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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 462
De 29/10 a 31/10//2008
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  SISTEMA PLANETÁRIO MAIS PRÓXIMO TEM DUAS CINTURAS DE ASTERÓIDES
   

Astrónomos descobriram que a estrela vizinha Epsilon Eridani tem duas cinturas de asteróides e um anel exterior de gelo, o que o torna num sistema anular triplo. A cintura de asteróides interior é um gémeo virtual da cintura de asteróides do nosso Sistema Solar, enquanto a cintura exterior contém 20 vezes mais material. Além do mais, a presença destes três anéis de material implica que planetas ainda por descobrir confinam e moldam o sistema.

A estrela Epsilon Eridani é ligeiramente mais pequena e fria que o Sol. Encontra-se a cerca de 10,5 anos-luz da Terra na direcção da constelação de Erídano. Epsilon Eridani é a 9.ª estrela mais próxima do Sol e é visível à vista desarmada. É também mais jovem que o Sol, com uma idade aproximada de 850 milhões de anos.

Epsilon Eridani e o seu sistema planetário mostram semelhanças impressionantes com o nosso Sistema Solar numa idade comparável.


Esta impressão de artista mostra o sistema planetário conhecido mais próximo, Epsilon Eridani, rodeado por duas cinturas de asteróides (uma interior, vista como o anel amarelado, e uma exterior, no plano da frente), bem como possíveis planetas e um anel exterior (os cometas na imagem são originários desse anel exterior).
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)

"Estudar Epsilon Eridani é como ter uma máquina do tempo e observar o nosso Sistema Solar quando era jovem," disse o astrónomo Massimo Marengo, do Centro para Astrofísica Harvard-Smithsonian. Marengo é co-autor do artigo científico da descoberta, que será publicado na edição de 10 de Janeiro do Astrophysical Journal.

O autor principal, Dana Backman do Instituto SETI, concorda, dizendo: "Este sistema provavelmente parece-se muito com o nosso quando a vida começou a aparecer na Terra."

O nosso Sistema Solar tem uma cintura de asteróides entre Marte e Júpiter, a cerca de 3 UA do Sol (uma unidade astronómica, ou UA, é a distância média entre a Terra e o Sol, aproximadamente 150 milhões de quilómetros). No total, contém cerca de 1/20 da massa da Lua. Usando o Telescópio Espacial Spitzer da NASA, a equipa de astrónomos descobriu uma cintura de asteróides idêntica em órbita de Epsilon Eridani a uma distância similar de 3 unidades astronómcias.

Também descobriram uma segunda cintura de asteróides a 20 UA de Epsilon Eridani (mais ou menos à distância de Urano no Sistema Solar). A segunda cintura de asteróides contém aproximadamente a mesma massa que a Lua.

Um terceiro anel de material gelado, observado previamente, prolonga-se entre as 35 e as 100 UA de Epsilon Eridani, uma posição homóloga da Cintura de Kuiper no nosso Sistema Solar. No entanto, o anel exterior de Epsilon Eridani contém cerca de 100 vezes mais material que o nosso.

Quanto o Sol tinha 850 milhões de anos, os teóricos calculam que a nossa Cintura de Kuiper era basicamente igual à de Epsilon Eridani. Desde aí, muito do material da Cintura de Kuiper desapareceu, algum expulso do Sistema Solar ou enviado em rota de colisão com os planetas interiores num evento chamado Último Bombardeamento Pesado (a Lua contém muitas provas deste evento - crateras gigantes que formaram os mares lunares). É possível que Epsilon Eridani atravesse uma limpeza dramática deste género no futuro.


Este diagrama compara o sistema de Epsilon Eridani com o nosso Sistema Solar. Os dois têm uma estrutura semelhante, e ambos contêm asteróides (castanho), cometas (azul) e planetas (pontos brancos).
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)

"Epsilon Eridani parece-se muito com um Sistema Solar jovem, por isso é concebível que evolua da mesma maneira," disse Marengo.

