NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 53
24 de Agosto de 2004
ASTERÓIDE RASPA PELA TERRA

No Domingo passado, astrónomos anunciaram a mais próxima passagem de um asteróide pela Terra sem bater na atmosfera.


Impressão de artista de um asteróide perto da Terra.
Crédito: Dan Durda

O objecto previamente desconhecido, com um diâmetro entre 5 e 10 metros, foi nomeado 2004 FU162. Passou pelo céu a apenas 6500 quilómetros - aproximadamente o raio da Terra - acima da superfície no dia 31 de Março. Os detalhes de tal passagem só agora emergiram.

O telescópio caçador de asteróides LINEAR do Laboratório Lincoln do MIT em Socorro, Novo México, EUA, observou o novo objecto 4 vezes num período de 44 minutos, algumas horas antes da sua maior aproximação em Março.


Telescópio LINEAR (GTS-2)
Crédito: MIT
(clique na imagem para ver versão maior)

Os astrónomos de Lincoln, que já descobriram mais de 40,000 asteróides e cometas desde 1980, rapidamente se aperceberam que o objecto passou excepcionalmente perto, e anunciaram a sua descoberta num website dirigido pelo Centro de Planetas Menores no Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.

No entanto, pela altura que o objecto foi enumerado, já se tinha movido para o céu diurno, por isso observações posteriores eram impossíveis e foi rapidamente removido da lista. Uma pesquisa por observações anteriores não deu resultados.

Embora tivesse apenas 4 posições para o objecto, Steven Chesley do JPL da NASA foi capaz de calcular a sua órbita devido à rapidez com que se movia no céu.

Também calculou que o encontro com a Terra mudaria a órbita do asteróide para uma outra mais próxima do Sol. Previamente orbitando este último uma vez por ano numa órbita que tanto se situava dentro ou fora da órbita da Terra, 2004 FU162 tem agora uma órbita de nove meses centrada mais perto de Vénus do que no nosso planeta. O Centro de Planetas Menores publicou os resultados de Chesley no passado Domingo no seu boletim electrónico.

"Este foi um extraordinário 'encontro imediato' que fez uma extraordinária mudança orbital. 2004 FU162 foi deflectido cerca de 20 graus devido à gravidade da Terra. Nunca tinha visto nada assim," disse Chesley.

O recorde prévio para a aproximação máxima de um asteróide pela Terra foi estabelecido a 18 de Março por um objecto chamado 2004 FH que falhou a Terra por apenas 40,000 quilómetros (notícia publicada no Astroboletim n.º 8 de 23 de Março).

Esse foi um objecto maior, com aproximadamente 30 metros em diâmetro - grande o suficiente para produzir uma explosão de 1 megatonelada na atmosfera, embora fosse provável que explodisse tão alto que a energia se dissipasse sem danos alguns. O mais pequeno 2004 FU162 teria ardido como uma bola de fogo, acabando a sua vida numa pequena explosão, caso se tivesse aventurado pela atmosfera da Terra.

Links:

Asteróide 2004 FU162:
http://neo.jpl.nasa.gov/cgi-bin/db_shm?sstr=2004+FU162&group=all&search=Search

Asteróide 2004 FH:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/astro_news/asteroide_040323.htm

NASA:
http://www.nasa.gov

JPL:
http://www.jpl.nasa.gov

Projecto LINEAR:
http://www.ll.mit.edu/LINEAR/

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     
 
Postal de Marte - Crédito: Mars Exploration Rover Mission, JPL, NASA
Como será a sensação de escalar uma montanha e observar Marte do seu cume? Tal oportunidade foi dada ao «rover» Spirit que no princípio deste mês tirou esta imagem à medida que seguia o seu percurso de subir os montes Columbia. O robot avistou as planícies interiores e os distantes limites da cratera Gusev, para lá de um conjunto de rochas chamado Longhorn. A Spirit continua a encontrar provas de que muitas formas rochosas foram alteradas por água no seu passado. Os dois «rovers» completaram a sua missão principal de três meses mas permanecem em bom estado, o suficiente para continuar a explorar Marte.
Ver imagem em alta-resolução
     
 

De 1 de Julho a 15 de Setembro, todas as noites excepto às Segundas, entre as 21:00 e as 23:00, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 24/08: 237º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1966 era lançada a sonda Luna 11, missão soviética com o objectivo de estudar a composição química da Lua e suas anomalias gravitacionais.

Dia 25/08: 238º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1981, voo rasante de Saturno pela sonda Voyager 2.
Em 1989, voo rasante de Neptuno pela sonda Voyager 2.
Em 2000, a revista Science publica descobertas do magnetómetro da sonda Galileu que indicam as provas mais fortes de um oceano líquido de água salgada por baixo da superfície gelada de Europa, uma das luas de Júpiter.
Também em 2000, o Hubble investiga as anãs castanhas galácticas. Usando a câmara NICMOS, o Hubble revela a baixa energia das anãs castanhas, estrelas que não têm massa suficiente para começar a fusão nuclear.
Observações: Aproveite a noite para observar os planetas Vénus e Saturno bem perto um do outro (na constelação de Gémeos), algum tempo antes do nascer-do-Sol.

Dia 26/08: 239º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1999 são registadas as primeiras imagens de calibração do telescópio de raios-X mais poderoso do mundo, o Observatório Chandra da NASA. Estas incluem os espectaculares restos de uma supernova, Cassiopeia A, que explodiu há 300 anos atrás, uma concha de gás quente com 10 anos-luz de diâmetro e temperaturas de 50 milhões de graus, com um ponto de luz que pode ser uma estrela de neutrões ou um buraco negro no centro de uma explosão estelar. Outra imagem que fascinou os observadores foi o grande jacto energético do quasar PKS 0637-752 a 6 mil milhões de anos-luz. O Chandra continuou com as suas calibrações nas semanas seguintes.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Se pudéssemos viajar numa nave espacial a uma velocidade de 50,000 quilómetros por hora, levaríamos 88,000 anos a chegar à estrela mais próxima do Sol, Proxima de Centauro.
 
 
 
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