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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 512
De 18/03 a 19/03/2009
 
 
 

Dia 18/03: 77.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1781, Charles Messier redescobre o enxame globular M92.
Em 1965, Aleksei Leonov torna-se o primeiro homem a passear no espaço após sair durante 12 minutos no exterior da Voskhod 2.

Em 1980, um foguetão Vostok preparado para uma missão de reabastecimento explode na rampa de lançamento matando 50 pessoas.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 17:48.

Dia 19/03: 78.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915 era fotografado pela primeira vez Plutão, que no entanto não foi identificado como planeta.

Observações: Se tiver um telescópio com pelo menos 10" de abertura e um céu realmente escuro, já alguma vez observou as ténues galáxias visíveis para a direita do Enxame do Presépio em Caranguejo?

 
 
 
Júpiter é rodeado por três anéis e tem uma grande mancha vermelha que é na realidade uma gigantesca tempestade.
 
 
 
 
AIA 2009
 
 
  CORAÇÕES GALÁCTICOS APROXIMAM-SE DE DESASTRE CÓSMICO  
 

Uma nova imagem do Telescópio Espacial Spitzer da NASA oferece uma rara paisagem de uma colisão iminente entre os núcleos de duas galáxias em fusão, cada uma alimentada por um buraco negro com milhões de vezes a massa do Sol.

Os núcleos galácticos estão numa única galáxia emaranhada de nome NGC 6240, localizada a 400 milhões de anos-luz de distância na constelação de Ofíuco. Há milhões de anos atrás, cada núcleo era o centro mais denso da sua própria galáxia antes das duas galáxias colidirem e se dilacerarem uma à outra. Agora, estes núcleos estão a aproximar-se a velocidades tremendas e a preparar-se para a colisão cataclísmica final. Irão colidir daqui a uns milhões de anos, um período de tempo relativamente pequeno numa escala cósmica de tempo.

Esta imagem do par de galáxias em colisão, de nome NGC 6240, mostra-as numa fase rara e curta da sua evolução, mesmo antes de se fundirem numa nova e maior galáxia.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/STScI-ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A imagem espectacular combina dados no vísivel obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble e no infravermelho pelo Spitzer. Captura as duas galáxias durante uma fase curta e rara da sua evolução, quando ambos os núcleos das galáxias em interacção são ainda visíveis mas que se encontram em aproximação acelerada.

"Um dos aspectos mais interessantes acerca desta imagem é que este objecto é único," disse Stephanie Bush do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, em Cambridge, Massassuchetts, EUA, autora principal de um novo artigo descrevendo a observação, a ser publicado brevemente na revista Astrophysical Journal. "A fusão é um processo rápido, especialmente quando nos aproximamos do desastre que vai acontecer. Não existem muitas fusões galácticas, neste estado, no Universo vizinho."

NGC 6240 está já a libertar grandes quantidades de radiação infravermelha, uma indicação de intensa formação estelar. A radiação infravermelha é comum nas galáxias em interacção; à medida que duas galáxias interagem, a poeira e o gás varridos pela colisão dão azo a novas estrelas que libertam luz no infravermelho. Tais galáxias são chamadas galáxias infravermelhas luminosas. A câmara de infravermelho do Spitzer pode observar o calor extra das recém-formadas estrelas, mesmo embora a sua luz visível esteja obscurecida por espessas nuvens de poeira à sua volta.

A forma de borrão da galáxia deriva da violência contínua da colisão. Correntes de milhões de estrelas são expulsas da galáxia, formando finas "caudas de marés" que saem de NGC 6240 em várias direcções. Mas as coisas tornam-se ainda mais violentas à medida que o evento principal se aproxima e os dois núcleos galácticos se fundem num só.

No centro de NGC 6240, os dois buracos negros nos núcleos vão libertar enormes quantidades de radiação à medida que se aproximam de "cabeça", provavelmente transformando a galáxia num monstro conhecido como uma galáxia infravermelha ultra-luminosa, milhares de vezes mais brilhante no infravermelho que a nossa própria Via Láctea.

Outro aspecto fascinante deste raro objecto é que as fusões galácticas nunca são iguais. "Não só existem poucos objectos nesta fase, mas cada um deles é único porque veio de diferentes galáxias progenitoras," disse Bush. "Estas observações fornecem-nos outra camada de informação acerca da galáxia, e acerca das fusões galácticas no geral."

A radiação infravermelha obtida pela câmara do Spitzer a 3,6 e 8,8 mícrons (vermelho) mostra poeira e radiação fria da formação estelar; a luz visível do Hubble (verde e azul) mostra gás quente e estrelas.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Spitzer (comunicado de imprensa)
PHYSORG.com
Universe Today

Galáxias em interacção:
Wikipedia
Uinversidade Estatal de Iowa

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial
Centro Espacial Spitzer
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
STScI
Wikipedia

 
     
 
 
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  O Resto de Supernova de Tycho - Crédito: Raios-X: NASA/CXC/SAO; Infravermelho: NASA/JPL-Caltech; Óptico: MPIA, Calar Alto, O. Krause et al.  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Que estrela criou esta gigantesca "bola de algodão"? Esta fotografia é a melhor imagem, em múltiplos comprimentos de onda, até agora, do resto de supernova de Tycho Brahe, o resultado de uma explosão estelar registada pela primeira vez há mais de 400 anos pelo famoso astrónomo Tycho Brahe. A imagem acima é uma composição de uma imagem em raios-X obtida pelo Observatório de Raios-X Chandra, uma imagem em infravermelho capturada pelo Telescópio Espacial Spitzer, e uma imagem óptica do telescópio de 3,5 em Calar Alto, localizado no Sul de Espanha. A nuvem de gás em expansão é extremamente quente, enquanto ligeiramente diferentes velocidades de expansão deram à nuvem uma forma de pompom. Embora ninguém saiba com certeza que estrela criou SN 1572, uma estrela denominada Tycho G, demasiado ténue para ser na imagem facilmente observada, está sendo estudada como uma possível progenitora. A descoberta do resto progenitor da supernova de Tycho é particularmente importante porque determinou-se recentemente que a supernova é do Tipo Ia. Pensa-se que o brilho máximo das supernovas Tipo Ia seja bem compreendido, o que a torna realmente valiosa na calibração de como o nosso Universo atenua o brilho de objectos distantes.

 


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