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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 650
De 28/05 a 31/05/2010
 
 
 

Dia 28/05: 148.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 585 AC, ocorre um eclipse solar, como previsto pelo filósofo e cientista grego Tales de Mileto, durante o qual Aliates II enfrenta Cyaxares na Batalha de Halys ou Batalha do Eclipse, o que leva a uma trégua. Esta é uma das datas mais importantes, a partir da qual outras datas podem ser calculadas.
Em 1959, lançamento dos dois macacos Able & Baker. Passaram 16 minutos a viajar a uma altitude de 580 km. 
Em 1971 era lançada a Mars 3(USSR).

A 2 de Dezembro do mesmo ano, alcançou Marte mas o lander enviou apenas 20 segundos de dados.
Em 1998, o asteróide 1998 KY26era descoberto por Tom Gehrels. Usando observações por radar, a velocidade de rotação deste asteróide foi estimada em 10.7 minutos!
Em 2002, a Mars Odysseydescobre sinais de imensos depósitos de gelo no planeta Marte. 
Observações: Um pequeno telescópio irá sempre mostrar a grande lua de Saturno, Titã, e hoje está à maior elongação do planeta, a cerca de quatro diâmetros anulares para Este.

Dia 29/05: 149.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1919, um eclipse solar total foi observado por dois diferentes grupos de astrónomos tentando confirmar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, medindo se o Sol distorcia as posições aparentes das estrelas das Híades.
Em 1974 era lançada a Luna 22(USSR).

Em 1999, o vaivém Discoverycompleta a sua primeira atracagem com a Estação Espacial Internacional
Observações: Marte está a 4,5º de Régulo em Leão. Procure este par de cores contrastantes a Oeste após o anoitecer. A estrela por cima é Gamma Leonis (Algieba).

Dia 30/05: 150.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, lançamento da Surveyor 1, a primeira sonda sonda americana a aterrar em segurança na Lua.

Em 1971 era lançada a Mariner 9. A 13 de Novembro alcança a órbita de Marte. Envia 6.900 imagens.
Observações: Com o aproximar do Verão, o Triângulo de Verão começa a subir no céu a Este. Vega é a mais alta e brilhante das três estrelas que perfazem o triângulo, ultrapassando em brilho qualquer outro objecto a Este durante a noite. Deneb é a estrela mais brilhante para baixo e para a esquerda de Vega, a cerca de dois-três punhos fechados à distância de um braço esticado. Procure Altair a nascendo entre três e quatro punhos para baixo e para a direita de Vega.

Dia 31/05: 151.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2001, a sonda Cassini completa o veu voo rasante por Júpiter e dirige-se para Saturno.

Imagens de despedida de um eclipse de Io mostram actividade auroral na atmosfera Ioniana.
Observações: No fim de Maio encontra a Ursa Maior já de cabeça para baixo, após os últimos de raios de Sol iluminarem o céu. Procure a constelação alta a Noroeste. A mais pequena e ténue Ursa Menor, entretanto, está quase na vertical, suportada pelo fim da sua "pega", a estrela Polar a Norte.

 
 
 
A estrela mais próxima do Sol é Proxima Centauri, do sistema triplo de Alpha Centauri, a 4.22 anos-luz, ou 3.99234299x10^13 km.
 
 
 
  GALÁXIAS RICAS EM FORMAÇÃO ESTELAR? COMO GRÃOS DE AREIA  
 

Astrónomos usando o Telescópio Herschel da ESA descobriram que as galáxias mais brilhantes tendem a estar nas partes mais movimentadas do Universo. Este bocado crucial de informação permitirá aos teóricos melhorar as suas teorias de formação galáctica.

Durante mais de uma década, os astrónomos coçaram cabeças devido a galáxias estranhas e brilhantes no Universo distante que pareciam estar a formar estrelas a velocidades fenomenais, o que as torna muito difícil de explicar com as teorias convencionais de formação galáctica. Uma questão importante tem sido os ambientes nos quais estão localizadas, tal como a que distância estão umas das outras. O Observatório Espacial Herschel, com a sua capacidade de mapear grandes áreas com extrema sensibilidade, foi capaz de observar milhares destas galáxias e identificar a sua localização, mostrando pela primeira vez que estão muito perto umas das outras, no centro de grandes enxames de galáxias.

