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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 453
De 27/09 a 30/09/2008
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  SONDA REVELA CANALIZAÇÃO DE FRACTURAS ROCHOSAS EM MARTE
   

A sonda Mars Reconnaissance Orbiter da NASA revelou centenas de pequenas fracturas expostas na superfície marciana que há milhares de milhões de anos atrás dirigiram fluxos de água por arenito subterrâneo.

Os investigadores usaram imagens da câmara HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment). Estas imagens de depósitos sedimentares de rocha em locais equatoriais de Marte mostram que as redes de fracturas parecem ser de um tipo denominado bandas de deformação, provocadas por stress debaixo da superfície em leitos de rocha granular ou porosa.


Densas redes de estruturas tipo-fissuras com o nome de bandas de deformação formam as proeminentes estrias lineares nesta imagem da câmara HiRISE ((High Resolution Imaging Science Experiment) a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)

"A água subterrânea normalmente flui ao longo de fissuras tais como estas, e saber que estas são bandas de deformação ajuda-nos a compreender como a canalização subterrânea pode ter funcionado dentro destes depósitos de sedimentos," disse Chris Okubo do USGS (U.S. Geological Survey) em Flagstaff, Arizona, EUA.

Os efeitos visíveis da água na cor e textura da rocha ao longo das fissuras providenciam evidências que a água à superfície corria extensivamente pelas mesmas.

"Estas estruturas são locais importantes para a exploração e investigações futuras da história geológica da água e dos processos relacionados com água em Marte," explica Okubo e co-autores num artigo publicado on-line este mês no Boletim da Sociedade Geológica Americana.

As redes de bandas de deformação em arenito no estado do Utah, tal como os de Marte, medem desde alguns metros até vários quilómetros em comprimento. São formadas a partir da compressão ou alongamento de camadas subterrâneas, e podem ser precursoras de falhas. As visíveis à superfície ficaram expostas à medida que as camadas superiores sofriam erosão. As bandas de deformação e as falhas podem influenciar fortemente o movimento da água à superfície da Terra e, de acordo com este estudo, parecem ter sido similarmente importantes em Marte.

"Este estudo providencia um olhar não só sobre a erosão da água à superfície, mas sobre os efeitos reais da água superficial distribuídos largamente pelo planeta," disse Suzanne Smrekar, cientista do projecto Mars Reconnaissance Orbiter no JPL (Jet Propulsion Laboratory) da NASA em Pasadena, Califórnia. "O movimento da água à superfície tem implicações importantes sobre como a temperatura e a química da crosta mudaram ao longo do tempo, que por sua vez afectam o potencial de habitats para vida passada."

O estudo recente foca-se nos depósitos sedimentares na cratera Capen em Marte, com aproximadamente 70 quilómetros em diâmetro e a 7 graus norte do equador. Esta cratera previamente sem nome tornou-se notável devido a esta descoberta de bandas de deformação no seu interior e foi-lhe recentemente atribuída um nome formal. A cratera tem o nome de Charles Capen, que estudou Marte e outros objectos como astrónomo do Observatório do JPL em Table Mountain, na Carolina do Sul, e do Observatório Lowell, em Flagstaff, Arizona.

A câmara HiRISE é um dos seis instrumentos científicos da sonda. Pode revelar detalhes mais pequenos na superfície do que qualquer câmara até à data em órbita de Marte. A sonda alcançou o Planeta Vermelho em 2006 e já enviou mais dados do que a soma de todas as missões marcianas combinadas.


Impressão de artista da inserção oribtal da MRO em Marte a 10 de Março de 2006.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universe Today
PHYSORG.com
SpaceRef
Market Watch

MRO:
Página oficial da NASA
Página oficial do JPL
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
   
  Foto
   
 
Raios lunares por cima do Observatório Byurakan - Crédito: Babak Tafreshi (TWAN)
A 7 de Setembro, a Lua em Quarto Crescente e nuvens passageiras contribuiram para um dramático céu nocturno por cima do Observatório Astrofísico de Byurakan. Esta vista panorâmica começa à esquerda, olhando para o horizonte a Este e para as estrelas da constelação de Perseu que nascem. Desviando o olhar para a direita (Sul), encontrará a cúpula do grande observatório, que contém um telescópio com 2,6 metros de diâmetro, iluminado pelas luzes da vizinha Yerevan, a capital da Arménia. Bem alojada por cima do observatório está a brilhante estrela gigante Enif, pertencente à alta constelação de Pégaso. Mais para a direita, o farol celeste mesmo por cima das nuvens é o rei dos planetas do Sistema Solar, Júpiter. Para o lado, a Lua encontra-se quase escondida por nuvens que se aproximam, cujas próprias nuvens provocam sombras na brilhante luz lunar, criando o efeito de raios lunares pelo céu nocturno.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 27/09: 271.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 era lançada a sonda da ESA, Smart-1, a primeira tentativa de lançar naves espaciais de baixo custo.

Observações: Tente encontrar Fomalhaut, a estrela de Outono, que surge a sudeste na constelação Piscis Austrinus após o por-do-sol e que sobe até cerca das 22-23h.

Dia 28/09: 272.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, o Observatório de Raios-X Chandra da NASA anuncia uma espectacular imagem da Nebulosa do Caranguejo, os espectaculares restos de uma explosão estelar, revelando algo ainda nunca visto.

O brilhante anel à volta do coração da nebulosa são ondas de partículas altamente energéticas que parecem ter sido expulsas a uma distância de 1 ano-luz da estrela central, e os jactos de partículas afastam-se da estrela de neutrões numa direcção perpendicular à espiral.
Observações: Deneb substituiu Vega como a estrela mais brilhante perto do zénite (para observadores a médias latitudes Norte).

Dia 29/09: 273.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988 era lançada a missão STS-26 do vaivém Discovery.

Marca o resumo das missões depois do acidente 1986 51-L. Duração da missão: 97 horas e 11 minutos.
Observações: Lua Nova, pelas 9:12
.

Dia 30/09: 274.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1880, Henry Draper tira a primeira fotografia da Nebulosa de Orion.

A exploração de M42 é ainda feita a partir de fotos do HST.
Em 1999, aproximação máxima da Terra pelo asteróide 1992 SK (0.479 UA).

 
 
CURIOSIDADES:
Uma milha em terra são 5,280 pés (1,609 m). Uma milha náutica, por outro lado, é baseada num arco-minuto da circunferência média da Terra. (um minuto é 1/60º). Logo, são 6,076 pés (1,852 m), o equivalente a 1.15 milhas terrestres. Um "nó" náutico é uma grandeza de velocidade, equivalente a uma milha náutica por hora. Então, se navegasse a uma velocidade de 60 nós, circun-navegaria o planeta em 360 horas.
 
 
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