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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 525
De 17/04 a 19/04/2009
 
 
 

Dia 17/04: 107.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, após dias de aflição, a Apollo 13 regressava a salvo à Terra.

Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 14:36.
Aproveite a noite para tentar observar o Cometa Yi-SWAN, perto de Cassiopeia.

Dia 18/04: 108.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Antes do amanhecer, Vénus passa a 6º de Marte, ambos baixos a Este.

Dia 19/04: 109.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Antes do amanhecer, a Lua situa-se a menos de 4º do planeta Júpiter (a Sudeste).

 
 
 
Europa é um satélite cuja superfície é feita de gelo e em que por baixo contém água líquida, o que faz com que muitos dos que acreditam em vida no Sistema Solar para além da Terra pensem que poderá ser um bom planeta para procurar vida. No entanto, a Terra é o único planeta onde ocorrem condições próximas do ponto triplo da água, isto é, existe água nos estados sólido, líquido e gasoso. Será isto importante?
 
 
 
AIA 2009
 
 
  ANO INTERNACIONAL DA ASTRONOMIA - DIA DOS MONUMENTOS E SÍTIOS  
 

O Ano Internacional da Astronomia estará presente dia 18 de Abril na celebração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, evento criado pelo Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios e aprovado pela UNESCO.

Em Portugal, a organização do evento está a cargo da IGESPAR - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. O tema escolhido este ano foi "Património e Ciência", com o objectivo de promover momentos de interactividade entre a ciência e tecnologia e de salientar a sua importância para a preservação do nosso património cultural. Para assinalar essa colaboração, haverá um conjunto de actividades astronómicas em alguns dos monumentos portugueses mais emblemáticos. Permitimo-nos destacar:

Panteão Nacional
20h30: Palestra com André Moitinho de Almeida, investigador no Laboratório de Sistemas, Instrumentação e Modelação em Ciências e Tecnologias do Ambiente e do Espaço (SIM/ FCUL), subordinada ao tema "A Via Láctea e o lugar da Terra no Universo", no coro alto do Panteão Nacional.
Marcação prévia
Entrada gratuita
21h30: Observações astronómicas nocturnas promovidas pelo NUCLIO - Núcleo Interactivo de Astronomia, no terraço do Panteão Nacional.
Entrada Livre

Mosteiro dos Jerónimos
Observações astronómicas nocturnas promovidas pela Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores (APAA) frente à porta principal do Mosteiro dos Jerónimos.
Participação livre

Mosteiro de Alcobaça
21h00: Visita guiada nocturna do Mosteiro e Observações astronómicas nocturnas promovidas pela empresa "Via Láctea" a partir do relógio de Sol do Mosteiro.
Entrada livre com marcação prévia

Marina de Lagos
14h00-17h00: O uso do astrolábio e do quadrante a bordo das caravelas - Visita à Caravela Boa Esperança
Entrada livre com marcação prévia

Castelo de Silves
21h00: Percurso Astronomia e História: visitas guiadas nocturnas aos Monumentos, Museu, Igrejas e Castelo. A observação astronómica será no Castelo, promovido pelo Centro Ciência Viva do Algarve
Entrada livre

Mais informações sobre o evento em: http://www.igespar.pt/DIMS/

Links:

IGESPAR - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico:
Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

Ano Internacional da Astronomia:
AIA2009 (Portugal)
AIA 2009 (Página UNESCO/IAU)

 
     
 
 
  ESPECTÁCULO DE LUZ, PELO BURACO NEGRO SUPERMASSIVO DE M87  
 

Um jacto de matéria libertado por um monstruoso buraco negro está a proporcionar aos astrónomos um incrível especáculo de luz.

Esta explosão é oriunda de uma bolha de matéria, denominada HST-1, embebida no jacto, um poderoso mas estreito jacto de gás quente produzido por um buraco negro supermassivo que reside no núcleo da gigante galáxia elíptica M87. O HST-1 é tão brilhante que até ultrapassa o brilho do núcleo de M87, cujo monstruoso buraco negro é um dos mais massivos já descobertos.

O amontoado gasoso e brilhante tem deixado os astrónomos boquiabertos. Os astrónomos observaram o HST-1 aumentar gradualmente de brilho durante vários anos, depois diminuir, e seguidamente aumentar outra vez. Dizem que é difícil prever o que irá acontecer posteriormente.

Nestas imagens do Hubble, o núcleo de M87 encontra-se mais para baixo e para a esquerda do centro. O HST-1 é a região brilhante mesmo ao centro. O brilhante material no canto direito é parte da corrente de partículas no jacto que aumentam de velocidade e brilham no ultravioleta. As imagens mostram o jacto aumentar de brilho ao longo de sete anos.
Crédito: NASA, ESA e J. Madrid (Universidade McMaster)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Telescópio Espacial Hubble da NASA segue esta surpreendente actividade há já sete anos, fornecendo a visão ultravioleta mais detalhada do evento. Outros telescópios têm estudado o HST-1 noutros comprimentos de onda, incluíndo no rádio e em raios-X. O Observatório de raios-X, Chandra, foi o primeiro a registar o aumento de brilho no ano 2000. O HST-1 foi descoberto por astrónomos do Hubble em 1999. O nó gasoso está a 214 anos-luz do núcleo galáctico.

