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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 491
De 28/01 a 30/01/2009
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  ACTIVIDADE FRENÉTICA EM POEIRENTAS FÁBRICAS ESTELARES
   

Astrónomos do Instituto de Astrofísica das Canárias (Espanha) usando o NACO, um poderoso instrumento de ópticas adaptivas acoplado ao VLT (Very Large Telescope) do ESO, estudaram em grande detalhe NGC 253, uma das mais brilhantes e poeirentas galáxias espirais do céu. NGC 253 é também conhecida como a Galáxia do Escultor, pois situa-se na direcção da constelação do Escultor.


NGC 253 é uma das mais brilhantes galáxias espirais no céu, e também uma das mais poeirentas. A totalidade da galáxia é aqui observada, com a imagem no quadrado mostrando uma ampliação das partes centrais observadas com o instrumento NACO acoplado ao VLT e com o ACS do Telescópio Espacial Hubble.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)

As ópticas adaptivas corrigem o efeito perturbador da atmosfera da Terra. Esta turbulência faz com que as estrelas pisquem de um modo que delicia os poetas, mas que frustra os astrónomos, dado que desfoca as imagens. Com as ópticas adaptivas em acção, o telescópio pode produzir imagens que são tão nítidas quanto o teoricamente possível, tal como se o telescópio estivesse no espaço.

O NACO revelou características na galáxia que têm apenas 11 anos-luz de comprimento. "As nossas observações proporcionam-nos o maior detalhe possível para que possamos, pela primeira vez, compará-las com os melhores mapas de rádio desta galáxia - mapas que já existem há mais de uma década," diz Juan Antonio Fernández-Ontiveros, o autor principal de um artigo científico detalhando os resultados.

Os astrónomos identificaram 37 brilhantes e distintas regiões, o triplo dos resultados anteriores, todos concentrados numa pequena região no núcleo da galáxia, que compreende apenas 1% do tamanho total da galáxia. Os astrónomos combinaram as suas imagens obtidas com o NACO com dados de outro instrumento do VLT, o VISIR, bem como imagens do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e de observações no rádio feitas pelo VLA (Very Large Array) e pelo VLBI (Very Large Baseline Interferometer). Devido aos seus maiores comprimentos de onda, os sinais de rádio não são afectados pela turbulência atmosférica. A combinação destas observações, obtidas em diferentes comprimentos de onda, providencia uma pista acerca da natureza destas regiões.


As regiões centrais da galáxia NGC 253. Os astrónomos identificaram 37 regiões brilhantes, provavelmente berçários estelares muito activos que pode conter até 100.000 estrelas. A imagem cobre um campo com 15 arco-segundos.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)

"Pensamos agora que estas regiões são provavelmente berçários estelares muito activos que contêm imensas estrelas libertando-se dos seus casulos de gás e poeira," diz Jose Antonio Acosta-Pulido, membro da equipa. NGC 253 é conhecida pela sua intensa actividade de formação estelar. Cada região brilhante contém provavelmente 100.000 estrelas jovens e massivas.

Este detalhado conjunto de dados também leva os astrónomos a concluir que o centro de NGC 253 alberga uma versão maior de Sagittarius A*, a brilhante fonte de rádio situada no núcleo da Via Láctea e que sabemos ser um buraco negro supermassivo. "Descobrimos, pois, o que poderá ser um gémeo do nosso Centro Galáctico," diz o co-autor Almudena Prieto.

As descobertas da equipa encontram-se na edição de Janeiro da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society Letters.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Wired
Science Daily
MSNBC
Blah 2 blah 2

NGC 253:
Vídeo da galáxia e do seu núcleo (formato Quicktime)
Wikipedia
APOD

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
STScI
Wikipedia

VLA:
Página oficial
Wikipedia

VLBI:
Wikipedia

Sagitário A*:
Wikipedia
Wikipedia (buraco negro supermassivo)

 
   
 

