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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 603
De 27/11 a 29/11/2009
 
 
 

Dia 27/11: 331.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, a sonda soviética Mars-2 torna-se no primeiro objecto feito pelo Homem a atingir Marte.
Em 2001, é descoberta, pelo Hubble, uma atmosfera de hidrogénio no planeta extrasolar Osiris, a primeira atmosfera detectada numa planeta extrasolar.
Observações: Aproveite a noite para observar com binóculos a bonita Lua. Ainda não está cheia, por isso será possível observar as esplêndidas sombras das crateras, que dão um ar tridimensional à paisagem celeste.

Dia 28/11: 332.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a NASA lança a sonda Mariner 4.

Observações: Para a esquerda da Lua encontram-se as estrelas da pequena constelação de Carneiro.

Dia 29/11: 333.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1803, nascia Christian Doppler, matemático e físico austríaco, famoso pela sua descoberta do que é agora denominado efeito Doppler.
Em 1961, Enos, um chimpanzé, é lançado para o espaço a bordo da missão Mercury-Atlas 5.

A nave orbitou a Terra duas vezes e aterrou no mar perto da costa de Porto Rico.
Em 1965, a agência espacial canadiana lança o satélite Alouette 2.
Em 1967, lançamento do primeiro satélite australiano, o Wresat 1.
Observações: De madrugada, lá pelas 2 da manhã, nasce Saturno a Este. Espere mais umas horas para o observar telescopicamente.

 
 
 
Ofiúco não é considerado uma constelação zodiacal pelos astrólogos, embora no seu trajecto aparente ao longo do ano o Sol passe por 13 constelações, sendo uma delas Ofiúco (o Serpentário).
 
 
AIA 2009
 
 
  "ESCAVAÇÃO" CÓSMICA REVELA VESTÍGIOS DA ORIGEM DA VIA LÁCTEA  
 

Espreitando através de espessas nuvens de poeira no bojo da nossa Galáxia (as miríades de estrelas que envolvem o seu centro) e revelando uma extraordinária quantidade de detalhes, uma equipa de astrónomos descobriu uma estranha mistura de estrelas no grupo estelar chamado Terzan 5. Nunca antes observado no bojo da Galáxia, este peculiar "cocktail" de estrelas sugere que Terzan 5 é de facto um dos blocos construtores do bojo, mais provavelmente uma relíquia de uma galáxia anã que se fundiu com a Via Láctea durante a sua fase inicial.

"A história da Via Láctea está codificada no interior nos seus fragmentos mais antigos, enxames globulares e outros sistemas de estrelas que foram testemunhas de toda a evolução da nossa galáxia," diz Francesco Ferraro, autor principal do artigo que aparece na edição desta semana da revista Nature. "O nosso estudo abre uma nova janela sobre mais uma parte do nosso passado galáctico."

O enxame estelar Terzan 5.
Crédito: ESO/F. Ferraro
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Tal como os arqueólogos que escavam, por entre camadas de poeira, restos de civilizações passadas e desenterram peças cruciais da história da humanidade, também os astrónomos observaram por entre as grossas camadas de poeira interestelar que obscurecem o bojo da Via Láctea e revelaram uma relíquia cósmica extraordinária.

O alvo deste estudo é o enxame estelar Terzan 5. As novas observações mostram que este objecto ao contrário da maioria, com a excepção de alguns enxames globulares peculiares, não alberga estrelas nascidas todas ao mesmo tempo - a que os astrónomos chamam "população única" de estrelas. Em vez disso, a imensa quantidade de estrelas brilhantes no Terzan 5 vem de, pelo menos, duas épocas distintas, a mais antiga de há cerca de 12 mil milhões de anos e a outra de 6 mil milhões de anos.

"Apenas mais um enxame globular com uma história semelhante de formação estelar, bastante complexa, foi observado no halo da Via Láctea: Omega Centauri," diz o membro da equipa Emanuele Dalessandro. "Esta é, por isso, a primeira vez que observamos este fenómeno do bojo da Galáxia."

Ao redor do enxame estelar Terzan 5.
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey 2
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O bojo é a região da Galáxia mais inacessível, em termos de observações astronómicas: apenas a radiação infravermelha consegue penetrar as nuvens de poeira e revelar as suas miríades de estrelas. "É apenas devido aos soberbos instrumentos montados no Very Large Telescope do ESO," diz a co-autora Barbara Lanzoni, "que conseguimos finalmente, ‘penetrar o nevoeiro’ e obter uma perspectiva completamente nova da origem do próprio bojo galáctico."

Uma jóia da técnica encontra-se nos bastidores desta descoberta, o instrumento Multi-conjugate Adaptive Optics Demonstrator (MAD) que, na fronteira da tecnologia, permite ao VLT obter imagens altamente detalhadas no infravermelho. A óptica adaptativa é a técnica pela qual os astrónomos conseguem eliminar o efeito de manchas em fontes pontuais que a turbulência existente na atmosfera terrestre inflige às imagens astronómicas obtidas pelos telescópios no solo; MAD é um protótipo ainda mais poderoso de um instrumento de próxima geração de óptica adaptativa.

Com o apurado olho do VLT os astrónomos descobriram igualmente que Terzan 5 tem mais massa do que se pensava anteriormente: em conjunto com uma composição complexa e uma história de formação estelar agitada, este facto sugere que o sistema possa ser um resto sobrevivente de uma galáxia anã desfeita, que colidiu e consequentemente se fundiu com a Via Láctea durante a sua fase inicial, contribuindo assim para a formação do bojo galáctico.

"Esta pode ser a primeira de uma série de descobertas que permitirão compreender a origem dos bojos nas galáxias, algo que ainda é frequentemente debatido," conclui Ferraro. "Vários sistemas similares podem esconder-se por detrás da poeira do bojo: é nestes objectos que a história de formação da nossa Via Láctea está escrita."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
SPACE.com
Science
Universe Today
Science Daily
Discover
Science Centric

Via Láctea:
Wikipedia
Absolute Astronomy
SEDS

 
     
 
 
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  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

A constelação de Orionte é rica em nuvens interestelares e nebulosas brilhantes. Uma das mais brilhantes, M78, encontra-se no centro desta espectacular imagem de campo largo, que cobre uma área a Norte da cintura de Orionte. A uma distância de 1500 anos-luz, a nebulosa de reflexão azul tem aproximadamente 5 anos-luz de comprimento. O seu tom é devido à poeira preferencialmente reflectir a luz azul de estrelas jovens e quentes. A nebulosa de reflexão NGC 2071 encontra-se para a esquerda de M78. Para a direita da mesma está a muito mais compacta e intrigante Nebulosa de McNeil, uma recentemente reconhecida nebulosa variável associada com a formação de uma estrela tipo-Sol. Esta exposição incrivelmente profunda também realça o tom avermelhado mas ténue da região, oriundo do brilho do hidrogénio atómico gasoso.

 


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