E-mail em HTML com imagens e propriedades CSS. Caso não o consiga visualizar correctamente, clique aqui.
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Página PrincipalRSS Sindicação RSSRemover da lista

ASTROBOLETIM N.º 554
De 26/06 a 28/06/2009
 
 
 

Dia 26/06: 177.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1730 nascia Charles Messier.

Conhecido caçador de cometas francês, que catalogou mais ou menos 100 nebulosas brilhantes e enxames estelares conhecidos hoje em dia pelos seus números M, porque confundia estes objectos estacionários com possíveis novos cometas, que era na realidade o que ele andava à procura.
Em 1949 foi descoberto o asteróide Ícaro, a partir de um telescópio de 48 polegadas, que entrou em funcionamento nove meses antes. Descobriu-se que o asteróide tem uma órbita acentuadamente excêntrica e uma distância perial de apenas 27 milhões e 358 mil quilómetros, mais próximo do Sol que Mercúrio (daí o seu nome). Estava apenas a 6 milhões e 500 mil quilómetros da Terra na altura da sua descoberta.
Observações: A Lua encontra-se para baixo e para a esquerda de Régulo ao anoitecer.

Dia 27/06: 178.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Esta noite, é a vez de Saturno se encontrar para cima e para a direita da Lua ao anoitecer.
Titã encontra-se na sua maior elongação a Este de Saturno.

Dia 28/06: 179.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1911, rochas do meteorito Nakhla caíram na Terra, perto de Alexandria, Egipto.

Descobriu-se mais tarde que estas 40 pedras vieram de Marte. A origem das rochas que caíram para a Terra pode ser determinada através da sua análise química. As rochas marcianas têm uma composição semelhante.
Observações: Pôr-do-Sol mais tardio do ano (se estiver perto de latitudes 40º Norte).

 
 
 
O astronauta veterano Buzz Aldrin juntou-se a Snoop Dogg para uma música Hip-hop. Não acredita? Veja.
 
 
 
AIA 2009
 
 
  DESCOBERTA DE SAIS PELA CASSINI APONTA PARA OCEANO POR BAIXO DE ENCELADO  
 

Pela primeira vez, cientistas da missão Cassini da NASA detectaram sais de sódio em grãos de gelo do anel mais exterior de Saturno. A detecção de gelo salgado indica que a lua de Saturno, Encelado, que recarrega principalmente o anel com material a partir de jactos, pode albergar um reservatório de água líquida -- talvez um oceano -- por baixo da sua superfície.

A Cassini descobriu os jactos de água gelada de Encelado em 2005. Estes jactos expelem pequenos grãos de gelo e vapor, alguns dos quais escapam à gravidade da lua e formam o anel mais exterior de Saturno. O instrumento da Cassini que analisa poeira cósmica, estudou a composição desses grãos e descobriu aí sais.

"Nós acreditamos que os minerais salgados do interior de Encelado foram libertados de rochas por baixo de uma camada líquida," disse Frank Postberg, cientista da Cassini que trabalha com o instrumento de análise de poeira cósmica, do Instituto Max Planck para Física Nuclear em Heidelberg, Alemanha. Postberg é o autor principal de um estudo que aparece na edição de 25 de Junho da revista Nature.

Os cientistas na equipa do detector de poeira cósmica da Cassini concluem que deverá existir água líquida porque é a única maneira de dissolver as grandes quantidades de minerais que explicam os níveis de sais detectados. O processo de sublimação, o mecanismo pelo qual o vapor é directamente libertado a partir de gelo sólido na crosta, não pode explicar a presença de sal.

Os cientistas da Cassini usaram imagens como esta para ajudá-los a identificar os locais de libertação dos jactos individuais que libertam partículas de gelo, vapor de água e traços de compostos orgânicos a partir da superfície da lua de Saturno, Encelado.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"As potenciais fontes das plumas em Encelado são uma área activa de pesquisa com provas que continuam a convergir para a existência de um oceano de água salgada," disse Linda Spilker, cientista do projecto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "A nossa próxima oportunidade para recolher dados em Encelado terá lugar durante dois voos rasantes em Novembro."

A composição dos grãos do anel exterior, determinada através do estudo dos milhares de partículas a alta-velocidade pela Cassini, providencia informações indirectas acerca da composição do material da pluma e do que está dentro de Encelado. As partículas do anel exterior são quase de água gelada pura, mas de todas as vezes que o instrumento de análise de poeira estudou esta composição, detectou pelo menos uma pouca quantidade de sódio nas partículas.

