NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 48
6 de Agosto de 2004
SISTEMA SOLAR PODE SER EXCEPÇÃO, NÃO A REGRA

Embora cada vez mais planetas sejam descobertos fora do nosso Sistema Solar, nenhum deles se parece com algum dos nossos planetas. E é possível que se tenham formado de uma maneira completamente diferente, o que faz do nosso sistema planetário uma jóia única.

No modelo tradicional de formação de planetas, o pó num disco de gás à volta de uma estrela gradualmente se junta para formar rochas, que eventualmente se fundem para formar núcleos planetários. Os núcleos acumulam então atmosferas gasosas. Neste modelo, os gigantes gasosos tal como Júpiter formam-se em regiões relativamente mais frias do sistema.


Impressão de artista de um planeta extra-solar e sua lua.
Crédito: desconhecido

Mas este modelo não explica totalmente a formação dos mais ou menos 110 planetas extrasolares que já foram descobertas na década passada. Habitualmente, estes planetas são muito mais pesados que Júpiter, e muitos são chamados "Júpiteres quentes" porque orbitam mais perto da sua estrela do que a Terra, ou até que Mercúrio.

Alguns astrónomos dizem que estes gigantes formaram-se muito longe da estrela, tal como Júpiter, mas que depois migraram para o interior. No entanto, continua a luta de explicar o porquê dos planetas simplesmente não mergulharem para a estrela.

Existem outras diferenças entre os recém-descobertos planetas e os do nosso Sistema Solar. As órbitas dos planetas extra-solares são muito mais elípticas que as relativamente circulares, tais como a da Terra ou de Júpiter.


Ilustração de um planeta extra-solar.
Crédito: Roland Brodbeck

Os astrónomos já indicaram alguns planetas extra-solares com órbitas quase circulares, mas segundo Martin Beer, um astrofísico na Universidade de Leicester do Reino Unido, até estas órbitas são ligeiramente mais elípticas que a de Júpiter e os planetas encontram-se razoavelmente perto das suas estrelas.

Beer e os seus colegas estão debatendo que os sistemas extra-solares podem não se ter formado da mesma maneira que o nosso. É possível que os sistemas de "Júpiteres quentes" possam ter aparecido quando os discos de pó à volta das estrelas se tornaram instáveis e subitamente se fragmentaram, com os fragmentos individuais colapsando sobre o seu próprio peso para formar planetas. Este processo naturalmente cria órbitas mais elípticas e seria improvável a criação de planetas tipo-Terra.

Irá levar ainda alguns anos até este debate se resolver. A vasta maioria dos planetas extrasolares têm sido detectados medindo a oscilação de uma estrela como resultado da gravidade de um planeta a orbitá-la. Esta técnica é inerentemente sensível aos grandes planetas com curtos períodos orbitais, por isso esses são os que se encontram.

Para observar um planeta tão longe da sua estrela como Júpiter está do Sol, os astrónomos precisariam de a observar pelo menos durante 12 anos.

"Só daqui a mais ou menos 5 anos é que saberemos se o Sistema Solar é na realidade diferente," diz Beer. "Mas se for, teremos que rever as nossas teorias sobre formação planetária, dado que as teorias actuais são largamente baseadas em informação recolhida no Sistema Solar." Pode existir mais do que uma maneira para fazer um mundo.

Links:

Notícias relacionadas:
http://arxiv.org/abs/astro-ph/0407476
http://www.space.com/scienceastronomy/rare_earth_040803.html

Martin Beer:
Bhttp://www.astro.le.ac.uk/~mtfeb1/research/index.html

Planetas extra-solares:
http://www.ga-esec-pinheiro-rosa.rcts.pt/extra_solares/planetas_extra_solares.htm

 
SUPERNOVA DE 11ª MAGNITUDE

 


Supernova 2004dj vista nesta imagem de NGC 2403.
Crédito: Koichi Itagaki

A 31 de Julho, 2004, o astrónomo amador japonês Koichi Itagaki descobriu uma supernova nos arredores da galáxia espiral vizinha NGC 2403 (também conhecida como Caldwell 7) em Girafa. Com uma magnitude de 11.2, a supernova é bastante brilhante; a sua galáxia de origem está a apenas 14 milhões de anos-luz de distância. O novo objecto está localizado na ascensão recta 7h 37m 17s, declinação +65º 35' 58" (2000.0), o que a situa aproximadamente a 160 arco-segundos Este e 10 arco-segundos Norte do núcleo da galáxia. A descoberta foi anunciada a 2 de Agosto no IAU 8377, do Gabinete Central de Telegramas Astronómicos.

