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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 424
De 18/06 a 20/06/2008
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  DESCOBERTO TRIO DE SUPER-TERRAS EM TORNO DE UMA ESTRELA
   


Esta impressão de artista mostra o recém-descoberto trio de super-Terras em órbita de uma estrela tipo-Sol, HD 40307.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)

Astrofísicos anunciaram Segunda-feira passada, numa conferência internacional em França, a descoberta de um trio de planetas chamados Super-Terras em órbita de uma estrela tipo-Sol.

As super-Terras são planetas extrasolares mais massivos que a Terra mas menos massivos que Urano e Neptuno. Descobrir planetas do tamanho da Terra é ainda uma tarefa bastante complicada com a tecnologia actual, mas de acordo com os investigadores, a presença de super-Terras sugere que a descoberta de um mundo como o nosso é apenas uma questão de tempo.

A equipa localizou o trio com o instrumento HARPS no telescópio de 3,6 metros do Observatório Europeu do Sul em La Silla, no Chile. Inferiram a sua existência ao notar como os planetas afectam gravitacionalmente a órbita da sua estrela-mãe. Este método tem o nome de técnica de velocidade radial, ou oscilação.

Em adição, os astrónomos do HARPS totalizaram 45 novos candidatos a planetas extrasolares com uma massa abaixo das 30 massas terrestres e com períodos orbitais inferiores a 50 dias. Os investigadores dizem que esta grande quantidade implica que uma em cada três estrelas tipo-Sol contém planetas deste género.

A estrela deste trio, HD 40307, é ligeiramente mais pequena que o Sol e está localizada a 42 anos-luz de distância, na direcção das constelações do Hemisfério Sul, Dourado e Pincel. (Um ano-luz é a distância que a luz percorre num ano, cerca de 9,46 biliões de quilómetros.)

"Fizémos medições muito precisas da velocidade da estrela HD 40307 ao longo dos últimos cinco anos, que claramente revelaram a presença de três planetas," disse Michel Mayor, membro da equipa do Observatório de Genebra na Suiça.

O mais pequeno dos três planetas tem 4,2 massas terrestres e orbita HD 40307 a cada 4,3 dias terrestres, enquanto o maior, com uma massa de 9,4 vezes a da Tera, tem uma órbita de 20,4 dias. O do meio tem 6,7 massas terrestres e completa uma volta em torno da estrela em cada 9,6 dias.

Desde a descoberta de Mayor em 1995 de um planeta em torno da estrela 51 Pegasi, os astrónomos já descobriram mais de 270 planetas extrasolares, a maioria à volta de estrelas como o Sol. Grande parte destes planetas são gigantes gasosos com a classificação de "Júpiteres quentes." Os investigadores dizem que aproximadamente uma em cada 14 estrelas fora do Sistema Solar contém um Júpiter quente.

Vários novos planetas extrasolares também foram anunciados na conferência internacional, onde os cientistas se focaram nas super-Terras extrasolares.

Estes incluem:

  • Um par em órbita da estrela HD 181433: uma super-Terra (7,5 massas terrestres) que orbita a sua estrela a cada 9,5 dias, e um planeta tipo-Júpiter com um período de quase três anos.
  • Dois planetas, um com 22 massas terrestres e com um período de quatro dias, e um planeta tipo-Saturno com um período de 3 anos.

"É muito provável que existam muitos mais planetas: não só apenas super-Terras e planetas tipo-Neptuno com períodos maiores, mas também planetas tipo-Terra que não conseguimos ainda detectar," disse Stephane Udry, membro da equipa e também do Observatório de Genebra. "Acrescentando-os aos planetas tipo-Júpiter já conhecidos, podemos bem chegar à conclusão que os planetas são ubíquos."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
SPACE.com
New Scientist
PHYSORG.com
National Geographic
Associated Press
BBC News
Science Daily
Science News
Público
Diário de Notícias
TVNET (vídeo)
Diário Digital

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Extrasolar Visions

 
  PHOENIX PODE TER DESCOBERTO GELO NO LIMITE DE POLÍGONO
   

A sonda Phoenix descobriu uma zona que poderá ser gelo na fronteira de uma secção poligonal de solo nas planícies norte de Marte.

O braço robótico da sonda destapou a substância branca depois de escavar os locais chamados "Dodo" e "Baby Bear" para criar uma grande trincheira. Esta área situa-se no limite de um polígono, uma formação geológica criada pela expansão e contracção sazonal do gelo no solo marciano.

É ainda cedo demais para saber se esta região clara é gelo ou sal. Mas ao longo dos próximos dias, as câmaras da sonda tirarão fotografias periódicas da área para ver se a camada exposta se altera.


Esta imagem a cores foi obtida pela câmara da Phoenix Mars Lander da NASA, no vigésimo dia da missão, ou Sol 19 (13 de Junho de 2008), depois da aterragem de dia 25 de Maio. A imagem mostra uma trincheira com o nome informal de "Dodo-Goldilocks". O material branco, possivelmente gelo, está localizado na porção superior da trincheira.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade do Texas
(clique na imagem para ver versão maior)

Se a camada for um pedaço isolado de gelo, a exposição ao Sol irá provavelmente diminuir a região à medida que se transforma em vapor de água, um processo chamado sublimação. A ser confirmado, pode apontar para que água líquida já tenha fluido entre os polígonos e depois congelado.

