NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 67
19 de Outubro de 2004
NAVES MAIS RÁPIDAS A FEIXES MAGNÉTICOS

De acordo com pesquisadores desenvolvendo o conceito para a NASA, feixes de plasma poderão transportar astronautas até Marte e voltar em apenas 90 dias. A ideia poderá significar viagens interplanetárias mais rápidas.

Disparando um feixe magnetizado de partículas carregadas - ou iões - numa nave equipada com uma vela magnética poderá propulsioná-la a velocidades espantosas, de acordo com Robert Winglee da Universidade de Washington em Seattle. Explorando o poder da força magnética de repulsão entre a vela e o feixe daria uma enorme velocidade à nave.

Winglee apresenta hoje a "Propulsão de feixe de plasma magnetizado" - ou conceito "mag-beam" - no Instituto da NASA para os Conceitos Avançados (NIAC).

Em teoria, a nave espacial seria lançada a partir de uma estação espacial em órbita da Terra. Esta dispararia então um feixe magnetizado, impulsionando a nave a grandes velocidades. À medida que se aproximasse do seu ponto de destino, um segundo feixe - disparado de uma estação espacial orbitando Marte - faria diminuir a velocidade.


Video de um teste do novo protótipo de propulsão, o "Mag-beam".
(clique na imagem para ver o vídeo em formato "avi")

Uma nave convencional movida a combustível levaria dois anos a completar a viagem de ida e volta a Marte, diz Winglee. Em contraste, acrescenta, este feixe magnetizado poderia acelerar as naves a milhares de quilómetros por hora.

"É uma grande vantagem chegar lá mais depressa," disse Robert Cassanova, director do NIAC, porque se gastaria menos comida e combustível na viagem, deixando mais recursos para suportar a exploração. Os astronautas estão também em melhor forma se gastarem menos tempo na viagem, dado que a ausência de peso diminui a estrutura óssea e os músculos, e a viagem espacial expõe-os a radiações.

"Se o nosso projecto tivesse um fundo sólido poderíamos no mínimo montar um teste de voo dentro de cinco anos," diz Winglee. Um único teste de voo custa mais ou menos 1 milhão de dólares, enquanto que uma viagem a Marte custaria milhares de milhões, dado que era necessária a construção de uma estação espacial em Marte. "Uma vez que a infraestrutura exista, a raça humana poderia começar a viajar no espaço sem desenhar novos motores".

Este projecto começou há anos atrás quando Winglee se questionou acerca de uma forma alternativa de viajar no espaço através de partículas carregadas que radiam do Sol, o chamado vento solar.

Este sistema envolve encher uma bolha de plasma ou vela, que repelaria o campo magnético do vento solar e faria a nave mover-se. Isto evita o desenvolvimento de velas mecânicas complexas, necessárias para "surfar" nos fotões do vento solar - outra hipótese anteriormente discutida. Wingless chamou a este sistema de navegação "propulsão mini-magnetosférica de plasma" ou M2P2.

Uma vez que o problema destas velas solares é que andaria apenas numa direcção, seria difícil usá-las para enviar uma nave a Marte e voltar.


Impressão de artista do método de propulsão experimental.
(clique na imagem para a ver maior)

Agora Winglee construiu um aparelho chamado "High Power Helicon" (HPH) que produz um feixe de partículas carregadas - ou "mag-beam" - que pode focar na vela e impulsionar a nave. "O nosso ponto forte é termos direccionalidade", diz Winglee. E a 60 kilowatts, é um dos geradores de plasma mais poderosos do mundo. "É uma vela de plasma com esteróides," acrescenta.

Mas o "mag-beam" pode não ser a única alternativa para uma viagem interplanetária rápida. Reactores nucleares montados em naves espaciais são também promissores, por exemplo. "O mag-beam está ainda no seu começo," nota Cassanova.

O maior problema com o "mag-beam", diz o colega de Winglee John Slough, é manter o feixe posicionado em longas distâncias.

"Ainda só experimentámos com alguns metros", diz Slough. "Será direccional a longas distâncias? Não o saberemos até experimentar.

Links:

Robert Winglee:
http://www.geophys.washington.edu/People/Faculty/winglee/

M2P2:
http://www.ess.washington.edu/Space/magbeam/
http://www.ess.washington.edu/Space/M2P2/

 
RECÉM-DESCOBERTO ENXAME PODE SER ÚLTIMO «FÓSSIL» DA VIA LÁCTEA

Mesmo quando os astrónomos pensavam que tinham acabado de desenterrar o último "fóssil" da nossa galáxia, descobriram um novo no equivalente galáctico ao nosso quintal.

Chamados enxames globulares, estes antigos conjuntos de estrelas datam desde o nascimento da Via Láctea, mais ou menos há 13 mil milhões de anos atrás. Estes rodeiam o centro da nossa galáxia tal como sementes numa abóbora. Os astrónomos usam os enxames como ferramentas para estudar a idade e formação da Via Láctea.

Novas imagens em infravermelho obtidas pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA e pelo Observatório Infravermelho da Universidade de Wyoming revelam um enxame globular nunca visto dentro da nossa Via Láctea. Os achados irão ser comunicados numa edição futura do "Astronomical Journal".


Imagem em infravermelho do enxame globular.
Crédito: H. Kobulnicky, NASA/JPL
(clique imagem para ver maior)

"É tal como encontrar um primo há muito tempo perdido," disse o Dr. Chip Kobulnicky, professor de Física e Astronomia na Universidade de Wyoming, Laramie, e autor principal do relatório. "Pensávamos que já tínhamos encontrado todos os enxames globulares da nossa galáxia."

