NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 56
7 de Setembro de 2004
FÉRIAS ESPACIAIS NO HORIZONTE



O turismo espacial era apenas possível nos filmes. No entanto, este é um caso em que a ficção vira realidade.
Crédito: "2001: A Space Odyssey" Exhibit, Jean Marc Deschamp

A 21 de Junho de 2004, acima do deserto Mojave, a SpaceShipOne torna-se na primeira nave tripulada completamente financiada por privados a chegar ao espaço (notícia publicada no Astroboletim n.º 35 de 22 de Junho de 2004.

Com aquele voo, o monopólio dos voos espaciais foi quebrado, prevendo uma era de viagens sub-orbitais, em que poderão florescer os destinos orbitais e hotéis espaciais. Mas será que existe procura suficiente para suportar o voo espacial comercial?

Talvez. De acordo com um estudo de 2002, corajosamente prevê que não menos de 12,000 pessoas por ano sejam turistas sub-orbitais lá para 2020. Embora o voo da SpaceShipOne tenha tido lugar bem depois do estudo, não muda nenhuma das suas suposições básicas. Este apenas se refere a Americanos ricos, ansiosos de experimentar o ambiente sem peso e ver a curvatura da Terra do espaço. Assumiu-se que a concorrência iria fazer baixar os preços de uns 100,000 dólares iniciais para 50,000 em 2021.

Já há depósitos substanciais de turistas espaciais futuros para os primeiros voos. O dinheiro está indo para companhias como a que lançou a SpaceShipOne (Scaled Composites), competindo pelo prémio Ansari X de 10 milhões de dólares, a ser atribuído à primeira nave sub-orbital viável e reutilizável. Um dos que espera por uma destas viagens comerciais é o investidor bancário Dinamarquês a residir em Londres Per Wimmer, para quem o espaço é a expansão lógica do seu interesse nas viagens de aventura. Quando um dos seus amigos lhe disse que podia fazer uma reserva para um voo sub-orbital, não hesitou, embora na altura não existisse nenhuma nave comercial sub-orbital. "Foi mesmo excitante saber que isto poderia ser possível," diz Wimmer. E quando tiver feito o seu voo sub-orbital, o próximo passo é passar férias em órbita.

Há quem pense que não irá ter que esperar muito. Jim Benson, o construtor do motor da SpaceShipOne diz que naves bem mais poderosas poderão seguir-se aos veículos sub-orbitais tão cedo como 2008.

Desafios a serem ultrapassados: a SpaceShipOne foi para sub-órbita a uma velocidade de Mach 3. Para ficar em órbita serão precisos motores capazes de atingir Mach 25.

Claro, os turistas precisam de boas instalações, e o hoteleiro de Las Vegas Robert Bigelow está pensando em proporcioná-las. Bigelow fez fortuna como dono das Suites Budget da cadeia de hotéis America, e está agora lançando um esforço de 500 milhões de dólares para expandir o seu negócio fora do planeta. Adaptado da TransHab, um projecto nunca usado da NASA de uma estação espacial insuflável com o nome Nautilus, irá providenciar 330 metros cúbicos de espaço para turistas espaciais ou pesquisadores industriais.


O Nautilus de Bigelow irá usar vários módulos insufláveis.
Crédito: Bigelow Aerospace

O casco insuflável de uma multicamada constituída por um polímero terá aproximadamente 30 centímetros de espessura e irá conter camadas de Kevlar - usado nos coletes à prova de bala - em ordem a dar protecção contra micrometeoritos e detrito espacial. Os engenheiros de Bigelow estão a testar a força de tecidos tecnológicos e protecção contra radiação que irá revestir o casco do Nautilus disparando contra eles projécteis a alta-velocidade. Também estão a testar a destruição da estação espacial sobreenchendo de ar os módulos. Estes Nautilus(s) podem flutuar como estações espaciais independentes ou ligadas por um mecanismo de modo fazer hotéis maiores. Bigelow vê na economia da escala uma das chaves para o lucro, e planeia vender hotéis espaciais a rivais por 100 milhões de dólares cada.

