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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 583
De 16/09 a 17/09/2009
 
 
 

Dia 16/09: 259.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Ao anoitecer, a brilhante Vega brilha um pouco para Oeste do zénite. Arcturo, igualmente brilhante, brilha moderadamente baixa a Oeste. A um terço do caminho entre Vega e Arcturo, está Hércules. A dois-terços, o ainda mais ténue semi-círculo da Coroa Boreal.

Dia 17/09: 260.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1789, William Herschel descobre a Lua de Saturno, Mimas.

Em 1976, era apresentado pela NASA o primeiro Space Shuttle, Enterprise.
Observações: Urano em oposição (posição oposta à do Sol no céu).

 
 
 
Massa total estimada de objectos artificiais em astros do Sistema Solar (kg):
- Vénus: 22.628
- Lua: 170.996
- Marte: 8.403
- Eros: 487
- Itokawa: 0,591
- Júpiter: 2.564
- Titã: 350
 
 
 
AIA 2009
 
 
  JÚPITER CAPTUROU COMETA DURANTE 12 ANOS EM MEADOS DO SÉCULO XX  
 

Júpiter já tem uma grande abundância de luas, mas entre 1949 e 1961, teve outra, um satélite temporário na forma de um cometa preso pela alçada do campo gravitacional do gigante gasoso.

Os astrónomos anunciaram na Segunda-feira passada que o cometa 147P/Kushida-Muramatsu foi capturado como lua temporária de Júpiter em meados do século XX e aí permaneceu numa órbita irregular durante aproximadamente 12 anos.

Existe apenas um punhado de cometas conhecidos onde este fenómeno de captura de satélite temporário aconteceu e a duração da captura, no caso do Kushida-Muramatsu, é a terceiro mais longa.

A descoberta foi anunciada no Congresso Europeu de Ciência Planetária, em Potsdam, por David Asher do Observatório Armagh na Irlanda do Norte.

Uma equipa internacional liderada por Katsushito Ohtsuka da Rede de Meteoros de Tóquio, modelou as trajectórias de 18 "cometas quasi-Hilda," objectos com o potencial de atravessar uma fase de captura temporária por Júpiter, que resulta do cometa deixar ou se juntar ao grupo de objectos "Hilda" na cintura de asteróides. A maioria dos casos de captura temporária foram passagens rasantes, onde os cometas não completaram uma órbita completa.

Mas o Kushida-Muramatsu foi diferente: a equipa usou observações recentes do cometa ao longo de nove anos para calcular centenas de diferentes percursos orbitais durante o século passado. Em todos os cenários, o Kushida-Muramatsu completou duas revoluções em torno de Júpiter, o que o torna apenas no quinto objecto capturado a ser identificado.

Figura que mostra o percurso orbital do cometa Kushida-Muramatsu em torno de Júpiter.
Crédito: Ohtsuka/Asher
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Os nossos resultados demonstram algumas das órbitas percorridas por corpos cometários através do espaço interplanetário, o que pode permitir a entrada ou saída de situações de órbita do planeta Júpiter," disse Asher.

Os asteróides e os cometas podem por vezes ser distorcidos ou fragmentados por efeitos de marés induzidos pelo campo gravitacional de um planeta, ou até mesmo colidir com o mesmo. A vítima mais famosa de ambos os efeitos foi o cometa D/1993 F2 (Shoemaker-Levy 9), que foi despedaçado ao passar perto de Júpiter e cujos fragmentos então colidiram com o gigante gasoso em 1994. Estudos anteriores tinham mostrado que o Shoemaker-Levy 9 poderia ter sido um cometa quasi-Hilda antes da sua captura por Júpiter.

"Felizmente para nós, Júpiter, sendo o planeta mais massivo e com a maior gravidade, atrai objectos para ele próprio mais facilmente do que outros planetas e esperamos observar aí grandes impactos com mais frequência do que na Terra. O Cometa Kushida-Muramatsu escapou-se das garras do planeta gigante e evitou o destino do Shoemaker-Levy 9," afirmou Asher.

O objecto que colidiu com Júpiter no passado mês de Julho, provocando uma nova mancha escura, descoberta pelo astrónomo amador australiano Anthony Wesley, também poderá ter sido um membro desta classe, mesmo não tendo sofrido dos mesmos efeitos de marés que o Shoemaker-Levy 9.

Grande plano de Júpiter vendo-se a negro a nova mancha.
Crédito: NASA/ESA-HST
(Clique na imagem para ver maior)
 

"O nosso trabalho tornou-se novamente relevante com a descoberta, em Julho passado, de uma pluma de detritos em expansão, criado pela poeira do objecto que colidiu com Júpiter, assinatura evidente de um impacto. Os resultados do nosso estudo sugerem que os impactos em Júpiter e as capturas de satélites temporários acontecem com mais frequência do que pensávamos," exclamou Asher.

A equipa também confirmou a descoberta de uma futura lua de Júpiter. O Cometa 111P/Helin-Roman-Crockett, que já orbitou Júpiter três vezes entre 1967 e 1985, está prestes a completar seis voltas do planeta gigante entre 2068 e 2086.

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (Europlanet)
Artigo científico (formato PDF)
New Scientist
Astronomy
Space Daily
COSMOS
PHYSORG.com
Universe Today
National Geographic
AFP
MSNBC

Cometa 147P/Kushida-Muramatsu:
Wikipedia
Gary W. Kronk's Cometography

Asteróides Hilda:
Wikipedia

 
     
 
 
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  NGC 6888: A Nebulosa Crescente - Crédito: Daniel López, IAC  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

NGC 6888, também conhecida como Nebulosa Crescente, é uma bolha cósmica com cerca de 25 anos-luz de diâmetro, soprada por ventos da sua brilhante, massiva estrela central. Este bonito retrato da nebulosa foi obtido pelo Telescópio Isaac Newton, no Observatório Roque de los Muchachos das Ilhas Canárias. Combina uma imagem a cores com dados de banda estreita que isolam a luz dos átomos de hidrogénio e de oxigénio na nebulosa. Os átomos de oxigénio produzem o tom azul-esverdeado que parece rodear as detalhadas tranças e filamentos. A estrela central de NGC 6888 está classificada como uma estrela Wolf-Rayet (WR 136). A estrela está a libertar o seu invólucro exterior num forte vento estelar, ejectando o equivalente à massa do Sol a cada 10.000 anos. As complexas estruturas da nebulosa são provavelmente o resultado deste vento forte interagindo com o material ejectado numa fase anterior. Queimando combustível a um ritmo extraordinário e perto do fim da sua vida, esta estrela deverá morrer numa espectacular explosão de supernova. Situada na constelação rica em nebulosas, Cisne, NGC 6888 encontra-se a aproximadamente 5000 anos-luz da Terra.

 


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