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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 471
De 29/11 a 2/12/2008
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  JACTOS DE ENCELADO - MOLHADOS OU APENAS SELVAGENS?
   

Os cientistas continuam a procurar a causa dos geysers da lua de Saturno, Encelado. Estes são visíveis como uma grande pluma de vapor de água e partículas de gelo que escapam à lua. Dentro da pluma estão jactos de poeira e de gás. O que provoca e controla os jactos é ainda um mistério. A sonda Cassini continua a recolher novos dados em busca de pistas.

No coração da pesquisa está a questão se os jactos são originários de uma fonte subterrânea de água líquida. Algumas teorias oferecem modelos onde os jactos são provocados por mecanismos que não necessitam de água líquida. O árduo trabalho de detective dos cientistas da Cassini tem o objectivo de testar as possibilidades de modo a se aproximarem de uma resposta.

O que gera os jactos de Encelado é uma questão importantíssima da ciência planetária, porque se a água líquida está envolvida, Encelado teria tudo o que precisa, em teoria, para providenciar um ambiente habitável.


Nesta impressão de artista, a sonda Cassini faz um voo rasante pela lua de Saturno, Encelado, com o objectivo de estudar as plumas dos geysers que são libertados a partir de gigantes fissuras na região polar sul do satélite.
Crédito: NASA, Karl Kofoed
(clique na imagem para ver versão maior)

Um modelo recente proporcionou a hipótese que os jactos pudessem ser explosões violentas de gelos voláteis recém-expostos ao espaço quando as forças das marés de Saturno abrem fissuras dentro da região de "listas de tigre" no pólo sul da Lua.

As novas descobertas anunciadas na edição de 27 de Novembro da revista Nature, no entanto, duvidam dessa hipótese. Quando Encelado está mais longe de Saturno, de acordo com a teoria, estes respiradouros comprimem-se, reduzindo ou desligando os jactos.

"As nossas observações não concordam com os 'timings' previstos da abertura ou fecho das falhas devido à tensão e compressão das marés," afirma Candice Hansen, cientista do JPL que faz parte da equipa do espectómetro de imagem ultravioleta da Cassini.

Ao mesmo tempo, disse Hansen, os novos achados suportam pelo menos uma teoria que atribui os jactos a uma fonte de água líquida dentro de Encelado.

Hansen e a sua equipa conduziram experiências em 2005 e 2007 para observações da luz estelar passando através das plumas de Encelado. Durante esta chamada "ocultação estelar," o espectómetro mediu a concentração de vapor de água e densidade dos jactos. A experiência testou a previsão que uma maior quantidade de material seria libertado de maiores aberturas em 2005, e menos material em 2007 quando as fissuras estariam mais fechadas.

Ao invés, anunciou Hansen, descobriu-se que a realidade é exactamente o oposto. As observações mostraram que a pluma era quase duas vezes mais densa em 2007 que em 2005, contradizendo o modelo que diz que a compressão das marés controla as plumas. "Nós não a excluímos completamente devido às diferentes geometrias das nossas duas ocultações, mas nós definitivamente também não comprovámos esta hipótese," disse Hansen.

Hansen disse que as novas observações da Cassini, no entanto, suportam um modelo matemático desenvolvido em 2007, que trata os respiradouros como tubos que canalizam o vapor de água a partir de uma fonte quente, provavelmente líquida, até à superfície a velocidades supersónicas.

Os autores desse modelo teorizam que apenas altas temperatuas perto do ponto de fusão da água gelada podem explicar o grande número de partículas de gelo presentes num estado estável nos jactos de Encelado. Uma fonte de água líquida dentro de Encelado, disseram, pode ser semelhante ao Lago Vostok da Terra, por baixo da Antártida, onde água líquida existe por baixo do gelo. No caso de Encelado, os grãos de gelo aí condensariam a partir do vapor que escapa da fonte de água e percorrem as fissuras na crosta gelada até à superfície e para o espaço.


