E-mail em HTML com imagens e propriedades CSS. Caso não o consiga visualizar correctamente, clique aqui.
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Página PrincipalRSS Sindicação RSSRemover da lista

ASTROBOLETIM N.º 641
De 27/04 a 29/04/2010
 
 
 

Dia 27/04: 117.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, passagem do Asteróide 1989 ML pela Terra (0.2520 UA).
Em 2002 foi a última telemetria bem sucedida Pioneer 10.
Observações: Esta semana a Ursa Maior flutua de cabeça para baixo muito alta a Norte após o anoitecer. As suas estrelas-guia, que formam a parta da frente da "frigideira", apontam exactamente na direcção da Estrela Polar.

Dia 28/04: 118.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1900, nascia Jan Oort, astrónomo holandês pioneiro no campo da radioastronomia.

A nuvem de Oort tem o seu nome.
Em 1903, M. Wolf descobre o asteróide Iolanda (509).
Em 1913, G. Neujmin descobre o asteróide Faina (751). J. Palisa descobre o asteróide Oskar (750).
Em 1914, F. Kaiser descobre o asteróide Hohensteina (788)
Em 1916, M. Wolf descobre o asteróide Henrika (826).
Em 1924, J. Hartmann descobre o asteróide La Plata (1029).
Em 1932, C. Jackson descobre o asteróide Zambesia (1242).
Em 2001, o milionário Dennis Tito torna-se no primeiro turista espacial.
Observações: Lua Cheia, pelas 13:20.

Dia 29/04: 119.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1715, John Flamsteed observa Urano pela sexta vez.

Em 1861, R. Luther descobre o asteroide Leto (68).
Em 1902, M. Wolf descobre o asteroide Pittsburghia (484)
Em 1921, B. Jekhovsky descobre o asteroide Painleva (953).
Em 1930, C. Jackson descobre o asteroide (1268).
Observações: Perto da meia-noite, já a constelação de Hércules está alta o suficiente para permitir uma boa observação telescópica do seu famoso enxame globular, M13.

 
 
 
Mercúrio é conhecido pelo menos desde o tempo dos Sumérios (terceiro milénio antes de Cristo). Foi-lhe dado dois nomes pelos Gregos: Apolo pela sua aparição como estrela da manhã e Hermes como estrela da tarde. Os astrónomos gregos sabiam, no entanto, que os dois nomes se referiam ao mesmo corpo. Heráclito até acreditava que Mercúrio e Vénus orbitavam o Sol, não a Terra.
 
 
 
  SEGUINDO AS PEGADAS DO HUBBLE: MAIORES E MELHORES TELESCÓPIOS ESPACIAIS  
 

O Hubble celebra por esta altura o seu 20.º aniversário. Mas nem por isso os cientistas deixam de trabalhar na próxima geração de telescópios espaciais, sucessores maiores e mais poderosos que o famoso instrumento orbital.

O Telescópio Espacial Hubble foi lançado no dia 24 de Abril de 1990, com um espelho imperfeito, mas sobreviveu duas décadas em grande parte devido às cinco missões de manutenção e reparação levadas a cabo pelos astronautas a bordo dos vaivéns espaciais. O seu olhar cósmico levou a descobertas sem paralelo acerca do Universo e a espantosas imagens do Cosmos que agora estão embebidas nos corações e mentes do público.

"O Hubble tornou-se num ícone da Ciência porque consegue produzir imagens gloriosas," afirma Rick Fienberg, astrónomo da Sociedade Astronómica Americana.

Mas dentro em breve a Ciência dará outros passos em frente.

Os futuros telescópios espaciais, desenhados à escala com o Hubble.
Crédito: Karl Tate, SPACE.com, NASA
 

O Telescópio Espacial James Webb da NASA tem lançamento previsto para daqui a alguns anos. E outros novos observatórios espaciais estão também a ser considerados, mesmo que ainda não tenham recebido um avale oficial.

A visão colectiva destes telescópios espaciais gigantes cobre um espectro que varia desde o infravermelho até aos raios-X, e poderá permitir aos cientistas ver ainda mais para o passado, na direcção do início do Universo.

"Cada geração de telescópios lançada para o espaço é largamente superior que as anteriores, parcialmente devido à maior abertura mas também a melhores detectores," realça Fienberg.

O muito antecipado Telescópio James Webb (JWST) da NASA representa o próximo sucessor do Hubble, com lançamento previsto para 2014.

Com um espelho primário de 6,5 metros, tem quase sete vezes o poder do espelho do Hubble (2,4 metros). O JWST também bate o seu antecessor com um comprimento de 22 metros, quase o tamanho de um campo de ténis, em comparação com o tamanho de um autocarro escolar, 13,4 metros.

O Hubble observa o Universo principalmente na luz visível e em comprimentos de onda ultravioleta, com também uma pitada de infravermelho. Mas o JWST vai focar as suas observações em maiores comprimentos de onda. Isto significa que o JWST conseguirá ver as primeiras galáxias que se moveram devido à expansão do Universo, dado que a luz emitida por estas galáxias-bebés deslocou-se para a parte mais vermelho do espectro.

