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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 494
De 04/02 a 05/02/2009
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  COROT DESCOBRE O PLANETA EXTRASOLAR MAIS PEQUENO ATÉ AGORA
   

O COROT descobriu o planeta terrestre mais pequeno detectado até agora fora do Sistema Solar. O espectacular planeta tem menos do dobro do tamanho da Terra e orbita uma estrela tipo-Sol. A sua temperatura é tão alta que provavelmente está coberto por lava e vapor de água.

Já foram descobertos até agora cerca de 330 planetas extrasolares, a maioria dos gigantes gasosos com características semelhantes a Júpiter e a Neptuno.

A nova descoberta, COROT-Exo-7b, é diferente: o seu diâmetro é menos do dobro do da Terra e orbita a sua estrela a cada 20 horas. Está localizado muito perto da estrela-mãe, e tem uma alta temperatura, entre os 1000 e os 1500ºC. Os astrónomos detectaram o novo planeta enquanto transitava a sua estrela-mãe, diminuindo a sua luz enquanto passava em frente.

A densidade do planeta está ainda sobre investigação: pode ser rochoso como a Terra e coberto por lava líquida. Também pode pertencer a uma classe de planetas que se pensa serem constituídos de água e rocha em quantidades quase iguais. Tendo em conta as altas temperaturas medidas, o planeta será um local muito quente e húmido.

"A descoberta de um planeta tão pequeno não foi uma completa surpresa", disse Daniel Rouan, investigador do Observatório de Paris Lesia, que coordena o projecto com Alain Léger, do Instituto de Astrofísica Espacial (em Paris, França). "O COROT-Exo-7b pertence a uma classe de objectos cuja existência foi prevista há já algum tempo. O COROT foi desenhado precisamente na esperança de descobrir alguns destes objectos," acrescenta.

Um dos métodos de detecção exoplanetária é o estudo da diminuição do brilho que provocam quando passam em frente da sua estrela-mãe. Tal alinhamento celeste é conhecido como trânsito planetário. Da Terra, tanto Mercúrio como Vénus ocasionalmente passam em frente do Sol. Quando tal acontece, parecem pequenos pontos negros passando pela brilhante superfície. Tais trânsitos bloqueiam uma pequena fracção da luz que o COROT é capaz de detectar.
Crédito: CNES
(clique na imagem para ver versão maior)

Muito poucos exoplanetas descobertos até agora têm uma massa comparável à da Terra e à dos outros planetas terrestres: Vénus, Marte e Mercúrio. Isto porque os planetas terrestres são extremamente difíceis de detectar. A maioria dos métodos usados até agora são indirectos e sensíveis à massa do planeta, enquanto o COROT pode medir directamente o tamanho da sua superfície, o que é uma vantagem. Além do mais, a sua localização no espaço permite maiores períodos de observação ininterrupta do que na Terra.

Esta descoberta é importante porque medições recentes tinham indicado a existência de planetas de pequena massa, mas o seu tamanho permanecia por determinar até agora.

A estrutura interna de COROT-exo-7b, em particular, confunde os cientistas; não têm a certeza se é um 'planeta oceano', um tipo de planeta cuja existência nunca foi até agora provada. Em teoria, tais planetas seriam inicialmente cobertos parcialmente por gelo e mais tarde afastariam-se da sua estrela, enquanto este derretia para ficar coberto por líquido.

Impressão de artista do satélite COROT a observar um trânsito planetário (obviamente não à escala).
Crédito: CNES
(clique na imagem para ver versão maior)

"Esta descoberta é um passo muito importante no objectivo de compreender a formação e evolução do nosso planeta," disse Malcolm Fridlund, cientista do projecto COROT da ESA. "Pela primeira vez, detectámos inequivocamente um planeta que é 'rochoso' no mesmo sentido que a nossa própria Terra. Agora temos que compreender ainda mais este objecto para o pôr em contexto, e com o COROT continuar a nossa pesquisa por mais objectos tipo-Terra," acrescentou.

