Left Marker
Logo
Com dificuldades em ler o boletim?
Veja online | No site | Feed RSS | Remover da lista
BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 422
De 11/06 a 13/06/2008
Right Marker
Menu
 
  VIA LÁCTEA TEM APENAS DOIS BRAÇOS ESPIRAIS
   

Durante décadas, os astrónomos não sabiam como era na realidade a nossa Via Láctea. Afinal, nós estamos bem dentro dela e não podemos ver como é do lado de fora.

Agora, novas imagens do Telescópio Espacial Spitzer estão a desvendar a verdadeira estrutura da Via Láctea, revelando que tem apenas dois grandes braços de estrelas, ao invés dos quatro que anteriormente se pensava possuir.

"O Spitzer deu-nos um novo ponto de partida para repensar a estrutura da Via Láctea," disse Robert Benjamin da Universidade do Wisconsin, em Whitemater, EUA, que apresentou os seus novos resultados numa conferência de imprensa da 212.ª reunião anual da Sociedade Astronómica Americana em St. Louis, Missouri, EUA. "Vamos continuar a actualizar a nossa imagem galáctica da mesma maneira que os antigos exploradores, navegando em torno do globo, reviam os seus mapas."


Usando imagens infravermelhas do Spitzer, os cientistas descobriram que a elegante estrutura espiral da Via Láctea é dominada por apenas dois braços que rodeiam os limites de uma barra central de estrelas. Anteriormente, pensava-se que a nossa Galáxia possuia quatro grandes braços espirais.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)

Desde os anos 50 que os astrónomos produzem mapas da Via Láctea. Os modelos mais antigos eram baseados em observações de rádio do gás na Galáxia e sugeriam uma estrutura espiral com 4 grandes braços de formação estelar, chamados "Norma", "Scutum-Centaurus", "Saggitarius" e "Perseus". Além dos braços, existem bandas de gás e poeira na parte central da Galáxia. O nosso Sol situa-se perto de um braço pequeno e parcial, denominado Braço de Orionte, localizado entre os Braços de Sagitário e Perseu.

"Durante anos, criaram-se mapas da Via Láctea com base no estudo de apenas uma secção, ou usando apenas um método," disse Benjamin. "Infelizmente, quando os modelos de vários grupos eram comparados, nem sempre batiam certo. É um pouco como estudar um elefante de olhos vendados."

Os grandes estudos do céu infravermelho nos anos 90 levaram a grandes alterações destes modelos, incluindo a descoberta de uma grande barra de estrelas no meio da Via Láctea. O infravermelho pode penetrar poeira, por isso os telescópios desenhados para detectar a radiação infravermelha conseguem obter melhores imagens do nosso denso e poeirento Centro Galáctico. Em 2005, Benjamin e seus colegas usaram os detectores infravermelhos do Spitzer para obter informação acerca da barra da nossa Galáxia, e descobriram que se prolonga para mais longe do centro da Galáxia do que se pensava.

A equipa de cientistas tem agora novas imagens do Spitzer no infravermelho de uma grande região da Via Láctea, esticando-se 130 graus pelo céu e um grau por cima e por baixo do plano médio da Galáxia. Este extenso mosaico combina 800.000 imagens individuais e inclui mais de 110 milhões de estrelas.


Impressão de artista do novo mapa Galáctico com legendas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)

Benjamin desenvolveu software que conta as estrelas medindo as densidades estelares. Quando ele e seus colegas contaram as estrelas na direcção do Braço de Escudo-Centauro, notaram um aumento dos seus números, como seria de esperar num braço espiral. Mas quando olharam na direcção onde esperavam ver os braços de Sagitário e de Norma (Esquadro), não observaram nenhum aumento no número de estrelas. O quarto braço, Perseu, abraça a porção exterior da nossa Galáxia e não pode ser observado nas novas imagens do Spitzer.

As descobertas reforçam o caso da Via Láctea ter apenas dois grandes braços espirais, uma estrutura comum para galáxias espiral-barradas. Os braços de Escudo-Centauro e de Perseu têm as maiores densidades de estrelas jovens e brilhantes, e de mais velhas, as chamadas gigantes vermelhas. Os dois braços mais pequenos, o de Sagitário e do Esquadro, estão cheios de gás e bolsas de estrelas jovens. Benjamin disse que os dois grandes braços parecem ligar-se perfeitamente com os dois limites da barra central da Galáxia.

