NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 61
28 de Setembro de 2004
TOUTATIS PASSA PELA TERRA QUARTA-FEIRA

O maior asteróide que se sabe passar perto da Terra irá fazer um voo rasante com o nosso planeta num evento que os astrónomos amadores e profissionais estão a observar atentamente (notícia do Astroboletim n.º 21 de 4 de Maio).

A rocha do espaço, com o nome de Toutatis, não irá atingir a Terra como uns rumores que circularam na Internet durante meses. A Humanidade está com muita sorte de não haver impacto, já que o asteróide é grande o suficiente para causar devastação global. Toutatis tem cerca de 4.6 quilómetros de comprimento e 2.4 de largura.


Quatro vistas computorizadas do asteróide Toutatis.
Crédito: NASA

Na Quarta, dia 29 de Setembro, irá encontrar-se a um milhão e quinhentos mil quilómetros da Terra, ou cerca de quatro vezes a distância até à Lua.

De acordo com os cientistas, nenhuma rocha tão grande irá passar tão perto no próximo século. E embora outros grandes e semelhantes asteróides tenham atingido o planeta num passado distante, nenhum tão grande se aproximou tanto desde que os astrónomos têm os meios para os descobrir. Muitas outras e mais pequenas rochas têm sido descobertas mais perto, até mesmo dentro da órbita da Lua.

Os cientistas da NASA e outros peritos em asteróides têm observado Toutatis durante mais de uma década, e embora a sua órbita tenha mudado ligeiramente a cada volta de 4 anos em torno do Sol, sabem bem o seu caminho.

A posição do asteróide nesta passagem é conhecida até uma precisão praticamente igual à do tamanho do asteróide, diz Alan Harris, cientista do Instituto de Ciência Espacial. Isto deixa algum espaço de manobra para a sua localização exacta na aproximação máxima, mas não muito.

"Por causa da natureza da sua órbita, não podemos prever milhares de anos no futuro. Mas actualmente, para qualquer pessoa viva na Terra, não há hipótese de colisão", diz Harris.

Toutatis não irá estar visível a olho nu. Pessoas com experiência que disponham de um telescópio poderão observá-lo no Hemisfério Sul, e no princípio de Outubro conseguirá ver-se no Hemisfério Norte.

Encontrar Toutatis não é tarefa fácil, devido à combinação da posição do asteróide no céu com a luz da Lua.

Devido à pequena distância do asteróide, a sua localização no céu irá variar significativamente para observadores em diferentes locais da Terra num dado momento. E devido a mover-se rapidamente, o local muda constantemente. Existem na Internet alguns mapas estelares que poderão ajudar na sua detecção, embora sejam falíveis.

"Num grande telescópio o movimento seria perceptível contra algumas estrelas de fundo mais ou menos em tempo real, tal como vendo os segundos passar num relógio," diz Harris, que acrescenta que o movimento "não será tão rápido, mas perceptível."

Observadores com muita experiência irão usar informação conhecida como dados de efemérides. Outros podem usar programas de software que geram mapas para tempos e locais específicos.

Na sua maior aproximação de 29 de Setembro, Toutatis irá ser visível apenas para observadores no Hemisfério Sul.

Grandes binóculos num tripé irão ser capazes de distinguir o ténue ponto de luz reflectida do asteróide, desde que utilizem um bom programa que lhes dê o seu rápido movimento ao longo do céu.

Depois, astrónomos amadores experientes a Norte do equador irão ter a sua chance de encontrar Toutatis.

No princípio de Outubro, deslocar-se-á para os céus a Norte à medida que a sua trajectória aparente o traz para uma vista mais favorável. Mas aí já o objecto se está a afastar da Terra e, consequentemente, está mais ténue. Rapidamente tornar-se-á bastante difícil de observar, mesmo até com um telescópio de 8 polegadas.

O asteróide Toutatis foi descoberto em 1989. Os cientistas modelaram a sua estranha rotação e forma.


Os vários eixos de Toutatis.
Crédito: AAAS

Em vez de ter um pólo norte fixo, o eixo de Toutatis varia em dois ciclos separados de 5.4 e 7.4 dias terrestres. Por isso, enquanto que a maioria dos asteróide roda mais ou menos como uma bola de futebol atirada numa espiral perfeita, Toutatis roda como um passe falhado.

Os astrónomos irão usar o voo rasante desta semana para examinar Toutatis com maior detalhe, sendo que o objectivo principal seja o de estabelecer com maior precisão a variação da rotação e melhor estimar a sua futura órbita.