A descoberta beneficiou de observações complementares graças a uma extensa rede de telescópios europeus operados por vários institutos e países: o Observatório Europeu do Sul (ESO) em Paranal e La Silla (Chile), o telescópio de 80-cm no Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias, e o Telescópio do Canadá-França-Hawaii em Mauna Kea, Hawaii (CNRS, CNRC e Universidade do Hawaii)

As descobertas aparecerão em breve num artigo já submetido à revista Astronomy and Astrophysics.

O COROT (COnvection ROtation and planetary Transits) é uma missão liderada pela Agência Espacial Francesa (CNES), com contribuições da ESA, Áustria, Bélgica, Alemanha, Espanha e Brazil. É um telescópio colocado em órbita terrestre que foi lançado em Dezembro de 2006, transportando um telescópio com uma abertura de 27 cm desenhado para detectar ténues mudanças no brilho de estrelas vizinhas. Os objectivos principais da missão são a pesquisa por planetas extrasolares e o estudo dos interiores estelares.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Universidade de Exeter (comunicado de imprensa)
Observatório de Paris (comunicado de imprensa)
New Scientist
Sky & Telescope
Science Daily
PHYSORG.com
Universe Today
SPACE.com
Nature
Wired
Reuters
Público

COROT-exo-7b:
Wikipedia
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Extrasolar Visions

COROT:
Página oficial
ESA
Wikipedia

 
  EM TITÃ ESTÁ A CHOVER METANO
   

Imagens recentes de Titã obtidas pela sonda Cassini da NASA confirmam a presença de lagos de hidrocarbonetos líquidos ao capturar mudanças nos lagos derivadas de precipitação.

Durante vários anos, os cientistas da Cassini suspeitavam que as áreas escuras perto dos pólos Norte e Sul da maior lua de Saturno pudessem ser lagos líquidos. Uma análise, publicada a semana passada na revista Geophysical Research Letters, de imagens recentes da região polar Sul de Titã, revela novas características de lagos não observadas em imagens da mesma região capturadas um ano antes. A presença de enormes sistemas de nuvens cobrindo a área no ano sucedido sugere que os novos lagos possam ser o resultado de grandes chuvas e que alguns lagos possam dever a sua presença, tamanho e distribuição pela superfície de Titã ao seu clima e estações.


Imagens da região polar Sul de Titã, obtidas pela Cassini em 2005 (imagens à direita), mostram áreas escuras que não estavam presentes em 2004 (imagens à esquerda), representando lagos. Durante o ano que passou entre as imagens, nuvens (características brilhantes) frequentemente apareciam e sugeriam a queda de chuva de metano, responsável pelo aparecimento dos lagos.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

As câmaras de alta-resolução do instrumento ISS (Imaging Science Subsystem) da Cassini estudaram agora quase toda a superfície de Titã numa escala global. Um mapa actualizado de Titã, também anunciado pela equipa de imagem da Cassini, inclui as primeiras imagens infravermelhas da porção Norte do hemisfério principal, o "distrito de lagos" - capturadas a 15 e 16 de Agosto, 2008. (O hemisfério principal de uma lua é aquele que aponta sempre na direcção do seu movimento à medida que orbita o planeta.) Estas imagens do ISS complementam dados em alta-resolução dos instrumentos VIMS (Visible and Infrared Mapping Spectrometer) e RADAR da Cassini.

Tais observações documentam maiores porções de metano líquido no hemisfério Norte do que no hemisfério Sul. E, à medida que o Verão chega ao hemisfério Norte, os cientistas da Cassini prevêm grandes sistemas convectivos de nuvens que aí se irão formar, e os maiores níveis de precipitação que os inferidos no Sul poderão fazer crescer o número e dimensão dos lagos de hidrocarbonetos a Norte.

