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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 632
De 26/03 a 29/03/2010
 
 
 

Dia 26/03: 85.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, o exercito dos Estados Unidos lança o Explorer 3.

Observações: Plutão na Quadratura Oeste, pelas 03:27.
Régulo brilha para a esquerda da Lua esta noite.

Dia 27/03: 86.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, era lançada a Mariner 7.

Observações: Régulo brilho por cima da Lua esta noite. Para baixo e para a esquerda da Lua está Saturno. Por baixo de Saturno, Espiga. A brilhar bem para a esquerda de Espiga, está Arcturo.

Dia 28/03: 87.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1993 foi descoberto um resto de supernova na galáxia M81 (Ursa Maior), pelo astrónomo amador espanhol Francisco Garcia Diaz.

Observações: Na madrugada do dia 28 de Março, a Hora Legal muda. Em Portugal, à 01:00 da manhã, adiante o seu relógio 60 minutos, passando para as 2:00 da manhã.
O ponto brilhante para a esquerda da Lua é o planeta Saturno.

Dia 29/03: 88.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1807, Vesta, o asteróide mais brilhante, e o único que por vezes pode ser visto a olho nu, é descoberto por Olbers.

Em 1974, primeiro voo rasante da sonda Mariner 10 por Mercúrio.
Observações: Será que consegue observar o planeta Vénus, baixo a Oeste, ao lusco-fusco?

 
 
 
Veja aqui um "trailer" do Telescópio Espacial do futuro e o há muito esperado sucessor (embora parcialmente) do Hubble, o James Webb.
 
 
 
  EXPLICADO: PORQUE É QUE TANTOS RASTREIOS DE GALÁXIAS LONGÍNQUAS PERDEM 90% DOS SEUS ALVOS  
 

Os astrónomos sabem desde há muito tempo que, em muitos rastreios do Universo longínquo, uma grande fracção da radiação intrínseca total não é observada. Agora, graças a um rastreio profundo executado com dois dos quatro telescópios gigantes de 8.2 metros que compõem o Very Large Telescope do ESO (VLT) e a um filtro de alta qualidade, os astrónomos determinaram que uma enorme fracção de galáxias cuja luz demorou 10 mil milhões de anos a chegar até nós não foi descoberta. O rastreio ajudou igualmente a encontrar algumas das galáxias menos luminosas alguma vez descobertas nesta fase inicial do Universo.

Os astrónomos utilizam frequentemente a impressão digital forte e característica da radiação emitida pelo hidrogénio conhecida como risca de Lyman-alfa, para investigarem o número de estrelas formadas no Universo longínquo. No entanto, suspeita-se desde há muito tempo que inúmeras galáxias permanecem por descobrir nestes rastreios. Um novo rastreio obtido com o VLT demonstra, pela primeira vez, que é exactamente isso que se passa. A maior parte da emissão de Lyman-alfa fica presa na galáxia que a emite, e por isso 90% das galáxias não aparecem nos rastreios baseados nesta radiação.

"Os astrónomos sempre souberam que estavam a perder uma certa fracção de galáxias nos rastreios de Lyman-alfa," explica Matthew Hayes, autor principal do artigo publicado esta semana na revista Nature, "mas agora e pela primeira vez podemos quantificar essa fracção. O número de galáxias perdido é substancial."

Imagem do campo GOODS-South.
Crédito: ESO/M. Hayes
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Para determinarem que fracção da radiação total se está a perder, Hayes e a sua equipa utilizaram a câmara FORS montada no VLT e um filtro de banda estreita para medir a radiação de Lyman-alfa, seguindo o procedimento padrão dos rastreios de Lyman-alfa. Seguidamente, usando a nova câmara HAWK-I montada noutro dos telescópios que compõem o VLT, fizeram, na mesma zona do espaço, o mapeamento da risca de H-alfa, radiação emitida a um comprimento de onda diferente, também por hidrogénio brilhante. Procuraram especificamente galáxias cuja luz tivesse viajado durante 10 mil milhões de anos (deslocamento para o vermelho de 2.2), numa zona do céu bem estudada, conhecida como o campo GOODS-South.

