Left Marker
Logo
Com dificuldades em ler o boletim?
Veja online | No site | Feed RSS | Remover da lista
BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 385
De 02/02 a 05/02/2008
Right Marker
Menu
 
  O FIM DA TERRA
   

Milhares de milhões de anos no futuro, quando o nosso Sol se transformar numa gigante vermelha, crescerá e consumirá a órbita da Terra. Mas, se a Terra viaja na sua órbita, o que vai acontecer ao nosso querido planeta? Será "comido" como os pobres planetas Mercúrio e Vénus?

Os astrónomos há muitas décadas que se dedicam a tentar responder a esta questão. Quando o Sol se tornar numa gigante vermelha, os simples cálculos põem o seu equador para lá de Marte. Todos os planetas interiores serão consumidos.

No entanto, à medida que o Sol alcança este último estágio da sua evolução estelar, perde uma tremenda quantidade de massa através de poderosos ventos solares. Enquanto cresce, perde massa, fazendo com que os planetas espiralem para fora. Por isso a questão é, será que o Sol em expansão alcançará os planetas que espiralam para fora, ou conseguirá a Terra (e talvez até Vénus) escapar às suas garras.

Impressão de artista do destino da nossa Terra, quando o Sol alcançar a sua fase de gigante vermelha.
Crédito: HELAS/Mark A. Garlick

K.-P Schroder e Robert Cannon Smith são dois cientistas tentando chegar ao fundo desta questão. Fizeram os cálculos com os mais actuais modelos de evolução estelar, e publicaram um trabalho com o nome: "Revisitando o Futuro Distante do Sol e da Terra." Foi aceite para publicação no boletim mensal da Sociedade Astronómica Real.

De acordo com Schroder e Smith, quando o Sol se tornar numa gigante vermelha daqui a 7,59 mil milhões de anos, começará a perder massa rapidamente. Pela altura que alcance o seu maior raio, 256 vezes o seu tamanho actual, terá apenas 67% da sua massa presente.

Quando o Sol começar a "inchar", fá-lo-á rapidamente, percorrendo o Sistema Solar interior em apenas 5 milhões de anos. Entrará então na sua relativamente breve fase (130 milhões de anos) de queima de hélio. Expandir-se-á para lá da órbita de Mercúrio, e depois para lá da de Vénus. Pela altura que chega à Terra, terá perdido 4,9x1020 toneladas de massa por cada ano (8% da massa da Terra).

Mas a zona habitável desaparecerá muito mais cedo. Os astrónomos estimam que migre para lá da órbita da Terra em apenas mil milhões de anos. O quente Sol fará evaporar os oceanos da Terra, e a radiação solar queimará o hidrogénio presente na água. A Terra nunca mais terá oceanos. Eventualmente tornar-se-á novamente derretida.

Pintura de como poderá ser a Terra aquando da fase de gigante vermelha do Sol.
Crédito: Mark A. Garlick

No entanto, existe uma vantagem para o Sistema Solar. Mesmo que a Terra, a uma mera unidade astronómica e meia, já não se encontre na zona habitável do Sol, muito do Sistema Solar estará. A nova zona habitável esticar-se-á de 49,4 até 71,4 UA, bem dentro da Cintura de Kuiper. Os mundos gelados conhecidos até então, derreterão, e água líquida estará presente para lá da órbita de Plutão. Talvez Eris seja o nosso novo mundo.

Mas voltando à questão principal - conseguirá a Terra sobreviver?

De acordo com Schroder e Smith, a resposta é não. Mesmo que a Terra consiga migrar para uma órbita 50% maior que a da actualidade, não terá hipóteses. O Sol crescerá e "engolirá" a Terra antes que alcance a região para lá da fase de gigante vermelha. E o Sol ainda teria mais 0,25 UA e 500.000 anos para crescer.

Uma vez dentro da atmosfera do Sol, a Terra irá colidir com as partículas de gás. A sua órbita irá decaír, e espiralará para dentro do Sol.