Alguns dos lagos polares Norte são enormes. Cheio, Kraken Mare - com 400.000 quilómetros quadrados -- seria quase cinco vezes maior que o Lago Superior da América do Norte. Todas as áreas polares escuras (lagos) observadas pelo ISS totalizam mais de 510.000 quilómetros quadrados -- quase 40% mais que o maior "lago" da Terra, o Mar Cáspio.

Mapas actualizados da lua de Saturno, Titã, que consistem de dados obtidos pelo sistema de imagem da Cassini.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

No entanto, a evaporação destes grandes reservatórios à superfície não é grande o suficiente para reabastecer a perda de metano da atmosfera provocada pelas chuvas, pela formação e eventual depósito à superfície de partículas de neblina derivadas do metano.

"Um estudo recente sugeriu que não existe metano líquido suficiente na superfície de Titã para reabastecer a atmosfera ao longo de grandes períodos de tempo," disse a Dra. Elizabeth Turtle, associada da equipa de imagem da Cassini do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, e a autora principal da publicação. "O nosso mapa providencia mais cobertura dos pólos de Titã, mas mesmo que todas as características que aí vemos estivessem preenchidas por metano líquido, continuava a não haver o suficiente para manter a atmosfera por mais de 10 milhões de anos."

Combinada com análises prévias, as novas observações sugerem a existência de reservatórios subterrâneos de metano.

Titã é o único satélite no Sistema Solar com uma espessa atmosfera na qual ocorre química orgânica complexa. "É unico," afirma Turtle. "Há quanto tempo existe a atmosfera de Titã ou pode continuar a existir, permanece ainda uma questão em aberto."

Essa questão e outras relacionadas com a meteorologia da lua e os seus ciclos sazonais podem ser melhor explicadas pela distribuição dos líquidos à superfície. Os cientistas também estão a investigar o porquê dos líquidos serem recolhidos nos pólos em vez de em latitutes baixas, onde ao invés as dunas são mais comuns.

"Os trópicos de Titã podem ser razoavelmente secos porque passam por breves episódios de precipitação na Primavera e no Outono, à medida que o pico da luz solar alterna de hemisfério," disse o Dr. Tony DelGenio do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Nova Iorque, co-autor e membro da equipa de imagem da Cassini. "Será interessante descobrir se nuvens e lagos temporários se formam perto do equador nos próximos anos."

Titã e as transformações à sua superfície, trazidas pelas estações, irão continuar a ser um dos grandes alvos de investigação durante a missão Equinócio da Cassini.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
New Scientist
SpaceRef
Science
Discover
PHYSORG.com
National Geographic
MSNBC

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
   
 

ASTRO-CURTAS

Google Oceans, Google Mars (via Google)
A mais recente versão do famoso software Google Earth permite agora estudar as profundezas dos oceanos da Terra bem como viajar pelos grandes desfiladeiros ou vulcões de Marte. Esta versão, a 5.0, foi anunciada Segunda-feira, e conta com actualizações substanciais, tanto para a Terra como para o Planeta Vermelho. A companhia trabalhou em conjunto com a NOAA e a NASA para incorporar dados de explorações submarinas e de sondas em órbita de Marte. Pela primeira vez, será capaz de observar os dois-terços do nosso planeta coberto pelos oceanos, fazer uma viagem para baixo do mar, até ver imagens históricas que mostram vários aspectos como a erosão costeira. Em Marte, existe agora um rico conjunto de imagens, incluindo as mais recentes da Mars Reconnaissance Orbiter, que providenciam uma visão imersiva de Marte em 3D. [Ler fonte]

Rover Spirit de novo em operação (via SPACE.com)
O rover Spirit da NASA recomeçou a mover-se no Sábado passado após vários dias de problemas misteriosos. O rover não tinha enviado para a Terra o registo das suas actividades e, mais surpreendentemente, aparemente falhou o registo de quaisquer acções. No Sábado passado, o rover viajou cerca de 30 cm, supostamente seria uma maior distância, mas parou depois da sua roda da frente, que já não funciona, ter atingido uma rocha parcialmente enterrada. Os mais recentes diagnósticos mostram várias falhas, mas a maioria nunca será devidamente explicada (supõe-se que possam ter sido induzidas por um raio cósmico). [Ler fonte]