Parece tudo muito futurista, mas Bigelow aproxima as suas ideias espaciais metodicamente, tratando o hotel espacial como qualquer outro projecto. Testa os materiais de modo a segurar a qualidade e tentar coligar os melhores com os preços mais em conta, tal como em qualquer outro projecto de contrução terrestre. "Bom é bom," diz Bigelow, quer seja na Terra ou em órbita.

Se tudo correr bem com os testes orbitais com módulos a uma escala de 1/3, com lançamento previsto para o fim do próximo ano, Bigelow planeia lançar o seu primeiro Nautilus habitável em 2008, mais ou menos à mesma altura que se espera que começem os primeiros voos orbitais.

O voo espacial sempre maravilhou aqueles que esperam alcançar o impossível. Só o tempo irá dizer se têm razão.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/astro_news/spaceshipone_040622.htm
http://www.space.com/news/businessmonday_040524.html

Ansari X Prize:
http://www.scaled.com/projects/tierone/
http://web1-xprize.primary.net/press_room/press_releases/press.php?presstitle=20040727

Bigelow Aerospace:
http://www.bigelowaerospace.com/

Turismo espacial:
http://www.spacefuture.com/tourism/tourism.shtml
http://science.howstuffworks.com/space-tourism.htm
http://www.spaceadventures.com/intro
http://www.space.com/spacetourism/
http://www.spacetourismsociety.org/

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     
 
O espectro de um meteoro - Crédito: P. Jenniskens (SETI Inst.), E. Jehin (ESO) et al., FORS1/VLT, ESO
Perseguir o breve flash de uma cauda de um meteoro através do céu com um grande telescópio é uma tarefa quase impossível. Mas no dia 12 de Maio de 2002, os astrónomos tiveram muita sorte, pois um brilhante meteoro passou pela estreita banda do seu espectógrafo do Observatório Paranal. Nessa altura, estava a ser utilizado para estudar a luz de uma supernova, separando e registando as muitas linhas de emissão perto do infravermelho produzidas pelos átomos na distante explosão estelar. Por baixo desta montagem artística do rasto de um meteoro e das unidades do VLT em Paranal, o painel A mostra o espectro perto do infravermelho do céu de fundo combinado com o do meteoro de 12 de Maio. O painel B mostra o espectro de emissão apenas do meteoro, depois de subtrair as contribuições de fundo. A emissão do meteoro é devida aos átomos e moléculas de oxigénio e nitrogénio presentes no ar superaquecido ao longo do brilhante rasto a uma altitude de aproximadamente 100 quilómetros.
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De 1 de Julho a 15 de Setembro, todas as noites excepto às Segundas, entre as 21:00 e as 23:00, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 07/09: 251º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1997 foi descoberta a primeira lua irregular de Urano, Caliban, por Brett J. Galdman (Instituto Canadiano para a Astrofísica Teórica), Philip D. Nicholson (Universidade de Cornell), Joseph A. Burns (Universidade de Cornell) e JJ Kavelaars (Universidade McMaster). Estavam usando o telescópio Hale de 5 metros do monte Palomar. Urano tem 16 luas regulares.

Dia 08/09: 252º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966 estreia a série televisiva "Star Trek", inspirando o interesse de uma geração pelo espaço, astronomia, tecnologia, efeitos especiais e sistemas sociais alternativos.
Observações: O pólo Norte do Sol está na sua maior inclinação em direcção à Terra: 7.25º.

Dia 09/09: 253º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1789 nasce William Cranch Bond em Portland, Maine. Em 1839 Bond torna-se no primeiro director do Observatório de Harvard (1839-59). Equipou-o às suas custas e trabalhou sem salário. Pioneiro na fotografia celeste, descobriu o sétimo satélite de Saturno, Hyperion, em conjunto com o seu filho George. Em 1850 observaram o anel interior de Saturno. No mesmo ano, foi feito o primeiro daguerreótipo de uma estrela, a brilhante Vega, por J.A. Whipple trabalhando com W.C. Bond, seguindo-se vários anos de experiências usando telescópios mais pequenos.
Em 1892 o astrónomo Edward Emerson Barnard do Observatório Lick descobre o satélite mais interior de Júpiter, Amalteia.
Observações: Aproveite a noite para observar de binóculos a galáxia de Andrómeda (M31).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Os gases numa mancha solar estão cerca de 1,500º C mais frios que o resto do Sol.
 
 
 
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