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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 614
De 22/01 a 25/01/2010
 
 
 

Dia 22/01: 22.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, a Apollo 5 levantava voo transportando o primeiro módulo lunar para o espaço.
Em 1992, Roberta Bondar tornava-se a primeira mulher canadiana no Espaço a bordo da STS-42.  

Em 2000 foi demolida a plataforma de lançamento de Vandenburg.
Em 2003, foi perdido o contacto com a sonda Pioneer 10.
Observações: Pelas 21 horas, a Ursa Maior já se encontra quase na vertical, a Nordeste. Isto significa que o Inverno está a um terço da sua duração!

Dia 23/01: 23.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 10:54.

Dia 24/01: 24.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1978, um satélite soviético chamado Cosmos 954, com um reactor nuclear a bordo, é destruído na atmosfera da Terra, espalhando detritos radioactivos por cima dos Territórios Noroeste do Canadá.

Apenas 1% foi recuperado.
Em 1986, a Voyager 2 passa a 81.500 km de Urano.
Em 2006, foi descoberto um novo planeta - com uma massa de 5,5 vezes a da Terra - fora do Sistema Solar, conhecido por enquanto como OGLE-2005-BLG-390Lb.
Observações: Aproveite a noite para observar o planeta Marte, que depois do anoitecer se encontra a Este, entre Caranguejo e Leão.

Dia 25/01: 25.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2004, o rover Opportunity(MER-B) aterra na superfície de Marte.

Observações: À hora de jantar esta semana, Andrómeda e Pégaso prolongam-se para o céu a Oeste - desde o brilhante pé de Andrómeda perto do zénite até ao nariz de Pégaso por cima do horizonte a Oeste. No meio está o Grande Quadrado de Pégaso, suportado num único canto.

 
 
 
Já alguma vez ouviu os fantasmagóricos sons dos anéis de Saturno, cortesia da sonda Cassini? Ouça-os aqui.
 
 
 
  TERRA PROVOCA SISMOS EM ASTERÓIDES  
 

Os asteróides têm que pensar duas vezes antes de passarem demasiado perto da Terra. Um novo estudo descobriu que a gravidade do nosso planeta pode provocar sismos, ou terramotos nos asteróides, se as rochas espaciais se aproximarem muito do nosso planeta.

Este processo pode explicar o porquê de muitas das rochas espaciais que orbitam perto parecem pristinas, como se tivessem sido cobertas por uma superfície nova e limpa, afirmam os cientistas.

Normalmente, os asteróides estão castigados pelo tempo, os seus revestimentos superficiais estão sujos e avermelhados pelos constantes ataques violentos de partículas carregadas libertadas pelo Sol durante os 4 mil milhões de anos de viagem pelo Sistema Solar.

"Qualquer parte da superfície direccionada para o Sol é atingida pelo vento solar, que deteriora os minerais e torna-os vermelhos," disse o líder do estudo, Richard Binzel do MIT. "Uma boa analogia é a queimadura solar."

Tal como uma queimadura solar na nossa pele, o avermelhar de um asteróide é apenas superficial, com o material mais fresco situando-se mesmo por baixo da superfície da rocha espacial exposta ao Sol, acrescenta.

Pensa-se que asteróides, como o Itokawa, aqui na imagem, sejam mais aglomerados de pedregulhos, que grandes rochas sólidas.
Crédito: ISAS/JAXA
 

Mas quando os asteróides se aproximam da Terra, a gravidade do nosso planeta pode induzir pequenos sismos que fazem tremer as rochas espaciais, fazendo com que os seixos à superfície se virem, revelando os lados opostos. Pensa-se que os asteróides sejam mais como aglomerados de pedregulhos do que como grandes pedaços de rocha sólida, o que significa que mesmo apenas um pequeno sismo pode deslocar material à superfície.

"Todas as partículas avermelhadas são viradas e assim teremos material novo e fresco que enfrenta o Sol," disse Binzel. "Por isso a cor de um asteróide muda de avermelhado para um cinzento mais claro."

Esta ideia já tinha sido sugerida antes, mas agora Binzel e seus colegas finalmente descobriram provas observacionais.

Os cientistas observaram 95 asteróides na vizinhança do nosso planeta, denominados NEAs (near-Earth asteroids). Usaram um processo chamado espectroscopia para determinar as suas cores, para ver se tinham superfícies castigadas pelo tempo ou frescas, e combinaram estes dados com medições das histórias orbitais dos NEAs.

Dos 20 asteróides de "cara lavada" na sua amostra, cada um tinha passado perto da Terra - a uma distância menor que a da Terra à Lua - nos últimos 500.000 anos.

"Relacionámos estes dois factos e descobrimos que os asteróides que se aproximam muito da Terra têm superfícies frescas e pouco danificadas, e por isso a sua aproximação deve ter algo a ver com isso," afirma Binzel. "A explicação mais simples é que os corpos foram agitados quando se aproximaram."

Os cientistas explicam os seus resultados na edição de 21 de Janeiro da revista Nature.

O cientista planetário Clark Chapman do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado, EUA, que não esteve envolvido na pesquisa, disse que este achado é "prova observacional" de que os asteróides são transformados pela atracção gravitacional da Terra.

"A correlação entre as cores dos NEA e das suas passagens é excelente," escreveu Chapman num artigo da mesma edição da Nature.

A descoberta poderá não só ajudar a compreender as cores dos asteróides, mas também como são feitas. Os investigadores planeiam usar as suas ideias para prever o que irá acontecer quando o asteróide Apófis passar perto da Terra em 2029.

Ele deverá "agitar-se, sacudir-se, rebolar-se à medida que passa," afirma Binzel. "Se pudermos estabelecer alguns instrumentos em órbita ou à sua superfície, o estudo e decifrar destes rangidos e murmúrios poderá dizer-nos quão potencialmente perigosos são asteróides como o Apófis."

Links:

Notícias relacionadas:
Nature (requer subscrição)
Science
Universe Today
Science Daily
New Scientist
Scientific American
SPACE.com
EurekAlert!
Discovery News

Asteróides:
SEDS
NASA
Wikipedia

Projecto de pesquisa de objectos próximo da Terra:
NEAT
NASA
Wikipedia

 
     
 
 
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Nesta paisagem celeste estão as galáxias do grupo NGC 7771. A uns 200 milhões de anos-luz na direcção da constelação de Pégaso, NGC 7771 é a grande galáxia espiral vista de perfil ao centro, com cerca de 75.000 anos-luz de diâmetro, e com outras duas galáxias mais pequenas por baixo. A grande espiral NGC 7769 é a galáxia à direita, vista de cima. As galáxias do grupo NGC 7771 estão interagindo umas com as outras, fazendo passagens rasantes consecutivas que no fim resultam em fusões galácticas numa escala cósmica de tempo. As interacções podem ser traçadas pelas distorções nas galáxias e pelas ténues correntes de estrelas criadas pelas marés gravitacionais. Mas uma imagem limpa do grupo galáctico é difícil de obter, pois a imagem profunda também revela grandes nuvens de poeira, no pano da frente. A ténue nebulosa reflecte luz estelar da nossa própria Via Láctea e situa-se a apenas umas centenas de anos-luz da Terra.

 


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