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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 579
De 04/09 a 06/09/2009
 
 
 
 

Dia 04/09: 247.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Lua Cheia, pelas 17 horas.
Esta madrugada poder-se-á observar, apenas telescopicamente, a passagem da Grande Mancha Vermelha pelo lado observável da atmosfera de Júpiter.

Dia 05/09: 248.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977 arrancava o programa Voyager com o lançamento da sonda Voyager 1.

Em 1984, O Space Shuttle Discovery fazia o seu voo inaugural.
Observações: Mesmo após o anoitecer, Arcturo brilha a Oeste. Para a sua direita, a noroeste, encontra-se a Ursa Maior à mesma altura.

Dia 06/09: 249.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1899, era fundada a Sociedade Astronómica e Astrofísica da América, agora com o nome Sociedade Astronómica Americana.

Observações: Aproveite a noite para observar a mais bonita e brilhante galáxia espiral do céu, M31, a Grande Galáxia de Andrómeda.

 
 
 
Os gases numa mancha solar estão cerca de 1,500º C mais frios que o resto do Sol.
 
 
 
AIA 2009
 
 
  GÉMEA DA VIA LÁCTEA APANHADA A DESMEMBRAR VIZINHA  
 

Os nossos maiores vizinhos galácticos, a Galáxia de Andrómeda (M31) e a Galáxia do Triângulo (M33), parecem ter passado uma pela outra há cerca de 2,5 mil milhões de anos - e uma colisão ainda mais perigosa está para vir. As descobertas suportam a teoria que as grandes galáxias crescem pela assimilação de galáxias mais pequenas.

Já foram descobertos restos de canibalismo galáctico em volta da nossa própria Galáxia, sob a forma de correntes estelares, tranças estelares tipo-esparguete despedaçadas de galáxias anãs em órbita da nossa, quando se aproximaram demasiado perto.

Estas observações suportam o modelo "hierárquico" de formação galáctica, na qual as grandes galáxias se formam quando galáxias mais pequenas se fundem.

Mas como experiência desta teoria, a Via Láctea tem sido uma espécie de parede: não a podemos ver toda de uma só vez. "O problema com a Via Láctea é que estamos dentro da Via Láctea," diz Alan McConnachie do Instituto para Astrofísica NRC Herzberg em Victória, Canadá, autor principal do novo estudo.

Por isso os astrónomos apontam os seus instrumentos para fora, para a nossa quase-gémea, a Galáxia de Andrómeda. Fizeram o maior mapa das estrelas da galáxia usando o Telescópio do Canadá-França-Hawaii no Hawaii. O mapa cobre uma área de 500.000 anos-luz, desde o centro de Andrómeda, mais de 10 vezes a distância do nosso Sol ao centro da Via Láctea.

Imagem dos arredores da galáxia de Andrómeda e da galáxia do Triângulo, publicada na revista Nature.
Crédito: Pan-Andromeda Archaelogocial Survey
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mesmo nas partes mais remotas da galáxia, existem muitas estrelas brilhantes. Dado que a maioria do gás que forma estrelas está concentrado no centro da galáxia, estas estrelas provavelmente não nasceram aí - são provavelmente imigrantes de galáxias anãs, capturadas por Andrómeda.

O mapa também mostrou estrelas em correntes e aglomerados brilhantes que foram provavelmente capturados a partir de galáxias anãs, que orbitaram Andrómeda. Já se conheciam algumas destas, mas descobriram-se novas. Estas observações suportam o modelo hierárquico. "Dá novo alento a muitas das ideias da formação das galáxias," afirma McConnachie.

"Este é um estudo importante. Será muito valioso para os modelos de formação galáctica," diz Andrey Kravtsov da Universidade de Chicago. "Pode ser, por muito tempo, a melhor imagem que temos que prova a construção hierárquica das galáxias."

O estudo também mostra que o alcance de Andrómeda se prolonga mais do que o esperado. A galáxia do Triângulo é a 2.ª grande galáxia mais próxima da Via Láctea, e situa-se a cerca de 1 milhão de anos de Andrómeda. É grande e está longe o suficiente para não ser considerada com um mero satélite de Andrómeda - mas isso não a salva do voraz apetite da galáxia maior.

"A galáxia do Triângulo parece ter sido comida por Andrómeda," afirma McConnachie. "Esta descoberta era completamente inesperada."

O mapa mostra um longo tentáculo com um bilião de quilómetros, que se estende de Triângulo na direcção de Andrómeda - "exactamente o tipo de característica que esperávamos observar para uma galáxia sendo atraída por uma galáxia maior," disse McConnachie.

Projecção estroboscópica de uma simulação numérica em alta-resolução de uma possível órbita da galáxia do Triângulo em torno de Andrómeda, que reproduz muito dos detalhes observados nestas galáxias. Estas simulações sugerem que eventualmente M33 será devorada pela sua massiva vizinha, contribuindo para a constante formação da Galáxia de Andrómeda.
Crédito: Pan-Andromeda Archaelogocial Survey
 

Também revelou que ambos os discos estelares das galáxias foram distorcidos pelo seu encontro. As observações anteriores tinham descoberto que Triângulo se assemelhava a uma perfeita espiral se se observasse apenas as suas estrelas, mas o seu disco de hidrogénio gasoso estava extremamente distorcido. A discrepância entre o gás e as estrelas é um dos maiores mistérios da galáxia do Triângulo.

As novas observações mostram que o disco estelar está distorcido se observarmos estrelas muito mais ténues.

"Só quando observamos níveis muito, muito ténues de luz, é que realmente vemos a bagunça que também aconteceu às estrelas," diz McConnachie. "O que quer que causou a distorção do gás, também provocou a distorção das estrelas, e nós pensamos que poderá ter sido esta interacção com a Galáxia de Andrómeda."

Para descobrir quando e como se desenrolou este encontro galáctico, McConnachie e seus colegas correram simulações computacionais das suas possíveis trajectórias. A que encaixa melhor nas suas posições actuais indica que passaram uma pela outra, a uma distância de 130.000 anos-luz, há cerca de 2,5 mil milhões de anos.

Foi uma passagem bastante próxima, mas a galáxia do Triângulo emergiu quase sem feridas. "Não é gentil, mas de momento não é um processo violento," diz McConnachie.

Mas os modelos prevêm que se encontrem novamente daqui a 2 mil milhões de anos, e desta vez a galáxia do Triângulo não terá tanta sorte. "A próxima passagem sera bastante mais violenta. Passará muito mais perto de Andrómeda, e por isso sentirá um puxo gravitacional muito maior. O que sofreu até agora foi só uma espécie de aviso," conclui McConnachie.

Links:

Notícias relacionadas:
Pan-Andromeda Archaeological Survey
Nature (requer subscrição)
Universe Today
Cosmos
Science Centric
Discover
Scientific American
BBC News
Associated Press

Galáxia de Andrómeda:
Observe a Galáxia de Andrómeda (CCVAlg)
SEDS.org
Wikipedia

Galáxia do Triângulo:
SEDS.org
Wikipedia

 
     
 
 
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