ASTRO-CURTAS

Amostra recolhida pela Apollo 17 ajuda a determinar idade da Lua (via New Scientist)
Uma pequena amostra do mineral zircão, mais antigo do que o já descoberto na Terra, foi recuperado numa amostra lunar trazida pelos astronautas da missão Apollo 17. O grão ajudou a determinar a idade da solidificação da Lua. [Ler fonte]

Asteróide invulgar acompanha a Terra (via SPACE.com)
Um asteróide do tamanho de uma pequena casa passou pelo espaço a cerca de 644.000 km da Terra no Domingo passado. É um raro "asteróide co-orbital" que segue a Terra. [Ler fonte]

Fluxo escuro: prova de outro Universo? (via New Scientist)
Para muitos de nós o Universo é infinitamente vasto. Mas não para os cosmólogos. Eles sentem-se decididamente cercados. Os resultados obtidos por uma equipa de cientistas representam as primeiras pistas do que se situa para lá do horizonte cósmico. Isto poderá dizer-nos como o Universo era mesmo após o Big Bang ou se o Universo é um de muitos. [Ler fonte]

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
A Via Láctea por cima de Mauna Kea - Crédito: Wally Pacholka (TWAN)
Já alguma vez observou a banda da nossa Via Láctea? Num céu limpo a partir de um local escuro e à hora ideal, uma ténue faixa de luz torna-se visível pelo céu. Pouco depois dos nossos olhos se habituarem à escuridão, poderá avistar a Via Láctea pela primeira vez. Depois pode tornar-se óbvia. E depois espectacular. Uma razão para o espanto crescente poderá ser a realização de que esta via estelar contém milhares de milhões de estrelas e é o disco da nossa própria galáxia espiral. Como nos encontramos dentro deste disco, a banda parece envolver a Terra. Visível na imagem, bem por cima no céu nocturno, a banda da Via Láctea forma um arco. O brilhante ponto mesmo por baixo da banda é o planeta Júpiter. A paisagem terrestre contém a caldeira iluminada do vulcão Haleakala, localizado na ilha de Maui no Hawaii, EUA. Mais perto do horizonte situam-se nuvens e o enorme mas escuro vulcão Mauna Kea na Grande Ilha do Hawaii. Se nunca observou a Via Láctea ou reconheceu o planeta Júpiter, este ano poderá ter sorte. Porque 2009 é o Ano Internacional da Astronomia, uma oportunidade para espreitar por uma janela que mostra o Universo e que pode estar a chegar perto de si.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 28/01: 28.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1611, nascia Hevelius, que seria o primeiro astrónomo a observar as fases de Mercúrio.

Morreria neste mesmo dia em 1687, quando fazia 76 anos.
Em 1613, Galileu observa pela primeira vez o planeta Neptuno, confundindo-o com uma estrela 233 anos antes da sua descoberta
Em 1986, o Space Shuttle Challenger explode 73 segundos depois de descolar. A tripulação inteira morre: Francis Scobee, Michael Smith, Judith Resnik, Ellison Onizuka, Ronald McNair, Gregory Jarvis e Sharon Christa McAuliffe.

Observações: A ténue mão curvada de Perseu - a que não está a pegar na espada - contém bonitos enxames estelares e nebulosas telescópicas. Aproveite para os observar esta noite.

Dia 29/01: 29.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1986 ocorreu o incidente Height 611 em que uma bola de fogo terá sido vista pela população inteira de uma povoação, tendo desaparecido de seguida.
Observações: A Lua encontra-se 5º para baixo e para a direita de Vénus.

Dia 30/01: 30.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, era lançada a sonda Ranger 6 pela NASA.

A sua missão era filmar televisivamente a Lua até se despenhar sobre ela.
Em 1996, era descoberto o Cometa Hyakutake pelo astrónomo amador japonês Yuji Hyakutake.
Observações: Esta noite a Lua paira a 4º por cima de Vénus. Após o anoitecer, olhe para a direita do nosso satélite natural para encontrar o Grande Quadrado de Pégaso, suportado num dos seus vértices (alfa Pegasi)
.

 
 
CURIOSIDADES:

A Lua Cheia nasce sempre ao pôr-do-Sol e põe-se sempre ao nascer-do-Sol.
 
 
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