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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 505
De 02/03 a 03/03/2009
 
 
 

Dia 02/03: 63.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, a sonda americana Pioneer 10 é lançada. Torna-se na primeira a passar pela cintura de asteróides e a alcançar o planeta Júpiter (em 1973). A primeira sonda a sair do Sistema Solar. A Pioneer 10 transporta uma placa desenhada para identificar a sua origem caso seja encontrada à deriva pela Via Láctea. Em 2003, após 31 anos, a Pioneer 10 deixa finalmente de se ouvir.

Observações: As Pleiades brilham por cima da Lua esta noite.

Dia 03/03: 64.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, lançamento da sonda Pioneer 4, a primeira missão à Lua com êxito. Falhou a Lua por 59,500 km em vez dos esperados 32,000 km, pelo que não conseguiu testar as câmaras, mas enviou dados excelentes sobre a radiação através dos seus contadores Geiger.
Em 1969, lançamento da Apollo 9

Observações: A Lua em Quarto Crescente.
O asteróide Ceres está 1/3º acima da estrela dupla telescópica 54 Leonis.

 
 
 

A maior galáxia do Grupo Local de Galáxias a que pertence a Via Láctea é a Galáxia de Andrómeda (M31), embora seja apenas um pouco maior que a Via Láctea, contrariamente ao que foi durante muito tempo pensado.

 
 
 
 
AIA 2009
 
 
  ANTIGO PULSAR AINDA PULSA  
 

Pode ser velho, mas não está morto. O Observatório de Raios-X Chandra encontrou o mais antigo pulsar isolado alguma vez detectado. Embora este pulsar seja antigo, é ainda um objeto exótico pulsante e é surpreendentemente activo. Segundo as observações no rádio, o pulsar PSR J0108-1431 (de diminuitivo J0108) tem aproximadamente 200 milhões de anos de idade. Entre os pulsares isolados - aqueles que não tenham sido encontrados em sistemas binários - é mais de 10 vezes mais velho do que o anterior titular de recorde de longevidade. Uma equipe de astrónomos chefiada por George Pavlov da Universidade de Penn State observou o J0108 em raios-X usando o Chandra, e constataram que ele é muito mais brilhante nos raios-X do que era esperado para um pulsar desta idade avançada.

A uma distância de 770 anos luz, é também um dos pulsares mais próximos que conhecemos.

Exemplo de fotografia e respectiva legenda

Imagem de raios X (esquerda) e impressão de artista do pulsar J0108.
Crédito: Imagem de raios X: NASA/CXC/Penn State/G.Pavlov et al.; Optical: ESO/VLT/UCL/R.Mignani et al.; Ilustração: NASA/CXC/M.Weiss.
(clique na imagem para ver versão maior)

Os pulsares são criados quando estrelas que são muito mais massivas do que o Sol colapsam em explosões conhecidas como supernovas, deixando como resíduo um pequeno, mas incrivelmente denso núcleo, conhecido como uma estrela de neutrões. Após a sua formação, essas estrelas de neutrões, que contêm o material mais denso conhecido no Universo, giram a uma velocidade elevadíssima de até uma centena de rotações por segundo. Como emitem radiação de dois pólos magnéticos diametralmente opostos na estrela mas que não são coincidentes com os pólos do eixo de rotação, as suas emissões de radiação (conhecida como radiação de sincrotrão) são vistas pelos observadores distantes como pulsos, semelhantes aos feixes de um farol. Foi por este motivo que os astrónomos decidram chamar-lhes "pulsares".

Os astrónomos observam um abrandamento gradual da rotação dos pulsares à medida que estes irradiam energia. As observações no rádio do J0108 mostram tratar-se de um dos mais antigos e mais fracos pulsares conhecidos, rodando apenas ligeiramente mais rápido do que uma revolução por segundo.

Alguma da energia que o J0108 está a perder, uma vez que gira mais devagar, é convertida em radiação de raios X. A eficiência deste processo para a J0108 é mais elevada do que para qualquer outro pulsar conhecido.

"Este pulsar bombeia a radiação de alta energia muito mais eficientemente do que os seus primos mais jovens", disse Pavlov. "Então, embora ele esteja claramente a desvanecer-se à medida que envelhece, é ainda mais capaz de tratar de si mesmo que as gerações mais jovens."

É provável que existam duas formas de emissão de raios-X a ser produzidos no J0108: por um lado, a emissão de partículas espiral em torno de campos magnéticos (radiação de sincrotrão), e, por outro, a emissão das áreas aquecidas ao redor dos pólos magnéticos da estrela neutrões. A medição da temperatura e do tamanho dessas regiões aquecidas pode fornecer conhecimentos valiosos sobre as extraordinárias propriedades sobre a superfície das estrelas de neutrões e sobre o processo pelo qual as partículas carregadas são aceleradas pelo pulsar.

"De repente este pulsar tornou titular do melhor registo de capacidade para produzir raios-X", disse Pavlov ", e nosso resultado ficou ainda mais interessante, sem nos obrigar a muito trabalho extra." A posição do pulsar visto pelo Chandra em raios-X no início de 2007 é ligeiramente diferente da posição observada no rádio no início de 2001. Isto implica que o pulsar se está a deslocar a uma velocidade de cerca de 440,000 milhas por hora, perto de um valor típico para pulsares.

Actualmente, o pulsar está-se movendo a Sul do plano da Via Láctea, a nossa Galáxia, mas como está a mover-se mais devagar do que a velocidade de escape da Galáxia, ele acabará por curvar de regresso para o plano da Galáxia.

Links:

Nota de Imprensa :
NASA
Chandra/Harvard Smithsponian Observatory

Outras Notícias :
Eureka Alert
Astronomy.com
PhysOrg
Universe Today

 
     
 
 
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  Omega Centauri-O maior enxame globular conhecido - Crédito: Thomas V. Davis (tvdavisastropix.com)  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Esta enorme bola de estrelas antecede o nosso Sol. Muito antes da Humanidade evoluir, antes dos dinossauros, e mesmo antes da nossa Terra começar a existir, antigos glóbulos de estrelas condensadas e jovens orbitavam a galáxia Via Láctea. Dos mais de 200 enxames globulares que sobrevivem ainda hoje, Omega Centauri é o maior, com mais de dez milhões de estrelas. Omega Centauri é também o aglomerado globular mais brilhante, pelo que com uma visual magnitude relativa de 3,9, é visível para os observadores do Sul a olho nu. Catalogado como NGC 5239, o Omega Centauri encontra-se a cerca de 18.000 anos-luz de distância da Terra e tem cerca de 150 anos-luz de diâmetro. Ao contrário de muitos outros enxames globulares, as estrelas de Omega Centauri mostram várias idades e traços de abundâncias químicas, indicando que o aglomerado globular estelar terá tido uma história complexa ao longo dos seus 12 mil milhões de anos de idade.

 


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