"Esta é a primeira vez que observámos uma zona do céu tão profundamente, observando a radiação emitida pelo hidrogénio a estes dois comprimentos de onda tão específicos, o que provou ser crucial," diz Göran Östlin, membro da equipa. O rastreio foi extremamente profundo e por isso mesmo descobriu algumas das galáxias menos luminosas conhecidas nesta fase inicial da vida do Universo. Os astrónomos puderam assim concluir que os rastreios tradicionais baseados na risca de Lyman-alfa vêem apenas uma pequena parte da radiação que é emitida, já que a maioria dos fotões Lyman-alfa são destruídos por interacção com as nuvens interestelares de gás e poeira. Este efeito é dramaticamente mais significativo no caso da radiação Lyman-alfa do que no caso da radiação H-alfa. Como resultado, muitas galáxias, numa proporção tão alta como 90%, não são detectadas destes rastreios." Ou seja, se observamos dez galáxias, podem bem existir cem," diz Hayes.

Diferentes métodos observacionais, tendo como alvo a radiação emitida a diferentes comprimentos de onda, levará sempre a uma visão do Universo que é apenas parcialmente completa. Os resultados deste rastreio alertam de maneira clara os cosmólogos, uma vez que a assinatura de Lyman-alfa é cada vez mais tida em conta quando se trata de examinar as primeiras galáxias que se formaram na história do Universo. "Agora que sabemos quanta radiação temos estado a perder, poderemos começar a criar representações do cosmos muito mais fiáveis, compreendendo melhor quão depressa as estrelas se formaram em diferentes épocas da vida do Universo," diz o co-autor Miguel Mas-Hesse.

Esta descoberta foi possível graças à câmara utilizada. HAWK-I, que viu a primeira luz em 2007, é um instrumento de última geração. "Existem apenas algumas câmaras com um campo de visão maior do que o da HAWK-I, mas encontram-se montadas em telescópios com menos de metade do tamanho do VLT. Por isso, apenas a VLT/HAWK-I é capaz de encontrar de forma eficaz galáxias tão pouco luminosas a estas distâncias," diz o membro da equipa Daniel Schaerer.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (em formato PDF)
Universe Today
PHYSORG.com

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
     
 
 
  ROVER DA NASA FICA MAIS ESPERTO À MEDIDA QUE ENVELHECE  
 

O rover Opportunity da NASA, agora no seu 7.º ano em Marte, tem uma nova capacidade: a de tomar as suas próprias decisões acerca de observações novas e adicionais de rochas que avista ao chegar a um novo local.

O software, enviado este Inverno, é o exemplo mais recente da NASA em aproveitar a imprevista longevidade dos rovers gémeos para testes reais de condução marciana, tendo por base avanços feitos em autonomia robótica para missões futuras.

Agora, o computador do Opportunity pode examinar imagens que captura com a sua câmara de ângulo-largo, e reconhecer rochas que encaixam em critérios específicos, tais como formas redondas ou cores claras. Pode então centrar a sua câmara panorâmica de ângulo mais estreito no alvo escolhido e tirar múltiplas imagens com vários filtros.

O rover Opportunity tirou esta imagem em preparação para a primeira selecção autónoma de um alvo para observação futura.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"É uma maneira de obtermos mais dados científicos," afirma Tara Estlin do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. Ela pertence à equipa que conduz os rovers, é membro sénior do Grupo de Inteligência Artifical do JPL e líder do desenvolvimento deste novo sistema de software.

O novo sistema é denominado AEGIS (Autonomous Exploration for Gathering Increased Science). Sem ele, as observações conseguintes estavam dependentes do envio das primeiras imagens para a Terra, para serem analisadas pelos operadores em busca de alvos interessantes nos dias seguintes. Por causa dos limites temporais e do volume de dados, a equipa pode escolher conduzir o rover novamente, antes que alvos potenciais sejam identificados ou antes de examinar alvos que não são da mais alta prioridade.

