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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 477
De 20/12 a 23/12/2008
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  CIENTISTAS DESCOBREM MINERAL "AUSENTE" E PISTAS SOBRE MISTÉRIOS DE MARTE
   

 

Usando um poderoso instrumento a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter, investigadores descobriram um mineral há muito perseguido na superfície marciana e com ele, pistas inesperadas do passado molhado do Planeta Vermelho.

Ao estudar camadas de rocha intactas com o instrumento CRISM (Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars), os cientistas descobriram minerais de carbonato, indicando que Marte tinha água neutra a alcalina aquando da formação dos minerais nestes locais há mais de 3,6 mil milhões de anos atrás. Os carbonatos, que na Terra incluem o calcário, dissolvem-se rapidamente em ácido. Por isso, a sua sobrevivência até hoje em Marte desafia as sugestões que um ambiente exclusivamente ácido mais tarde dominava por completo o planeta. Ao invés, indica que existiram diferentes tipos de ambientes molhados. Quanto maior a variedade de ambientes molhados, maior as hipóteses de um ou mais destes terem suportado vida.

"Estamos excitados por finalmente termos descoberto carbonatos porque providenciam-nos com mais detalhes acerca das condições durante períodos específicos da história de Marte," disse Scott Murchie, investigador principal do instrumento do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA.

As descobertas aparecem na edição de 19 de Dezembro da revista Science e foram anunciadas na Quinta-feira passada numa conferência da União Geofísica Americana em São Francisco.

As rochas com carbonatos são criadas quando a água e o dióxido de carbono interagem com o cálcio, ferro ou magnésio em rochas vulcânicas. O dióxido de carbono da atmosfera fica preso dentro das rochas. Se todo o dióxido de carbono preso nos carbonatos da Terra fosse libertado, a nossa atmosfera seria mais espessa que a de Vénus. Alguns cientistas acreditam que uma atmosfera espessa e rica em dióxido de carbono manteve um planeta Marte antigo e quente, e manteve a água líquida à sua superfície o tempo suficiente para ter construído os sistemas de vales observados hoje em dia.

"Os carbonatos que o CRISM observou são de uma natureza mais regional que global, e por isso, estão demasiado limitados para implicar dióxido de carbono suficiente para formar uma espessa atmosfera," disse Bethany Ehlmann, autor principal do artigo e membro da equipa do espectómetro da Universidade de Brown, Providence, Rhode Island.

"Embora não tenhamos descoberto os tipos de depósitos de carbonatos que possam ter albergado uma atmosfera antiga," disse Ehlmann, "descobrimos provas que nem toda a totalidade de Marte passou por um ambiente meteorológico ácido e intenso há 3,5 mil milhões de anos atrás, como já foi proposto. Descobrimos pelo menos uma região que era potencialmente mais adequada à vida."


O carbonato, que é indicativo de uma história molhada e não-ácida, ocorre em bocados muito pequenos de rocha exposta aparecendo verde nesta representação a cores de uma área com 20 quilómetros em Marte.
Crédito: NASA/JPL/JHUAPL/MSSS/Universidade de Brown
(clique na imagem para ver versão maior)

Os cientistas mencionam exposições de carbonatos claramente definidas em camadas de leitos de rios em torno da bacia de impacto Isidis, com 1489 km, que se formou há mais de 3,6 mil milhões de anos atrás. As rochas expostas aparecem ao longo de um sistema de canais com o nome de Nili Fossae, que tem 666 quilómetros em comprimento, no limite da bacia. A região tem rochas ricas em olivina, um mineral que pode reagir com água para formar cabonatos.

"A descoberta de carbonatos em sedimentos intactos, em contacto com argilas, é um exemplo de como observações conjuntas pelo CRISM e por câmaras telescópicas a bordo do MRO estão a revelar detalhes dos distintos ambientes em Marte," disse Sue Smrekar, cientista do projecto da sonda no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.

