela atmosfera do Sol, desenvolvido por Haberreiter e pela sua colega Werner Schmutz, também do CRM. Os seus resultados sugerem que na realidade deverá haver uma pequena diferença entre onde a atmosfera do Sol se torna opaca e o ponto onde os observadores vêm a quebra de luz. De acordo com os cálculos, a quebra de luz acontece 333 km mais alto na atmosfera do Sol do que o local da superfície opaca onde os modos-f ocorrem.

Os modelos teóricos do Sol, baseados no raio maior, têm que ser corrigidos, dizem as autoras. Um raio mais preciso pode levar a uma melhor compreensão do interior do Sol, diz o membro da equipa, Alexander Kosovichev, da Universidade de Stanford na Califórnia, EUA.

"Permite-nos calcular com mais precisão a estrutura do Sol e comparar com os resultados da heliosismologia, aprendendo mais sobre a constituição do Sol," disse. Ele aponta observações recentes que sugerem que o Sol contém apenas metade da quantidade de oxigénio que se pensava, o que parece entrar em conflito com os resultados dos estudos das ondas sonoras. "Há ainda qualquer coisa que nos falta para compreender o interior solar," afirma.

Sarbani Basu da Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, EUA, que não esteve envolvido no estudo, diz que a questão do novo raio proposto pela equipa de Haberreiter ser o correcto ou não está ainda em aberto. Mas ela concorda [sobre o objectivo de ter o raio do Sol mais preciso possível] que ajudaria a fazer cálculos mais fidedignos das condições do interior do Sol. "Para o Sol, todas as nossas medições são tão precisas, que até mesmo umas poucas centenas de quilómetros são extremamente importantes," afirma.

Links:

Artigo Científico:
IOP (formato PDF)

Sol:
Wikipedia
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Aurora à distância - Crédito: Lance McVay
Algumas auroras só podem ser vistas com uma câmara. São chamadas de "sub-visuais" e são demasiado ténues para serem observadas a olho nu. A razão para tal, é que o olho humano acumula luz apenas por uma pequena fracção de segundo de cada vez, enquanto uma câmara pode deixar o seu diafragma aberto indefinidamente. Ao fotografar uma cena já pitoresca em Juneau, no Alasca, uma câmara capturou uma aurora verde sub-visual perto do horizonte. As auroras são provocadas por partículas energéticas do Sol que impactam com o ambiente magnético em torno da Terra. As partículas energéticas daí resultantes, tal como os electrões e os protões, "chovem" para os pólos da Terra e colidem com o ar. As partículas de ar impactadas perdem temporariamente electrões, e quando as moléculas de oxigénio à sua volta readquirem estes electrões, emitem luz verde. É sabido que as auroras têm muitas formas e cores.
Ver imagem em alta-resolução
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 21/11: 325.º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1998, estudantes do Liceu Northfield Mount Hermon descobrem Kuiper 72.
Em 1999, ocorreu a aproximação máxima pela Terra do asteróide 1998 YW3 (0.382 UA).
Observações: Com Capela a subir a Nordeste e Vega a descer a Oeste haverá uma hora em que as duas estrelas de magnitude zero estarão à mesma altura acima do horizonte. Sabe dizer a que horas?

Dia 22/11: 326.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, aproximação máxima pela Terra do asteróide 1989 VA (0.1993 UA).
Observações: Orionte nasce agora a Este-Sudeste por volta das 20. Já observou Sirius esta estação? Nasce por baixo de Orionte duas horas depois.

Dia 23/11: 327.º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros.
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Observações: À procura de alguns desafios no céu profundo de Novembro? Em Pégaso, bem alto estas noites, está o Quinteto de Stephan e as ténues galáxias companheiras de NGC 7331.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Existe um quarto estado da matéria, conhecido como plasma. É uma "sopa" de elementos instáveis e electricidade. A Aurora Boreal é um exemplo de plasma, e a ionosfera (a atmosfera que rodeia o exterior de um planeta e filtra os raios gama) é constituída de plasma.
 
 
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