NGC 2403 tem quase 100,000 anos-luz de diâmetro, e com uma magnitude de 8.5 é razoavelmente fácil de observar com um pequeno telescópio ou até com uns grandes binóculos com um céu escuro livre de poluição luminosa. Existem um número de estrelas na vizinhança da galáxia que podem ser confundidas com a supernova. A galáxia está um bocado "amontoada" devido à presença de grandes números de regiões de formação estelar nos seus braços espirais. NGC 2403 pertence à nuvem galáctica de Coma-Sculptor que inclui o Grupo Local.


A galáxia NGC 2403 de magnitude 8.5 encontra-se perto do nariz da Ursa Maior.
Crédito: Sky & Telescope: Steven A. Simpson

Links:

NGC 2403 :
http://www.seds.org/messier/xtra/ngc/n2403.html
http://www.noao.edu/outreach/aop/observers/n2403.html
http://www.rochesterastronomy.org/supernova.html#2004dj
http://www.universetoday.com/forum/index.php?act=ST&f=7&t=4152&hl=&

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     
 
Nebulosa de emissão IC 1396 - Crédito: Richard Crisp
Estendendo-se por centenas de anos-luz, a nebulosa de emissão IC 1396 mistura gás cósmico brilhante com nuvens de pó escuro. É um local de formação de estrelas, a apenas 3,000 anos-luz da Terra. Esta visão particularmente colorida da região é um compósito de imagens digitais registadas através de filtros de banda estreita. Os filtros na realidade bloqueiam a maioria da luz... mas transmitem em comprimentos de onda característicos de específicos átomos brilhantes na nebulosa. De facto, o esquema de cores usado aqui torna fácil a detecção de alguns elementos que contribuem para a emissão de IC 1396. A emissão dos átomos de enxofre tem a cor vermelha, a dos átomos de hidrogénio a cor verde, e o oxigénio azul. O espectacular e útil resultado é ainda muito diferente do que o olho pode ver. IC 1396 situa-se na constelação de Cefeu.
Ver imagem em alta-resolução
     
 

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  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 06/08: 219º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1961 era lançada a Vostok 2 pela União Soviética, levando a bordo o cosmonauta Gherman Titov, o primeiro voo soviético com a duração de um dia.
Observações: Neptuno (magnitude 7.8) encontra-se em oposição.

Dia 07/08: 220º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959 o Explorer 6 com uma massa de 64.4 kg, torna-se no primeiro satélite a enviar fotos da Terra de órbita.
1996 - Vida em Marte? Uma equipa de cientistas da NASA a trabalhar no Centro Espacial Johnson e na Universidade de Stanford anunciaram as suas descobertas de provas que sugerem fortemente que vida primitiva possa ter existido em Marte há mais de 3.6 mil milhões de anos. A investigação de dois anos foi co-dirigida pelos cientistas planetários Dr. David McKay, Dr. Everett Gibson e Kathie Thomas-Keprta da Lockheed-Martin, todos do JSC, com a colaboração de uma equipa de Stanford liderada pelo professor de Química Dr. Richard Zare, bem como outros 6 colegas de pesquisa e da NASA. O meteorito, chamado ALH84001, foi encontrado em 1984 no campo de gelo de Allan Hills, Antárctica, por uma expedição anual da Fundação Científica Nacional do Programa Meteorito Antárctico. "Não existe nenhum prova que nos leve a acreditar que haja vida em Marte. É mais uma combinação de muitas coisas que encontrámos," disse McKay. "Inclui a detecção de um padrão único de moléculas orgânicas, compostos de carbono que são a base da vida. Também encontrámos algumas fases minerais raras que se sabe serem produtos de organismos primitivos na Terra. Estes achados podem indicar fósseis microscópicos. A relação entre todos estes dados em termos de localização - a menos de umas quantas centenas de milésimas de polegadas entre si - é a prova mais forte." (NASA)
Em 2000 astrónomos da Universidade do Texas no Observatório Austin's McDonald e outros membros de uma equipa internacional de pesquisa planetária descobrem um novo planeta gasoso num sistema solar a apenas 10.5 anos-luz da Terra, orbitando uma estrela chamada Epsilon Eridani.
Observações: Pode aproveitar a noite (ou melhor, madrugada) para observar o Quarto Minguante da Lua (a partir da meia-noite e meia).

Dia 08/08: 221º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1989 era lançado o STS-28. A quarta missão secreta do Departamento de Defesa americano. 5 dias, 1 hora, 0 minutos e 8 segundos.
Observações: Marte encontra-se no afélio (posição mais afastada do Sol), a uma distância de 1.6661 UA.

Dia 09/08: 222º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 7. A 6 de Março de 1974 o orbiter/lander falhou a entrada na órbita de Marte. A sonda falhou o encontro com o planeta. A órbita torna-se assim solar.
Observações: Aproveite a noite para tentar observar com binóculos a famosa Galáxia de Andrómeda (M31).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Vénus é o planeta mais quente do Sistema Solar, com temperaturas que chegam até aos 460º C. É tão quente que até pode derreter chumbo!
 
 
 
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