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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 497
De 11/02 a 12/02/2009
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  OBSERVE O COMETA LULIN!
   

Durante as próximas semanas, um cometa brilhante o suficiente para ser observado com binóculos e possivelmente a olho nu, irá proporcionar um bonito alvo para observação celeste, caso as condições meteorológicas o permitam.

O Cometa Lulin alcançará a aproximação máxima da Terra no dia 24 de Fevereiro e a altura ideal para a sua observação será por volta deste dia. Para os observadores com olho treinado e que disponham de céus escuros, rurais, espera-se que o cometa seja visível como uma estrela enevoada e ténue.


Esta imagem do Cometa Lulin foi capturada dia 2 de Fevereiro por Rolando Ligustri usando o Observatório RAS no Novo México. A bola verde é a atmosfera do cometa, ou cabeleira, que mede cerca de 500.000 km de diâmetro, ou cerca de três vezes o diâmetro de Júpiter. A cabeleira contém cianogénio (CN) e carbono diatómico (C2), dois gases que brilham com tons verdes quando exposos à luz solar.
Crédito: R. Ligustri (www.castfvg.it), Observatório RAS.
(clique na imagem para ver versão maior)

Contudo, não se espera que as pessoas que vivem nas cidades e nos arredores sejam capazes de o observar à vista desarmada, mas uns binóculos ou um telescópio irá revelar a sua cabeleira nublada e possivelmente uma intrigante cauda. No entanto, os cometas são imprevisíveis, por isso é impossível prever quão brilhante será.

Mas o Cometa Lulin é já um alvo para os pequenos telescópios, e alguns dos seus donos já produziram esplêndidas fotografias, obtidas de madrugada. O objecto é mais facilmente descoberto através de um mapa desenhado para a sua localização.

O cometa foi fotografado por Chi Sheng Lin usando um telescópio de 16-polegadas no Observatório Lulin em Mantou, Tailândia, a 11 de Julho de 2007. Mas foi um estudante de 19 anos, Quanzhi Ye da Universidade Sun Yat-sen na China, o primeiro a reconhecer o novo objecto em três imagens obtidas por Lin.

Inicialmente pensava-se ser um asteróide, mas imagens capturadas uma semana depois revelaram a tantalizante presença de uma ténue coma.

A descoberta foi parte do projecto Estudo Celeste Lulin para explorar as várias populações de pequenos corpos no Sistema Solar, especialmente objectos que possam constituir um perigo para a Terra. Como tal, o cometa foi baptizado de Cometa Lulin, mas mais formalmente conhecido para os astrónomos como Cometa C/2007 N3.


Esta imagem do Cometa Lulin foi capturada dia 6 de Fevereiro. Composição de quatro imagens com 15 minutos de tempo de exposição.
Crédito: Mike Broussard (www.cajunastro.com)
(clique na imagem para ver versão maior)

Este cometa é o mais brilhante desde o espectacular Cometa Holmes há mais de 15 meses atrás e nas próximas semanas ficará favoravelmente colocado no céu nocturno. Entre meados e o final de Fevereiro, atingirá provavelmente a magnitude 5 ou 6, tornando-o possivelmente visível a olho nu em zonas mais escuras ou rurais, e facilmente observável em binóculos ou com pequenos telescópios.

Brian Marsden do Observatório Astrofísico Smithsonian, calculou que o Cometa Lulin passou o periélio da sua órbita (a sua maior aproximação ao Sol) a 10 de Janeiro, a 182 quilómetros do Sol. No entanto, embora o cometa esteja agora a afastar-se da nossa estrela, a sua distância à Terra está a diminuir, até alcançar um mínimo de 61 milhões de quilómetros no dia 24 de Fevereiro.

Por esta razão, o cometa alcançará o máximo do seu brilho na última semana de Fevereiro; depois ficará cada vez mais ténue em meados de Março.

A órbita do Cometa Lulin é quase uma parábola, de acordo com Marsden. É também algo invulgar pois move-se pelo espaço na direcção oposta à dos planetas e numa inclinação muito pequena, 1,6º, em relação à eclíptica. Sendo assim, e porque se move na direcção contrária ao do movimento da Terra, o cometa parecerá mover-se rapidamente contra as estrelas de fundo, à medida que o observamos de uma noite para a outra.

Em adição, ao longo das próximas três semanas, o cometa parecerá nascer uma média de aproximadamente 20 minutos mais cedo cada noite. Por enquanto, a melhor altura para o observar será nas horas antes do amanhecer.

Na noite de 12 de Fevereiro, por exemplo, o Lulin nasce por volta da meia-noite a Sul-Sudeste e estará o mais alto no céu por volta das 5 da manhã a Sul. Mas na noite de 24 de Fevereiro, durante a menor aproximação da Terra, o Lulin estará visível toda a noite, nascendo a Este ao anoitecer, passando o trânsito a Sul por volta da 1 da manhã e descendo para trás do horizonte a Oeste ao nascer-do-Sol.


Jack Newton e a sua mulher estão a construir uma comunidade de observação astronómica no sudeste de Tucson, Arizona, EUA. Foi aqui que foi capturada esta esplêndida imagem do Cometa Lulin a 1 de Fevereiro de 2009.
Crédito: Jack Newton (www.jacknewton.com)
(clique na imagem para ver versão maior)

Actualmente localizado na constelação de Virgem, o Cometa Lulin parecerá mover-se numa trajectória Noroeste, passando a 2,5º Norte da estrela de 1.ª magnitude, Espiga, de Virgem, a 16 de Fevereiro (em comparação, o seu punho fechado, à distância de um braço esticado, mede aproximadamente 10 graus).

