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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 400
De 26/03 a 28/03/2008
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  REGISTADA A MAIS VIOLENTA EXPLOSÃO DE SEMPRE
   


Esta extremamente luminosa explosão de raios-gama foi capturada pelo telescópio Swift (esquerda) e pelo telescópio Óptico/Ultravioleta (direita). Foi de longe o mais brilhante GRB alguma vez observado.
Crédito: NASA/Swift/Stefan Immler, et al.
(clique na imagem para ver versão maior)

Uma poderosa explosão estelar que esmagou o recorde do objecto mais distante visível a olho nu foi detectada pelo satélite Swift da NASA na passada Quarta-Feira.

Esta explosão, conhecida como GRB (gamma-ray burst, explosão de raios-gama), também foi classificada como o objecto intrinsecamente mais brilhante do Universo já alguma vez observado por humanos.

"É espectacular - temos estado à espera de uma explosão de raios-gama assim tão brilhante desde que o Swift começou a observar o céu há três anos atrás, e agora descobrimos uma que é tão brilhante que foi até visível à vista desarmada embora a sua fonte esteja a metade da distância do Universo conhecido," disse David Burrows da Universidade Estatal Penn, que dirige a operação do telescópio de raios-X Swift e a análise dos dados que recolhe.

As explosões de raios-gama são as explosões mais luminosas do Universo desde o Big Bang e ocorrem quando estrelas massivas esgotam o seu combustível nuclear. o núcleo da estrela colapsa para formar um buraco negro ou uma estrela de neutrões e liberta uma intensa explosão de raios-gama altamente energéticos, bem como jactos de partículas.


Impressão de artista de um GRB.
Crédito: NASA

Os jactos viajam pelo espaço quase à velocidade da luz, aquecendo o gás interestelar em volta como mega-maçaricos cósmicos, geralmente criando um brilhante resplendor crepuscular.

"Estes flashes ópticos das explosões de raios-gama são os fenómenos mais extremos que conhecemos," disse Derek Fox, membro da equipa científica do Swift, também da mesma Universidade. "Se esta explosão tivesse acontecido na nossa galáxia, teria brilhado mais que o Sol durante quase um minuto - definitivamente teriam sido aconselhados óculos de sol."

Peter Meszaros, membro da equipa e da Universidade, disse que uma combinação irregular de circunstâncias poderão ter estado na origem do brilho excepcional do GRB no visível.

"Quando o jacto que se formou durante a explosão da estrelar colidiu com as nuvens de gás da vizinhança, foram geradas ondas de choque que aqueceram o jacto," explicou. "O brilho excepcional desta explosão requer que o jacto tenha a combinação ideal de campos magnéticos e de velocidade, o que ocorre muito raramente."

Os astrónomos não sabem ao certo o que fez com que esta explosão, com o nome GRB 080319B, fosse tão brilhante, mas estão em marcha mais análises do evento. Esta explosão pode possivelmente ter sido mais energética que outras, ou a energia do GRB pode ter sido concentrada num jacto directamente apontado à Terra.

O brilho do GRB 080319B foi 2,5 milhões de vezes mais luminoso que a mais luminosa supernova já registada, o que o torna no objecto intrinsecamente mais brilhante alguma vez registado.

Animação do GRB 080319B (ao centro).
Crédito: Pi of the Sky

A estrela situa-se na constelação de Boieiro. Estimaram que se encontra uma distância de 7,5 mil milhões de anos-luz da Terra, o que significa que a explosão teve lugar quando o Universo tinha menos de metade da sua idade actual e por isso ainda antes da formação da Terra.

O mais distante objecto previamente observável a olho nu era a galáxia M33, a uns meros 2,9 milhões de anos da Terra.

O GRB foi detectado pelas 06:19 GMT do dia 19 de Março e foi um dos cinco GRBs detectados nesse dia, o mesmo dia em que o famosíssimo escritor de ficção científica, Arthur C. Clarke, faleceu.

"Por coincidência, o falecimento de Arthur C. Clarke parece ter feito o Universo explodir de raios-gama," disse Judith Racusin, da equipa científica do Swift e estudante da Universidade de Penn.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Centro Espacial Goddard da NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG.com
Sky & Telescope
National Geographic
New Scientist

HD 080319B:
Pi of the Sky
Wikipedia

GRB:
NASA
Wikipedia
Caltech

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 26/03: 81.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Assim que Arcturo suba razoavelmente no céu a Este depois do anoitecer, procure outra estrela da Primavera, a ligeiramente mais ténue Espiga, bem para a sua direita e para baixo (cerca de três comprimentos de um punho à distância de um braço esticado). Espiga é a estrela mais brilhante de Virgem, uma grande e ténue constelação de uma rapariga. Ela está segurando a espiga numa mão e está semeando o cereal com a outra.

Dia 27/03: 82.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, era lançada a Mariner 7.

Observações: Aproveite a noite para observar Saturno e os seus anéis, que de dia para dia ficam mais finos.

Dia 28/03: 83.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1749 nascia Pierre Laplace.

Laplace foi o matemático que inventou o sistema métrico e a hipótese nebular para a origem do Sistema Solar.
Em 1993 foi descoberto um resto de supernova na galáxia M81 (Ursa Maior), pelo astrónomo amador espanhol Francisco Garcia Diaz.
Observações: Se pelas 5 da manhã de Sábado, observar Júpiter, uns poucos graus acima do horizonte a Este, poderá ver duas pequenas manchas escuras das luas, atravessando simultaneamente o planeta.

 
 
CURIOSIDADES:

A gigante vermelha Betelgeuse tem um diâmetro maior que a órbita da Terra em torno do Sol.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

Guerras Galácticas: M81 vs. M82
Crédito:
Rainer Zmaritsch & Amexander Goss

À esquerda, rodeada por braços espirais azuis, encontra-se a galáxia M81. À direita, marcada por nuvens vermelhas de poeira e gás, está a galáxia irregular M82. Esta espectacular imagem mostra gigantescas galáxias num combate gravitacional, tal como têm feito desde há milhares de milhões de anos. A gravidade de uma galáxia afecta dramaticamente a outra durante cada passagem que dura várias centenas de milhões de anos. Da última vez, a gravidade de M82 provavelmente levantou ondas de densidade em torno de M81, resultando na riqueza dos braços espirais de M81. Mas M81 deixou M82 com violentas regiões de formação estelar e nuvens de gás em colisão, tão energéticas que a galáxia brilha em raios-X. Dentro de alguns milhares de milhões de anos, apenas restará uma galáxia.
Ver imagem em alta-resolução

 
 
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