Modelo do JWST em tamanho normal, no centro Goddard da NASA.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Existe um outro sucessor do Hubble e (já) do JWST ainda maior, mas por enquanto apenas em papel. O Advanced Technology Large Aperture (ATLAST) tem um espelho principal de pelo menos 8 metros de diâmetro, mas possivelmente poderá chegar aos 16 m. Este telescópio teórico da NASA representa um dos seus pontos altos para os anos entre 2025 e 2035.

Outros telescópios espaciais poderão complementar os sucessores directos do Hubble e ajudar a substituír outros telescópios espaciais actualmente em órbita como o Observatório de raios-X Chandra, o Telescópio Espacial Spitzer ou o Observatório Espacial Herschel. Tais instrumentos cobrem as periferias mais extremas do espectro, que raramente conseguem atravessar a atmosfera da Terra até telescópios no chão.

A próxima geração do Spitzer e Herschel poderá ser lançada em 2015. O observatório Single Apertur Far-InfraRed (SAFIR) usa um único espelho primário que mede entre 5 e 10 metros de diâmetro, em comparação com os 0,85 metros do Spitzer.

Assim sendo, o SAFIR será 1000 vezes mais sensível que o Spitzer e o Herschel a detectar sinais infravermelhos e microondas.

Outro projecto, o Observatório Internacional de raios-X (IXO), representa um esforço conjunto entre a NASA, a ESA e a JAXA (a agência espacial japonesa). Está desenhado como tendo um espelho raios-X concatenado com cerca de 20 vezes mais área que qualquer outro observatório em raios-X, e com um lançamento possível por volta de 2021.

Mas ao contrário dos telescópios que observam o Universo no infravermelho ou no ultravioleta, o IXO usa espelhos primários e secundários colocados quase de lado na direcção oriunda dos raios-X, para que a radiação ressalte de ambos num ângulo baixo. Isto impede com que os raios-X sejam simplesmente absorvidos pelos espelhos.

Outro projecto implica a construção de um telescópio raios-X numa escala ainda maior que a do IXO. A missão Generation-X tem 500 vezes a área de recolha do Observatório Chandra, e poderá examinar o nascimento e evolução das primeiras estrelas, galáxias e buracos negros.

Impressão de artista do Terrestrial Planet Finder da NASA.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ainda outros projectos, como o Terrestrial Planet Finder (TPF) proposto pela NASA, envolvem uma rede de dois ou mais telescópios espaciais. Tais instrumentos podem imitar a resolução angular de lentes telescópicas muito maiores, ou até complementar observatórios na observação de fenómenos diferentes, como é o caso do TPF.

Os astrónomos naturalmente anseiam pela próxima geração de maiores e melhores telescópios espaciais, porque cada destas importantes missões custa para cima de mil milhões de dólares e podem levar entre 10 e 20 anos a desenvolver. As missões de serviço ajudaram o venerável Hubble a exceder o seu tempo esperado de vida, mas a maioria dos instrumentos apenas dura entre 5 e 10 anos.

"Mesmo que se construa um hoje e lance amanhã outro, estamos já a pensar no próximo e a fazer planos," explica Fienberg. "Caso contrário, acabamos com missões separadas por uma década."

Só o JWST vai custar à NASA, à ESA e ao Canadá qualquer coisa como 5 mil milhões de dólares, durante todo o seu ciclo de vida. "De momento, todos estes projectos à excepção do James Webb estão apenas no papel," afirma Fienberg. "O JWST vai ser o maior telescópio em órbita ainda durante algum tempo."

Links:

Telescópio Espacial Hubble: 
20.º Aniversário do Hubble (NASA)
Hubble, NASA 
ESA
STScI
Wikipedia

Telescópio Espacial James Webb:
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

ATLAST:
STScI
Wikipedia

SAFIR:
JPL (NASA)

IXO:
NASA
ESA
Wikipedia

Missão Gen-X:
CfA (Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica)

TPF:
JPL (NASA)
Wikipedia

 
     
 
 
     
  Pilar de Poeira da Nebulosa Carina - Crédito: NASAESA, e M. Livio e a  Equipa do 20.º Aniversário do Hubble (STScI)  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Dentro da cabeça deste monstro interestelar está uma estrela que lentamente o destrói. O monstro, à direita, é na realidade um pilar inanimado de gás e poeira que mede mais de um ano-luz em comprimento. A estrela, não visível através da poeira opaca, está rebentando parcialmente ao ejectar feixes energéticos de partículas. Semelhantes batalhas épicas acontecem por toda a região da Nebulosa Carina. As estrelas irão ganhar no fim, destruíndo os seus pilares da criação durante os próximos 100.000 anos, e resultando num novo enxame aberto. Os pontos rosa na imagem são estrelas recém-formadas já livres dos seus casulos. A imagem acima foi anunciada a semana passada em comemoração do 20.º aniversário do Telescópio Espacial Hubble. O nome técnico para os jactos estelares é objeco Herbig-Haro. Como uma estrela cria jactos Herbig-Haro permanece ainda um tópico de investigação, mas provavelmente envolve um disco de acreção que orbita em torno de uma estrela central. Um segundo e impressionante jacto Herbig-Haro ocorre diagonalmente perto do centro da imagem.

 


Centro Ciência Viva do Algarve
Arquivo de Astroboletins Observações Astronómicas Fórum de discussão CCVAlg.pt