Mas se a zona for parte de um maior corpo de gelo subterrâneo, pode ao invés formar geada, pois as camadas de gelo escondidas por baixo do solo podem fazer com que o vapor de água no ar se recondense, diz Ray Arvidson da Universidade de Washington em St. Louis, Missouri, EUA, cientista principal das actividades do braço robótico.

O braço da sonda vai agora começar a escavar uma área chamada "Wonderland" que se situa numa área lisa no topo do polígono. Aqui, os membros da missão Phoenix esperam recolher amostras de gelo e de solo, e depois colocá-las em vários instrumentos científicos.


Este mapa de elevação mostra a trincheira "Dodo-Goldilocks" escavada pelo braço robótico da sonda Phoenix. Originalmente duas trincheiras separadas designadas "Dodo" (esquerda) e "Goldilocks" (direita), tornou-se uma depois de outra escavação no 19.º dia marciano, ou Sol 18 da missão (12 de Junho de 2008). A trincheira mede entre 7 e 8 centímetros na sua região mais profunda (a azul). Devido à própria inclinação do terreno (14 graus), as áreas mais altas (cor-de-rosa) estão cerca de 20 centímetros acima das áreas mais baixas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade do Texas/ Centro de Pesquisa Ames da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

Até agora, a equipa da Phoenix não descobriu provas de água nas suas análises de solo marciano.

Uma amostra de solo da trincheira "Baby Bear" foi aquecida a duas temperaturas diferentes no primeiro forno do instrumento TEGA (Thermal and Evolved Gas Analyzer). Os múltiplos testes são capazes de desvendar gelo ou água nos minerais do solo.

A equipa não esperava encontrar gelo na amostra de "Baby Bear", pois o solo já se encontrava por cima do forno há alguns dias antes de finalmente cair dentro do instrumento. Durante essa altura, qualquer gelo no solo tinha provavelmente sublimado, mudando directamente de gelo para vapor de água antes de alcançar o forno do instrumento TEGA.

Mas durante os próximos dias, a equipa irá aquecer a amostra até aos 1000 ºC, o que deverá revelar se existem quaisquer resíduos de água nos minerais do solo. Aí, a equipa tem mais esperanças. "Penso ser muito provável que iremos ter libertação de água a essas temperaturas," disse William Boyton, co-investigador do instrumento TEGA da Universidade do Arizona em Tucson, EUA.

Tal descoberta pode ajudar a revelar quais os minerais formados por água líquida na superfície marciana.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universe Today
SPACE.com
PHYSORG.com
Associated Press
Wired
MSNBC
Science News

Phoenix:
Página oficial
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ESPAÇO ABERTO 2008

Observação astronómica, dia 28 de Junho de 2008, na açoteia do CCVAlg, entre as 21:30 e as 23:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas
.
 
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 18/06: 170.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1178, 5 monges de Canterbury assistem à formação daquilo que provavelmente é a cratera Giordano Bruno.

Em 1983, Sally Ride tornava-se a primeira astronauta dos Estados Unidos no espaço.
Observações: Lua Cheia, pelas 18:30.

Dia 19/06: 171.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 240 a.C. terá sido por volta deste dia que Eratóstenes terá "medido" o perímetro da Terra usando a sombra do Sol a duas latitudes diferentes, uma em Alexandria, a outra em Siena (actualmente Assuão).

Em 1976, a sonda Viking 1 entrava em órbita em torno de Marte após 10 meses de missão.
Observações: Com o Verão a chegar, as duas mais brilhantes estrelas da estação brilham bem alto. Procure a branca Vega no céu a Este mesmo depois de anoitecer, e a pálida amarela-alaranjada Acturo ainda mais alta a Sudoeste.

Dia 20/06: 172.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Antes do amanhecer, olhe para Sudoeste para encontrar a Lua perto do horizonte. O ponto brilhante para cima é o planeta Júpiter.

 
 
CURIOSIDADES:

As abelhas utilizam o campo magnético da Terra para se navegarem. Algumas espécies de aves utilizam o Sol para encontrarem o seu ninho. Mamíferos como as baleias exibem sinais de "saltos estelares" quando vêm à superfície para dar uma espreitadela. Mas recentemente descobriu-se que as focas podem reconhecer e orientar-se pelas estrelas.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

Dentro do Enxame Galáctico de Cabeleira de Berenice
Crédito: ASA, ESA, Hubble Heritage (STScI/AURA); D. Carter (LJMU) et al. e Coma HST ACS Treasury Team

Quase todos os objectos na fotografia do lado são galáxias. O Enxame Galáctico de Cabeleira de Berenice é um dos enxames mais densos que se conhecem - contém milhares de galáxias. Cada destas galáxias tem milhares de milhões de estrelas - tal como a nossa própria Via Láctea. Embora próximo quando comparado com a maioria dos outros enxames, a luz do Enxame Galáctico de Cabeleira de Berenice ainda demora centenas de milhões de anos a chegar à Terra! De facto, é tão grande que a luz demora milhões de anos só para o atravessar! O mosaico de imagens do lado ilustra apenas uma pequena percentagem do Enxame e foi obtido com um detalhe sem precedentes pelo Telescópio Espacial Hubble a fim de investigar como as galáxias se formam e evoluem em ricos enxames. A maioria das galáxias em Cabeleira de Berenice e nos outros enxames são galáxias elípticas, embora algumas na imagem sejam claramente espirais. A galáxia espiral no canto superior esquerdo também pode ser observada como uma das galáxias mais azuis para cima e para a esquerda nesta imagem de maior campo de visão. No fundo, são visíveis milhares de galáxias sem relação, espalhadas por esse Universo.
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