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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 465
De 08/11 a 11/11/2008
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  IMAGEM UV MAIS PROFUNDA REVELA UM MAR DE GALÁXIAS DISTANTES
   

Mergulhe nesta imagem, que contém um mar de galáxias distantes! O VLT (Very Large Telescope) obteve a imagem terrestre mais profunda do céu no ultravioleta, e aqui, pode ver esta zona do céu coberta quase exclusivamente por galáxias, cada uma como a nossa Via Láctea, o lar de centenas de milhares de milhões de estrelas. Outras características notáveis que podemos observar nesta imagem: foram detectadas galáxias que são mil milhões de vezes mais ténues do que a vista desarmada consegue observar, e também em cores não directamente observáveis pelo olho humano. Na imagem, foram descobertas inúmeras galáxias, tão distantes que são visíveis numa altura em que o Universo tinha apenas 2 mil milhões de anos!


Um oceano de galáxias distantes.
Crédito: ESO/Mario Nonino, Piero Rosati e Equipa GOODS do ESO
(clique na imagem para ver versão maior, e aqui para versão intermédia de 1,05M
)

Esta imagem contém mais de 27 milhões de pixeis e é o resultado de 55 horas de observação, levada a cabo principalmente com o instrumento VIMOS (Visible Multi Object Spectrograph). Para a ver no seu maior esplendor, carregue na imagem para ver a versão em alta-resolução (31,2M). Vale a pena o tempo que demora a transferir. Ou siga o link na devida secção para ser capaz de fazer zoom na imagem.

Neste oceano de galáxias - ou universos-ilha, como são por vezes chamados - muito poucas estrelas pertencentes à Via Láctea podem ser observadas. Uma delas está tão perto que se move muito rapidamente pelo céu. Esta estrela de "alto movimento próprio" é visível para a esquerda da segunda estrela mais brilhante da imagem. Parece-se com um engraçado arco-íris alongado devido à estrela se ter movido enquanto os dados estavam sendo recolhidos nos diferentes filtros ao longo dos vários anos.

A equipa do VLT descreve esta imagem como uma "esplêndida e única obra de retalhos, com a sua míriade de galáxias coloridas." Mostra o Campo Profundo Sul do Chandra (CDF-S), uma das mais observadas e melhor estudadas regiões de todo o céu. O CDF-S é uma de duas regiões seleccionadas como parte do projecto GOODS (Great Observatories Origins Deep Survey), um esforço da comunidade astronómica global que une os observatórios terrestres mais profundos - e espaciais - em todos os comprimentos de onda desde raios-X até ao rádio. O seu objectivo principal é providenciar aos astrónomos com o estudo mais sensível do Universo distante para ajudar na melhor compreensão da formação e evolução das galáxias.

A imagem contém 40 horas de observações com o VLT, sempre na mesma região do céu. A imagem VIMOS na banda-R foi obtida co-adicionando um grande número de imagens de arquivo, totalizando 15 horas de exposição.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Zoom na imagem (ESO)
Science Daily
Discover Magazine

Galáxias:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
  RESISTENTES ROVERS DE NOVO EM MOVIMENTO
   

A chegada da Primavera ao Sul de Marte está a ressuscitar os dois veneráveis rovers da NASA, à medida que o avanço do Outono no ártico norte lentamente congela a Phoenix.

Após hibernar durante o Inverno na fronteira de um planalto com o nome de Home Plate, o rover Spirit subiu para mais alto em Outubro para recolher maior quantidade de energia solar.

No outro lado do planeta, o rover Opportunity, que saíu de uma grande cratera chamada Victória no fim de Agosto, completou o seu primeiro mês de uma viagem de 12 quilómetros até uma cratera ainda maior chamada Endeavour. Espera-se que essa viagem demore mais de dois anos.


O rover Opportunity começou novamente a mover-se. Dentro em breve, percorrerá a sua maior distância desde que aterrou em Marte. Se tudo correr bem, continuará a enviar postais para a Terra durante muito mais tempo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)

Desenhados para durar apenas 90 dias, os dois rovers já sobreviveram quase cinco anos no Planeta Vermelho. Ambos mostram sinais da sua idade, mas Jake Matijevic, chefe de engenharia dos rovers no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, diz que estão em boas condições.

Com os seus painéis solares recolhendo apenas cerca de 240 W/h de energia por dia, o Spirit permaneceu no mesmo sítio até meados de Outubro, registando um panorama de 360º a cores e recolhendo dados científicos. Os seus próximos destinos serão um monte denominado Von Braun e uma pequena cratera chamada Goddard a uns 200, 300 metros de distância.

Desde que começou a mover-se novamente, o Spirit foi capaz de subir encostas até 30º, que mantém boas esperanças de atingir esses alvos. No entanto, duas semanas de movimento não expulsaram a poeira que limita a energia gerada pelos seus painéis solares.


Sem desistir, o rover Spirit começou novamente a mover-se, após mais de oito meses parada.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)

Começará a parte principal da sua viagem após uma interrupção entre as comunicações durante duas semanas, desde 29 de Novembro até 15 de Dezembro, quando o Sol se encontrar entre Marte e a Terra.

Os ventos já sopraram poeira dos painéis solares do Opportunity, por isso estão a gerar mais de 600 W/h de energia por dia e permitem com que o rover se desloque mais rapidamente.