Cassini muda para motores auxiliares (via NASA)
Numa jogada que faz lembrar as afinações do engenheiro Scotty da Enterprise, da série televisiva "Star Trek", os engenheiros que trabalham com a sonda Cassini irão começar a mudar de motores, para um conjunto auxiliar, após terem notado uma degradação na sua performance, já em uso há mais de 11 anos, desde que a sonda foi lançada em Outubro de 1997. Os motores são utilizados para fazer pequenas correcções ao percurso da Cassini e para controlo de atitude. Em meados de Março, o conjunto actual de oito motores, denominados grupo A, serão trocados por um conjunto redundante e idêntico, grupo B. A pensar no futuro, quase todos os sistemas da sonda têm sistemas com capacidade auxiliar redundante. E como prova da fiabilidade e robustez da sonda, esta é apenas a segunda vez durante a viagem de 11 anos da Cassini, que as equipas de engenharia tiveram que ligar um sistema auxiliar. [Ler fonte]

 
ESPAÇO ABERTO 2009:
A iniciativa "Espaço Aberto" regressa! A primeira observação realizar-se-á dia 14 de Fevereiro de 2009, na açoteia do CCVAlg, entre as 21:30 e as 23:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuira.
Observação dependente das condições atmosféricas.
 
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 04/02: 35.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1906 nascia Clyde Tombaugh, famoso pela descoberta, em 1930, de Plutão.

Também descobriu muitos asteróides.
Em 1932 era descoberto o asteróide 1239 Queteleta por Eugène Joseph Delporte.
Em 1934 era descoberto o asteróide 2824 Francke por Karl Wilhelm Reinmuth.
Observações: Um pequeno telescópio irá sempre mostrar Titã, a maior lua de Saturno. Esta noite Titã encontra-se a cinco diâmetros anulares para Este de Saturno. Um telescópio de seis polegadas já mostrará a cor alaranjada da sua espessa atmosfera.

Dia 05/02: 36.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, a Apollo 14 aterrava na Lua, na formação Fra Mauro.

Observações: Aproveite para observar a Grande Nebulosa de Orionte (M42).

 
 
CURIOSIDADES:

Um ano cósmico é o tempo que o Sol demora a completar uma órbita em torno do centro da Via Láctea, aproximadamente 225 milhões de anos.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

Cometa Lulin Aproxima-se
Crédito: Paolo Candy (Cimini Astronomical Observatory)

Quão brilhante será o Cometa Lulin? Ninguém sabe com certeza. Embora seja notavelmente difícil de prever com precisão o brilho dos cometas recém-descobertos, o Cometa Lulin pode muito bem tornar-se vísivel a olho nu mais para o fim deste mês. À medida que viaja para o céu Norte em meados de Fevereiro até nascer por volta da meia-noite, deverá pelo menos ser possível de avistar por caçadores de cometas com binóculos e uma boa carta celeste. As observações indicam que o cometa oficialmente designado C/2007 N3 (Lulin) passou agora pelo Sol e está a aproximar-se da Terra numa trajectória que o levará até metade da distância Terra-Sol no final de Fevereiro. A órbita do Cometa Lulin indica que esta é provavelmente a sua primeira viagem ao Sistema Solar interior. O cometa foi descoberto por Quanzhi Ye da Universidade Sun Yat-sen, em imagens obtidas por Chi-Sheng Lin do Observatório Lu-Lin da Universidade Nacional Central. Nesta imagem, obtida em Itália na Sexta-feira passada, encontram-se a cauda e cabeleira do Cometa Lulin, uma cauda apontando na direcção oposta à do Sol, e uma anti-cauda -- poeira que acompanha o cometa na sua órbita e que pode aparecer estar a apontar na direcção do Sol.
Ver imagem em alta-resolução

 
 
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