"Não conseguia acreditar no que estava a ver," disse Andrew Monson, da Universidade de Wyoming, o primeiro a avistar o enxame. "Não estava certamente à espera de encontrar tal enxame."

O recém-descoberto enxame é um dos cerca de 150 conhecidos a orbitar o centro da Via Láctea. Estes conjuntos compactos de estrelas estão entre os objectos mais antigos da nossa galáxia, tendo-se formado há 10 ou 13 mil milhões de anos. Contêm algumas centenas de milhares de estrelas, a maioria delas velhas e menos massivas que o Sol.

Monson notou o enxame enquanto pesquisava dados do "Galactic Legacy Infrared Mid-Plane Survey Extraordinaire" do Telescópio Espacial Spitzer - um estudo para encontrar objectos escondidos dentro do plano galáctico da Via Láctea. Pesquisou nos arquivos de dados por algo semelhante e encontrou apenas uma imagem não documentada do enxame a partir de um estudo do céu infravermelho anteriormente realizado pela NASA, chamado "Two Micron All-Sky Survey". "O enxame encontrava-se nos nossos dados mas ninguém ainda o tinha encontrado," disse Monson.

"Esta descoberta demonstra quão poderoso é o Spitzer - pode ver objectos que estão completamente escondidos na luz visível," disse o Dr. Michael Werner do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "Isto é particularmente relevante para o estudo do plano da nossa galáxia, por entre os grandes aglomerados de pó que bloqueiam a maioria da luz visível."

Observações posteriores do Observatório de Infravermelho da Universidade do Wyoming ajudaram a estabelecer a distância do novo enxame em cerca de 9,000 anos-luz da Terra - mais perto que a maioria dos enxames -- e a indicar a massa como um equivalente a 300,000 Sóis. O tamanho aparente do enxame, visto da Terra, é comparável a um grão de arroz visto à distância de um braço. Está situado na constelação de Águia.

Links:

NASA:
http://www.nasa.gov

Telescópio Espacial Spitzer:
http://www.spitzer.caltech.edu/

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     
 
Restos da supernova de Kepler - Crédito: Gerald Cecil (UNC/Chapel Hill) et al., NASA
Numa visão vantajosa, a galáxia espiral NGC 3079 está a meros 50 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação da Ursa Maior. Mostrado nesta atordoante imagem em cores falsas do Telescópio Espacial Hubble, o disco da galáxia - composto por espectaculares aglomerados de estrelas em serpeantes braços espirais e impressionantes alamedas escuras de poeira - mede cerca de 70,000 anos-luz. Além disso, as características que mais chamam a atenção de NGC 3079 são os pilares de gás que se elevam acima de um cósmico caldeirão de actividades, em rotação, no centro da galáxia. Vistos numa inserção de perto na direita inferior, os pilares sobem a uma altura de cerca de 2,000 anos-luz e parecem situar-se na superfície de uma imensa bolha ascendendo do núcleo galáctico. Medidas indicam que os pilares gasosos estão fluindo para fora do núcleo a 6 milhões de quilómetros por hora. O que cria esta bolha no caldeirão da galáxia? Os astrónomos estão explorando a possibilidade de que a superbolha seja formada por ventos provenientes de estrelas massivas. Se for isto, estas estrelas massivas provavelmente nasceram todas de uma vez, à medida que o centro galáctico passou por uma repentina explosão de formação de estrelas.
Ver imagem em alta-resolução
     
 
  PRÓXIMA OBSERVAÇÃO:  
 
Dia 23 de Outubro, no castelo de Paderne, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 19/10: 293º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1900, Max Planck entrega uma nova teoria quântica a Berliner Physikalische Gesellschaft. A sua teoria revoluciona a ciência.
Em 1983, a Academia Real Sueca atribui o prémio Nobel da Física ao professor Subrahmanyan Chandrasekhar da Universidade de Chicago, EUA, pelos seus estudos teóricos dos processos físicos da estrutura e evolução das estrelas. O Professor William A. Fowler, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, por outro lado, recebe também o prémio pelos seus estudos teóricos e experimentais das reacções nucleares da importância da formação dos elementos químicos no Universo.

Dia 20/10: 294º dia do calendário gregoriano.
Observações: Lua em Quarto Crescente, 22:59. Ao princípio da noite, procure a Lua entre as estrelas de Sagitário (à direita da Lua) e o triângulo "invertido" de Capricórnio. Nasce às 14:45, passa o trânsito às 19:27 e põe-se às 0:09 do dia seguinte.

Dia 21/10: 295º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Chuva de meteoros Oriónidas (meia-noite): associada com o cometa Halley; aproximadamente 25 meteoros por hora.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Um grupo de estrelas referido como as "Sete Irmãs" (M45 ou Plêiades), é na realidade um conjunto de mais de 130 estrelas. Seis delas são visíveis a olho nu.
 
 
 
  PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:  
 
Tem alguma dúvida sobre Astronomia no geral que gostaria de ver esclarecida? Pergunte-nos! Tentaremos responder à sua questão da melhor maneira possível. A sua resposta virá numa das edições posteriores desta newsletter. Para enviar, carregue aqui.
 
 
Get Firefox!
Este é um boletim informativo. Por favor, não responda ao e-mail.
Compilado por: Miguel Montes e Alexandre Costa
Consulte o nosso sítio em: http://www.ccvalg.pt/astronomia
Para sair da nossa lista, carregue aqui.