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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 418
De 28/05 a 30/05/2008
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  PHOENIX ATERRA EM MARTE E ENVIA PRIMEIRAS IMAGENS
   

A Phoenix Mars Lander da NASA sobreviveu uma ardente queda pela atmosfera marciana e aterrou nas planícies árticas do Planeta Vermelho, de onde já enviou as suas primeiras imagens, muito para o delírio dos cientistas da missão.

"Parece que os painéis solares estão completamente abertos, é absolutamente lindo," disse Dan McCleese, cientista no Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA. "É espectacular, imagens perfeitamente nítidas."

A sonda aterrou nas planícies de Vastitas Borealis, dentro do círculo ártico marciano, onde se espera que passe pelo menos três meses à procura de água gelada escondida por baixo da superfície congelada. A descida e a sequência de aterragem correram completamente como planeado.

A Phoenix é aqui vista a travar de pára-quedas em Marte, nesta imagem capturada pela câmara HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) a bordo a Mars Reconnaissance Orbiter da NASA. É a primeira vez que uma sonda tira fotografias da descida final de outra sonda num corpo planetário. Note a diferença no tamanho da sonda e no da cratera, que se encontra a 20 km do local de aterragem.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)

"Esta equipa desempenhou as suas tarefas na perfeição", disse um exuberante Peter Smith, investigador principal da Phoenix da Universidade do Arizona. "Não está em nenhuma rocha... aterrou num local seguro."

Os cientistas da missão no JPL receberam o sinal que a Phoenix tinha aterrado pelas 00:53 (hora de Portugal) da noite de Domingo para Segunda, exactamente à hora que esperavam (os sinais da sonda demoram cerca de 15 minutos para percorrer os 275 milhões de quilómetros entre Marte e as estações aqui na Terra).

"A Phoenix aterrou! A Phoenix aterrou!" gritava um comentador da NASA à medida que o sinal era recebido. "Bem-vindos às planícies norte de Marte!"

A missão Phoenix, que custou 420 milhões de dólares e foi lançada em Agosto, está desenhada para escavar as camadas rochosas até à água gelada que se pensa estar mesmo por baixo do solo marciano na região ártica de Marte. A chegada da Phoenix marca a primeira aterragem bem sucedida em Marte desde que os dois rovers da NASA, Spirit e Opportunity, aí chegaram aos saltos em 2004, e a primeira aterragem motorizada para a NASA em mais de 30 anos.

A aterragem nivela a percentagem de aterragens bem sucedidas e falhadas em Marte para 50/50 (embora o rácio de sucesso para aterragens americanas seja bastante mais alto: 6 entre 7).

"Pela primeira vez em 32 anos, e apenas pela terceira vez na história, uma equipa do JPL conseguiu uma suave aterragem em Marte," disse Michael Griffin, Administrador da NASA a partir do centro de controlo da missão no JPL. "Não podia estar mais contente de estar aqui a testemunhar esta incrível proeza."

Quando lhe perguntaram qual será o objectivo da Phoenix agora, Smith respondeu, "Receber algumas imagens. Queremos ver Marte!". Às 02:50 (hora de Portugal) de Segunda-feira, Smith viu o seu desejo realizado, à medida que a Phoenix enviava várias imagens a preto-e-branco de si própria e do terreno em volta, através da sua ligação com a sonda Mars Odyssey.

A imagem é uma combinação de várias tiradas por uma câmara na Phoenix após a aterragem bem sucedida no ártico de Marte.
Crédito: NASA/JPL/UA/Lockheed
(clique na imagem para ver versão maior)

A Phoenix está construída para testar o solo e o gelo marciano em busca de sinais que água poderá já ter existido no estado líquido e para saber se poderá ter oferecido uma zona habitável para a vida microbiana em algum ponto no seu passado. Os intrumentos incluem um braço robótico que irá escavar poeira e gelo, bem como um laboratório químico que irá analisar o solo e ver que compostos poderão aí existir.

"A equipa científica tem esperado pacientemente... e estão ansiosos por usar os seus instrumentos," disse Peter Smith, da Universidade do Arizona, de onde a Phoenix irá ser controlada durante a maioria da sua missão.

Os cientistas estavam apreensivos sobre a queda de sete minutos da sonda pela atmosfera marciana, mas cada estágio correu perfeitamente como esperavam.

"Só nos meus sonhos esperava que corresse tão perfeitamente como correu esta noite, aterrámos mesmo no meio do alvo," disse Barry Goldstein do JPL, visivelmente aliviado, agora que a parte mais difícil tinha terminado.

"Nós testámos todos os problemas e nenhum deles ocorreu," acrescentou numa breve conferência de imprensa, momentos após a aterragem.

"Estava certo em ser optimista," disse Smith, enquanto elogiava a equipa da missão, acrescentando que precisou de se agarrar à cadeira durante a descida para evitar que caísse.

O corte de comunicações que os cientistas pensavam que ia ocorrer durante o início da descida (devido ao inflamável plasma criado pela fricção à medida que a sonda descia, que se previa interferir com o sinal de rádio) nunca aconteceu. Os controladores da missão disseram que tinham uma aposta sobre quanto tempo iria durar este corte, se de facto ocorresse. Goldstein apostou que não ia acontecer.

