E-mail em HTML com imagens e propriedades CSS. Caso não o consiga visualizar correctamente, clique aqui.
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Página PrincipalRSS Sindicação RSSRemover da lista

ASTROBOLETIM N.º 606
De 09/12 a 10/12/2009
 
 
 

Dia 09/12: 343.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, incidente OVNI Kecksburg: uma bola de fogo é vista desde os estados amercianos do Michigan até Pennsylvania.

Testemunhas afirmam ter visto algo colidir na superfície, numa floresta perto da cidade de Pittsburgh.Em 2005, a NASA admite que examinou um objecto.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 00:14.

Dia 10/12: 344.º dia do calendário gregoriano.
História: gregoriano.
História: Em 1901 foram atribuídos pela primeira vez os prémios Nobel.

Röntgen receberia o da Física pela descoberta dos raios-X.
Observações: Antes do amanhecer, encontre Saturno a 7º para cima da Lua.

 
 
 
A cerveja que aqui vê na imagem é muito especial: a cevada com que é feita foi criada no espaço. Tal como tudo o que esteve em órbita, não é barata. Um pack de seis cervejas custa à volta de 75 Euros, o que dá cerca de 12,5 Euros por garrafa. Só é possível obtê-las através de um leilão online, até dia 24 de Dezembro.
 
 
AIA 2009
 
 
  NASA LANÇA WISE ESTA SEXTA-FEIRA  
 

A NASA vai lançar para o espaço, esta Sexta-feira, o WISE. O Wide-field Infrared Survey Explorer é um novo telescópio espacial infravermelho que irá estudar objectos no nosso Sistema Solar e não só, procurando asteróides, anãs castanhas vizinhas, discos protoplanetários e distantes estrelas recém-nascidas.

A missão WISE é pertence a uma série de estudos completos do céu, que se tornaram extremamente eficazes para a pesquisa científica. O satélite passará seis meses a mapear todo o céu no infravermelho, após o qual fará uma segunda passagem, desta vez em três meses, para refinar o mapeamento. Em vez de olhar para objectos específicos, o satélite vai estudar tudo o que puder ver com os seus olhos infravermelhos, providenciando um detalhado catálogo de objectos infravermelhos, para ser usado em telescópios como o Spitzer, o Observatório Espacial Herschel e o futuro Telescópio Espacial James Webb.

Concepção de artista do WISE.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os instrumentos infravermelhos detectam calor, por isso o WISE tem que ser arrefecido até -265 graus Celsius. De outro modo, detectaria a sua própria assinatura de calor. Isto é efectuado através do "empacotamento" num criostato, que é basicamente um grande termo cheio de hidrogénio sólido. O criostato mantém o instrumento suficientemente frio durante aproximadamente 10 meses após o lançamento.

O WISE está pronto para ser lançado. O gelado instrumento está seguramente arrumado no cone do nariz de um foguetão Delta II. O WISE vai ser lançado da Base da Força Aérea em Vandenberg, Califórnia, EUA, no dia 11 de Dezembro, entre as 14:09 e as 14:23 (hora de Portugal). A NASA TV fará a cobertura do lançamento, via webcast.

O WISE dentro do cone do nariz do foguetão Delta II.
Crédito: United Launch Alliance/JPL-Caltech/
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os objectos que o telescópio WISE vai estudar, serão asteróides no nosso próprio Sistema Solar que permanecem por descobrir porque são invisíveis no espectro visível. Ao estudar o céu por completo, espera-se que o WISE observe centenas de milhares de asteróides no nosso Sistema Solar, ainda não descobertos, centenas deles no percurso orbital da Terra. Ao catalogar estes objectos vizinhos da Terra, os astrónomos podem ter uma melhor ideia das ameaças oriundas de asteróides obscuros.