"As nossas medições implicam que além deste sal, os grãos contenham carbonatos. Ambos os componentes estão em concentrações que coincidem com a composição prevista de um oceano em Encelado," disse Postberg. "Os carbonatos também providenciam um pH ligeiramente alcalino. Se a fonte líquida é um oceano, poderá fornecer um ambiente saudável em Encelado para a formação dos percursores da vida quando em conjunto com o calor medido perto do pólo sul da lua e com os compostos orgânicos descobertos nas plumas."

Estas ilustrações indicam várias maneiras possíveis nas quais o vapor de água e as partículas de gelo na pluma de Encelado de podem formar.
Crédito: NASA/JPL/SWRI/Universidade do Colorado
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No entanto, noutro estudo publicado na Nature, investigadores fazendo observações terrestres não descobriram sódio, um importante componente do sal. A equipa nota que a quantidade de sódio expelido por Encelado é na realidade menos que o observado em torno de muitos outros corpos planetários. Estes cientistas procuravam sódio na pluma de vapor e não a conseguiram detectar nos grãos de gelo expelidos. Eles afirmam que se a pluma de vapor vem realmente de um oceano de água, a evaporação deverá acontecer lentamente e ainda em zonas subterrâneas, ao invés de um geyser violento que é libertado para o espaço.

"A descoberta de sais na pluma é a primeira evidência de água líquida por baixo da superfície," disse Sascha Kempf, também cientista da Cassini, que trabalha no instrumento de análise de poeira cósmica no Instituto Max Planck para Física Nuclear. "A falta de detecção de vapor de sódio na pluma dá pistas acerca de como poderá ser o reservatório de água."

A determinação da natureza e da origem do material da pluma é uma prioridade para a Cassini durante a sua missão prolongada, denominada Missão Equinócio.

"A imagem original das plumas, como violentos geysers que entram em erupção, está a mudar," disse Postber. "Parecem ser jactos mais estáveis, de vapor e de gelo, alimentados por um grande reservatório de água. No entanto, não conseguimos por enquanto determinar se a água está actualmente 'presa' dentro de grandes bolsas na espessa crosta gelada de Encelado, ou se está ligada a um grande oceano em contacto com o núcleo rochoso."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Universidade do Colorado (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
EurekAlert!
Science
Sky & Telescope
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
PHYSORG.com
COSMOS
Discover
Science Daily
Wired
MSNBC
National Geographic
AFP

Encelado:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
     
 
 
  CIÊNCIA DO VAIVÉM ESPACIAL MOSTRA COMO EVENTO DE TUNGUSKA FOI PROVOCADO POR UM COMETA  
 

De acordo com um novo estudo da Universidade de Cornell, a misteriosa explosão de Tunguska, em 1908, que nivelou 2150 quilómetros quadrados de floresta siberiana, foi quase de certeza provocada pela entrada de um cometa na nossa atmosfera. A conclusão é suportada por uma fonte improvável: a pluma de escape de um vaivém espacial da NASA lançado um século depois.

A pesquisa, aceite para publicação (25 de Junho de 2009) pela revista Geophysical Research Letters, publicada pela União Geofísica Americana, liga os dois eventos pelo que se seguiu um dia depois: nuvens brilhantes, visíveis à noite, ou nuvens noctilucentes, constituídas por partículas de gelo que apenas se formam a grande altitude e com temperaturas extremamente frias.

"É quase como montar o mistério de um assassinato com 100 anos," disse Michael Kelley, professor de Engenharia da Universidade de Cornell, que liderou a equipa de pesquisa. "As evidências são muito fortes, de que a Terra foi atingida por um cometa em 1908." As especulações anteriores variavam entre cometas e meteoros.


O impacto de Tunguska. Se tivesse atingido uma área habitada, teria sido uma catástrofe sem precedentes.
Crédito: Professor Leonid Kulik
 

Os investigadores afirmam que a massiva quantidade de vapor de água libertado para a atmosfera pelo núcleo gelado do cometa foi apanhado por gigantescos turbilhões com uma energia tremenda, num processo denominado turbulência bi-dimensional, que explica a formação de nuvens noctilucentes um dia depois a milhares de quilómetros de distância.

As nuvens noctilucentes são as nuvens mais altas do planeta Terra, formando-se naturalmente na mesosfera a quase 90 km por cima das regiões polares durante os meses de Verão, quando a mesosfera tem uma temperatura de aproximadamente -117 graus Celsius.

A pluma de escape do vaivém espacial, dizem os investigadores, parece-se com a acção do cometa.