Quando lhe perguntaram qual seria a parte da descida que os controladores mais temiam, Ed Sedivy, gestor da sonda Phoenix da Lockheed Martin, disse, "Bem, durante os últimos quatro dias, sub-avaliar quão nervosos ficam os cientistas da missão sobre a aterragem."

Esta imagem, uma das primeiras capturadas pela Phoenix, mostra as vastas planícies da região polar norte de Marte. A paisagem desolada é salpicada por pequenas pedras e mostras rachas poligonais, um padrão visto em larga-escala a grandes latitudes marcianas e também observadas em terrenos gelados na Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)

A sonda aterrou em terreno liso, inclinado por apenas um quarto de grau, o que significa que não há rochas para prejudicar a abertura dos painéis solares, que providenciarão à sonda energia durante os três meses da missão.

Os cientistas tiveram a sua primeira ligação através da Odyssey, que retransmitiu informações preciosas acerca da saúde da sonda. Estas indicaram que a abertura dos painéis solares tinha sido bem sucedida. Outra imagem mostrava uma das pernas da Phoenix, bem apoiada no chão. Outra ainda mostrava a planície ártica de Marte, que nunca tinha sido observada da superfície.

A Phoenix junta-se agora aos dois rovers, Spirit e Opportunity. Usou uma técnica diferente para aterrar em segurança (usando motores em vez de airbags). Até agora, a técnica não tinha sido bem sucedida desde a aterragem das duas Vikings em 1976 e foi pela última vez usada em 1999 pela falhada Mars Polar Lander.

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Phoenix:
Página oficial
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Kit de aterragem (formato PDF)
Descida de entrada e aterragem (vídeo em formato Flash, cortesia YouTube)

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Procurar água nos locais certos (vídeo em formato Flash)

 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 28/05: 149.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, lançamento dos dois macacos Able & Baker. Passaram 16 minutos a viajar a uma altitude de 580 km.
Em 1971 era lançada a Mars 3 (USSR).

A 2 de Dezembro do mesmo ano, alcançou Marte mas o lander enviou apenas 20 segundos de dados.
Em 1998, o asteróide 1998 KY26 era descoberto por Tom Gehrels. Usando observações por radar, a velocidade de rotação deste asteróide foi estimada em 10.7 minutos!
Observações: A Ursa Maior inclinou a sua "pega" por cima da frigideira (olhe para Noroeste após o anoitecer e quase para cima), por isso é uma boa altura para ver os asterismos e galáxias na vizinhança da "pega".

Dia 29/05: 150.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1919, um eclipse solar total foi observado por dois diferentes grupos de astrónomos tentando confirmar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, medindo se o Sol distorcia as posições aparentes das estrelas das Híades.
Em 1974 era lançada a Luna 22 (USSR).

Dia 30/05: 151.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, lançamento da Surveyor 1, a primeira sonda sonda americana a aterrar em segurança na Lua.

Em 1971 era lançada a Mariner 9. A 13 de Novembro alcança a órbita de Marte. Envia 6,900 imagens.
Observações: Olhe para Nordeste após o cair da noite e encontrará Vega, a brilhante estrela azul-esbranquiçada. É de longe a estrela mais brilhante da pequena constelação de Lira. O resto da constelação de Lira é composto por estrelas de quarta magnitude que formam um triângulo quase equilátero com Vega, e um paralelogramo apoiado no canto inferior direito do triângulo. Com o seu céu, consegue observar Lira? Tem o tamanho do seu polegar à distância do braço.

 
 
CURIOSIDADES:

A estrela mais próxima do Sol é Proxima Centauri, do sistema triplo de Alpha Centauri, a 4.22 anos-luz, ou 3.99234299x1013 km.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

NGC 3199
Crédito:
Ken Crawford (Rancho Del Sol Observatory), Macedon Ranges Observatory

NGC 3199 situa-se a uns 12.000 anos-luz da Terra, uma brilhante nuvem cósmica na constelação do hemisfério Sul da Quilha. A nebulosa mede cerca de 75 anos-luz nesta esplêndida imagem a cores-falsas. Embora a imagem de céu profundo revele uma forma anular mais ou menos completa, na realidade parece mais abundante em baixo e à direita. Perto do centro do anel encontra-se uma estrela Wolf-Rayet, uma estrela massiva, quente e com pouco tempo de vida que gera um intenso vento estelar. De facto, sabe-se que as estrelas Wolf-Rayet criam nebulosas com formas interessantes pois os seus poderosos ventos arrastam o material interestelar da vizinhança. Neste caso, pensa-se que a fronteira brilhante indique uma região de choque produzida à medida que a estrela atravessava um novo meio, tal como um barco na água. Mas as medições mostraram que a estrela não está na realidade a mover-se na direcção deste limite. Por isso uma explicação mais plausível será que o material da estrela não é uniforme, mas amontoado e mais denso perto da zona mais brilhante de NGC 3199.
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