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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 594
De 28/10 a 29/10/2009
 
 
 

Dia 28/10: 301.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971 a Grã-Bretanha lança o seu primeiro satélite.
Em 1974, lançamento da sonda Luna 23.

Observações: A partir das 22 horas conseguirá observar Orionte a nascer a Este. Para cima encontra-se a alaranjada Aldebarã. Para cima de Aldebarã encontram-se as Plêiades

Dia 29/10: 302.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1991, a sonda Galileu faz a sua maior aproximação de 951 Gaspra, a primeira a visitar um asteróide.
Em 1998 o Space Shuttle Discovery partia para o espaço levando a bordo o astronauta John Glenn de 77 anos.

Glenn, que fora o primeiro norte-americano a orbitar a Terra em 1962, tornou-se deste modo a pessoa mais velha a alguma vez ter estado no espaço.
Observações: Marte em quadratura Oeste. Por isso esta semana o planeta aparece com o seu disco iluminado a 88%.
A partir das 22:15, 22:20, conseguirá observar a sombra de Io passar pela atmosfera de Júpiter.

 
 
 
Marte possui o maior vulcão (Monte Olimpo) e o maior vale (Valles Marineris) do Sistema Solar.
 
 
 
AIA 2009
 
 
  EXPLORANDO COM UMA FROTA DE ROBOTS AUTÓNOMOS  
 

Uma frota de robots poderá um dia voar por cima de cumes de montanhas na lua de Saturno, Titã, atravessar as suas vastas dunas e navegar nos seus lagos líquidos.

Wolfgang Fink, do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, EUA, diz que estamos à beira de uma grande revolução científica na exploração planetária, e que a próxima geração de exploradores robóticos não será nada como a de actualmente.

"O modo como exploramos o amanhã será completamente diferente," disse Fink, recentemente nomeado como Professor Notável Edward e Maria Keonjian em Microelectrónica na Universidade do Arizona, em Tucson. "Estamos a saír das abordagens tradicionais de uma única sonda robótica sem redundância, comandada a partir da Terra, para uma abordagem que nos permite ter múltiplos robots, prescindíveis, de baixo-custo e autónomos, que se podem comandar a eles próprios e aos outros robots, em vários locais e ao mesmo tempo."

Impressão de artista de uma sonda, dirígveis, rovers e robots trabalhando em conjunto.
Crédito: NASA-JPL
 

Fink e os membros da sua equipa em Caltech, do USGS (U.S. Geological Survey) e da Universidade do Arizona, estão a desenvolver software autónomo e construíram uma plataforma de ensaio robótica que pode simular um geólogo ou um astronauta, capaz de trabalhar independentemente e como parte de uma equipa maior. Este software permitirá a um robot pensar por si próprio, identificar problemas e possíveis riscos, determinar áreas de interesse e priorizar alvos para estudos mais detalhados.

O modo como as coisas funcionam agora é: os engenheiros enviam um comando a um rover ou uma sonda, para executar certas tarefas e depois esperam que sejam executadas. Têm pouca ou nenhuma flexibilidade na mudança do seu "plano de jogo" à medida que os eventos se desenrolam; por exemplo, para observar um desmoronamento ou uma erupção criovulcânica à medida que acontece, ou investigar um evento de libertação de metano.

"No futuro, múltiplos robots estarão no lugar do condutor," afirma Fink. Estes robots partilhariam a informação quase em tempo real. Este tipo de exploração poderá um dia ser usada numa missão em Titã, Marte ou noutros corpos planetários. As propostas actuais para Titã incluem o uso de uma sonda, um balão de ar e rovers ou sondas aquáticas.

Neste cenário, uma sonda orbitaria Titã obtendo uma visão global da lua, um balão de ar ou dirigível flutuando nos céus providenciando um "olhar de pássaro" de cadeias montanhosas, lagos e desfiladeiros. No chão, um rover ou um "lander" aquático poderia explorar os cantos e recantos da lua. A sonda "falaria" directamente com o balão de ar e mandaria-o voar por cima de certas regiões para um melhor olhar. Este dirigível estaria em contacto com vários pequenos rovers no chão e enviaria ordens para os conduzir até áreas identificadas do céu.

"Este tipo de exploração é referida como reconhecimento escalável em camadas," acrescenta Fink. "É como comandar um pequeno exército de robots simultaneamente operando no espaço, no ar e no chão."

Um rover poderá relatar a observação de rochas macias nos seus arredores, enquanto o balão ou a sonda poderia confirmar que o rover se encontraria num antigo leito de rio - ao contrário das missões actuais, que se focam apenas numa visão global de órbita e não conseguem proporcionar informação numa escala local para dizer ao rover que está de facto situado no meio de um antigo leito de rio.

Um exemplo actual deste tipo de exploração é o de Marte, no qual os dados obtidos pelos rovers são enviados para as sondas em órbita e depois retransmitidos para a Terra. No entanto, essa informação é apenas retransmitida e não partilhada entre as sondas ou usada para os controlar directamente.

"Estamos basicamente a caminhar para a construção de robots que comandam outros robots," disse Fink, director do Laboratório de Pesquisa de Sistemas de Exploração Visual e Autónoma no Caltech, onde este trabalho tem sido desenvolvido.

"Um dia, uma frota de robots será comandada autonomamente de uma só vez. Esta armada de robots será os nossos olhos, ouvidos, braços e pernas no espaço, no ar, e no chão, capaz de responder ao seu ambiente sem nós, de explorar e compreender o desconhecido," realçou.

Os artigos que descrevem esta nova exploração foram publicados na revista "Computer Methods and Programs in Biomedicine" e nos Procedimentos do SPIE.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA-JPL (comunicado de imprensa)
Universe Today

Titã:
Solarviews
Wikipedia
Vídeo de radar dos lagos em titã (formato Quicktime)

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
     
 
 
     
  Paisagem Estelar em Cisne - Crédito: Daniel Marquardt  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Em pinceladas cósmicas de hidrogénio gasoso brilhante, esta espectacular paisagem celeste desenrola-se através do plano da Via Láctea e do centro da constelação do hemisfério Norte, Cisne. Obtida com um observatório remoto (ROSA) no Sul da França, a imagem cobre uma área com 6 graus. A brilhante estrela supergigante Gamma Cygni perto do centro da imagem situa-se no pano da frente do complexo de nuvens, poeira e ricos campos estelares. Para a esquerda de Gamma Cygni, com a forma de duas asas luminosas divididas por uma longe corrente escura de poeira, está IC 1318, cujo nome popular é compreensivelmente a Nebulosa da Borboleta. A nebulosa brihante e mais compacta para baixo e para a direita é NGC 6888, a Nebulosa Crescente. As estimativas colocam Gamma Cygni a cerca de 750 anos-luz, enquanto IC 1318 e NGC 6888 variam entre os 2000 e os 5000 anos-luz.

 


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