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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 382
De 16/01 a 18/01/2008
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  SONDA MESSENGER PASSA POR MERCÚRIO
   

Uma sonda da NASA com o tamanho de um carro passou ontem a 203 km da superfície rochosa e craterada de Mercúrio, tornando-se na primeira sonda desde 1975 a passar pelo planeta mais próximo do Sol.

A sonda MESSENGER viajou a 275.000 quilómetros por hora à medida que passava por cima de Mercúrio, numa missão desenhada para resolver alguns dos mistérios acerca do planeta mais interior do Sistema Solar.


A sonda MESSENGER tirou esta imagem de Mercúrio no dia 13 de Janeiro, um dia antes de passar a 203 km da superfície do planeta.
Crédito: NASA/JHU APL/CIW

"Foi fantástico," disse Michael Paul, engenheiro da missão. "Estivémos mais próximo da superfície de Mercúrio que a Estação Espacial Internacional está da Terra."

A MESSENGER passou basicamente ao longo do equador e a uma altitude ligeiramente maior que a originalmente planeada, mas a mudança não teve quaisquer efeitos negativos, disse Paul. Disse que a sonda ficou brevemente sem contacto à medida que passava por trás de Mercúrio mas que as comunicações foram rapidamente re-estabelecidas.

Em adição ao encontro de Segunda, espera-se que a MESSENGER passe novamente por Mercúrio em Outubro deste ano e em Setembro de 2009, usando o impulso gravítico do planeta para se guiar até uma órbita planeada de um ano em torno do planeta em Março de 2011.

Espera-se, hoje (de Terça-feira, dia 16), que a sonda transmita para a Terra os dados que recolheu durante o voo rasante, disse Paul. A NASA espera ter os primeiros resultados científicos disponíveis ao público no fim de Janeiro.

A sonda está recolhendo dados sobre a composição mineral e química da superfície de Mercúrio, sobre o seu campo magnético, a sua topografia superficial e as suas interacções com o vento solar. Mark Robinson da Universidade Estatal do Arizona em Tempe, EUA, membro da equipa científica da missão, disse que os sete instrumentos científicos da sonda foram ligados, embora alguns não sejam totalmente utilizados até que atinja órbita mercuriana daqui a três anos.

Quando a missão terminar, os cientistas esperam obter respostas sobre o porquê de Mercúrio ser tão denso e compreender a sua história geológica, a estrutura do seu núcleo rico em ferro e ainda outros mistérios.

As outras únicas vezes que Mercúrio foi visitado por uma sonda foram em 1974 e 1975, quando a Mariner 10 passou por lá três vezes, mapeando cerca de 45% da sua superfície.

Uma característica superficial de grande interesse para os cientistas é a Bacia Caloris, uma cratera de impacto com 1300 km de diâmetro, uma das maiores crateras do género no nosso Sistema Solar. Foi provavelmente provocada por um impacto de asteróide há muito tempo atrás. Ao estudar o material na cratera, os cientistas esperam aprender mais sobre a subsuperfície do planeta.

Mercúrio sofre a maior variação de temperaturas superficiais do Sistema Solar. Quando a sua superfície está virada para o Sol, as temperaturas atingem os 425º Celsius, mas na face oposta, as temperaturas podem descer até aos -185º C.

Lançada em 2004, a MESSENGER passou já duas vezes por Vénus e uma vez pela Terra.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Sky & Telescope
SPACE.com
Science Daily
The Register
USA Today
Reuters
BBC News
PortugalDiário
Diário de Notícias
CiênciaPT

Sonda MESSENGER:
NASA
JHUAPL
Wikipedia
Vídeo da aproximação da sonda MESSENGER até Mercúrio (formato Quicktime)

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Duplo resto de supernova DEM L316 - Crédito: Observatório Gemini, GMOS-South, NSF
Estarão estas duas conchas de supernova relacionadas? Para ajudar a descobrir a resposta, o Telescópio Gemini de 8 metros localizado no topo de uma montanha no Chile foi apontado para a nuvem, grande e incomum, com o nome de DEM L316. A imagem resultante, aqui no lado, mostra tremendos detalhes. Uma maior inspecção da imagem, bem como de dados obtidos pelo Observatório de Raios-X Chandra, indicam quão diferentes os dois restos de supernova são. Em particular, a concha mais pequena parece ser o resultado de uma supernova de Tipo Ia, que resulta na explosão de uma anã branca, enquanto a concha maior parece ser o resultado de uma supernova de Tipo II, no qual uma estrela massiva normal explodiu. Dado que estes dois tipos estelares evoluem em tão diferentes escalas de tempo, provavelmente não se formaram juntas e por isso não estão fisicamente associadas. Considerando também que não existem provas que as conchas estão em colisão, pensa-se que estas estão superimpostas por acaso. DEM L316 fica a uns 160.000 anos-luz, na vizinha Grande Nuvem de Magalhães, mede uns 140 anos-luz de diâmetro, e encontra-se na direcção da constelação de Dourado.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 16/01: 16.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003, a nave Columbia partia para a sua última missão STS-107. Dezasseis dias mais tarde desintegrar-se-ia na reentrada.
Observações: O brilhante Sirius nasce a Este-Sudeste (por baixo de Orionte) durante o anoitecer. Quando é que o conseguirá ver? Cada noite nasce 4 minutos mais cedo. Sendo tão brilhante, Sirius regularmente pisca em cores vívidas quando está baixo - com uns binóculos é especialmente bem visível.

Dia 17/01: 17.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Esta noite a Lua aproxima-se de M45. Infelizmente não é visível de Portugal, mas a Lua pelas 6 da manhã passa por cima das Plêiades.

Dia 18/01: 18.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2000, o brilho de raios-X visto em todas as direcções do espaço foi resolvido em emissões a partir de fontes discretas pelo Telescópio de raios-X Chandra, acabando com a noção de que os raios-X vêm de gases quentes distantes.
Em 2000 a NASA termina as suas tentativas de comunicar com a Mars Polar Lander. O contacto foi perdido a 3 de Dezembro de 1999 durante a fase de aterragem da missão.

Observações: Um telescópio irá sempre mostrar Titã, a maior lua de Saturno. Esta noite encontra-se a 4 diâmetros anulares para Este de Saturno. Um telescópio de seis polegadas começará já a mostrar a cor alaranjada do seu smog atmosférico.

 
 
CURIOSIDADES:

Saturno tem uma densidade menor que a da água, pelo que se tivessemos uma banheira com tamanho suficiente, Saturno flutuaria à sua superfície.
 
 
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