O WISE será também suficientemente sensível para detectar anãs castanhas, objectos que se situam na linha entre planeta e estrela. Embora sejam massivas, não conseguem despoletar a fusão nuclear nos seus núcleos, mas são quentes o suficiente para emitir radiação infravermelha. Pensa-se que existam alguns destes objectos no nosso próprio "quintal" estelar, à espera de serem descobertos, e o WISE pode duplicar ou até triplicar o número de objectos tipo-estrelas que se conhecem num espaço de 25 anos-luz da Terra.

Além destes achados mais pequenos e próximos, o WISE será capaz de observar galáxias infravermelhas ultra-luminosas nas distantes regiões do Universo. Estas galáxias brilham no infravermelho, mas são invisíveis em telescópios que apenas conseguem ver no espectro visível. O catálogo pode ser uma dádiva para os caçadores de planetas extrasolares, pois os discos protoplanetários, a partir dos quais se formam estes planetas, são também visíveis através do instrumento.

O telescópio WISE terá uma órbita polar com uma altitude de 525 km, e orbitará a Terra 15 vezes por dia. As imagens do céu serão obtidas a cada 11 segundos, permitindo ao instrumento fotografar cada posição do céu, no campo de visão do telescópio, no mínimo 8 vezes.

Links:

WISE:
NASA
Universidade de Berkeley
Wikipedia

 
     
 
 
  PRIMEIRA IMAGEM DE FRIO EXOPLANETA EM TORNO DE UMA ESTRELA TIPO-SOL  
 

O número de planetas extrasolares conhecidos - planetas que orbitam outras estrelas sem ser o nosso Sol - recentemente ultrapassou os 400. A maioria foi descoberta indirectamente, detectando a influência de um planeta sobre o movimento ou brilho da sua estrela-mãe. A produção de uma imagem directa de um planeta extrasolar é muito mais difícil - tão difícil como fotografar um pirilampo perto de um holofote de 300 W a uma distância de vários quilómetros, dado que as estrelas são muito mais brilhantes que os planetas. Mas quando isto é possível, a recompensa é considerável, pois as imagens podem providenciar informações valiosas acerca da órbita do planeta, e acerca da temperatura e composição da sua atmosfera.

Agora um novo candidato a planeta, designado GJ 758 B, foi descoberto e fotografado com o telescópio de 8-metros, Subaru, no cume do Mauna Kea no Hawaii, usando ópticas adaptivas topo-de-gama, para corrigir o efeito de distorção provocado pela turbulenta atmosfera da Terra. O planeta orbita a estrela GJ 758 na constelação de Lira. Embora, em cada das imagens obtidas, o pequeno ponto representando o planeta esteja perdido no brilho residual da sua estrela-mãe, foi possível obter uma imagem do planeta ao combinar séries temporais das imagens individuais, usando uma técnica conhecida como ADI (angular differential imaging). Deste modo, os astrónomos foram capazes de remover da imagem o halo da estrela, com o intuito de revelar o ténue brilho de GJ 758.