"Agora, conseguimos ligar os braços à barra, tal como peças num puzzle," disse Benjamin, "e podemos pela primeira vez mapear a estrutura, posição e comprimentos destes braços." Observações anteriores no infravermelho descobriram pistas de uma Via Láctea barrada e com dois braços, mas esses resultados não eram claros devido à posição e comprimento dos braços serem na altura desconhecidos.

Embora os braços galácticos pareçam ser características intactas, as estrelas estão na realidade a mover-se continuamente para e de lá, à medida que orbitam o centro da Via Láctea. O nosso próprio Sol pode até ter já habitado um braço diferente. Desde que foi formado há mais de 4 mil milhões de anos, completou já 16 órbitas em torno do Centro Galáctico.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Núcleo de Astronomia do CCVAlg (05/08/23)
Universe Today
Nature
Science Daily
PHYSORG.com
Discovery Channel
National Geographic

Galáxias espiral-barradas:
Wikipedia

Via Láctea:
Wikipedia
Absolute Astronomy
SEDS

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial
GLIMPSE
Wikipedia

 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 11/06: 163.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1723 nascia Johann Georg Palitzsch astrónomo alemão que observaria em 1758 o regresso do cometa Halley, tal como previsto por Edmond Halley em 1705.

Observações: Há quanto tempo não observa Júpiter? Com a chegada do Verão, vêm também com a estação algumas das nossas conhecidas constelações. Entre elas está Sagitário, o local onde Júpiter actualmente se encontra no céu. Júpiter nasce às 22:50 a Sudeste.

Dia 12/06: 164.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967 era lançada Venera 4 que seria a primeira sonda a trazer amostras da atmosfera de outro planeta (Vénus) para a Terra.

Observações: A Lua em Quarto Crescente brilha esta noite para a direita de Espiga, a mais brilhante estrela da constelação de Virgem.

Dia 13/06: 165.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1983 a sonda Pioneer 10 torna-se o primeiro artefacto humano a abandonar o sistema planetário solar.

Observações: Esta noite, a Lua já se encontra para a esquerda de Espiga. Bem para cima, está a brilhante Arcturo. A razão porque Arcturo parece mais brilhante que Espiga é por estar bem mais perto: 37 anos-luz, em comparação com os 260 anos-luz de Espiga. Na realidade, a quente Espiga é 16 vezes mais luminosa que Arcturo. Já agora, a Lua está apenas a 1,3 segundos-luz de distância.

 
 
CURIOSIDADES:

Embora a sonda New Horizons seja a sonda mais veloz alguma vez construída, ainda tem muito que percorrer até chegar a Plutão. No passado dia 8 de Junho, alcançou um marco interplanetário, ao passar a órbita de Saturno. Como prova da velocidade da New Horizons, estabeleceu um novo recorde da viagem mais rápida até Saturno: dois anos e quatro meses. O recorde anterior pertencia à sonda Voyager 1, que completou a viagem em aproximadamente três anos e dois meses.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

Anéis de Saturno vistos do outro lado
Crédito:
Cassini Imaging Team, SSI, JPL, ESA, NASA

Como são os anéis de Saturno no outro lado do planeta? Da Terra, normalmente vemo-los do mesmo lado do plano anular que o Sol os ilumina. Geometricamente, na imagem do lado, tirada em Abril pela sonda Cassini agora em órbita de Saturno, o Sol está por trás da câmara mas no outro lado do plano dos anéis. Este ponto de vista, especificamente 17 graus acima do plano anular, proporciona vistas de cortar a respiração do mais esplêndido sistema de anéis do Sistema Solar. Curiosamente, os anéis têm semelhanças com um negativo fotográfico da vista da frente. O brilho dos anéis, registado de diferentes ângulos, indica a sua espessura e densidade de partículas. Na imagem, as sombras dos anéis podem ser vistas na face iluminada de Saturno, que mostra inúmeras características atmosféricas quase em cores verdadeiras.
Ver imagem em alta-resolução

 
 
Fórum de Astronomia
 
Bottom thingy left    
Browser recomendado
 
"Feed" RSS do nosso site
 
Página do Centro Ciência Viva do Algarve
  Bottom thingy right
Boletim informativo. Por favor não responda a este e-mail.
Compilado por: Miguel Montes e Alexandre Costa
 
Leitor de e-mail recomendado Browser recomendado Calendário de actividades astronómicas Arquivos de todas as edições dos boletins astronómicos Fórum de discussão sobre Astronomia Página do Centro Ciência Viva do Algarve Browser recomendado Software recomendado para a leitura correcta desta newsletter