NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 51
17 de Agosto de 2004
DUAS NOVAS LUAS EM SATURNO

Com os olhos mais penetrantes que alguma vez observaram Saturno, a sonda Cassini descobriu duas novas luas, que podem ser os corpos mais pequenos descobertos até agora a orbitar o "Senhor dos Anéis".

As luas têm aproximadamente 3 quilómetros e 4 quilómetros. Localizadas a 194,000 e 211,000 quilómetros do centro do planeta, encontram-se entre as órbitas de outras duas luas saturnianas, Mimas e Encelado. Têm por agora os nomes S/2004 S1 e S/2004 S2. Um dos satélites, S/2004 S1, pode ser um objecto avistado em apenas uma imagem tirada pela sonda da NASA Voyager há 23 anos atrás, chamado na altura S/1981 S14.


A Cassini recentemente detectou duas novas luas orbitando entre Mimas e Encelado. Uma caixa branca encapsula uma das luas, temporariamente com o nome S/2004 S1.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
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"Um dos nossos maiores objectivos em regressar a Saturno é a procura pelo sistema de novos corpos," disse a Dr. Carolyn Porco, líder da equipa de imagem do Instituto de Ciência Espacial, que planeou as sequências das imagens. "Por isso, é realmente gratificante saber que por entre estas maravilhosas descobertas que iremos fazer ao longo de quatro anos, podemos adicionar a confirmação de duas novas luas, orbitando timidamente à volta de Saturno durante milhares de milhões de anos, até agora."

As luas foram pela primeira vez observadas pelo Dr. Sebastien Charnoz, um dinamicista planetário trabalhando com o Dr. Andre Brahic, membro da equipa da Universidade de Paris. "Descobrir estes ténues satélites foi uma experiência excitante, especialmente o sentimento de ser a primeira pessoa a observar um novo corpo no Sistema Solar," disse Charnoz. "Já tinha procurado tais objectos durante semanas no meu gabinete em Paris, mas foi apenas uma vez em férias, usando o meu portátil, que o meu código o detectou. Isto diz-me que tenho que tirar mais férias."

As mais pequenas luas previamente conhecidas de Saturno têm aproximadamente 20 km de diâmetro. Os cientistas esperavam que luas tão pequenas como S/2004 S1 e S/2004 S2 pudessem ser descobertas nos intervalos dos anéis e talvez perto do anel F, por isso é uma surpresa que tais corpos pequenos existam entre estas duas grandes luas. Poderia-se esperar que pequenos cometas viajando no sistema solar exterior colidissem com pequenas luas e as partissem em bocados. O facto destas luas estarem neste local limita o número de pequenos cometas do Sistema Solar exterior, uma quantidade essencial para a compreensão da Cintura de Kuiper para lá de Neptuno e as histórias das crateras nas luas dos planetas gigantes.


Saturno conta já com 33 luas conhecidas. Quantas é que estarão ainda por descobrir?
Crédito: NASA
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"Um cometa que atinja uma lua interior de Saturno move-se muitas vezes mais depressa que uma bala," disse o Dr. Luke Dones. "Se cometas do tamanho de casas forem comuns, estas luas devem ter sido despedaçadas muitas vezes por impactos cometários durante a história do Sistema Solar. Os detritos da lua destruída formariam um anel, e depois a maioria do material eventualmente se agregaria novamente para formar outra lua. No entanto, se os pequenos cometas forem raros, como parecem ser no sistema de Júpiter, as novas luas podem ter sobrevivido desde os primeiros dias do Sistema Solar."

As luas à volta dos planetas gigantes geralmente não se encontram onde se formaram devido à força das marés do planeta, que faz com que se afastem dos locais originais. Durante este movimento, podem atravessar zonas onde outras luas as podem perturbar, aumentando a excentricidade das suas órbitas ou inclinando-as relativamente ao equador do planeta. Uma das novas luas pode ter tido tal evolução.

As próximas imagens irão percorrer as divisões dos anéis de Saturno na busca de luas que se pensa lá existirem. No entanto, os cientistas da Cassini permanecem ansiosos de observar com mais pormenor, se possível, os seus novos achados. "Estamos neste preciso momento a tentar saber quais as melhores alturas para um novo olhar. Com sorte, pode ser que esta não seja a última vez que as vemos", disse Porco.