Este aumento de brilho pode fornecer novos dados sobre a variabilidade dos jactos dos buracos negros em galáxias distantes, que são difícieis de estudar porque encontram-se demasiado longe. M87 está a 54 milhões de anos-luz no enxame de Virgem, a região do Universo vizinho com a maior densidade de galáxias.

"Eu não esperava que o jacto em M87 ou qualquer outro alimentado pela acreção de um buraco negro aumentasse de brilho desta maneira," diz Juan Madrid, astrónomo da Universidade McMaster em Hamilton, Ontario, que conduziu o estudo do Hubble. "Aumentou de brilho 90 vezes. Mas a questão é, isto acontece a todos os jactos ou núcleos activos, ou estamos a ver alguma espécie de estranho comportamento de M87?"

O Hubble proporciona aos astrónomos uma visão única, perto do ultravioleta, do brilhante jacto, visão esta que não pode ser obtida com telescópios terrestres. "A incrível visão do Hubble permite-nos resolver o HST-1 e separá-lo do buraco negro," explica Madrid.

Apesar das muitas observações do Hubble e de outros telescópios, os astrónomos não sabem ainda o que provoca este aumento de brilho. Uma das explicações mais simples afirma que o jacto está a atingir uma corrente de poeira ou uma nuvem de gás, que brilha devido à colisão. Outra possibilidade é que as linhas do campo magnético do jacto são apertadas, libertando uma imensa quantidade de energia. Este fenómeno é parecido com as proeminências solares expelidas pelo Sol e é até o mesmo mecanismo que cria as auroras da Terra.

O jacto de gás em M87.
Crédito: NASA, ESA e J. Madrid (Universidade McMaster)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O disco em torno de um buraco negro de rápida rotação tem linhas do campo magnético que capturam gás ionizado caíndo na direcção do buraco negro. Estas partículas, com a radiação, são libertadas a alta velocidade na direcção oposta à do buraco negro, ao longo das linhas do campo magnético. A energia rotacional do disco de acreção acrescenta momento ao jacto expelido.

Madrid recolheu sete anos de imagens do jacto no arquivo do Hubble para estudar mudanças no comportamento do HST-1 com o passar do tempo. Algumas das imagens foram obtidas em programas que estudaram a galáxia, mas não o jacto.

Ele descobriu dados do instrumento STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) que mostravam um notável aumento de brilho entre 1999 e 2001. Em imagens de 2002 a 2005, o HST-1 continuou a aumentar gradualmente de brilho. Em 2003, o nó do jacto era mais brilhante que o núcleo luminoso de M87. Em Maio de 2005 o HST-1 tornou-se 90 vezes mais brilhante do que era em 1999. Após Maio de 2005 começou a diminuir de brilho, mas intensificou-se novamente em Novembro de 2006. Esta segunda explosão de brilho foi mais ténue que a primeira.

"Ao observar o jacto durante vários anos, fui capaz de seguir o brilho e ver a sua evolução no tempo," afirma Madrid. "Temos sorte em ter telescópios como o Hubble e o Chandra, porque sem eles conseguiríamos ver o aumento de brilho no núcleo de M87, mas não íamos conseguir ver de onde vinha."

Madrid espera que as observações futuras de HST-1 revelem a causa da misteriosa actividade. "Esperamos que as observações proporcionem algumas teorias que nos possam explicar o mecanismo que provoca este aumento de brilho. Os astrónomos gostariam de saber se esta é uma instabilidade instrínseca do jacto quando é expelido do buraco negro, ou se é outra coisa."

Os resultados do estudo estão publicados na edição de Abril de 2009 do Astronomical Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
HubbleSite (comunicado de imprensa)
Artigo no Astronomical Journal (requer subscrição)
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
Science Daily
PHYSORG.com
Wired
Softpedia

M87:
Wikipedia
SEDS.org

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
STScI
Wikipedia

Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
     
 
 
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  Sombras denticuladas podem indicar partículas anulares de Saturno - Crédito: NASA, JPL, Space Science Institute  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

O que provoca estas sombras denticuladas nos anéis de Saturno? Ninguém tem a certeza. À medida que Saturno se aproxima do equinócio, os seus anéis mostram cada vez mais apenas o seu fino limite para a Terra e o Sol. Como resultado, as luas de Saturno agora regularmente provocam longas sombras nos anéis. Um exemplo disto é a longa sombra vertical de Mimas vista na imagem acima. A série de sombras mais pequenas que correm diagonalmente, no entanto, são mais incomuns. Há centenas de anos que se sabe que os anéis de Saturno são feitos de partículas, mas estas partículas até agora escaparam à captura fotográfica directa. É por isso particularmente interessante uma hipótese preliminar, dizendo que estas sombras são silhuetas de grupos transientes de partículas anulares temporariamente agregadas pela sua própria gravidade. O trabalho irá sem dúvida continuar no futuro, à medida que a sonda robótica Cassini, em órbita de Saturno (a mesma que obteve esta imagem), continua a fotografar os magníficos anéis durante o equinócio de Saturno no próximo mês de Agosto.

 


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