Um projecto que usa o instrumento SPIRE a bordo do Herschel tem estudado grandes áreas do céu, actualmente totalizando 15 graus quadrados - cerca de 60 vezes o tamanho da Lua Cheia. As duas regiões mapeadas até agora encontam-se nas constelações da Ursa Maior e Dragão, bem longe da confusão da nossa própria Galáxia. As galáxias mais brilhantes observadas nos comprimentos de onda infravermelhos do Herschel são normalmente vistas tal como eram há cerca de 10 mil milhões de anos atrás - a sua luz viajou até nós desde aí.

Imagem do Universo longínquo, observado pelo instrumento SPIRE a bordo do Herschel.
Crédito: ESA/consórcio SPIRE e HerMES
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta imagem em cores-falsas mostra uma pequena porção do céu observado pelo Herschel. Quase cada ponto de luz é uma galáxia inteira, cada contendo milhares de milhões de estrelas. As cores representam os comprimentos de onda infravermelhos medidos pelo Herschel - as galáxias mais avermelhadas estão ainda mais distantes ou contêm poeira mais fria, enquanto as galáxias mais brilhantes estão a formar estrelas mais vigorosamente. Embora à primeira vista as galáxias pareçam estar espalhadas aleatoriamente, de facto não o estão. Um olhar mais cuidado revela que existem regiões com mais galáxias, e regiões com menos. Este aglomerado galáctico no espaço fornece informações acerca do modo como interagem ao longo da história do Universo.

O Dr. David Parker, Director do Departamento de Ciência e Exploração Espacial da Agência Espacial do Reino Unido, afirma: "Estes novos e espectaculares resultados do Herschel são apenas uma amostra do que está para vir, à medida que o Herschel continua a desvendar os segredos dos estágios iniciais de formação estelar e galáctica no nosso Universo."

O Herschel observa material que não pode ser avistado em comprimentos de onda visíveis, nomeadamente gás frio e poeira entre as estrelas. Isto é bem ilustrado ao observar galáxias mais próximas, que podem ser vistas em detalhe. As Galáxias das Antenas, a uns meros 50 milhões de anos-luz de distância, são na realidade duas galáxias no processo de colisão e foram observadas como parte de um programa de observação diferente. O Herschel não observa a luz emitida pelas estrelas, mas as nuvens de poeira nas quais se formam novas estrelas. A colisão destas galáxias provocou uma explosão de formação estelar, mas tais fusões são relativamente raras no Universo hoje em dia. No entanto, há milhares de milhões de anos atrás, quando as galáxias estavam muito mais perto umas das outras, tais eventos eram muito mais comuns.

As Galáxias das Antenas vistas no infravermelho pelo Herschel (esquerda), e no visível pelo Hubble (direita).
Crédito: ESA/PACS/SHINING/U. Klaas & M. Nielbock, MPIA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Apesar da nova janela para o Universo aberta pela radiação infravermelha, o Herschel não consegue ainda ver toda a paisagem. Três-quartos da matéria no nosso Universo é constituída pela misteriosa "matéria escura", que não emite brilho. Dado que não podemos observar a matéria escura, não sabemos ainda a sua constituição, mas podemos medir o seu efeito na matéria em redor. Embora não emita nem absorva luz, a matéria escura interage com o resto do Universo através da gravidade, gradualmente aglomerando grupos de galáxias em grandes enxames durante um período de milhares de milhões de anos. Embora existam hoje em dia muitas simulações computacionais que demonstram este processo, a capacidade de o medir em diferentes alturas da história do Universo permite aos astrónomos comparar as simulações com as medições reais.

Estes últimos resultados do Herschel, parte do programa "HerMES", mostraram que as galáxias mais brilhantes, detectadas com o instrumento SPIRE, preferencialmente ocupam regiões do Universo que contêm mais matéria escura. Isto parece ser especialmente verdade há cerca de 10 mil milhões de anos atrás, quando estas galáxias formavam estrelas a uma velocidade muito maior que a maioria das galáxias actualmente.

