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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 596
De 04/11 a 05/11/2009
 
 
 

Dia 04/11: 308.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 foi registada a mais forte erupção solar conhecida.

Observações: Esta noite a brilhante Lua balança entre duas das mais brilhantes estrelas de Touro: Aldebarã e Beta Tauri.

Dia 05/11: 309.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1906, nascia Fred Whipple, que propôs o modelo da "bola de neve suja" para o núcleo dos cometas.

Em 2007, o primeiro satélite lunar da China, Chang'e 1, entra em órbita da Lua.
Observações: A brilhante Capela, brilhando a Nordeste e a muito parecida Vega a Oeste-Noroeste, estarão balançadas exactamente à mesma altura por cima do horizonte por volta das 20 ou 21. Com que precisão pode acompanhar este evento?

 
 
 
A Lei de Murphy afirma que "se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará". As sondas espaciais são o local perfeito para esta se verificar.
 
 
 
AIA 2009
 
 
  ILUMINANDO O ESQUELETO CÓSMICO  
 

Astrónomos encontraram um gigantesco grupo de galáxias, anteriormente desconhecido, situado a quase sete milhares de milhões de anos-luz de distância. A descoberta, apenas possível combinando dois dos telescópios terrestres mais poderosos do mundo, é a primeira observação duma tal estrutura de galáxias no Universo distante, fornecendo-nos preciosa informação sobre a rede cósmica e o seu processo de formação.

Estrutura de galáxias observada a sete milhares de milhões de anos-luz de distância.
Crédito: ESO/L. Calçada/Subaru/National Astronomical Observatory of Japan/M. Tanaka
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A matéria não se encontra uniformemente distribuída no Universo," diz Masayuki Tanaka do ESO, que liderou este trabalho. "Na nossa vizinhança cósmica, as estrelas formam-se em galáxias e as galáxias formam normalmente grupos e enxames de galáxias. Teorias cosmológicas mundialmente aceites predizem que a matéria também se aglomera a larga escala, na chamada "rede cósmica", na qual as galáxias, imersas em filamentos, que se estendem entre espaços vazios, criam uma gigantesca estrutura em tufos."

Estes filamentos têm milhões de anos-luz de comprimento e constituem o esqueleto do Universo: as galáxias aglomeram-se em seu redor e enormes enxames de galáxias formam-se nas suas intersecções, esperando, qual aranhas gigantes, por mais matéria para "digerir". Os cientistas debatem-se na tentativa de compreender como é que estas estruturas se formam. Embora estruturas filamentares de grande massa tenham sido frequentemente observadas a relativamente pouca distância de nós, evidência sólida da sua existência no Universo distante ainda não existia.

A equipa liderada por Tanaka descobriu uma estrutura enorme em torno dum enxame de galáxias distante, em imagens obtidas anteriormente. Utilizaram então, dois telescópios terrestres de grandes dimensões para estudar em mais detalhe esta estrutura, medindo a distância a todas as galáxias e obtendo, deste modo, um mapa a três dimensões da estrutura. As observações espectroscópicas foram feitas com o instrumento VIMOS montado no Very Large Telescope do ESO e com o instrumento FOCAS montado no Telescópio Subaru, o qual é operado pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão.

As galáxias localizadas na recém-descoberta estrutura são aqui vistas em vermelho. As galáxias em frente ou por trás da estrutura estão em azul.
Crédito: ESO/Subaru/National Astronomical Observatory of Japan/M. Tanaka
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Graças a estas e outras observações, os astrónomos puderam fazer um verdadeiro estudo demográfico desta estrutura. Identificaram assim vários grupos de galáxias em torno do enxame de galáxias principal. Distinguiram dezenas de tais aglomerações, cada uma com, tipicamente, dez vezes a massa da nossa Via Láctea - e algumas com um milhar de vezes este valor. A estimativa para a massa do enxame é de cerca de, pelo menos, dez mil vezes a massa da Via Láctea. Algumas destas aglomerações estão a sentir a atracção gravitacional fatal do enxame, pelo que irão eventualmente ser "engolidas" por este.

"Esta é a primeira vez que observamos uma estrutura tão rica e proeminente no Universo distante," diz Tanaka. "Podemos agora passar da demografia para a sociologia e estudar como é que as propriedades das galáxias dependem do seu meio, numa altura em que o Universo tinha apenas dois terços da sua idade actual."

O filamento situa-se a cerca de 6,7 milhares de milhões de anos-luz de distância e estende-se por cerca de 60 milhões de anos-luz. No entanto, a nova estrutura descoberta é provavelmente maior, parecendo estender-se para além do limite observado pela equipa. Por isso mesmo, novas observações foram já planeadas no sentido de obter uma medida definitiva do seu tamanho.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Universe Today
PHYSORG.com
SPACE.com
MSNBC

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Subaru:
Página oficial
Wikipedia

 
     
 
 
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