Os investigadores pensam que os geysers em Encelado são formados a partir de água líquida por baixo da superfície, perto do pólo sul da lua. O vapor viajar por pequenos canais no gelo e condensa para formar cristais de gelo que também se movem na direcção da superfície da lua. Isto resulta em jactos de vapor de água e grãos de gelo, expelidos pela superfície.
Crédito: NASA/JPL

O que provoca e controla os jactos, e se existe água líquida, é ainda uma incerteza, mas novas pistas poderão ser descobertas em breve, porque Encelado é um importante alvo de estudo para a Cassini na sua missão prolongada. A presença de água líquida dentro de Encelado teria grandes implicações nos futuros estudos astrobiológicos sobre a possibilidade de vida dentro de corpos gelados no Sistema Solar exterior.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Revista Nature (requer subscrição)
SPACE.com
New Scientist
Science Daily
Universe Today
PHYSORG.com
National Geographic
Reuters
Associated Press

Encelado:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Provavelmente um planeta em Beta Pic - Crédito: ESO, A.-M. Lagrange (LAOG), et al.
A uns meros 50 anos-luz, a jovem estrela Beta Pictoris tornou-se numa das estrelas mais importantes no céu no começo dos anos 80. As observações terrestres e espaciais revelaram a presença de um disco exterior de detritos em redor da estrela e de uma zona "limpa" mais interior com aproximadamente o tamanho do nosso Sistema Solar -- fortes evidências da formação de planetas. Agora, observações no infravermelho com os telescópios do ESO (European Southern Observatory), incorporadas nesta composição, mostram a detecção de uma fonte na zona limpa que é provavelmente um planeta gigante em órbita de Beta Pic. Designado Beta Pictoris b, a nova fonte é 1.000 vezes mais ténue que a luz estelar directa, cuidadosamente subtraída dos dados da imagem. Está alinhado com o disco a uma distância projectada que o colocaria perto da órbita de Saturno se se encontrasse no Sistema Solar. A confirmação que a nova fonte é um planeta virá se as observações futuras puderem demonstrar que a fonte se move numa órbita em torno da estrela. Quando confirmado, será o planeta extrasolar mais próximo da sua estrela-mãe já observado directamente... até agora.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 29/11: 334.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, lançamento do primeiro satélite australiano, o Wresat 1.

Observações: Com Vénus e Júpiter a apenas 2,3º um do outro após o pôr-do-Sol, a fina Lua Crescente ascendo ao palco do espectáculo a cerca de 20º para baixo e para a direita.

Dia 30/11: 335.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1954, Ann Elizabeth Hodges é atingida por um meteorito de 5 kg no Alabama.

Observações: Hoje e amanhã, Vénus e Júpiter estão o mais perto um do outro, a 2º de separação. É puramente uma coincidência que a Lua brilhe tão perto deles nestas datas!

Dia 01/12: 336.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, os cães espaciais Pchelka (Pequena Abelha) e Mushka (Pequena Mosca) foram lançados a bordo do Korabl-Sputnik-3, também conhecido como Sputnik 6.

A nave passou um dia em órbita mas a re-entrada foi mal configurada e a nave, ao descer num ângulo muito acentuado, foi destruída.
Observações: A Lua brilha muito perto de Vénus e de Júpiter ao pôr-do-Sol e ao anoitecer, e até pode ser que oculte Vénus! A Europa é o melhor local para este espectáculo, por isso não perca!

Dia 02/12: 337.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1993, lançamento da missão STS-61 do vaivém Endeavour, a primeira missão de manutenção do Hubble.

Observações: A estrela de primeira magnitude, Fomalhaut, brilha a Sul após o anoitecer. Fomalhaut é uma das estrelas que fez notícias o mês passado com o anúncio das primeiras imagens directas de planetas extrasolares em órbita. Outra tal estrela é HR 8977, de 6.ª magnitude, no lado Oeste do Grande Quadrado de Pégaso, muito mais alta a Sul para cima de Fomalhaut.

 
 
CURIOSIDADES:

Ofiúco não é considerado uma constelação zodiacal pelos astrólogos, embora no seu trajecto aparente ao longo do ano o Sol passe por 13 constelações, sendo uma delas Ofiúco (o Serpentário).
 
 
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