As primeiras imagens obtidas por um rover marciano, que escolheu o seu próprio alvo, mostram uma rocha com o tamanho de uma bola de rugby, com uma cor bronzeada e texturas sedimentares. Parece ser uma das rochas expelidas para a superfície quando um impacto cria uma cratera. O Opportunity apontou a sua câmara panorâmica para esta rocha após analisar uma foto de maior-ângulo obtida pela câmara de navegação do rover no final de uma condução a 4 de Março. O Opportunity decidiu que esta rocha em particular, era a que melhor preenchia os critérios indicados pelos cientistas de entre as mais de 50 avistadas na foto: grande e escura.

Imagens obtidas através de três dos filtros no novo programa informático do Opportunity são combinadas para pintar esta imagem aproximadamente em cores reais da rocha, com o tamanho de uma bola de rugby.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade de Cornell
 

"Descobriu exactamente o alvo que queríamos," afirma Estlin. "Esta selecção correu exactamente como tínhamos planeado, graças ao trabalho de muita gente, mas ainda é para nós surpreendente o modo como o Opportunity realizou uma nova actividade autónoma após mais de 6 anos em Marte."

O Opportunity pode usar o novo programa informático em locais de paragem ao longo de um único dia de movimento ou no final da condução diária. Isto permite-lhe identificar e examinar alvos de interesse que ao invés poderiam ser negligenciados.

"Gastámos anos a desenvolver esta capacidade em rovers de pesquisa cá na Terra," afirma Estlin. "Há seis anos atrás, nunca pensámos que a poderíamos usar no Opportunity."

Os investigadores antecipam que o programa informático seja útil para instrumentos com campo de visão mais estreito em rovers futuros.

Outras actualizações do software do Opportunity e do seu gémeo, Spirit, têm sido implementadas desde o seu primeiro ano em Marte. Estas incluem a escolha de um caminho que contorna obstáculos e o cálculo da distância que o braço do rover tem que percorrer até tocar numa determinada rocha. Em 2007, ambos os rovers receberam a capacidade de examinar imagens do céu para determinar o que é nuvens e o que é diabos marcianos, e depois transmitir apenas as imagens seleccionadas. Esta actualização mais recente dá outro passo em frente, permitindo com que o Opportunity seja capaz de tomar decisões acerca de novas observações.

O software AEGIS permite aos cientistas mudar os critérios usados para a escolha de alvos potenciais. Em alguns ambientes, rochas escuras e angulares podem ser alvos de maior prioridade do que rochas claras e arredondadas, por exemplo.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
PHYSORG.com

Rovers marcianos da NASA:
Página oficial
Wikipedia

Programa AEGIS:
JPL

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars

 
     
 
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Nebulosas vacilam quando estrelas gigantes formam-se dentro delas (via SPACE.com)
De acordo com novas simulações, as nuvens de gás a partir das quais se formam estrelas massivas, parecem tremeluzir como uma vela ao longo de milhares de anos, à medida que a radiação da estrela atinge estruturas densas nas nuvens. [Ler fonte]

 
     
 
     
  Sol Revigorado e Proeminência - Crédito: Alan Friedman (Averted Imagination)  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Proeminências dramáticas podem por vezes ser observadas para lá do limite do Sol. Tal foi o caso a semana passada quando uma proeminência gigante, visível na imagem à direita, realçou o aumento de actividade solar à medida que o Sol sai de um Mínimo Solar invulgarmente calmo. Um tapete mutável de gás quente é visível na cromosfera do Sol, observado aqui num comprimento de onda muito específico, emitido pelo hidrogénio. Uma proeminência solar é uma nuvem de gás solar mantida acima da superfície do Sol pelo seu campo magnético. A Terra poderia caber facilmente por baixo da proeminência à direita. Embora muito quentes, as proeminências geralmente aparecem mais escuras quando observadas contra o Sol, pois são ligeiramente mais frias que a superfície. Uma proeminência quiescente normalmente dura cerca de um mês, e pode tornar-se numa EMC (ejeção de massa coronal), expelindo gás quente para o Sistema Solar. No dia seguinte, a mesma proeminência solar estava um pouco diferente.

 


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