Se a Terra estivesse apenas um pouco mais longe do Sol, a 1,15 UA, conseguiria sobreviver à fase de expansão. Embora seja ficção científica, os autores sugerem que as tecnologias futuras poderiam ser usadas para acelerar a viagem da Terra para mais longe do Sol.

O pensar neste futuro distante da Terra diz-nos algo sobre a psicologia humana. As pessoas estão genuinamente preocupadas com o futuro a milhares de milhões de anos de distância. Embora a Terra seja incinerada bem mais cedo, os seus oceanos literalmente evaporem, e o nosso planeta se torne numa bola de rocha derretida, é esta destruição pelo Sol que parece mais preocupante.

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo entregue para publicação (formato PDF)

Fim do Sol:
Sol (Wikipedia)
Formação e evolução do Sistema Solar (Wikipedia)

Evolução estelar (Wikipedia)
O futuro da Terra (Wikipedia)

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Jovem enxame estelar Westerlund 2 - Crédito: Raios-X: Y.Nazé, G.Rauw, J.Manfroid (Université de Liège), CXC, NASA
Infravermelho: E.Churchwell (University of Wisconsin), JPL, Caltech, NASA
O poeirento berçário estelar RCW 49 rodeia o jovem enxame estelar Westerlund 2 nesta espectacular composição para lá do espectro visível da luz. Os dados infravermelhos do Telescópio Espacial Spitzer são mostrados a preto e branco, complementando os dados da imagem (a cores falsas), em raios-X, do Chandra, das quentes e energéticas estrelas dentro da região central do enxame. Olhando na direcção da grande constelação do Sul, Centauro, ambas as imagens revelam estrelas e estruturas escondidas dos telescópios ópticos pela poeira. O Westerlund 2 propriamente dito tem uns meros 2 milhões de anos, e contém algumas das mais brilhantes, massivas, e por isso menos duradouras, estrelas da nossa Galáxia. As assinaturas infravermelhas dos discos proto-planetários também foram identificadas na região de intensa formação estelar. À distância estimada de 20.000 anos-luz, o quadrado que marca o campo de visão do Chandra teria de lado cerca de 50 anos-luz.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 02/02: 33.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977, depois de 768.82 dias, a Salyut é removida de órbita.

Observações: Aproveite a noite para observar Saturno e os seus satélites. Quantos consegue observar pelo telescópio?

Dia 03/02: 34.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, primeira suave aterragem na Lua, pela sonda soviética Luna 9.
Em 1984, lançamento da missão STS-41B (vaivém Challenger), primeiro passeio espacial sem ligação à nave.

Em 1994, voo inaugural do veículo de lançamento NASDA H-2 (Japão). No mesmo dia, lançamento da missão STS-60 (Discovery), primeiro cosmonauta russo a bordo do vaivém espacial.
Observações: À medida que a Lua sobe ao amanhecer, note que para a sua esquerda estão dois pontos brilhantes: são os planetas Vénus e Júpiter.

Dia 04/02: 35.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1932 era descoberto o asteróide 1239 Queteleta por Eugène Joseph Delporte.
Em 1934 era descoberto o asteróide 2824 Francke por Karl Wilhelm Reinmuth.

Dia 05/02: 40.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, a Apollo 14 alunava.

Observações: Marte brilha bem alto esta noite. Aproveite para o observar com um pequeno telescópio.

 
 
CURIOSIDADES:
Um fotão, desde que é produzido no interior de uma estrela até que atinge a sua superfície demora cerca de 105 a 106 anos dependendo da massa da estrela.
 
 
Fórum de Astronomia
 
 
Brevemente
 
Bottom thingy left    
Browser recomendado
 
"Feed" RSS do nosso site
 
Página do Centro Ciência Viva do Algarve
  Bottom thingy right
Boletim informativo. Por favor não responda a este e-mail.
Compilado por: Miguel Montes e Alexandre Costa
 
Leitor de e-mail recomendado Browser recomendado Calendário de actividades astronómicas Arquivos de todas as edições dos boletins astronómicos Fórum de discussão sobre Astronomia Página do Centro Ciência Viva do Algarve Browser recomendado Software recomendado para a leitura correcta desta newsletter