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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 428
De 02/07 a 04/07/2008
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  HUBBLE CAPTURA FANTASMAGÓRICA FAIXA DE LUZ
   


O Telescópio Espacial Huble capturou uma ampliação dos restos de uma supernova ainda em crescimento, observada no ano 1006.
Crédito: NASA/ESA/Hubble Heritage Team
(clique na imagem para ver versão maior)

No ano 1006, observadores desde África à Europa e até ao Médio Oriente testemunharam e registaram a chegada da luz do objecto agora conhecido como SN 1006, uma tremenda explosão de supernova provocada pelos mórbidos impulsos finais de uma estrela anã branca a quase 7000 anos-luz de distância. Um astrónomo egípcio registou que o objecto era 2-3 vezes maior que o disco de Vénus e com cerca de um quarto do brilho da Lua. A supernova foi provavelmente a estrela mais brilhante jamais observada pelo ser humano, visível até de dia durante semanas a fio, e permaneceu vísivel a olho nu durante pelo menos dois anos e meio até que finalmente desvaneceu. Os restos desta supernova são ainda visíveis em telescópios, e o Hubble capturou esta ampliação de um filamento da onda de choque, ainda viajando pelo espaço, visto aqui com um fundo de estrelas. A totalidade da imagem de SN 1006 é igualmente impressionante...


Compósito de dados no visível, rádio e raios-X, da supernova SN 1006.
Crédito: NASA/ESA e Z. Levay (STScI)
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SN 1006 tem um diâmetro de aproximadamente 60 anos-luz e ainda está crescendo a um ritmo de quase 10 milhões de quilómetros por hora. Mesmo a esta tremenda velocidade, são precisas observações tipicamente separadas por anos para ver quaisquer mudanças significativas no movimento exterior da onda de choque contra o fundo de estrelas. Nesta imagem do Hubble, a supernova teria ocorrido para baixo e para a direita da imagem, e o movimento seria na direcção do canto superior esquerdo.

Foi só nos anos 60 que os radio-astrónomos detectaram pela primeira vez um anel de material quase circular na posição registada da supernova. O anel media quase 30 arco-minutos em diâmetro, o mesmo diâmetro angular que a Lua Cheia. O tamanho de SN 1006 implicava que a onda de choque da supernova tinha crescido a quase 33 milhões de quilómetros por hora durante os primeiros 1000 anos desde a ocorrência da explosão.

Comparação da emissão de hidrogénio visível no filamento Noroeste de SN 1006 com dados obtidos pelo telescópio CTIO de 0,9 metros em 1998 e pelo Hubble em 2006.
Crédito: NASA/ESA, L. Frattare (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)

Em 1976 foi registada a primeira detecção de uma emissão óptica extremamente ténue no resto de supernova, mas apenas num filamento localizado no limite Noroeste do anel de rádio. Uma pequena porção deste filamento é revelado em detalhe pela observação do Hubble. A fita entrelaçante de luz vista pelo Hubble corresponde a locais onde a onda de choque em expansão está agora a interagir com gás muito ténue na vizinhança.

O hidrogénio gasoso aquecido por esta onda de choque emite radiação no espectro visível. Sendo assim, a emissão óptica providencia aos astrónomos um retrato detalhado da posição e geometria actual da frente de choque num dado momento. Os limites brilhantes dentro da faixa correspondem a locais onde a onda de choque é vista exactamente de perfil com a nossa linha de visão.

Links:

Notícias relacionadas:
HubbleSite
New Scientist
Science Daily

SN 1006:
Wikipedia
APOD

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
No centro da Nebulosa da Trífida - Crédito: Daniel Lopez (Observatorio del Teide)
Nuvens de gás brilhante entrelaçam-se com correntes de poeira na Nebulosa da Trífida, uma região de formação estelar na direcção da constelação de Sagitário. No centro, as três proeminentes correntes de poeira que dão a Trífida o seu nome juntam-se. Montanhas de poeira opaca aparecem à direita, enquanto outros filamentos escuros são visíveis pela nebulosa. Uma única grande estrela, visível perto do centro, é responsável por grande parte do brilho da Trífida. Também conhecida como M20, tem apenas 300.000 anos, o que a torna a mais jovem nebulosa de emissão conhecida. Situa-se a cerca de 9000 anos-luz de distância e a secção aqui apresentada mede cerca de 10 anos-luz. A imagem foi capturada com o telescópio IAC80 de 0,8 metros nas Ilhas Canárias.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 02/07: 184.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, o satélite de raios-gama Vela foi lançado com a intenção de detectar explosões de bombas nucleares, mas tornou-se famoso pela sua inesperada descoberta dos GRB's (explosões de raios-gama).
Em 1978, James Christy obtém uma fotografia de Plutão com uma forma distintamente alongada. Observações repetidas da forma e da sua variação foram provas suficientes para a descoberta do satélite de Plutão, Caronte.
Em 1985, era lançada a missão Giotto. O seu objectivo era passar pelo cometa Halley e enviar de volta as primeiras imagens do núcleo de um cometa.

O primeiro encontro ocorreu a 13 de Março de 1986, a uma distância de 596 km. A Giotto também estudou o Cometa P/Grigg-Skjellerup durante a sua missão.
Observações: Maior elongação Oeste de Mercúrio.

Dia 03/07: 185.º dia do calendário gregoriano.
História: Maior aproximação do Cometa C/1998 T1 (LINEAR) pela Terra (0.492 UA).
Observações: Lua Nova, pelas 03:20.

Dia 04/07: 186.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1054 foi detectada pela primeira vez uma brilhante supernova registada pelos astrónomos chineses.

Deu origem ao resto de supernova que recebeu o nome de Nebulosa do Caranguejo e que é também conhecido por M1.
Em 1997, a sonda Pathfinder aterrava em Marte.
Observações: À medida que escurece, mostre a alguém as estrelas mais brilhantes. O grande Júpiter nascendo baixo a Sudeste. A vermelha- alaranjada supergigante Antgares brilha mais alta a Sul. A azul-esbranquiçada Vega está muito alta a Este e a amarela Arcturo muito alta a Sudoeste. E claro, o conjunto Saturno-Marte-Régulo baixo no lusco-fusco a Oeste.
A Terra encontra-se hoje no afélio, o seu ponto mais longe do Sol (apenas 1/30 mais afastada do que no periélio em Janeiro)

 
 
CURIOSIDADES:

O cometa mais brilhante de que há memória foi o Ikeya-Seki (C/1965 S1) decoberto em 1965 pelos astrónomos Kaoru Ikeya e Tsutomu Seki e que atingiu magnitude -7. O cometa brilhava tanto que chegou a ser visível em plena luz do dia.
 
 
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