Na noite de 23 para 24 de Fevereiro, agora virtualmente no seu brilho máximo, o cometa estará situado a apenas 2 graus Sul-Sudoeste do planeta Saturno, que poderá usar para localizar o cometa. Mais, durante esta altura, o Cometa Lulin estará a mover-se mais de 5 graus por dia -- o equivalente à distância entre as estrelas Dubhe e Merak, as estrelas-guia da Ursa Maior; por isso a cada poucos minutos de observação num telescópio, conseguirá discernir o lento movimento do cometa relativamente às estrelas de fundo.

Na noite de 27 para 28 de Fevereiro, o cometa agora cada vez menos brilhante, passará a apenas 0,5 graus para Sul da estrela de primeira magnitude, Régulo, em Leão. E a 5 de Março, o Lulin -- aí provavelmente com magnitude entre 6 e 7, já não visível sem binóculos ou telescópio -- passará a 4 graus do famoso Enxame do Presépio, M44, em Caranguejo.

Os cometas são visíveis porque a radiação do Sol faz libertar gases e poeiras aí presas. O material então brilha devido ao reflexo da luz, criando uma cabeça nublada, ou cabeleira (coma), e por vezes uma ou duas caudas.

Mesmo quando estiver no seu brilho máximo, os observadores a olho nu provavelmente verão o Cometa Lulin apenas como uma ténue e nublada "estrela". Em binóculos, ou com um pequeno telescópio, o cometa assemelhar-se-á a uma maçã num ramo; isto é, a cabeleira difusa do cometa deverá aparecer redonda e algo condensada no seu centro, talvez com um tom de azul ou verde, enquanto uma cauda estreita de gás prolonga-se para Noroeste.

Em adição, os observadores telescópicos poderão também procurar um "pico" de luz, apontando na direcção oposta à cauda. Este estranho efeito, com o nome de "anticauda", é provocado por uma fina camada de poeira expelida pelo cometa e normalmente visível por um breve intervalo de tempo quando a Terra passa pelo plano orbital do cometa.

Mas como a Terra permanecerá no plano orbital do cometa em Fevereiro e Março, haverá várias hipóteses de observar esta rara anticauda.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA
Sky & Telescope
New Scientist
Scientific American
DailyComet.com
MSNBC

Cometa Lulin:
Mapa celeste (11 Jan. - 20 Fev.)
Mapa celeste (20 Fev. - 21 Mar.)
Cartas celestes (Prof. Gregorio Drayer)
Galeria de fotos (Spaceweather.com)
Efemérides (IAU: Minor Planet Center)
Diagrama orbital em 3D (JPL/NASA)
Wikipedia

 
   
 

ASTRO-CURTAS

Crateras de Marte contam história de água e gelo (via SPACE.com)
Água e gelo deixaram as suas marcas na superfície marciana, desde fendas e espinhaços até sinuosos canais e "gullies". As provas de água líquida no passado da Marte têm-se acumulado rapidamente ao longo da última década. Um novo estudo, a ser publicado na revista Icarus, pinta um quadro científico de rios e glaciares que provavelmente definiram a topografia das crateras no planeta. [Ler fonte]

Modelo sugere origens das "gullies" de Marte (via PhysOrg.com)
Cientistas da Universidade do Arkansas usaram química e geologia para criar um modelo que poderá explicar o mistério de como as "gullies" modernas se formam à superfície de Marte. Decidiram estudar a possibilidade de água salgada saturada poder desenhar estas formações geológicas. [Ler fonte]

 
ESPAÇO ABERTO 2009:
A iniciativa "Espaço Aberto" regressa! A primeira observação realizar-se-á dia 14 de Fevereiro de 2009, na açoteia do CCVAlg, entre as 21:30 e as 23:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas.
 
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 11/02: 42.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1997, o vaivém espacial Discovery é lançado numa missão com o objectivo de reparar o Hubble.

Observações: Saturno encontra-se por cima da Lua, na constelação de Leão.

Dia 12/02: 43.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2001, a sonda NEAR Shoemaker tornava-se a primeira nave humana a pousar num asteróide, de nome 433 Eros.

Observações: Com a luz da Lua ao anoitecer de "férias" por duas semanas, procure a luz zodiacal ao lusco-fusco. Precisará de um céu limpo e sem poluição luminosa. A luz zodiacal é uma pirâmide inclinada, grande e estreita, brilhando desde o horizonte a Oeste para a esquerda, percorrendo as constelações do zodíaco. O que está a observar é a poeira interplanetária no plano do Sistema Solar, iluminada pela luz solar.

 
 
CURIOSIDADES:

A Terra orbita o Sol a uma velocidade média de 107.220 km/s.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

Galáxia Anémica NGC 4921
Crédito:
NASA, ESA, K. Cook (LLNL)

Qual é a distância da galáxia espiral NGC 4921? Embora actualmente estimada a cerca de 320 milhões de anos-luz, uma determinação mais precisa poderá ser agrupada com a sua conhecida velocidade de recessão para ajudar a Humanidade a melhor calibrar a velocidade de expansão do Universo visível. Para atingir este objectivo, esta imagem foi capturada pelo Telescópio Espacial Hubble de modo a ajudar a identificar marcadores-chave de distâncias estelares conhecidas como estrelas variáveis Cefeidas. NGC 4921 tem sido apelidada de uma galáxia com anemia devido à pouca formação estelar e baixo brilho superficial. Esta magnífica imagem foi tirada pelo instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble, actualmente necessitando de reparações. Visíveis na imagem estão, a partir do centro: um brilhante núcleo, uma brilhante barra central, um anel proeminente de poeira escura, enxames azuis de estrelas recém-formadas, várias galáxias vizinhas mais pequenas, galáxias sem relação no pano de fundo, e estrelas da nossa própria Via Láctea.
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