A nossa Galáxia, a Via Láctea, reside nos subúrbios de um grande superenxame centrado a aproximadamente 60 milhões de anos-luz de distância. O superenxame galáctico mais próximo do nosso está a cerca de 300 milhões de anos-luz de distância. Em comparação, há 10 mil milhões de anos atrás, as galáxias estavam separadas, em média, entre 20-30 milhões de anos-luz. A sua proximidade significa que muitas das galáxias iriam eventualmente colidir umas com as outras. São estas colisões que agitam o gás e a poeira nas galáxias e que provocam grandes explosões de formação estelar. O professor Asantha Cooray, da Universidade da Califórnia, é um dos astrónomos do HerMES que lidera a investigação, e comentou acerca dos resultados mais recentes: "Graças à soberba resolução e sensibilidade do instrumento SPIRE no Herschel, conseguimos mapear com detalhe a distribuição espacial de galáxias ricas em formação estelar durante as fases mais jovens do Universo. Todos os indícios mostram que estas galáxias estão ocupadas com colisões, fusões e possivelmente estabelecendo-se nos centros de grandes halos de matéria escura."

Foi necessária a sensibilidade e resolução do Hershchel para sermos capazes de identificar as galáxias mais brilhantes e estabelecer o modo como se aglomeram. O Dr. Lingyu Wang, da Universidade do Sussex, disse que "já sabemos há muito tempo que o ambiente desempenha um papel importante na evolução das galáxias. Com o Herschel, somos capazes de atravessar grandes quantidades de poeira e estudar o impacto do ambiente logo desde o início destas galáxias massivas que formam estrelas a velocidades incríveis. Isto permite-nos testemunhar o passado activo das galáxias elípticas e mortas de hoje, em alturas em que estavam em ambientes ricos."

O professor Seb Oliver, da Universidade do Sussex, co-líder do projecto HerMES, apresentou estes resultados a semana passada no Simpósio Primeiros Resultados do Herschel nos Países-Baixos. Ele afirma que "este resultado da equipa de Asantha é fantástico, é exactamente aquilo que esperávamos descobrir graças ao Herschel e que foi apenas possível porque podemos observar tantas galáxias."

Este estudo, parte do Projecto HerMES (Herschel Multi-tiered Extragalactic Survey) da missão Herschel, será publicado na revista Astronomy & Astrophysics, numa edição especialmente dedicada aos primeiros resultados científicos do telescópio espacial. O projecto vai continuar a recolher mais imagens ao longo de maiores áreas do céu com o objectivo de construír uma imagem mais completa de como as galáxias evoluíram e interagiram durante os últimos 10 mil milhões de anos.

Links:

Notícias relacionadas:
Agência Espacial do Reino Unido (comunicado de imprensa)
ESA
Universe Today
PHYSORG.com

Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
Vídeo sobre o Herschel (formato Flash)
Wikipedia

 
     
 
 
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  M13: o Grande Enxame Globular de Hércules - Crédito: Marco Burali, Tiziano Capecchi, Marco Mancini (Osservatório MTM)  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Em 1716, o astrónomo inglês Edmond Halley notou, "esta é uma pequena mancha, mas consegue-se ver a olho nu, quando o céu está sereno e não há Lua." Claro, M13 é agora modestamente reconhecida como o Grande Enxame Globular de Hércules, um dos mais brilhantes enxames globulares do hemisfério Norte. Imagens telescópicas revelam centenas de milhares de estrelas no enxame. A uma distância de 25.000 anos-luz, as estrelas do enxame apinham uma região com apenas 150 anos-luz de diâmetro, mas perto do núcleo do enxame, mais de 100 estrelas podem estar contidas num cubo com apenas 3 anos-luz de aresta. Em comparação, a estrela mais próxima do Sol está a 4,22 anos-luz de distância. Além do núcleo denso do enxame, os limites exteriores de M13 são salientados nesta espectacular imagem a cores. As estrelas gigantes azuis e vermelhas do enxame, mais evoluídas, aparecem em tons amarelados e azuis.

 


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