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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 660
De 02/07 a 05/07/2010
 
 
 

Dia 02/07: 183.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, o satélite de raios-gama Vela foi lançado com a intenção de detectar explosões de bombas nucleares, mas tornou-se famoso pela sua inesperada descoberta dos GRB's (explosões de raios-gama).
Em 1978, James Christy obtém uma fotografia de Plutão com uma forma distintamente alongada. Observações repetidas da forma e da sua variação foram provas suficientes para a descoberta do satélite de Plutão, Caronte.
Em 1985, era lançada a missão Giotto. O seu objectivo era passar pelo cometa Halley e enviar de volta as primeiras imagens do núcleo de um cometa.

O primeiro encontro ocorreu a 13 de Março de 1986, a uma distância de 596 km. A Giotto também estudou o Cometa P/Grigg-Skjellerup durante a sua missão.
Observações: A Lua nasce por volta da meia-noite. Cerca de 75 minutos depois, nasce Júpiter.

Dia 03/07: 184.º dia do calendário gregoriano.
História: Maior aproximação do Cometa C/1998 T1 (LINEAR) pela Terra (0.492 UA).
Em 2006, o asteróide denominado 2004 XP14 passa a 432.308 km da Terra.

Observações: Ao anoitecer nesta altura do ano, Arcturo está alto a Sudoeste mesmo por cima de Espiga (depende da sua latitude). E a forma de papagaio-de-papel de Boieiro prolonga-se para cima de Arcturo.

Dia 04/07: 185.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1054 foi detectada pela primeira vez uma brilhante supernova registada pelos astrónomos chineses.

Deu origem ao resto de supernova que recebeu o nome de Nebulosa do Caranguejo e que é também conhecido por M1.
Em 1997, a sonda Pathfinder aterrava em Marte.
Em 2005, a Deep Impact colide com o cometa Tempel 1.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 15:36.

Dia 05/07: 186.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1687, era publicado o Philosophiae Naturalis Principia Mathematica de Isaac Newton.

Pela primeira vez era dada uma explicação para a causalidade do movimento dos planetas e satélites.
Em 1998, o Japão lança uma sonda para Marte e junta-se à lista de países que participam na exploração espacial. Devido a vários problemas com a Nozomi cerca de um ano depois, a missão foi abandonada.
Observações: Aproveite a noite para observar telescopicamente a Nebulosa do Anel, M57.

 
 
 
O nosso Sol está movendo-se a 320 m/s na direcção da constelação de Hércules.
 
 
 
  INVESTIGADORES ESCLARECEM NASCIMENTO DAS PRIMEIRAS ESTRELAS  
 

No começo, havia hidrogénio e hélio. Criados nos primeiros três minutos após o Big Bang, estes elementos deram origem a todos os outros elementos no Universo. As fábricas que tornaram isto possível foram as estrelas. Através da fusão nuclear, as estrelas produziram elementos como o carbono, oxigénio, magnésio, silício e outras matérias-primas necessárias para a formação de planetas e finalmente a vida.

Mas como é que as primeiras estrelas nasceram? Novas investigações da Universidade de Columbia (Nova Iorque, EUA) mostram que tudo se resume a esta simples reacção:

H- + H → H2 + electrão

"De modo a seguirmos a cadeia de eventos responsável pela nossa origem, precisamos de compreender o início," afirma Daniel Wolf Savin, investigador sénior do Laboratório de Astrofísica da Universidade de Columbia. O trabalho de Savin e dos seus colaboradores, que incluem o autor principal e antigo membro do grupo Holger Kreckel, agora da Universidade de Illinois, será publicado na edição de hoje da revista Science.

As primeiras estrelas primordiais começaram como pequenas sementes que rapidamente cresceram em estrelas com cem vezes a massa do nosso Sol. Nesta impressão de artista, rodopiantes nuvens de hidrogénio e hélio são iluminadas pela primeira luz estelar a brilhar no Universo.
Crédito: David A. Aguilar (CfA)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A pesquisa de Savin explica uma reacção química chave que teve lugar no Universo cerca de um milhão de anos após o Big Bang. Essa reacção, denominada separação associativa, permitiu às nuvens no Universo arrefecer, condensar e formar as primeiras estrelas.

"Em ordem a compreender como é que as primeiras estrelas foram formadas, precisamos saber como é que as nuvens [onde nasceram] arrefeceram. O hidrogénio molecular (H2) irradiou o calor para fora das nuvens, por isso precisamos saber quanto hidrogénio havia na nuvem. Isto, por sua vez, requer a compreensão dos processos químicos pelos quais o H2 foi formado. É o que nós medimos," afirma Savin.

H2 é formado quando dois átomos de hidrogénio se juntam para formar uma molécula. O grupo de Savin mediu esta probabilidade. Os seus resultados mostram que a probabilidade de tal acontecer é maior que a que os cálculos teóricos e experiências anteriores demonstraram.

"A anterior incerteza nesta reacção limitava a nossa capacidade de prever se uma nuvem de gás iria formar uma estrela ou não, e caso isso acontecesse, então qual seria a massa dessa estrela," acrescenta Savin. "É um dado importante de quantificar, porque a massa de uma estrela determina os elementos que irá sintetizar."

As massas previstas para as primeiras estrelas dependem das condições iniciais das nuvens primordiais a partir das quais foram formadas. Estas condições são altamente incertas e ainda uma área activa de pesquisa. Ao comparar os modelos previstos com as observações do Universo, os astrónomos podem aproximar-se das condições iniciais. Mas a precisão destas estimativas depende criticamente do nosso conhecimento das reacções químicas por detrás, particularmente aquelas medidas por Savin e pelo seu grupo. Com os novos dados em mão, os cosmólogos serão mais capazes de determinar quais as condições iniciais do Universo jovem, levando à formação das primeiras estrelas.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Columbia (comunicado de imprensa)
Science (requer subscrição)
Science
National Science Foundation
SPACE.com
PHYSORG.com
MSNBC

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

 
     
 
 
     
  Galáxias Por Um Fio - Crédito: Adam Block, Mt. Lemmon SkyCenter, U. Arizona  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Galáxias como NGC 5216 (topo) e NGC 5218 realmente parecem que estão ligadas por um fio. Claro, esse fio é um rastro cósmico de gás, poeira e estrelas com cerca de 22.000 anos-luz de comprimento. Também conhecido como o sistema de Keenan (o nome do seu descobridor) e Arp 104, o par galáctico em interacção está a uns 17 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação da Ursa Maior. O rastro de detritos que as liga, bem como a extensão com a forma de cabeleira de NGC 5218 e os braços distorcidos de NGC 5216, são consequência de forças de marés. As marés perturbam as galáxias à medida que repetidamente passam perto uma da outra. Com o passar dos milhares de milhões de anos, os encontros vão provavelmente resultar na fusão em uma única galáxia. Tais espectaculares fusões galácticas são agora entendidas como uma parte normal da evolução das galáxias, incluíndo a nossa própria Via Láctea.

 


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