Posição da estrela GJ 758.
Crédito: Stellarium, MPIA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Antes desta descoberta, apenas dez possíveis planetas extrasolares tinham sido fotografados directamente. Em cada destes casos, as condições são marcadamente diferentes daquelas no nosso próprio Sistema Solar: ou as órbitas planetárias são extremamente grandes (centenas de vezes a distância entre a Terra e o Sol), ou a temperatura do planeta é mais parecida com a de uma estrela do que com a de um planeta (mais de 1000 Kelvin), ou as estrelas-mãe são muito diferentes do Sol (tais como as estrelas tipo-A, que são mais massivas, ou estrelas tipo-M, cuja massa é muito mais pequena). Comparado com estes outros candidatos, GJ 758 B é muito mais semelhante aos planetas do nosso próprio Sistema Solar: orbita uma estrela tipo-Sol, a uma distância comparável à dos planetas no Sistema Solar interior - parece estar tão longe da sua estrela como Neptuno está do Sol (tal como os objectos podem aparecer mais próximos quando observados de um certo ângulo, a distância aparente da sua estrela-mãe, como observada da Terra, será geralmente mais pequena que a sua distância real. A reconstrução mais provável da sua órbita - que poderá mudar à medida que novos dados se tornam disponíveis, põe GJ 758 numa órbita excêntrica, com uma distância média de 59 UA); o tamanho da órbita GJ 758 B pode apenas ser estimada, e a última estimativa põe o planeta a uma distância média de aproximadamente 59 UA (comparada com as 39 UA de Plutão). Mais interessante, a atmosfera do planeta varia entre os 280-370 graus Celsius. "Isto corresponde ao calor de um forno na sua temperatura máxima, ou à temperatura diurna do planeta Mercúrio," diz Dr. Christian Thalmann do Instituto Max Planck para Astronomia (MPIA), autor principal do artigo sobre a descoberta. "Isto faz de GJ 758 B o companheiro mais frio de uma estrela tipo-Sol já fotografado."

Comparação entre os tamanhos do Sol, da Terra, Júpiter, GJ 758 B e GJ 758. A temperatura de GJ 758 B torna-o avermelhado, mesmo no seu lado nocturno.
Crédito: MPIA/C. Thalmann
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O planeta mais longínquo do nosso Sistema Solar, Neptuno, recebe apenas cerca de 1/900 da luz que chega à Terra, e tem uma temperatura superficial de meros 70 K (-200 graus Celsius). GJ 758 está pelo menos assim tão longe da sua estrela-mãe. A sua temperatura consideravelmente mais alta sugere que este objecto está ainda a contraír - uma etapa intermediária na vida dos planetas gigantes, na qual a energia gravitacional é convertida em calor. Para tal objecto em contracção, a temperatura, idade e massa estão relacionadas: quanto maior for um planeta gigante, mais tempo leva a irradiar o calor em excesso para o espaço e a alcançar um equilíbrio térmico. "Isto também explica o porquê da massa da companheira não ser ainda bem conhecida: o brilho infravermelho medido pode vir de um planeta com 700 milhões de anos, com 10 massas de Júpiter, bem como de uma companheira com 8.700 milhões de anos e 40 massas de Júpiter," explica o Dr. Markus Janson da Universidade de Toronto, antigo cientista do MPIA. Dado que os planetas e estrelas se formam quase ao mesmo tempo, uma precisa estimativa da estrela eliminaria as incertezas; até agora, no entanto, os dados disponíveis são insuficientes para permitir uma estimativa com a precisão necessária.

GJ 758 B foi detectado em duas observações independentes, em Maio e Agosto de 2009. As imagens oferecem provas claras que GJ 758 B e a sua estrela-mãe não são meramente objectos sem relação, que por acaso ocupam o mesmo bocado de céu: tal como muitas outras estrelas vizinhas, GJ 758 exibe o que os astrónomos chamam de "movimento próprio", isto é, muda a sua posição no céu nocturno (embora muito lentamente). As imagens mostram que GJ 758 B está ligado gravitacionalmente com GJ 758: o seu movimento no céu é uma combinação do movimento próprio de GJ 758 e do movimento orbital da companheira em torno da estrela-mãe.

Imagem de Agosto de 2009, da descoberta de GJ 758 B, obtida com o instrumento HiCIAO do Subaru, perto do infravermelho. Sem a técnia especial aqui usada, o brilho da estrela esmagaria os sinais dos candidatos a planetas.
Crédito: MPIA/NAOJ
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A imagem de Agosto, que tem mais qualidade, revela um outro objecto, a uma menor separação da estrela. Isto poderá representar uma segunda companheira, GJ 758 C. Serão precisas mais observações para confirmar o movimento próprio deste objecto com o sistema de GJ 758, e assim provar que não é uma mera estrela de fundo. "Parece muito promissora," afirma o Dr. Christian Thalmann, e acrescenta: "Se esta é realmente uma segunda companheira, isto indica que GJ 758 B e C são planetas jovens em vez de velhas anãs castanhas. Um sistema com duas anãs castanhas em órbitas tão próximas é improvável que permaneça estável a longo-termo." O Dr. Motohide Tamura (Observatório Astronómico Nacional, do Japão), investigador principal do HiCIAO, elabora: "É improvável que as companheiras se tivessem formado nas suas órbitas actuais. Podem ter alcançado as suas posições actuais graças a um evento que as espalhou."