Mas deverá navegar cuidadosamente pelo terreno que inclui dunas macias onde pode ficar encalhado. O rover pode percorrer até 100 metros por hora, mas pode observar o percurso em frente apenas 20 a 30 metros. Isso significa que tem que parar regularmente para estudar o terreno para que os controlares possam escolher um percurso seguro.

Quando Marte passar por trás do Sol, os controladores irão estacionar o Opportunity num local onde possa passar as duas semanas sem comunicações, fazendo medições científicas antes de retomar a sua viagem.

A caminho da Cratera Endeavour, os controladores procurarão tipos interessantes de rocha. Mas porque a paragem para recolha de dados demora entre 5 a 10 dias por rocha, examinarão apenas umas quantas, afirma Matijevic.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
08/08/27 - Rover Opportunity prepara-se para saír de cratera
08/09/24 - Opportunity vai viajar até enorme cratera

Rovers marcianos da NASA:
Página oficial
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars
Actualização do mês de Novembro de 2008 sobre os rovers da NASA (Youtube)

 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 08/11: 313.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1656 nascia Edmond Halley (no calendário juliano corresponde a 29 de Outubro).

Halley era um cientista inglês que usou a sua teoria das órbitas cometárias para calcular que o cometa de 1682 (Cometa Halley) era periódico e encorajou Isaac Newton a publicar a sua famosa obra de cálculo, gravidade, e das leis da gravidade. Também descobriu em 1718 que algumas das estrelas "fixas" (Sirius, Aldebarã, Betelgeuse e Arcturo) na realidade tinham o que se chama de "movimento próprio", o que significa que não estão estacionárias ("fixas"). Pensava-se que as estrelas estavam fixas no céu desde a compilação da obra "Almagest" de Ptolomeu.
Em 1984, lançamento da missão STS-51A, voo inaugural do Vaivém Discovery.

Observações: Aproveite o início da noite para observar telescopicamente o planeta Júpiter e os seus satélites galileanos.

Dia 09/11: 314.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1934 nascia Carl Sagan.

Carl Sagan começou a sua carreira na ciência da vida no Universo como assistente do prémio Nobel da medicina H. J. Muller nos anos 50. Conhecedor, tanto de Astronomia como de Biologia, as suas contribuições para o estudo da ciência planetária são a fundação da pesquisa actual. "Cosmos", a série televisiva, ganhou vários prémios Emmy e Peobody. O livro, foi o livro científico mais vendido de sempre. O seu romance "Contacto" foi trazido para o cinema através da Warner Bros. Teve um papel fundamental nas sondas Mariner, Viking e Voyager, pelas quais recebeu a medalha de Feito Científico Excepcional da NASA (duas vezes) e a medalha de Notável Seviço Público. Co-fundador da Sociedade Planetária. Dr. Sagan recebeu o prémio Pulitzer, a medalha Oersted e muitos outros prémios - incluíndo dezoito graduações de colégios e Universidades americanas - pelas suas contribuições à Ciência, literatura, educação e conservação do ambiente. Sagan teve o título de Professor David Duncan de Astronomia e Ciências Espaciais e foi director do Laboratório de Estudos Planetários na Universidade de Cornell. O prémio Masursky da Sociedade Astronómica Americana cita "as suas extraordinárias contribuições no desenvolvimento da ciência planetária". Morreu a 20 de Dezembro de 1996. Faria 73 anos.
Observações: Vesta, o asteróide mais brilhante, passou há pouco tempo a oposição e tem ainda magnitude 6,2. É facilmente observável com binóculos perto da cabeça de Baleia.

Dia 10/11: 315.º dia do calendário gregoriano.
Observações: De hoje até dia 23, podemos observar as Leónidas, uma das melhores chuvas de meteoros do ano. As melhores alturas para observação são depois da meia-noite.

Dia 11/11: 316.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1572 Tycho Brahe observa uma nova no céu.

Isto é uma prova contra a teoria de Aristóteles que os céus são imutáveis.
Observações: O Triângulo de Verão ainda domina o céu Oeste durante a noite. A sua estrela mais brilhante, Vega, encontra-se alta a Oeste-Noroeste. A estrela brilhante acima de Vega é Deneb. A terceira estrela do triângulo, Altair, brilha para a esquerda de Vega.

 
 
CURIOSIDADES:

Vénus tem um movimento de rotação retrógrado (no sentido dos ponteiros do relógio quando visto do pólo norte) que é oposto ao dos restantes planetas do Sistema Solar.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

Perseguindo 2008 TC3
Crédito: Mohamed Elhassan Abdelatif Mahir (Noub NGO), Dr. Muawia H. Shaddad (Univ. Khartoum), Dr. Peter Jenniskens (SETI Institute/NASA Ames)

A 7 de Outubro, o amanhecer no norte do Sudão revelou esta cauda distorciada a grande altitude. Capturada em vídeo, a cauda persistente é a de um impacto de um pequeno asteróide catalogado como 2008 TC3. Este evento foi notável porque foi a primeira vez que um asteróide foi detectado no espaço antes de colidir com a atmosfera da Terra. De facto, depois dos astrónomos terem descoberto 2008 TC3, a hora e o local do seu impacto foram previstos com base em observações posteriores. Depois, o impacto foi confirmado por sensores, incluindo uma imagem do Meteosat-8 que mostra um flash brilhante na atmosfera. Os astrónomos esperam agora mais registos de observações terrestres locais do que deve ter sido um brilhante meteoro passando pelo céu nocturno do Sudão. Os registos adicionais podem aumentar as hipóteses de recolher meteoritos.
Ver imagem em alta-resolução

 
 
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