Os dados do Spitzer mostram intervalos entre cada dos três anéis que rodeiam Epsilon Eridani. Tais zonas são melhor explicadas pela presença de planetas que moldam gravitacionalmente os anéis, tal como as luas de Saturno moldam os anéis.

"A existência de planetas é o método mais fácil de explicar o que estamos a ver," afirma Marengo.

Especificamente, três planetas com massas entre as de Neptuno e Júpiter encaixam bem na observações. Um planeta candidato perto do anel interior já foi detectado por estudos de velocidade radial. Esses estudos sugerem que orbita Epsilon Eridani numa órbita altamente elíptica, caracterizada por uma excentricidade de 0,7. A nova descoberta exclui tal percurso, porque o planeta teria que ter "limpo" a cintura de asteróides mais interior há muito tempo atrás por perturbações gravitacionais.

Um segundo planeta deve situar-se perto da segunda cintura de asteróides, e um terceiro a aproximadamente 35 unidades astronómicas, perto do limite interior da cintura de Kuiper de Epsilon Eridani. Estudos futuros poderão detectar estes mundos actualmente por descobrir, bem como quaisquer planetas terrestres que possam orbitar dentro da cintura de asteróides interior.

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico (em formato PDF)
Comunicado de imprensa (CfA)
Comunicado de imprensa (NASA)
New Scientist
SPACE.com
Universe Today
Science Daily
PHYSORG.com
Discover

Epsilon Eridani:
Wikipedia
SolStation

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Estrelas Massivas no Enxame Aberto Pismis 24 - Crédito: NASA, ESA e J. M. Apellániz (IAA, Espanha)
Quão massiva pode ser uma estrela normal? As estivativas feitas a partir da distância, brilho e modelos solares padronizados deram a uma estrela no enxame aberto de Pismis 24 mais de 200 vezes a massa do nosso Sol, tornando-a na detentora de um recorde. Esta estrela é o objecto mais brilhante localizado mesmo por cima da frente gasosa na imagem. Uma inspecção mais detalhada de imagens obtidas recentemente com o Telescópio Espacial Hubble, no entanto, mostraram que a brilhante luminosidade de Pismis 24-1 deriva não só de uma única estrela mas de pelo menos três. As componentes estelares teriam ainda perto das 100 massas estelares, o que as coloca entre as estrelas mais massivas que se conhecem. Na parte de baixo da imagem, estrelas estão ainda a formar-se na nebulosa de emissão associada, NGC 6357, incluindo algumas que parecem estar a querer saír e iluminar um espectacular "casulo".
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 29/10: 303.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1998 o Space Shuttle Discovery partia para o espaço levando a bordo o astronauta John Glenn de 77 anos.

Glenn, que fora o primeiro norte-americano a orbitar a Terra em 1962, tornou-se deste modo a pessoa mais velha a alguma vez ter estado no espaço.
Observações: Vesta, o asteróide mais brilhante, encontra-se em oposição, brilhante a uma magnitude de 6.14. Está já razoavelmente alto à noite, facilmente visível com binóculos na cabeça de Baleia.

Dia 30/10: 304.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Há quanto tempo não observa Albireu, a famosa estrela dupla da cauda de Cisne? Consegue discernir as cores das estrelas?

Dia 31/10: 305.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1998 era lançada a sonda Deep Space 1 na sua missão de estudo de asteróides/cometas.
Observações: Baixa a Sudoeste no lusco-fusco, procure a finíssima Lua Crescente a cerca de 8º por baixo de Vénus. Ligeiramente para cima da Lua, está a muito mais ténue estrela Antares.

 
 
CURIOSIDADES:

Sabia que a sonda New Horizons, a caminho de Plutão, tem nove itens clandestinos a bordo, e um deles é uma pessoa? Veja aqui a lista.
 
 
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