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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 637
De 13/04 a 15/04/2010
 
 
 

Dia 13/04: 103.º dia do calendário gregoriano.
História: "Houston, we have a problem". Foram estas as palavras que o astronauta Jack Swigert disse ao controlo da missão em Houston no ano de 1970 depois do tanque de oxigénio n.º 2 do módulo de serviço da nave Apollo 13 ter explodido.

Os astronautas Swigert, Jim Lovell e Fred Haise movem-se então para o módulo lunar, que permaneceu sem danos. O voo continuou até e em volta da Lua e até à Terra. Todo o mundo observava com atenção à medida que a equipa terrestre e a tripulação da Apollo 13 ultrapassavam os obstáculos de salvar os astronautas. Estes conseguiram regressar em segurança à Terra.
Observações: À medida que a Primavera avança, Sírio, a estrela de Inverno, está cada vez mais baixa a sudoeste enquanto Arcturus, a estrela da Primavera sobe no horizonte a Este. Consegue descobrir a que horas estarão à mesma altura?

Dia 14/04: 104.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1629 nascia Christian Huygens, físico holandês e astrónomo, um dos cientistas mais proeminentes do século XVII.

Descobriu o anel e o quarto satélite (Titã) de Saturno (1655), e patenteou o primeiro relógio de pêndulo (1656). Na óptica propôs a teoria ondulatória da luz e descobriu a polarização. A sonda que há algum tempo aterrou em Titã tem o seu nome.
Em 1958, o satélite soviético Sputnik 2 cai de órbita após uma missão com a duração de 162 dias.
Em 1981, missão STS-1. O vaivém espacial Columbia completa o seu primeiro voo de testes.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton (GRO).
Em 2000, astrónomos detectam as primeiras provas observacionais dos restos de uma hipernova, explosões cem vezes mais energéticas que as supernovas e uma possível fonte dos poderosos GRB's(explosões de raios-gama), os eventos mais energéticos de todo o Universo conhecido, além do Big-Bang
Observações: Lua Nova, pelas 13:30.

Dia 15/04: 105.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1793 nascia Friedrich Georg Wilhelm von Struve, astrónomo Báltico-alemão.

Struve é conhecido pelo seu enorme estudo das estrelas duplas, e foi um dos primeiros astrónomos a identificar os efeitos da extinção interestelar.
Observações: Traga binóculos para um local com horizonte aberto a Oeste-Noroeste e, começando meia-hora depois do pôr-do-Sol, procure a muito fina Lua Crescente e o ténue planeta Mercúrio a 6,5º para baixo e para direita de Vénus. Um pouco mais tarde, antes que anoiteça completamente, tente procurar a pirâmide inclinada da Luz Zodiacal - isto é, se estiver longe de poluição luminosa.

 
 
 
Durante a descolagem do vaivém espacial, os dois propulsores juntamente com os três motores principais actuam apenas durante dois minutos. Isto dá ao vaivém o seu primeiro impulso durante a primeira etapa da ascensão. Quando os propulsores gastam o seu combustível, separam-se e caem no oceano de pára quedas. A segunda etapa continua com os três motores principais. Passados quase 9 minutos, os motores desligam-se e o tanque externo é libertado. Este reentra na atmosfera, onde se desintegra e cai no Oceano Pacífico ou Índico.
 
 
 
  "POLUIÇÃO" ESTELAR SUGERE QUE PLANETAS ROCHOSOS SÃO COMUNS  
 

Talvez Frank Drake tenha razão. Há quase meio século atrás, o astrónomo americano postulou que, com base em pura probabilidade estatística, a Via Láctea podia estar repleta de planetas tipo-Terra. Agora, observações de antigas estrelas como o nosso Sol, apelidadas de anãs brancas, sugerem que a esmagadora maioria delas abrigou pelo menos um mundo rochoso. Dado que as estrelas que terminam a sua vida como anãs brancas constituem bem mais de metade da população estelar da Via Láctea (certos estudos apontam para uma percentagem superior a 90%), isto significa que centenas ou até milhares de civilizações podem habitar na nossa Galáxia.

A questão de quantos mundos rochosos existem na Via Láctea desorienta os astrónomos há já quase cem anos. Mesmo hoje em dia, a tecnologia dificulta a pesquisa. Os astrónomos estão ainda a anos de serem capazes de fotografar directamente outra Terra. Os dois métodos de detecção de planetas extrasolares envolvem ou o estudo de pequenas oscilações no movimento de uma estrela, provocado pelo puxo gravitacional dos seus planetas em órbita, ou a observação da diminuição da luz da estrela quando um planeta passa entre esta e o observador terrestre. Ambos os métodos já revelaram centenas de planetas tipo-Júpiter, mas não um gémeo da Terra - embora já tenham sido avistados alguns planetas rochosos gigantes.

