NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 44
23 de Julho de 2004
JÚPITER E SATURNO TIVERAM PROCESSOS DE FORMAÇÃO DIFERENTES

 


O planeta Júpiter, vendo-se claramente a mancha vermelha.
Crédito: NASA

Na formação do sistema solar, o modelo padrão definia um tipo de formação semelhante para os gigantes gasosos. Mas afinal, quando há cinco mil milhões se formaram os planetas gasosos Júpiter e Saturno, parece que o mecanismo de formação de cada um destes planetas terá sido radicalmente diferente.

De facto, modelos computacionais desenvolvidos quase sem aproximações tomando em consideração experiências em que o hidrogénio é levado a pressões semelhantes daquelas que são medidas no interior dos dois planetas levaram cientistas do Laboratório Nacional de Los Alamos da Universidade da Califórnia  a efectuar esta afirmação.

Didier Saumon da Divisão de Física Aplicada de Los Alamos, trabalhando em colaboração com um francês criou modelos que estabelecem a existência de elementos pesados no núcleo denso de Saturno enquanto que esses elementos se encontrarão disseminados por todo o interior de Júpiter que possuirá no máximo um pequeno se núcleo, se é que possui algum. O estudo que foi publicado esta semana no Astrophysical Journal, mostra que elementos como o ferro, o silício, o carbono, o azoto e o oxigénio se encontrarão concentrados no núcleo no caso de Saturno e que se encontrarão distribuídos pelo planeta no caso de Júpiter o que leva a concluir que o processo de formação terá sido necessariamente  diferente.


Saturno, o Senhor dos Anéis.
Crédito: NASA

Saumon usou dados recolhidos de diferentes experiências de compressão por choque que mostram como o hidrogénio se comporta a  pressões milhões de vezes maiores que as da nossa atmosfera, ou seja, a pressões semelhantes às que se verificam no interior de Júpiter e Saturno. Estas experiências que permitiram determinar a equação de estado de fluidos simples (como é o caso do hidrogénio) nas gamas de alta pressão e alta densidade a que ocorre a transformação que conduz à formação do deutério, o isótopo do hidrogénio que contém um protão e um neutrão.

Nesta colaboração com o francês T. Guillot do Observatório da Cote d'Azur, Saumon fez correr cerca de 50.000 modelos das estruturas internas dos dois planetas que incluiam todas as possíveis variações permitidas quer pelas observações astronómicas quer pelas medidas experimentais realizadas em laboratório.

Saumon espera que os dados da estrutura interna de  Saturno que venham a ser obtidos com a sonda Cassini permitam afinar alguns dos parâmetros que possuem alguma incerteza de modo a ajustar completamente o modelo à realidade observada neste planeta.

Tal como os restantes gigantes gasosos e o Sol, Júpiter e Saturno são compostos essencialmente por gases. Destes cerca de 70% é hidrogénio, sendo o restante constituído por hélio e por pequenas quantidades de elementos mais pesados. Anteriormente, a distribuição destes elementos no interior dos planetas era difícil de calcular pois a equação de estado do hidrogénio não era bem conhecida.

Embora estes resultados mostrem que a formação terá sido diferente ainda não surgiram quaisquer mecanismos de formação que distingam claramente os processos de formação de Júpiter e Saturno. Espera-se que os dados da sonda Cassini possam ajudar a clarificar essa diferença.

Links:

Press Release:
http://www.lanl.gov/worldview/news/releases/archive/04-067.shtml

Laboratório de Los Alamos:
http://www.lanl.gov/worldview/

Saturno:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/saturno.htm
http://www.ga-esec-pinheiro-rosa.rcts.pt/sistema_solar/saturno.htm
http://oficina.cienciaviva.pt/escolajoaoafonso/saturno.htm

Júpiter:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/jupiter.htm
http://www.ga-esec-pinheiro-rosa.rcts.pt/sistema_solar/jupiter.htm

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     
 
Nebulosa Anular de Lira - Crédito: João Águas, Miguel Montes, Nelson Viegas
Esta excelente imagem foi obtida da açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve usando um telescópio Meade LX200 acoplado com uma webcam Toucam Pro da Philips. Na imagem que estão assinaladas as magnitudes das estrelas mais próximas é possível ver que alguns dos objectos capturados na imagem têm magnitudes integradas superiores a 16, o que é verdadeiramente notável para uma imagem obtida com uma webcam em ambiente citadino.
A nebulosa anular de Lira encontra-se a 2000 anos-luz da Terra e é o resultado da morte de uma estrela de massa semelhante ao nosso Sol.
Ver imagem em alta-resolução
Ver imagem em alta-resolução com as magnitudes dos objectos indicadas
     
 

De 1 de Julho a 15 de Setembro, todas as noites excepto às Segundas, entre as 21:00 e as 23:00, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
 

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  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 23/07: 205º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1962, o satélite Telsat permitia a primeira transmissão transatlântica em directo. Em 1972 era lançado o Landsat 1, o primeiro satélite lançado para o estudo da Terra.
Observações: Por volta das 03h11 (hora local), duplo trânsito de Io e Calisto sobre Júpiter.

Dia 24/07: 206º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969 a missão Apollo 11 amarava no Pacífico tornando-se a primeira missão tripulada a transportar homens à superfície da Lua e regressar.
Observações:
A Lua e a estrela Espiga encontram-se no campo visual de um binóculo.

Dia 25/07: 207º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 5. Em 1984, a cosmonauta Svetlana Savitskaya, como tripulante da missão Salyut 7, torna-se a primeira mulher a passear no espaço.
Observações: Às 04h37min (hora local) a Lua atinge o Quarto Crescente.

Dia 26/07: 208º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1963, era lançado o Syncom 2, o primeiro satélite geoestacionário. Em 1971 era lançada a Apollo 15.
Observações: O planeta Mercúrio (magnitude 0,4) encontra-se 1.5° a Sul da estrela Régulo (magnitude 1,4 ) à 01h00 (hora local).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Plutão apenas é considerado um planeta principal por razões históricas. De facto, é cada vez mais aceite que Plutão faz parte de um conjunto de mais de 250 objectos já conhecidos que recebem o nome de objectos transneptunianos. Entre os vários argumentos encontra-se a sua dimensão. Com um raio equatorial de 1137 km, é substancialmente mais pequeno que a nossa Lua (1738 km de raio equatorial) que nem faz parte dos três maiores satélites do sistema solar.
 
 
 
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