NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 58
17 de Setembro de 2004
O MELHOR LOCAL PARA OBSERVAÇÃO NA TERRA



... É aqui...
Crédito: Michael Ashley

Um local alto, quase sem vento nenhum, na região central da planície antárctica, é o melhor local na Terra para observar as estrelas, de acordo com os primeiros resultados de um pequeno telescópio automatizado.

Esta descoberta sugere que o local pode ser uma opção melhor do que o espaço para os novos telescópios, desenhados para procurar vestígios de vida noutros planetas.

As imagens obtidas da estação astronómica de teste em Dome C, a 75º Sul, 123º E e 3260 metros acima do nível do mar, são três vezes mais definidas e seis vezes mais brilhantes que as dos melhores observatórios a latitudes médias, incluíndo os no Hawaii e no Chile. Nalgumas noites, as imagens eram tão boas como se do Telescópio Espacial Hubble se tratasse.

"Foi previsto há algum tempo que Dome C, em particular, poderia ser um lugar fantástico para observar as estrelas," diz Michael Ashley da Universidade Nova Gales do Sul, Austrália, um dos membros da equipa de pesquisa. "Mas fazer as medições foi muito trabalhoso. E no entanto, nunca ninguém lá esteve na altura em que o Sol se encontra para baixo do horizonte."

Os resultados são extremamente excitantes, diz James Lloyd, professor de astronomia na Universidade de Cornell, EUA. "Ultimamente, Dome C seria um local perfeito para um 'Extremely Large Telescope' (ELT), de 30 metros de diâmetro ou até maior," diz. "Mas até mesmo um telescópio com 2 metros de diâmetro seria capaz de registar imagens de qualidade comparável às do Hubble."

Os melhores locais para telescópios ópticos terrestres são aqueles que providenciam a menor quantidade de "oscilação" na posição aparente de uma estrela. Este "tremelicar", que é medido em arco-segundos, é causado pela turbulência atmosférica. Isto faz as estrelas cintilarem e desfoca as imagens dos astrónomos.

Imagem a latitude média
Imagem em Dome C
Imagem com um telescópio 2.5x maior a latitude média
(clique na imagem para ver versão maior)

A equipa australiana instalou um telescópio de 85 milímetros com o objectivo de vigiar 4 estrelas brilhantes entre Março e Maio de 2004. Os resultados, transmitidos via satélite, mostram que a média de oscilação estelar é 0.27 arco-segundos, comparada com os 0.5 até 1.0 arco-segundos dos melhores locais a latitudes médias. Em algumas noites, desceu até a uns ínfimos 0.07 arco-segundos.

A alta elevação de Dome C, o extremamente liso terreno à volta e as baixíssimas velocidades do vento, ajudam a explicar a falta de turbulência na atmosfera por cima do sítio e as condições excelentes para a observação "estelar".


Dome C, o melhor local na Terra para observação astronómica.
Crédito: E. Aristidi
(clique na imagem para versão maior)

O próximo passo é capitalizar esta descoberta, diz Ashley. Ele gostaria de ver construído em Dome C um telescópio óptico robótico de 2 metros em diâmetro o mais depressa possível. Este telescópio poderia providenciar, por exemplo, imagens de alta resolução de formação estelar no centro da Via Láctea.

E no futuro, Dome C poderá registar dados que só poderiam ser obtidos numa missão espacial. Ashley diz que os telescópios em Dome C poderão um dia ser capazes de observar directamente um planeta extrasolar próximo.

Estão agora a ser organizadas, por um consórcio internacional de astrónomos, propostas para a angariação de fundos com o objectivo de caçar planetas em Dome C. Isto envolveria dois telescópios gémeos de infra-vermelho.

Existem muitas vantagens em construír este tipo de observatório em Dome C e não no espaço, diz Ashley. Não só seria extremamente mais barato, como poderia ser actualizado com novas tecnologias regularmente.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.nature.com/news/2004/040913/full/040913-16.html

Mais informação:
http://www.phys.unsw.edu.au/nature/
http://www.phys.unsw.edu.au/astro/southpole2004/
http://www.phys.unsw.edu.au/~pcalisse/Gallery/DomeC/domeC_FAQ.html
http://www.gdargaud.net/Antarctica/DomeC.html

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     
 
Por cima do olho de Ivan, o Terrível - Crédito: Expedition 9 Crew, International Space Station, NASA
Novento por cento das casas em Grenada sofreram danos. Tal é a força destrutiva do furacão Ivan, já um dos mais poderosos e destrutivos furacões de que há memória. E a tempestade está apenas a começar em território americano. O Ivan é actualmente o terceiro - e maior - furacão a atingir os EUA durante esta estação. O olho rodopiante do furacão Ivan foi fotografado a partir da Estação Espacial Internacional (ISS) no Sábado, quando a tempestade, com ventos na ordem dos 200 km/h espalhavam o caos nas Caraíbas. A má notícia: a estação dos furacões no Atlântico costuma durar até 30 de Novembro, daqui ainda a mais de dois meses. As más notícias mais imediatas é que a tempestade tropical Jeanne é a próxima a chegar do meio do Oceano Atlântico, presentemente a passar por Porto Rico.
Ver imagem em alta-resolução
     
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 17/09: 261º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1789, William Herschel descobre a Lua de Saturno Mimas.
Observações: Aproveite a madrugada para observar de binóculos as Plêiades (enxame aberto M45), na constelação de Touro.

Dia 18/09: 262º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, Deep Space 1, fim da missão primária.
Observações: Libração lunar mínima de 3.7º.

Dia 19/09: 263º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1988, Israel lança o seu primeiro satélite, reconhecimento militar.
Observações: Aproveite o início da noite para observar os enxames de Escorpião M6, M7e M4, dado que já se encontram baixos no céu e eventualmente vão deixar de ser visíveis com o passar dos dias.

Dia 20/09: 264º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1999, o Telescópio Espacial de Raios-X Chandra, lançado a 23 de Julho de 1999, revela características ainda não observadas nos restos de três explosões de supernovas.
Observações: Solstício de Verão em Marte.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Todos os planetas do nosso Sistema Solar cabem dentro do planeta Júpiter.
 
 
 
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