NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 52
20 de Agosto de 2004
IDADE MAIS PRECISA DA VIA LÁCTEA

Uma nova estimativa da idade da nossa Via Láctea sugere que foi um membro original do Universo, tendo nascido o mais cedo possível.


Imagem da Via Láctea tirada nas margens do Lago Titicaca, Bolívia (12,000 pés).
Crédito: Fred Espenak
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O Universo tem aproximadamente 13.7 mil milhões de anos. Este número, depois de décadas de estimativas, algumas até bastante variadas, foi aperfeiçoado o ano passado com um erro de 200 milhões de anos. Os cientistas usaram observações espaciais de uma radiação de fundo de microondas que tinha sido libertada como um nevoeiro denso pouco depois da formação do Universo.

Esta radiação de fundo sugere também que as primeiras estrelas se formaram aproximadamente 200 milhões de anos depois do Big Bang, quando, de acordo com os teóricos, este "nevoeiro" se levantou.

Os astrónomos já sabiam que a Via Láctea se encontra entre as galáxias mais antigas. As novas observações sugerem que foi de facto uma das primeiras a ser "construída". O estudo indica uma idade de 13.6 mil milhões de anos, mais ou menos 800 milhões de anos. Estudos mais aprofundados serão necessários para diminuir esta margem de erro.

Uma das chaves para gerar este novo número foi o conhecimento que as estrelas mais antigas se formaram quase inteiramente do hidrogénio. Viveram vidas curtas e explodiram violentamente, cuspindo novos e mais pesados elementos para as suas vizinhanças.

A nova idade estimada tem como base medições do elemento berílio em duas estrelas de um enxame globular chamado NGC 6397. A quantidade de Berílio, um dos elementos mais leves, aumenta com o tempo e serve como uma espécie de "relógio cósmico," de acordo com a equipa liderada por Luca Pasquini do Observatório Europeu do Sul (ESO).


O enxame globular NGC 6397 está a cerca de 7,200 anos-luz. Contém aproximadamente 400,000 estrelas.
Crédito: ESO
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As estrelas pensa-se que tenham aproximadamente 13.4 mil milhões de anos. Os cientistas adicionaram a este valor um intervalo de cerca de 200 milhões de anos que dizem que demorou para as anteriores gerações de estrelas da Via Láctea se formarem, explodirem, e cultivarem a galáxia com os materiais necessários para formar os tipos de estrelas encontradas em NGC 6397.

As observações foram feitas com o VLT do ESO no Chile.

Previamente, três métodos foram usados para chegar a estimativas similares da idade com vários graus de precisão. De acordo com a NASA:

Registos radioactivos dos elementos Tório 232 e Urânio 238 de uma estrela põem a galáxia com uma idade de 14 mil milhões de anos, mais ou menos 2.4 mil milhões de anos. Examinações do ritmo de arrefecimento de corpos estelares chamados anãs brancas dão uma idade de 12.7 mil milhões de anos, mais ou menos 700 milhões de anos. E uma observação de quando as estrelas dentro de enxames deixam de brilhar na sua "sequência principal" primária dão a idade de 12.6 mil milhões de anos, mas variando entre 10.4 e 16 mil milhões de anos.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2004/pr-20-04.html
http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/3573914.stm
http://www.sunnetwork.org/news/science/science.asp?id=5551
http://www.physorg.com/news863.html
http://dsc.discovery.com/news/briefs/20040816/galaxy.html
http://www.theregister.co.uk/2004/08/18/dim_stars_light_galactic_age/

ESO:
http://www.eso.org

Via Láctea:
http://www.seds.org/messier/more/mw.html

NGC 6397:
http://www.seds.org/messier/xtra/ngc/n6397.html

 
NOVAS LUAS COM COMEÇOS VIOLENTOS

Sete luas recentemente descobertas à volta de Saturno e Neptuno têm passados complexos e violentos, sugerem duas equipas de astrónomos.

Cinco luas confirmadas - e uma candidata - à volta de Neptuno parecem ter sido capturadas pelo distante planeta depois de terem nascido a partir de colisões no Sistema Solar exterior, de acordo com um novo estudo.


O planeta Neptuno.
Crédito: NASA/JPL
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E as estranhas órbitas de duas pequenas luas à volta de saturno - descobertas pela sonda Europeia e Americana Cassini na passada Segunda-feira - apontam para começos de vida brutais.