Um único voo do vaivém espacial injecta cerca de 300 toneladas de vapor de água na termosfera da Terra, e sabe-se que as partículas de água viajam até às regiões do Ártico e da Antártida, onde formam as nuvens após se estabelecerem na mesosfera.

Kelley e seus colaboradores viram o fenómeno de nuvens noctilucentes dias após o vaivém espacial Endeavour (STS-118) ter sido lançado a 8 de Agosto de 2007. Formações de nuvens similares já foram observadas após os lançamentos em 1997 e em 2003.

A seguir à explosão de 1908, conhecido como o Evento de Tunguska, os céus nocturnos brilharam por vários dias pela Europa, particularmente pela Grã-Bretanha -- a quase 5000 km de distância.

Nuvens noctilucentes fotografadas pela tripulação da ISS.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Kelley disse que ficou intrigado pelos testemunhos históricos do que se passou depois, e concluíu que os céus brilhantes deveriam ter sido o resultado de nuvens noctilucentes. O cometa deverá ter começado a fragmentar-se praticamente à mesma altitude da libertação da pluma de escape do vaivém espacial após o lançamento. Em ambos os casos, o vapor de água foi injectado na atmosfera.

Os cientistas tentaram determinar como é que este vapor de água viajou para tão longe sem se espalhar e difundir, como a física convencional prevê.

"Existe um certo tipo de transporte deste material durante dezenas de milhares de quilómetros num curto espaço de tempo, e não há nenhum modelo que o preveja," afirma Kelley. "É uma física totalmente nova e inesperada."

Esta "nova" física, dizem os cientistas, está relacionada com turbilhões que giram na direcção contrária à dos ponteiros do relógio e com muita energia. Uma vez que o vapor de água foi capturado nestes redemoínhos, a água viajou muito depressa -- quase 100 metros por segundo.

Os cientistas há muito que tentam estudar a estrutura do vento nestas regiões superiores da atmosfera, o que é difícil de fazer com meios tradicionais como foguetões, balões ou satélites, explica Charlie Seyler, professor de engenharia eléctrica e electrónica da Universidade de Cornell, e co-autor do artigo.

"As nossas observações mostram que o conhecimento actual da região da termosfera e da mesosfera-inferior é muito pobre," disse Seyler. A termosfera é a camada da atmosfera por cima da mesosfera.

Links:

Notícias relacionadas:
Geophysical Research Letter (requer subscrição)
Universe Today
PHYSORG.com

Evento de Tunguska:
Wikipedia
Amostra de um programa do Canal História sobre Tunguska (YouTube)
Universidade de Bolonha

Nuvens noctilucentes:
Wikipedia

 
     
 
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Revelados segredos de borrões espaciais (via Chandra)
A idade adulta das galáxias e dos buracos negros foi determinada, graças a novos dados do Observatório de Raios-X Chandra da NASA e a outros observatórios. Esta descoberta ajuda a resolver a verdadeira natureza dos gigantescos borrões de gás observados em torno de galáxias muito jovens [Ler fonte]

 
     
 
     
  Pico do Vulcão Sarychev em Erupção - Crédito: Tripulação da Expedição 20 - Estação Espacial Internacional, NASA; Imagem estéreo: Patrick Vantuyne  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

400 quilómetros por cima do planeta Terra, a tripulação da Expedição 20 a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) conseguiu testemunhar um espectacular evento a partir de um esplêndido local -- a erupção de 12 de Junho do Vulcão Sarychev. O vulcão activo está localizado no arquipélago Kuril da Rússia, estendendo-se até ao Nordeste do Japão. Esta perspectiva orbital e em estéreo foi obtida combinando duas imagens da ISS e pretende-se que seja observada com óculos vermelhos/azuis (vermelho para o olho esquerdo). Subindo pela atmosfera num estágio inicial da erução, a pluma vulcânica contém uma característica coluna castanha de cinza e uma nuvem esbranquiçada macia, tipo-bolha, que é provavelmente condensação de água. Por baixo, uma nuvem mais densa de cinza cinzenta desliza pela encosta vulcânica. Cerca de quilómetro e meio da linha costeira da ilha é visível ao nível do mar. A pluma de cinza não representa nenhum perigo para a tripulação da Expedição 20, mas os voos comerciais foram desviados da região para minimizar o perigo de falhas de motores devido a recolhas de cinza.

 


Centro Ciência Viva do Algarve
Arquivo de Astroboletins Observações Astronómicas Fórum de discussão CCVAlg.pt