A sonda Phoenix da NASA descobriu carbonatos em amostras de solo. Os investigadores já os tinham previamente descoberto em meteoritos marcianos que caíram na Terra e em poeira marciana observada a partir de órbita. No entanto, a poeira e a nuvem de solo podiam ter sido misturas de muitas áreas, por isso as origens dos carbonatos permanceram incertas. As observações mais recentes indicam que os carbonatos se formaram ao longo de extensos períodos no passado de Marte. Também apontam para locais específicos onde os rovers e outras sondas futuras podem pesquisar mais pistas de vida passada.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
New Scientist
Universe Today
PHYSORG.com
Discover
Science Daily
National Geographic
Reuters
Associated Press
BBC News
UPI
The Register

MRO:
Página oficial da NASA
Página oficial do JPL
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Solstício em Newgrange - Crédito: Foto por Cyril Byrne - cortesia do The Irish Times
O solstício de amanhã marca o ponto mais a Sul do movimento anual do Sol pelo céu do planeta Terra e o começo astronómico do Inverno no hemisfério Norte. Em celebração ao solstício de Inverno Norte e ao Ano Internacional da Astronomia 2009, poderá ver um webcast em directo do nascer-do-sol do solstício a partir do monumento megalítico de Newgrange, em County Meath, Irlanda. Newgrange tem 5000 anos, muito mais antigo que Stonehenge, mas também contém precisos alinhamentos com o Sol no solstício. Nesta imagem de dentro da câmara funerária interior, os primeiros raios do nascer-do-Sol ao solstício estão a passar por uma caixa construída por cima da entrada e alcançam um túnel com 18 metros para iluminar o chão no fim de uma pedra decorada. A própria pedra teria sido iluminada directamente pelo solstício há 5000 anos atrás. A imagem de longa exposição também captura a figura fantasmagórica de um astrónomo mais moderno em movimento. Para ver o webcast em directo siga o link indicado. Este tem começo planeado para as 08:30 (hora universal), amanhã, Domingo, dia 21.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 20/12: 355.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1904, era fundado o Observatório Solar do Mt. Wilson.

Em 1996, morria Carl Sagan, considerado por muitos o maior divulgador da História da Astronomia.
Observações: Hoje é a noite mais longa do ano (para o hemisfério Norte).

Dia 21/12: 356.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, lançamento da Apollo 8. William A. Anders, James A. Lovell Jr. e Frank Borman tornaram-se nos primeiros seres humanos a deixar a gravidade da Terra.

Esta missão teve como objectivo a primeira visão de perto da superfície da Lua e do seu lado escuro. Duração da missão: 6 dias, 3 horas, 0 minutos e 42 segundos.
Em 1984 era lançada a sonda soviética Vega 2.
Observações: Hoje é o dia mais curto do ano (para o hemisfério Norte). O solstício ocorre às 06:04, quando o Sol está mais para Sul em 2008 e começa a sua viagem de seis meses para Norte. É o momento em que o Inverno começa no hemisfério Norte, e o Verão no hemisfério Sul.

Dia 22/12: 357.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Em Dezembro, Cassiopeia está mesmo quase por cima das nossas cabeças, com a sua forma em zigzag oritentada como uma letra M espalmada.

Dia 23/12: 358.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1672, Giovanni Cassini descobre a lua de Saturno Rea.

Observações: Ao anoitecer, Vénus ainda se encontra numa boa posição para observação telescópica, baixo a sudoeste. Vénus é o objecto mais brilhante do céu, a seguir ao Sol e à Lua. Por isso, não deve ser difícil de discernir.

 
 
CURIOSIDADES:

A Nuvem de Oort é considerada o limite externo do Sistema Solar, encontrando-se a cerca de 100,000 UA (1,5 anos-luz) do Sol. Pensa-se que os cometas de período longo provêm da nuvem de Oort. Jan Oort considerou que seria uma nuvem pois os cometas de longo período não possuem qualquer direcção privilegiada para a sua órbita.
 
 
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