Os pesquisadores indicam análises orbitais detalhadas das luas de Neptuno, cuja descoberta foi anunciada em 2003. As suas órbitas, embora estáveis, são muito esticadas, inclinadas, e em três casos, retrógradas - com os satélites movendo-se na direcção oposta à rotação de Neptuno. Isto sugere que as luas não podem ter sido formadas simplesmente pela condensação dos discos de material à volta do planeta.

Duas outras luas, Tritão e Nereida, têm órbitas irregulares, e por isso agora sete das 13 luas de Neptuno estão classificadas como "irregulares".

"Tem havido um grande debate literário acerca do que realmente aconteceu aos satélites de Neptuno," diz JJ Kavelaars, cientista planetário no Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá em Victoria e autor do novo estudo.

Ele e seus colegas acreditam que uma ou mais colisões - possivelmente entre um cometa e a própria Nereida - criaram as cinco luas, todas entre 30 e 50 quilómetros de tamanho. Depois o sistema foi perturbado quando Neptuno capturou o satélite de 2700 km, Tritão, da Cintura de Kuiper, uma colecção de rochas espaciais primordiais para lá de Neptuno.

Para testar a sua teoria, os cientistas irão tentar estudar as cores dos ténues objectos. "Se descobrirmos que todos têm uma composição da superfície muito semelhante, seria mais correcto dizer que são fragmentos de uma colisão de um corpo original," diz Kavelaars. Tais características juntaram as luas irregulares à volta de Júpiter e Saturno em famílias.

Kavelaars diz que mais ou menos 40 pequenas luas - com alguns quilómetros de diâmetro - devem orbitar Neptuno. Mas estes são indetectáveis até pelos melhores telescópios terrestres, que foram puxados até ao limites em ordem a encontrar as cinco novas luas.

Tais pequenas luas foram descobertas à volta de Saturno, graças à sonda Cassini, agora em órbita do planeta.

Estas duas luas são os satélites conhecidos mais pequenos do "Senhor dos Anéis". Têm apenas 3 e 4 quilómetros de diâmetro, tamanhos que se aproximam das maiores partículas dos anéis, dizem os astrónomos.

As luas encontram-se mais ou menos a 200,000 quilómetros do centro de Saturno, entre as órbitas de duas das 33 maiores luas de Saturno, Mimas e Encelado.

"É surpreendente encontrar satélites nesta região," diz o descobridor Sebastien Charnoz, cientista planetário da Universidade de Paris, França. Puxos gravitacionais dos satélites maiores fazem com que as suas posições sejam precárias, por isso as mini-luas serão provavelmente forçadas para diferentes órbitas no futuro.

Esta força destabilizadora tem também implicações no passado das luas. "Uma coisa é quase certa - não se formaram onde se encontram actualmente," diz Charnoz.

Este satélites também podem ter sido criados a partir de colisões, diz Kavelaars, quando as maiores luas colidiram uma com a outra nas suas órbitas em torno de Saturno.

"Os anéis de Saturno são provavelmente discos de detritos das quebras de satélites," diz. "Por isso é bastante óbvio que exista um processo contínuo a agitar a área à volta de Saturno e a criar novas luas pequenas."

Links:

Notícias relacionadas:
http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/3578210.stm
http://www.cbc.ca/story/science/national/2004/08/18/neptune_moons040818.html

Saturno:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/saturno.htm

Neptuno:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/neptuno.htm

Sonda Cassini:
http://saturn.jpl.nasa.gov/index.cfm
http://www.esa.int/SPECIALS/Cassini-Huygens/index.html