Embora alguns rumores sugerissem que a previsão do caminho do asteróide seria a de colidir com a Terra, os cientistas concordam que não há hipótese de tal acontecer.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/astro_news/asteroide_toutatis_040504.htm
http://skyandtelescope.com/observing/objects/asteroids/article_1336_1.asp
http://www.universetoday.com/am/publish/toutatis_sneaks_past_earth.html?2792004
http://science.slashdot.org/science/04/09/25/1932215.shtml?tid=160&tid=14

Asteróide Toutatis:
http://echo.jpl.nasa.gov/asteroids/4179_Toutatis/toutatis.html
http://reason.jpl.nasa.gov/~ostro/ToutatisHires.mov (vídeo da rotação de Toutatis)
http://www.rense.com/general50/sep29th2004.htm
http://de.wikipedia.org/wiki/Toutatis_(Asteroid)
http://www.jpl.nasa.gov/releases/96/toutatis.html
http://www.eecs.wsu.edu/~hudson/Research/Asteroids/4179/
http://www.solarviews.com/eng/toutatis.htm

Efemérides profissionais:
http://cfa-www.harvard.edu/iau/MPEph/MPEph.html
http://ssd.jpl.nasa.gov/cgi-bin/eph

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     
 
M24: Uma paisagem de estrelas em Sagitário - Crédito: Fred Calvert & Adam Block, NOAO, AURA, NSF
Muitos campos vastos de estrelas no plano da nossa Galáxia Via Láctea são ricos em nuvens de poeira e gás. Primeiramente, visíveis na foto ao lado estão milhões de estrelas, muitas das quais são semelhantes ao nosso Sol. Imensos filamentos próximos de poeira interestelar escura vagueiam pela imagem e bloqueiam a luz de outras milhões de estrelas ainda mais distantes da nossa Galáxia. A brilhante região vermelha à esquerda é parte da Nebulosa Omega, uma nebulosa de emissão de gás hidrogénio quente, na maioria, também conhecida como M17. Um pequeno grupo brilhante de estrelas, perto do centro da imagem, é o enxame aberto M18, enquanto que a longa e brilhante faixa de estrelas logo à direita do centro é M24. Na extrema direita da imagem está a pitoresca nebulosa vermelha de emissão IC 1283, flanqueada por duas nebulosas azuis de reflexão, NGC 6589 e NGC 6590. Estes objectos são visíveis com um pequeno telescópio na direcção da constelação de Sagitário.
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  PRÓXIMA OBSERVAÇÃO:  
 
Dia 23 de Outubro, no castelo de Paderne, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 28/09: 269º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1999, o Observatório de Raios-X Chandra da NASA anuncia uma espectacular imagem da Nebulosa do Caranguejo, os espectaculares restos de uma explosão estelar, revelando algo ainda nunca visto. O brilhante anel à volta do coração da nebulosa são ondas de partículas altamente energéticas que parecem ter sido expulsas a uma distância de 1 ano-luz da estrela central, e os jactos de partículas afastam-se da estrela de neutrões numa direcção perpendicular à espiral.
Observações: Lua cheia. Esta Lua é um bocado diferente das outras luas dado que ocorre numa altura em que a geometria da órbita da Terra faz com que a Lua nasça praticamente à mesma hora durante algumas noites seguidas. Ao longo do ano, o atraso no seu nascimento é de aproximadamente 50 minutos de noite para noite, por estes dias pode ser 25 minutos ou menos. Nasce às 19:29, passa o trânsito à 01:46 e põe-se às 08:07 do dia seguinte.

Dia 29/09: 270º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988 era lançada a missão STS-26 do vaivém Discovery. Marca o resumo das missões depois do acidente 1986 51-L. Duração da missão: 97 horas e 11 minutos.
Observações: Se quiser fazer uma observação muito difícil, tente ver, por volta das 7:00 a Este, o planeta Júpiter, mesmo ao lado o pequeno Mercúrio e para baixo Marte, muito baixos no horizonte (0.3º). O Sol nasce 20 minutos depois.
O asteróide 4179 Toutatis faz uma próxima passagem pela Terra, passando a cerca de um milhão e quinhentos mil quilómetros, quatro vezes a distância entre a Terra e a Lua.

Dia 30/09: 271º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1880, Henry Draper tira a primeira fotografia da Nebulosa de Orion. A exploração de M42 é ainda feita a partir de fotos do HST.
Em 1999, aproximação máxima da Terra pelo asteróide 1992 SK (0.479 UA).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Uma milha em terra são 5,280 pés (1,609 m). Uma milha náutica, por outro lado, é baseada num arco-minuto da circunferência média da Terra. (um minuto é 1/60º). Logo, são 6,076 pés (1,852 m), o equivalente a 1.15 milhas terrestres. Um "nó" náutico é uma grandeza de velocidade, equivalente a uma milha náutica por hora. Então, se navegasse a uma velocidade de 60 nós, circun-navegaria o planeta em 360 horas.
 
 
 
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