Links:

Notícias relacionadas:
http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/3571564.stm
http://www.space.com/scienceastronomy/cassini_moons_040816.html
http://ciclops.lpl.arizona.edu/view.php?id=321

Animação das imagens das descobertas das luas:
http://www.nasa.gov/images/content/63709main_PIA06106_full.gif

Sonda Cassini:
http://saturn.jpl.nasa.gov
http://www.nasa.gov/cassini
http://ciclops.org
http://www.esa.int/SPECIALS/Cassini-Huygens/index.html

Saturno:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/saturno.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Saturn_%28planet%29

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     
 
Ampliação da Lagoa - Crédito: Canada-France-Hawaii Telescope, J.-C. Cuillandre (CFHT), Coelum
Estrelas combatem contra gás e pó na Nebulosa da Lagoa, mas os fotógrafos são quem ganham. Também conhecida como M8, esta nebulosa fotogénica é visível até sem binóculos na constelação de Sagitário. Os processos energéticos de formação estelar criam não apenas as cores, como também o caos. Os brilhantes gases vermelhos resultam da colisão da luz de alta energia das estrelas com o hidrogénio interestelar. Os filamentos de escuro que entrelaçam M8 foram criados nas atmosferas de estrelas gigantes "frias" e nos detritos de explosões de supernovas. A espectacular porção da Nebulosa da Lagoa tirada pelo CFHT foi criada da luz emitida pelo hidrogénio (a vermelho) e pela luz emitida pelo oxigénio (a verde). A luz de M8 que vemos hoje saíu de lá há aproximadamente 5000 anos. A luz demora cerca de 50 anos a atravessar esta secção de M8.
Ver imagem em alta-resolução
     
 

De 1 de Julho a 15 de Setembro, todas as noites excepto às Segundas, entre as 21:00 e as 23:00, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 17/08: 230º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1877 a lua de Marte Phobos é observada pela primeira vez por Asaph Hall no Observatório Naval dos EUA.
Em 1966 era lançada a sonda Pioneer 7.
Em 1970 a sonda soviética Venera 7 é lançada a partir do cosmódromo Baikonur. Chega a Vénus em 15 de Dezembro de 1970. É a primeira nave a enviar dados para a Terra. A Venera 7 teve também uma sonda gémea, lançada a 22 de Agosto, mas que permaneceu em órbita da Terra.
Em 1999 passava pela Terra (1,166 km) a sonda Cassini sobre o lado Este do Pacífico Sul. Este é um de 4 voos rasantes planetários (Vénus, Vénus, Terra e Júpiter), para uma assistência gravitacional em ordem à sonda chegar a Saturno em 2004. Este voo rasante deu à Cassini um aumento de velocidade de 20,000 quilómetros por hora. As vozes contra a Cassini e o seu plutónio respiraram de alívio.
Observações: Vénus na sua maior elongação (46º Oeste), 20:00 (não visível). Por estar mais perto do Sol do que a Terra, Mercúrio e Vénus andam entre a parte de trás e da frente do Sol. Alternativamente ora estão no lado Este (noite) ou no lado Oeste (dia). Quando atingem o ponto mais afastado de cada lado, diz-se que estão em "elongação". Neste caso Vénus está a 46º no lado Oeste do Sol, o que quer dizer que precede o Sol por várias horas no céu de manhã. Actualmente localizado entre os "pés" de Gémeos, Vénus é bastante brilhante e difícil de não o encontrar.

Dia 18/08: 231º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1985 era lançado o Suisei, a segunda missão japonesa a estudar o cometa Halley. Detectou água cometária, monóxido de carbono e iões de dióxido de carbono.
Em 1868 Norman Lockyer observa pela primeira vez hélio no espectro do Sol.

Dia 19/08: 232º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1960 era lançado o Korabl-Sputnik 2, também conhecido como Sputnik 5. A bordo estavam os cães Belka (esquilo) e Strelka (pequena flecha). Também aí estavam 40 ratos, 2 ratazanas e uma variedade de plantas. Depois de um dia em órbita, a nave ligou os seus motores e a cápsula de aterragem e os cães foram recuperados em segurança.
Em 2000 a SOHO conta o seu 200º cometa. Na realidade, foi descoberto numa pesquisa de dados arquivados por Michael Oates da Inglaterra.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Se o Sol fosse do tamanho do ponto na letra "i", a estrela mais próxima estaria a cerca de 16 km de distância.
 
 
 
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