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     
 
N44F - Crédito: Y. Nazé (Univ. Liège), Y.-H. Chu (Univ. Illinois), ESA, NASA
Ventos rápidos e poderosos provenientes de uma jovem e quente estrela criaram esta esplêndida nebulosa em forma de bolha, situada no fim de um filamento brilhante de hidrogénio gasoso. Catalogada como N44F, a bolha cósmica encontra-se à esquerda desta imagem obtida pelo Telescópio Espacial Hubble. N44F situa-se nos arredores a Norte do complexo N44 de uma nebulosa de emissão na Grande Nuvem de Magalhães, a uns meros 160,000 anos-luz de distância. A brilhante, azul e quente estrela encontra-se no centro da bolha. Ao espreitar para o seu interior, o Hubble revela estruturas dramáticas, incluíndo pilares de pó, alinhados com a estrela central de N44F. Reminiscentes de berçários estelares similares na nossa própria Via Láctea, provavelmente contêm jovens estrelas nas suas pontas. Prolongando-se através do gás e pó a mais ou menos 12 quilómetros por segundo, N44F tem aproximadamente 35 anos-luz de diâmetro.
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De 1 de Julho a 15 de Setembro, todas as noites excepto às Segundas, entre as 21:00 e as 23:00, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 20/08: 233º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1975 era lançada a sonda americana Viking 1. Um orbiter e lander, nave irmã da Viking 2. A 19 de Junho de 1976, entrou na órbita de Marte à procura de um lugar para aterrar. A 20 de Julho o lander aterra na planície Chryse. Obteve imagens, velocidades do vento, temperaturas e mediu as propriedades físicas e químicas da superfície.
Em 1977 era lançada, a bordo de um foguetão Titan-Centaur no Cabo Canaveral, a sonda Voyager 2. A missão das Voyager a Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno abriu uma nova era de investigações no reino dos gigantes gasosos do sistema solar. A missão principal era para durar 5 anos e explorar Júpiter e Saturno. No entanto, uma vez que este objectivo foi concluído com sucesso, os cientistas do JPL (Jet Propulsion Laboratory) decidiram enviar a nave a Úrano e Neptuno, e uma missão de 30 anos foi planeada. Os instrumentos a bordo incluiam câmaras de televisão, sensores infravermelhos e ultravioletas, magnetómetros, detectores de plasma, e sensores de raios cósmicos e partículas carregadas. A bordo das Voyager estava um disco dourado de 12 polegadas contendo sons e imagens seleccionadas para transmitir a diversidade de vida e cultura da Terra. Carl Sagan chefiou o comité que seleccionou as imagens e sons da Terra. "A sonda irá ser encontrada e o disco será tocado apenas se existirem civilizações avançadas no espaço interestelar. Mas o lançamento desta garrafa no oceano cósmico diz algo muito encorajador sobre a vida neste pequeno planeta" -- Carl Sagan
Observações: Aproveite o princípio da noite para observar a Lua que se encontra a menos de 3º da estrela Espiga, da constelação de Virgem.

Dia 21/08: 234º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1993 a NASA perde o contacto com a Mars Observer três dias depois da entrada planeada na atmosfera de Marte. A comissão determinou que a causa mais provável (de entre cinco) da falha teria sido uma ruptura do combustível do lado de pressurização do sistema de propulsão da sonda.
Em 1995 morre Subrahmanyan Chandrasekhar, um dos grandes astrofísicos dos tempos modernos e vencedor do prémio Nobel em 1983. O termo "limite de Chandrasekhar" refere-se àquelas estrelas que retêm uma massa no fim da sua vida acima de um certo limite. Esta descoberta era contrária ao pensamento da época, onde se assumia que as estrelas acabavam as suas vidas como anãs brancas.
Observações: Lua no nodo descendente (longitude eclíptica 214.3º).

Dia 22/08: 235º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 2001 morre Sir Fred Hoyle. Astrónomo britânico, fundador do Instituto de Astronomia de Cambridge. É mais conhecido pelas suas contribuições ao conhecimento da evolução do Universo. É da sua autoria o termo "Big Bang", embora disputasse a teoria. Juntamente com Chandra Wickramasinghe, propôs a teoria do "Estado Estacionário" e foi pioneiro da "Teoria da Panspermia". Professor honorário no Centro Cardiff para a Astrobiologia.

Dia 23/08: 236º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2001 um fogo matinal causou danos na ordem dos 2.5 milhões de dólares no Planetário Bishop em Brandenton, Flórida.
Observações: Lua em Quarto Crescente, 11:12 (não visível em Portugal). A seguir à Lua Cheia, esta fase é a mais apetecida e facilmente observada. É visível, alta no céu a Sul, ao pôr-do-Sol. Esta Lua domina o céu nocturno até cerca da meia-noite, quando se põe. Ao pôr-do-Sol, o primeiro Quarto de Lua tem a forma de um "D", situando-se a Sul. À medida que a noite avança, move-se para Oeste, desce no céu, e inclina-se para o horizonte. Nas noites seguintes afasta-se para Este e está um pouco maior até que nasce ao pôr-do-Sol e se encontra Cheia mais ou menos uma semana depois.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Alguns dos mais poderosos terramotos que "abalaram" a Terra foram situados perto de Memphis, EUA, entre 1811 e 1812. Um deles foi tão violento que fez com que o rio Mississipi (alegadamente) corresse em sentido contrário durante alguns minutos.
 
 
 
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Compilado por: Miguel Montes e Alexandre Costa
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