Impressão de artista de uma gigantesca cintura de asteróides em órbita de uma estrela. O novo estudo com dados do SDSS mostra que entulhos semelhantes em torno de muitas anãs brancas contaminam estas estrelas com material rochoso e água.
Crédito: NASA/JPL/Caltech/T. Pyle (SSC)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Hoje, numa reunião da Sociedade Astronómica Real em Glasgow, Reino Unido, uma equipa de investigadores apresenta um novo método para estimar quantos planetas rochosos podem existir. O estudo centra-se nas anãs brancas. Estes sóis moribundos já brilharam como o nosso, mas no final da sua vida de 9 mil milhões de anos, cresceram e transformaram-se em gigantes vermelhas, estrelas com diâmetros até 200 vezes o do nosso Sol (se isto acontecesse no nosso Sistema Solar, o Sol crescia até para lá da órbita da Terra). Então, gradualmente, estas estrelas inchadas murcham até metade do seu tamanho original, lentamente diminuindo de brilho e ficando rodeadas por uma grande mas fina atmosfera.

De acordo com os cientistas, estas atmosferas podem ser um sinal fácil de ler, um sinal indicador da existência prévia de planetas rochosos em órbita de estrelas mortas. Normalmente, estas atmosferas são dominadas por elementos leves, como o hidrogénio e hélio, pois os elementos mais pesados tendem a caír para o interior da estrela. Mas cerca de 20% das anãs brancas estão poluídas por elementos mais pesados. Uma teoria afirma que estas estrelas recolheram esta poluição ao absorver gás interestelar e poeira. "Esta teoria já existe há muito tempo," afirma Jay Farihi da Universidade de Leicester, Reino Unido. "Mas eu suspeitava que era falsa."

A equipa de Farihi estudou o espectro, assinaturas químicas da luz, em 146 anãs brancas localizadas até várias centenas de anos-luz da Terra, com o SDSS (Sloan Digital Sky Survey). De entre estas estrelas, 109 exibiram espectros que indicavam a presença atmosférica de elementos mais pesados como o cálcio. Os planetas rochosos são as únicas fontes prováveis destes elementos pesados, por isso o espectro mostra que estas estrelas devem ter consumido tais planetas durante o seu estágio de gigante vermelha.

Com base nos dados, a equipa extrapolou que pelo menos 3,5% de todas as estrelas como o Sol na Via Láctea actualmente contêm planetas rochosos. Através de outro cálculo grosseiro, isto significa que a nossa Galáxia teve já, a dada altura, um máximo de mil milhões de planetas rochosos. Uma pequena fracção destes, por sua vez, podem ter sido do tipo Terra, o que significa que preenchiam determinados critérios, como a existência de água e presença na zona habitável do sistema estelar.

O estudo reforça a ideia de que a formação de planetas em torno de outras estrelas "é um resultado comum," afirma o cientista planetário Jonathan Fortney da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, EUA. Tão comum, salienta, que o número de estrelas com planetas rochosos é "provavelmente muito maior" que o valor de 3,5% estimado pelos autores. Pode até ser superior a 20%, dado que alguns sistemas planetários são inteiramente destruídos e não deixam traços para poluir a anã branca com elementos mais pesados.

Também interessante é o indício que algum deste material rochoso, poluidor de anãs brancas, continha água. As anãs brancas estudadas tinham atmosferas de hélio, mas mostraram traços de hidrogénio, um dos dois elementos que constituem a água. Se o hidrogénio e os metais forem oriundos de fontes diferentes, as estrelas que contêm ambos devem ser raras, explicou Farihi. Mas na realidade são bastante comuns, sugerindo que o hidrogénio e os metais têm a mesma fonte.

"As rochas que forneceram os metais provavelmente forneceram o hidrogénio," afirma Farihi. O hidrogénio sugere que os minerais que continham metais também continham água, um elemento essencial para a vida como a conhecemos. A descoberta de uma assinatura de oxigénio nas atmosferas destas anãs brancas poderá ajudar a melhorar esta interpretação, mas Farihi afirma que a equipa precisa do Hubble para a descobrir. Pediram tempo de observação e estão à espera da decisão.

Links:

Notícias relacionadas:
SPACE.com
New Scientist
Science
MSNBC

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
     
 
 
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  Vénus e Mercúrio em Paris - Crédito: Josselin Desmars  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Vá para a rua esta noite e observe uma das conjunções mais interessantes dos últimos anos. Após o pôr-do-Sol, os planetas Mercúrio e Vénus são visíveis e estão bastante perto um do outro. Vénus, actualmente bem discernível como um dos objectos mais brilhantes do céu, é frequentemente confundido com um avião. Mercúrio, no entanto, é mais ténue e difícil de avistar. No entanto, recentemente Mercúrio tem estado perto de Vénus, aparecendo cada vez mais para baixo do planeta ao longo desta semana e da que passou. Na imagem, Vénus e Mercúrio foram fotografados perto da famosa Catedral de Notre Dame em Paris, França.

 


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