"A descoberta de GJ 758 B, um planeta extrasolar ou uma anã castanha em órbita de uma estrela parecida com o Sol, dá-nos um conhecimento acerca da diversidade dos objectos subestelares que se podem formar em volta das estrelas tipo-Sol," afirma o Dr. Joseph Carson, do MPIA, e vice-autor da publicação. "Isto por sua vez ajuda a mostrar como o nosso próprio Sistema Solar, e os ambientes propícios à vida, são apenas um dos muitos cenários que podem ser o resultado da formação de um planeta ou anã castanha em torno de estrelas tipo-Sol."

O instrumento HiCIAO será agora usado num estudo estratégico de cinco anos, denominado "SEEDS", para detectar planetas extrasolares e discos estelares a larga escala. Como afirma o professor Dr. Thomas Henning, Director do MPIA: "A espectacular descoberta de GJ 758 B é um bom prognóstico deste estudo, provando que o instrumento está em excelente forma para enfrentar esta difícil tarefa."

Os resultados serão publicados na revista Astrophysical Journal Letters.

Links:

Notícias relacionadas:
MPIA (comunicado de imprensa)
Telescópio Subaru (comunicado de imprensa)
SpaceRef
Universe Today
Space Fellowship
MSNBC

GJ 758:
Vídeo da comparação visual com o Sistema Solar (formato MPEG4)
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Extrasolar Visions

ADI:
MPIA (pequena introdução)

Telescópio Subaru:
Página oficial
Wikipedia

 
     
 
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Virgin Galactic revela SpaceShipTwo (via Virgin)
A Virgin Galactic desvendou a primeira nave espacial comercial do mundo. Os voos turísticos espaciais, diários, começarão no estado americano do Novo México, do espaçoporto dos EUA, após o acabamento dos testes e da aprovação do governo dos EUA. Os voos já têm milhares de reservas. [Ler fonte]

 
     
 
     
  Lua Gelada Tétis, a Partir da Cassini - Crédito: Equipa de Imagem da Cassini, SSI, JPL, ESA, NASA  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Que processos formaram a invulgar superfície da lua de Saturno, Tétis? Para ajudar a responder a esta pergunta, a NASA ordenou à sonda Cassini passar pela enigmática lua gelada em 2005. Acima encontra-se uma das imagens com mais alta resolução da superfície de Tétis. Pensa-se que o tom esbranquiçado da lua seja criado por partículas de gelo que caem continuamente na superfície, oriundas do difuso anel-E -- partículas expelidas pela lua de Saturno, Encelado. Alguns destes padrões de crateras em Tétis permanecem, no entanto, por explicar. Um estudo mais detalhado da imagem, especialmente do pólo sul de Tétis, revela uma grande falha percorrendo diagonalmente a partir do equador: Ithaca Chasma. Uma teoria acerca da criação deste grande desfiladeiro encontra-se ancorada no tremendo fraccionamento a nível global, que ocorreu quando os oceanos internos de Tétis congelaram. Se assim é, Tétis pode ter tido oceanos subterrâneos, parecidos aos que os cientistas teorizam existir por baixo da superfície de Encelado. Será que lá existe vida? Congelada?

 


Centro Ciência Viva do Algarve
Arquivo de Astroboletins Observações Astronómicas Fórum de discussão CCVAlg.pt